Pepe
Escobar: China prioriza desenvolvimento enquanto EUA reforçam lógica de
espoliação geopolítica
Em
vídeo publicado no Pepe Café, o jornalista e analista geopolítico Pepe Escobar
analisa o avanço das tensões geopolíticas em torno da Rússia, China e Estados
Unidos. Segundo o analista, o momento global é marcado pela combinação de
“ressentimento e demência imperial” de Washington, que opera simultaneamente
tentativas de guerra híbrida contra países do Sul Global e iniciativas de
sedução diplomática de aliados estratégicos.
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Estratégia de Trump na Ásia Central e o jogo duplo dos “stan”
Pepe
Escobar relata o recente jantar do presidente Donald Trump, atual presidente
dos Estados Unidos, com os líderes de cinco países da Ásia Central —
Cazaquistão, Uzbequistão, Turcomenistão, Tadjiquistão e Quirguistão. O
jornalista destaca o comportamento calculado desses chefes de Estado: “Eles
jogaram o jogo à perfeição, alisaram a cabeça, as costas, os ombros do rei da
selva”, descreve Escobar.
Os
presentes “virtuais” incluíram promessas de investimentos e abertura para
negócios envolvendo recursos naturais e terras raras. Uma das declarações mais
emblemáticas, segundo Escobar, veio do presidente cazaque Kassym-Jomart
Tokayev, que afirmou que Trump poderia ser visto como “presidente do mundo”.
Mas o
movimento decisivo veio dois dias depois, quando Tokayev foi a Moscou
encontrar-se com Vladimir Putin, onde anunciou uma parceria estratégica
Rússia–Cazaquistão. Para Escobar, isso demonstra que: “Não estamos no terreno
das narrativas, isso é vida real. Geopolítica na prática.”
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Peso geoeconômico do Cazaquistão e as amarras com Rússia e China
O
Cazaquistão tem papel central na integração euroasiática. O país é:
• Produtor relevante de petróleo;
• Parceiro dos BRICS, ao lado do
Uzbequistão;
• Membro pleno da Organização de
Cooperação de Xangai (OCX), que reúne Rússia, China, Índia, Paquistão, Irã e
países da Ásia Central;
• Integrante da União Econômica
Euroasiática;
• Elo fundamental das Novas Rotas da Seda
(BRI).
Escobar
enfatiza que todos os trens chineses que cruzam a Eurásia rumo à Europa passam
pelo porto seco de Khorgos. Por isso, afirma categoricamente:
“O
Cazaquistão não vai comprar uma briga barata com Rússia ou China por causa de
promessas miríficas do rei da selva na Casa Branca.”
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Venezuela, Síria e Irã: pontos de tensão no tabuleiro de guerra híbrida
Escobar
afirma que o “império do caos” segue avançando com estratégias para fragmentar
Estados nacionais, apontando que a Síria permanece sob disputa envolvendo
Estados Unidos, Turquia, Israel e Rússia.
No caso
venezuelano, descreve um cenário incerto: “Ninguém sabe o que vai acontecer na
Venezuela, mas todos sabem o que pode acontecer, e todas as opções são as mais
horrendas possíveis.”
Ele
cita precedentes de ações militares americanas e golpes violentos que podem ser
replicados contra Caracas. Sobre o Irã, sustenta que qualquer ofensiva
enfrentará uma reação dura e sem precedentes.
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América Latina e a resistência política
O
analista elogia o discurso do presidente colombiano Gustavo Petro durante a
cúpula UE–CELAC, realizada em Santa Marta, quando o líder advertiu os europeus
sobre ataques e riscos sobre o Caribe. Para Escobar: “Pelo menos tem vozes no
Sul Global que se elevam.”
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O colapso das narrativas ocidentais
Escobar
critica a imprensa ocidental, especialmente a BBC, acusando-a de fabricar
narrativas falsas sobre Trump. Ele afirma:
“Está
provado para quem ainda precisava de provas de que a BBC mente.”
