sábado, 22 de novembro de 2025

Jeferson Miola: Bolsonaro cavou prisão na Papuda

Os gângsteres Bolsonaro prepararam mais um plano de fuga do chefe do clã, condenado a 27 anos e 3 meses de prisão.

Conforme decisão do ministro Alexandre de Moraes, Bolsonaro passou da prisão domiciliar para a preventiva depois que o Centro de Integração de Monitoração Integrada do Distrito Federal comunicou ao STF “a ocorrência de violação do equipamento de monitoramento eletrônico do réu JAIR MESSIAS BOLSONARO, às 0h08min do dia 22/11/2025. A informação constata a intenção do condenado de romper a tornozeleira eletrônica para garantir êxito em sua fuga, facilitada pela confusão causada pela manifestação convocada por seu filho” Flávio Bolsonaro.

De acordo com a área de inteligência da Polícia Federal, a aglomeração convocada pelo filho do condenado tem a “finalidade de obstruir a fiscalização das medidas cautelares e da prisão domiciliar”.

“Embora a convocação de manifestantes esteja disfarçada de ‘vigília’ para a saúde do réu JAIR MESSIAS BOLSONARO, a conduta indica a repetição do modus operandi da organização criminosa liderada pelo referido réu, no sentido da utilização de manifestações populares criminosas, com o objetivo de conseguir vantagens pessoais”, descreveu Moraes.

No caso concreto, a principal vantagem pessoal de Bolsonaro seria a fuga para a embaixada dos EUA, “em uma distância que pode ser percorrida em cerca de 15 (quinze) minutos de carro”.

Moraes justificou que “a repetição do modus operandi da convocação de apoiadores, com o objetivo de causar tumulto para a efetivação de interesses pessoais criminosos; a possibilidade de tentativa de fuga para alguma das embaixadas próxima à residência do réu; e a reiterada conduta de evasão do território nacional praticada por corréu [Ramagem], aliada política [Zambelli] e familiar [Eduardo] evidenciam o elevado risco de fuga de JAIR MESSIAS BOLSONARO”.

Com a tornozeleira quebrada, Bolsonaro aproveitaria o tumulto da manifestação convocada pelo filho Flávio para fugir, como fizeram outros bolsonaristas que “também se valeram da estratégia de evasão do território nacional, com objetivo de se furtar à aplicação da lei penal”.

Com isso, Bolsonaro cavou a ida para a penitenciária da Papuda.

Ora, se ele pode permanecer na embaixada dos EUA [ou em outra qualquer], que não tem as condições de cuidados que alega ter em casa para cumprir “prisão domiciliar humanitária”, então ele acabou assumindo que pode ficar preso na Papuda em condições definidas pela perícia médica do judiciário.

Em decisão complementar nesta manhã [22/11], Moraes julgou “prejudicados os pedidos de concessão de prisão domiciliar humanitária e autorização de visitas” já autorizadas.

Há todo um formalismo injustificável em torno das condições de prisão do Bolsonaro. O governo Ibaneis/MDB, do DF, trata-o como seu bandido preferido que não pode cumprir pena na Papuda.

E as cúpulas militares disseminam em off a visão de que o ex-capitão merece passar a longa temporada de privação de liberdade em alguma instalação militar com serviços de spa.

Bolsonaro é um ex-presidente, sim, que desonra a história do Brasil, mas é preciso distinguir que ele foi condenado não por atos administrativos ilícitos ou decisões ilegais no governo, mas porque cometeu crimes gravíssimos, contra a existência da democracia e do Estado de Direito.

Na Argentina, os militares conspiradores e responsáveis pelo terror de Estado foram julgados e condenados pela justiça civil à prisão perpétua, perderam as patentes e aposentadorias militares e morreram no cárcere.

Antes de ser tratado como ex-presidente, Bolsonaro precisa ser classificado como de fato é: um gângster perigoso, traidor da Pátria e chefe de facção criminosa que praticamente passou em revista o Código Penal Brasileiro.

¨      Moisés Mendes: Os médicos destruíram Bolsonaro horas antes da prisão

Até um mês atrás, a extrema direita e parte da velha direita queriam Bolsonaro como candidato insubstituível a presidente em 2026, Mesmo que ele esteja inelegível e tenha sido condenado a 27 anos de cadeia. 

Agora, ficamos sabendo que o chefe da organização criminosa tem pelo menos 10 problemas de saúde. Bolsonaro não teria condições de enfrentar a cadeia.

Poderia ser presidente, mas não pode ficar preso. Está no relatório médico enviado ao STF com pedido de prisão domiciliar, na sexta-feira, horas antes de Alexandre de Moraes determinar a prisão preventiva em prédio da Polícia Federal.

