Jeferson
Miola: Bolsonaro cavou prisão na Papuda
Os
gângsteres Bolsonaro prepararam mais um plano de fuga do chefe do clã,
condenado a 27 anos e 3 meses de prisão.
Conforme
decisão do ministro Alexandre de Moraes, Bolsonaro passou da prisão domiciliar
para a preventiva depois que o Centro de Integração de Monitoração Integrada do
Distrito Federal comunicou ao STF “a ocorrência de violação do equipamento de
monitoramento eletrônico do réu JAIR MESSIAS BOLSONARO, às 0h08min do dia
22/11/2025. A informação constata a intenção do condenado de romper a
tornozeleira eletrônica para garantir êxito em sua fuga, facilitada pela
confusão causada pela manifestação convocada por seu filho” Flávio Bolsonaro.
De
acordo com a área de inteligência da Polícia Federal, a aglomeração convocada
pelo filho do condenado tem a “finalidade de obstruir a fiscalização das
medidas cautelares e da prisão domiciliar”.
“Embora
a convocação de manifestantes esteja disfarçada de ‘vigília’ para a saúde do
réu JAIR MESSIAS BOLSONARO, a conduta indica a repetição do modus operandi da
organização criminosa liderada pelo referido réu, no sentido da utilização de
manifestações populares criminosas, com o objetivo de conseguir vantagens
pessoais”, descreveu Moraes.
No caso
concreto, a principal vantagem pessoal de Bolsonaro seria a fuga para a
embaixada dos EUA, “em uma distância que pode ser percorrida em cerca de 15
(quinze) minutos de carro”.
Moraes
justificou que “a repetição do modus operandi da convocação de apoiadores, com
o objetivo de causar tumulto para a efetivação de interesses pessoais
criminosos; a possibilidade de tentativa de fuga para alguma das embaixadas
próxima à residência do réu; e a reiterada conduta de evasão do território
nacional praticada por corréu [Ramagem], aliada política [Zambelli] e familiar
[Eduardo] evidenciam o elevado risco de fuga de JAIR MESSIAS BOLSONARO”.
Com a
tornozeleira quebrada, Bolsonaro aproveitaria o tumulto da manifestação
convocada pelo filho Flávio para fugir, como fizeram outros bolsonaristas que
“também se valeram da estratégia de evasão do território nacional, com objetivo
de se furtar à aplicação da lei penal”.
Com
isso, Bolsonaro cavou a ida para a penitenciária da Papuda.
Ora, se
ele pode permanecer na embaixada dos EUA [ou em outra qualquer], que não tem as
condições de cuidados que alega ter em casa para cumprir “prisão domiciliar
humanitária”, então ele acabou assumindo que pode ficar preso na Papuda em
condições definidas pela perícia médica do judiciário.
Em
decisão complementar nesta manhã [22/11], Moraes julgou “prejudicados os
pedidos de concessão de prisão domiciliar humanitária e autorização de visitas”
já autorizadas.
Há todo
um formalismo injustificável em torno das condições de prisão do Bolsonaro. O
governo Ibaneis/MDB, do DF, trata-o como seu bandido preferido que não pode
cumprir pena na Papuda.
E as
cúpulas militares disseminam em off a visão de que o
ex-capitão merece passar a longa temporada de privação de liberdade em alguma
instalação militar com serviços de spa.
Bolsonaro
é um ex-presidente, sim, que desonra a história do Brasil, mas é preciso
distinguir que ele foi condenado não por atos administrativos ilícitos ou
decisões ilegais no governo, mas porque cometeu crimes gravíssimos, contra a
existência da democracia e do Estado de Direito.
Na
Argentina, os militares conspiradores e responsáveis pelo terror de Estado
foram julgados e condenados pela justiça civil à prisão perpétua, perderam as
patentes e aposentadorias militares e morreram no cárcere.
Antes
de ser tratado como ex-presidente, Bolsonaro precisa ser classificado como de
fato é: um gângster perigoso, traidor da Pátria e chefe de facção criminosa que
praticamente passou em revista o Código Penal Brasileiro.
¨
Moisés Mendes: Os médicos destruíram Bolsonaro horas
antes da prisão
Até um
mês atrás, a extrema direita e parte da velha direita queriam Bolsonaro como
candidato insubstituível a presidente em 2026, Mesmo que ele esteja inelegível
e tenha sido condenado a 27 anos de cadeia.
Agora,
ficamos sabendo que o chefe da organização criminosa tem pelo menos 10
problemas de saúde. Bolsonaro não teria condições de enfrentar a cadeia.
Poderia
ser presidente, mas não pode ficar preso. Está no relatório médico enviado ao
STF com pedido de prisão domiciliar, na sexta-feira, horas antes de Alexandre
de Moraes determinar a prisão preventiva em prédio da Polícia Federal.
Os
médicos juntaram sete exames. Os documentos comprometem o histórico de atleta
do piloto de jet ski. Teve duas pneumonias recentes. Tem a doença do refluxo
gastroesofágico com esofagite, que causa inflamações, dificuldade para comer e
dores abdominais.
Descobriu
que sofre de oclusão e estenose das carótidas, as artérias do pescoço que levam
sangue para a cabeça. Bolsonaro tem circulação de sangue deficiente no cérebro.
Tem a
doença aterosclerótica do coração, com acúmulo de placas de gordura nas
artérias. Tem hipertensão e anemia por deficiência de ferro, que provoca
cansaço e reduz a resistência física.