Relata
ainda uma operação fracassada atribuída ao MI6 para capturar um avião russo
MIG-31 equipado com míssil Kinzhal.
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Rússia e China enxergam “imaturidade estratégica” nos EUA
Segundo
Escobar, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, tem
repetido que Moscou enviou a Washington propostas com base em entendimentos
prévios, mas: “Ele não sabe se eles receberam ou mesmo se leram, porque não dá
a impressão de nada.”
Sobre a
China, o analista afirma que o país simplesmente ignora provocações e segue seu
roteiro interno: “A gente está no nosso projeto de desenvolvimento nacional.”
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Huawei rompe bloqueio tecnológico e ameaça hegemonia dos EUA
A parte
mais impactante da análise refere-se ao avanço tecnológico da Huawei, que
desenvolve um sistema próprio de litografia capaz de produzir chips de 3
nanômetros — etapa fundamental para autonomia em inteligência artificial.
Os
testes já ocorrem no centro de pesquisas da empresa em Dongguan, Guandong, e
podem entrar em produção em 2026.
Escobar
afirma que, se isso acontecer:
“A
China vira de ponta-cabeça o mercado mundial de semicondutores.”
Além
disso, destaca uma diretriz recente:
“Qualquer banco de dados afiliado ao Estado na China está proibido de
usar chips estrangeiros.”
Para
ele, isso acelera um ecossistema tecnológico totalmente soberano, baseado em
pesquisa e desenvolvimento massivos.
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Conclusão: o choque entre narrativas e realidade
Pepe
Escobar descreve um cenário global onde Washington mantém métodos agressivos,
mas perde capacidade de ditar rumos. Já China e Rússia aprofundam soberania e
integração no eixo euroasiático.
O
analista encerra com uma mensagem de resistência:
“A luta
continua sempre. A luta vai ser cada vez mais ferrenha.”
• A China não falha ao planejar, nem falha
por não planejar. Por Josef Gregory Mahoney
Cheguei
à chamada “idade da razão” durante o primeiro mandato de Ronald Reagan
(1981-1985), e recordo com nitidez duas lições que moldaram minha visão de
mundo. Ambas vieram de meu pai e foram reforçadas por um ambiente cultural
hegemonicamente anticomunista em plena Guerra Fria.
A
primeira era sua frase recorrente: “Quem não planeja, planeja falhar.” A
segunda era sua admiração por Milton Friedman, economista símbolo do
neoliberalismo e autor de Free to Choose (Livre para Escolher), de 1979, um
livro que inspirou Reagan a proclamar: “O governo não é a solução para o nosso
problema; o governo é o problema.”Décadas depois, essa crença ainda ecoa na
Casa Branca sob o governo do presidente Donald Trump, cuja política de desmonte
do Estado levou à paralisação de serviços públicos e ao aumento da pobreza
entre trabalhadores federais norte-americanos, muitos dos quais dependem hoje
de bancos de alimentos.
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O fracasso planejado dos Estados Unidos
Desde
os anos 1970, os EUA atravessam um ciclo contínuo de declínio. O sistema
americano parece ter normalizado a crise como mecanismo de controle social,
perpetuando a concentração de poder nas mãos de elites econômicas. Nas escolas,
aprendíamos não apenas a desprezar o planejamento estatal, mas também a
demonizar qualquer país que o praticasse — especialmente os socialistas.
A
ironia é que a famosa frase “Quem não planeja, planeja falhar” é atribuída a
Benjamin Franklin, um dos fundadores dos Estados Unidos. Ele escreveu
originalmente: “Ao deixar de se preparar, você está se preparando para falhar.”
Franklin, no entanto, ajudou a criar um sistema político que, por design,
limitava a capacidade do governo de organizar e planejar o próprio futuro.A
expressão também é associada ao filósofo Herbert Spencer, criador do conceito
de “sobrevivência do mais apto”, usado depois por Darwin. Spencer defendia o
individualismo extremo e o “darwinismo social”, teoria que justificava a
exclusão dos pobres e o racismo científico. Ambos — Franklin e Spencer — eram
homens de sua época: acreditavam na superioridade de sua raça e gênero, e
promoveram ideias misóginas e escravocratas.
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A visão racista e o mito da superioridade ocidental
Apesar
de Franklin admirar aspectos da filosofia confuciana, via os chineses como
“selvagens nobres”. Spencer foi ainda mais longe, descrevendo a China como uma
“civilização fracassada”, habitada por um povo “servil e sem criatividade”.
Essas ideias ecoam até hoje no discurso político americano, como mostrou a
declaração recente do vice-presidente J.D. Vance, ao justificar a guerra
comercial contra Pequim: “Pegamos dinheiro emprestado de camponeses chineses
para comprar o que esses camponeses fabricam.”
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O êxito do planejamento chinês
Desde
1949, a República Popular da China passou por fases desafiadoras em seu
planejamento centralizado, mas o balanço histórico é inquestionavelmente
positivo. Nenhum outro país conseguiu avanços tão profundos em desenvolvimento
humano, justiça social e rejuvenescimento nacional em tão pouco tempo.A recente
Quarta Sessão Plenária do 20º Comitê Central do Partido Comunista da China,
realizada em Pequim entre 20 e 23 de outubro, reafirmou esse caminho. O
principal resultado foi a aprovação das Recomendações para a formulação do 15º
Plano Quinquenal de Desenvolvimento Econômico e Social Nacional, que servirá
como guia estratégico até 2030, com o objetivo de alcançar a modernização
socialista até 2035.
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A nova etapa do socialismo moderno
O novo
plano prioriza a construção de um sistema industrial moderno, fortalecendo a
autossuficiência tecnológica e a inovação científica em áreas como computação
quântica e biomanufatura. Também busca expandir o mercado interno, aumentar o
consumo doméstico em setores como saúde e cultura, e reduzir a dependência das
flutuações do comércio global.Além disso, a China reafirma sua vocação de motor
do crescimento mundial, promovendo a abertura econômica de alto padrão, a
cooperação internacional e o compromisso com o desenvolvimento verde, mantendo
suas metas de neutralidade de carbono e de combate às mudanças climáticas.
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Planejar é governar com responsabilidade
O
planejamento é o núcleo de uma governança responsável. É a chave do sucesso
chinês na erradicação da pobreza extrema e na promoção da igualdade entre
gêneros e etnias. Em um mundo cada vez mais marcado pela improvisação política
e pela desigualdade sistêmica, a China demonstra que planejar não é apenas
prever o futuro — é criar um futuro melhor para todos.
Franklin
e Spencer, com suas contradições e preconceitos, não poderiam imaginar que o
verdadeiro exemplo do valor do planejamento viria, séculos depois, do Oriente
que eles desprezavam.
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O que EUA ganham ao ajudar Coreia do Sul a construir
submarinos nucleares
O
governo da Coreia do Sul finalizou um
acordo para construir submarinos de propulsão nuclear em parceria com
os Estados Unidos.
Os EUA
aprovaram os "submarinos de ataque" e concordaram em cooperar no
fornecimento de combustível, de acordo com um documento divulgado pela Casa
Branca na quinta-feira (13/11).
O
acordo representa um passo significativo nas relações da Coreia do Sul com os
EUA e surge em meio a um período de crescentes tensões na península coreana
envolvendo a Coreia do Norte, que possui armas
nucleares, e a China, que tem uma política
expansionista.
Segundo
especialistas, a estratégia de Washington é colocar pressão tanto sobre a
Coreia do Norte quanto sobre a China.
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O que está no acordo?