Enfrenta
os soluços intermitentes. Teve câncer de pele. Não dorme direito por sofrer de
apneia do sono, com interrupções respiratórias durante a noite. Os médicos
citam até uma hérnia inguinal.
Mais um
pouco e o relatório apresentaria Bolsonaro como moribundo. Quando se percebe,
pelo conjunto do que foi apresentado, que Bolsonaro tem problemas de saúde que
uma pessoa normal da sua idade também tem.
Pessoas
normais que se tratam em filas do SUS e que são presas em cadeias comuns. Mas
Bolsonaro, que tem regalias de homem milionário e de ex-presidente, não quer
ser preso.
Bolsonaro
teme, por previsível, o abalo da prisão na sua imagem pública. Agora ele é
presidiário. Mas o que ele mais teme é a realidade da cadeia.
Teme a
solidão, o abandono dos parceiros e a certeza de que não tem forças para sair
do cárcere melhor do que quando entrou na madrugada desse sábado.
No
entorno do fascismo, muitos dizem que ele tentou evitar a cadeia por ser
dengoso. É mais do que isso. Bolsonaro é covarde. O relatório médico é a
síntese do que Bolsonaro é.
Um
homem que nunca conseguiu oferecer provas da sua presumida valentia militar e
que sempre fraquejou na hora da verdade como líder civil da extrema direita.
Bolsonaro
foi um fraco quando tentou o golpe e abandonou seus militares e mais de 5 mil
pessoas desatinadas na invasão de Brasília. Agora, tem medo da cadeia.
Se os
médicos informaram ao STF que Bolsonaro tem deficiências físicas comuns à
população brasileira com idade ao redor de 70 anos, qual seria seu real
problema pessoal?
O
déficit dele é outro. É o do sujeito que, com esses problemas, considera-se no
direito de dispor de privilégios por temer a cadeia. O déficit de Bolsonaro é
de hormônios da bravura moral.
¨
Sara Goes: Obrigada, meninos Bolsonaros
O
agravamento da prisão de Jair Bolsonaro, que deixou a condição domiciliar e
passou a preventiva fechada neste sábado, não é apenas uma decisão judicial. É
uma ironia histórica dessas que não pedem ajuda à ficção para parecerem
trágicas. Não se trata de uma rebelião consciente como a de Zeus contra Cronos
nem de um colapso afetivo como o de Rei Lear diante das próprias filhas. O que
se vê agora é a sabotagem perfeita, involuntária, fabricada dentro da própria
casa. É o patriarca derrubado pelos filhos que ele moldou para serem não
indivíduos, mas extensões obedientes da sua vontade.
O eixo
dessa história é o narcisismo político. Bolsonaro nunca quis filhos no sentido
comum, com autonomia ou trajetória própria. Quis instrumentos, multiplicadores,
garantias simbólicas de poder. Criou uma prole treinada para confirmar suas
paranoias e reproduzir seu desprezo pelas regras, como se a família fosse uma
exceção orgânica ao Estado de Direito. Ao longo dos anos, instalou neles a
certeza de que leis são obstáculos negociáveis e que qualquer ameaça externa é
perseguição. O resultado é um grupo incapaz de medir risco e condicionado a
confundir imprudência com lealdade.
Foi
nesse ambiente de delírio compartilhado que o ciclo se fechou. O agravamento da
prisão não veio por manifestações públicas, mas pela soma das evidências de que
o núcleo familiar tentava transformar a detenção domiciliar em ficção. Houve
articulação de plano de fuga. Houve tentativa de romper a tornozeleira
eletrônica. Houve movimentação incompatível com qualquer regime que pressupõe
colaboração mínima. A Justiça interpretou esse conjunto de ações como prova
objetiva de que o ex-presidente não apenas ignorava as condições impostas, mas
operava ativamente para frustrá-las.
E cada
filho colaborou para reforçar esse diagnóstico. Carlos, com as marcas digitais
em estruturas clandestinas de vigilância e desinformação, demonstrou que a
lógica de obstrução não cessou com a queda do pai. Eduardo, com seu trânsito
permanente no submundo da retórica insurrecional, manteve a temperatura
política necessária para caracterizar risco continuado. Flávio, ainda que não
tenha provocado juridicamente o agravamento da prisão, ajudou a construir o
clima de insubordinação simbólica que reforça a ideia de que o grupo não
reconhece limites institucionais.
A
ironia da peripécia cármica está justamente na coerência fatal dessa cadeia de
eventos. Bolsonaro passou anos investindo na construção de um cinturão de
lealdade absoluta que, em vez de protegê-lo, anulou qualquer possibilidade de
autocontenção. Criou um ambiente familiar em que a própria noção de
consequência deixou de existir. O espelho que ergueu para contemplar sua
grandeza devolveu agora a imagem precisa da sua vulnerabilidade jurídica.
No fim,
não foi o Estado que cercou Bolsonaro. Foi o próprio projeto político e afetivo
que ele arquitetou. Foi a soma das práticas que ele naturalizou. Foi a família
que cresceu acreditando que a lei não se aplica a quem carrega o sobrenome. Ao
tentar escapar, ao romper a tornozeleira, ao acionar seus operadores, Bolsonaro
apenas completou a lógica que sempre guiou o clã: a convicção de que poder
pessoal vale mais do que ordem institucional. A preventiva fechada é o desfecho
inevitável dessa crença.
O carma
não está na surpresa, mas na obviedade: criou soldados para defender sua
fantasia e terminou derrubado pelas consequências da própria formação. O pai
moldou os filhos. E os filhos, sem querer, moldaram a sentença. Obrigada,
meninos.
Fonte:
Brasil 247

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