O
acordo sobre submarinos entre os EUA e a Coreia do Sul surge após os líderes de
ambos os países terem firmado um amplo tratado comercial no início do mês
passado, que prevê a redução das tarifas recíprocas de 25% para 15%.
O
presidente dos EUA, Donald Trump, havia imposto uma tarifa de 25% sobre Seul no
início deste ano, tarifa que o presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, conseguiu
negociar para 15%, depois que Seul anunciou que investiria US$ 350 bilhões nos
EUA, incluindo US$ 200 bilhões em investimentos em dinheiro e US$ 150 bilhões
em construção naval.
Em um
comunicado divulgado pela Casa Branca na quinta-feira, os EUA afirmaram ter
"dado aprovação para que a República da Coreia construa submarinos de
ataque movidos a energia nuclear... [e que] trabalharão em estreita colaboração
para avançar com os requisitos deste projeto, incluindo as formas de obtenção
de combustível".
Em uma
publicação anterior em sua plataforma de mídia social Truth Social, Trump havia
dito que os navios seriam construídos em um estaleiro na Filadélfia
administrado pelo conglomerado sul-coreano Hanwha.
Apenas
seis países possuem atualmente submarinos estratégicos movidos a energia
nuclear: os EUA, a China, a Rússia, o Reino Unido, a França e a Índia. O Brasil
está desenvolvendo seu primeiro submarino nuclear — o Álvaro Alberto — com data
de conclusão prevista para 2029.
A
Coreia do Sul já possui cerca de 20 submarinos, mas todos são movidos a diesel
e, portanto, precisam emergir com muito mais frequência. Os submarinos
nucleares são capazes de operar distâncias maiores e com maior velocidade.
"Dei
autorização para construir um submarino de propulsão nuclear, em vez dos
submarinos a diesel antiquados e muito menos ágeis que eles têm agora",
escreveu Trump no Truth Social.
A
Coreia do Sul é uma potência em energia nuclear civil. O país teve um programa
de armas nucleares na década de 1970, mas o abandonou após pressão dos EUA.
Assim,
sua capacidade de enriquecer ou reprocessar urânio é limitada pelos EUA, já que
a Coreia do Sul depende inteiramente de importações.
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Por que a Coreia do Sul quer submarinos nucleares?
A nova
cooperação tem como objetivo reagir à Coreia do Norte, que revelou recentemente
estar desenvolvendo seu próprio programa de submarinos nucleares.
Lee
havia dito a Trump em uma cúpula de líderes no mês passado que a Coreia do Sul
precisava de submarinos nucleares.
Em uma
entrevista na televisão na semana passada, Ahn Gyu-back, Ministro da Defesa da
Coreia do Sul, disse que os submarinos nucleares seriam uma "motivo de
orgulho" para a Coreia do Sul e um grande passo no fortalecimento da
defesa do país contra o Norte.
A
capacidade bélica dos submarinos nucleares manteria o líder norte-coreano Kim
Jong Un "acordado à noite", disse o ministro.
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A Coreia do Norte tem submarinos nucleares?
A
Coreia do Norte também tem investido em um programa de submarinos nucleares –
possivelmente com a ajuda da Rússia, de acordo com autoridades sul-coreanas.
Em
março de 2025, a Coreia do Norte divulgou imagens do que alegava ser um
submarino de propulsão nuclear em construção, mostrando Kim visitando o
estaleiro.
Acredita-se
que a Coreia do Norte terá os submarinos nos próximos anos.
Estima-se
que a Coreia do Norte também possua um arsenal de aproximadamente 50 armas
nucleares, como parte de seu programa nuclear mais amplo.
Jo
Bee-yun, pesquisadora do Instituto Sejong, sugeriu que a aquisição de
submarinos nucleares por Seul ajudará o país a se manter competitivo na
crescente corrida armamentista do Leste Asiático.
"O
fato de a Coreia do Norte possuir armas nucleares é comprovado", disse ela
à BBC. "A aquisição de submarinos nucleares pela Coreia do Sul é apenas um
passo em uma tendência maior de aumento da tensão."
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Isso vai aumentar as tensões na península da Coreia?
Não
está claro o quanto os submarinos de propulsão nuclear contribuirão para as
capacidades de defesa da Coreia do Sul – e, embora sejam muito caros, eles não
alteram significativamente o equilíbrio de poder na península coreana, segundo
alguns especialistas.
Yang
Uk, pesquisador do Instituto Asan de Estudos Políticos, disse à BBC que o
principal objetivo dos submarinos nucleares é assegurar aos eleitores
sul-coreanos que seu governo está respondendo à ameaça nuclear da Coreia do
Norte.
"A
Coreia do Sul não pode desenvolver suas próprias armas nucleares para se
contrapor às da Coreia do Norte", disse Yang. "O que eles podem
fazer? Colocar submarinos nucleares em operação."
Yang
acredita que a Coreia do Norte poderá se beneficiar com a mudança, pois ela
reforça sua justificativa para manter armas nucleares — o que significa que se
tornará mais difícil exigir que Pyongyang abandone seu arsenal nuclear.
Jo, no
entanto, enfatizou a vantagem estratégica que a Coreia do Sul pode obter com o
novo acordo de submarinos, descrevendo-o como uma "grande mudança"
que "significa que a Coreia do Sul agora é um ator regional".
"A
melhor característica de um submarino nuclear é a sua velocidade", disse
ela. "Agora ele pode ir rápido e longe, e a Coreia do Sul pode operar em
conjunto com mais países."
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O que os EUA ganham?
Para
Washington, o apoio ao programa de submarinos nucleares da Coreia do Sul
provavelmente visa pressionar tanto a Coreia do Norte quanto a China.
"Trump
transferiu o ônus dos gastos com defesa para a Coreia do Sul", explicou
Yang. "A Coreia do Sul expandirá consideravelmente seu orçamento de
defesa. Ela atuará como representante dos EUA, pressionando a China e a Coreia
do Norte."
Os EUA
e a China há muito competem por influência estratégica na Coreia do Sul,
deixando Seul numa situação geopolítica delicada. Mais recentemente, a China
tem intensificado sua atividade naval perto da fronteira marítima da Coreia do
Sul – uma ação semelhante às observadas no Mar da China Meridional.
Pequim
deve estar "furiosa" com o acordo de submarinos nucleares da Coreia
do Sul com os EUA, disse Yang.
Após o
anúncio do acordo, o embaixador chinês na Coreia do Sul, Dai Bing, disse
esperar que a Coreia do Sul "lidasse com essa questão de forma prudente,
levando em consideração as preocupações de todos os lados".
E
acrescentou ainda que Pequim estava dialogando com Seul sobre o assunto por
meio de canais diplomáticos, enfatizando que "a situação (de segurança) na
Península Coreana e na região ainda é complexa e delicada".
Embora
o presidente Trump tenha afirmado que os submarinos seriam construídos na
Filadélfia e trariam empregos para os EUA, as autoridades sul-coreanas têm
insistido que eles devem ser construídos localmente, onde as instalações
existentes podem entregá-los em um prazo muito mais curto.
Segundo
relatos, o próprio primeiro-ministro da Coreia do Sul, Kim Min-seok, afirmou
durante uma audiência parlamentar que o estaleiro de propriedade sul-coreana na
Filadélfia "não tinha capacidade" para construir tais embarcações.
A
Hanwha, proprietária do estaleiro, ainda não se pronunciou sobre o assunto.
Mas
agora que um acordo foi alcançado, o próximo passo é ajustar o acordo nuclear
entre os dois países, permitindo que os EUA forneçam combustível nuclear e
estabeleçam limites para seu uso militar.
Fonte: Brasil
247/BBC News em Seul

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