Os médicos juntaram sete exames. Os documentos comprometem o histórico de atleta do piloto de jet ski. Teve duas pneumonias recentes. Tem a doença do refluxo gastroesofágico com esofagite, que causa inflamações, dificuldade para comer e dores abdominais.

Descobriu que sofre de oclusão e estenose das carótidas, as artérias do pescoço que levam sangue para a cabeça. Bolsonaro tem circulação de sangue deficiente no cérebro.

Tem a doença aterosclerótica do coração, com acúmulo de placas de gordura nas artérias. Tem hipertensão e anemia por deficiência de ferro, que provoca cansaço e reduz a resistência física. 

Enfrenta os soluços intermitentes. Teve câncer de pele. Não dorme direito por sofrer de apneia do sono, com interrupções respiratórias durante a noite. Os médicos citam até uma hérnia inguinal.

Mais um pouco e o relatório apresentaria Bolsonaro como moribundo. Quando se percebe, pelo conjunto do que foi apresentado, que Bolsonaro tem problemas de saúde que uma pessoa normal da sua idade também tem.

Pessoas normais que se tratam em filas do SUS e que são presas em cadeias comuns. Mas Bolsonaro, que tem regalias de homem milionário e de ex-presidente, não quer ser preso. 

Bolsonaro teme, por previsível, o abalo da prisão na sua imagem pública. Agora ele é presidiário. Mas o que ele mais teme é a realidade da cadeia.

Teme a solidão, o abandono dos parceiros e a certeza de que não tem forças para sair do cárcere melhor do que quando entrou na madrugada desse sábado.

No entorno do fascismo, muitos dizem que ele tentou evitar a cadeia por ser dengoso. É mais do que isso. Bolsonaro é covarde. O relatório médico é a síntese do que Bolsonaro é. 

Um homem que nunca conseguiu oferecer provas da sua presumida valentia militar e que sempre fraquejou na hora da verdade como líder civil da extrema direita.

Bolsonaro foi um fraco quando tentou o golpe e abandonou seus militares e mais de 5 mil pessoas desatinadas na invasão de Brasília. Agora, tem medo da cadeia. 

Se os médicos informaram ao STF que Bolsonaro tem deficiências físicas comuns à população brasileira com idade ao redor de 70 anos, qual seria seu real problema pessoal? 

O déficit dele é outro. É o do sujeito que, com esses problemas, considera-se no direito de dispor de privilégios por temer a cadeia. O déficit de Bolsonaro é de hormônios da bravura moral.

¨      Sara Goes: Obrigada, meninos Bolsonaros

O agravamento da prisão de Jair Bolsonaro, que deixou a condição domiciliar e passou a preventiva fechada neste sábado, não é apenas uma decisão judicial. É uma ironia histórica dessas que não pedem ajuda à ficção para parecerem trágicas. Não se trata de uma rebelião consciente como a de Zeus contra Cronos nem de um colapso afetivo como o de Rei Lear diante das próprias filhas. O que se vê agora é a sabotagem perfeita, involuntária, fabricada dentro da própria casa. É o patriarca derrubado pelos filhos que ele moldou para serem não indivíduos, mas extensões obedientes da sua vontade.

O eixo dessa história é o narcisismo político. Bolsonaro nunca quis filhos no sentido comum, com autonomia ou trajetória própria. Quis instrumentos, multiplicadores, garantias simbólicas de poder. Criou uma prole treinada para confirmar suas paranoias e reproduzir seu desprezo pelas regras, como se a família fosse uma exceção orgânica ao Estado de Direito. Ao longo dos anos, instalou neles a certeza de que leis são obstáculos negociáveis e que qualquer ameaça externa é perseguição. O resultado é um grupo incapaz de medir risco e condicionado a confundir imprudência com lealdade.

Foi nesse ambiente de delírio compartilhado que o ciclo se fechou. O agravamento da prisão não veio por manifestações públicas, mas pela soma das evidências de que o núcleo familiar tentava transformar a detenção domiciliar em ficção. Houve articulação de plano de fuga. Houve tentativa de romper a tornozeleira eletrônica. Houve movimentação incompatível com qualquer regime que pressupõe colaboração mínima. A Justiça interpretou esse conjunto de ações como prova objetiva de que o ex-presidente não apenas ignorava as condições impostas, mas operava ativamente para frustrá-las.

E cada filho colaborou para reforçar esse diagnóstico. Carlos, com as marcas digitais em estruturas clandestinas de vigilância e desinformação, demonstrou que a lógica de obstrução não cessou com a queda do pai. Eduardo, com seu trânsito permanente no submundo da retórica insurrecional, manteve a temperatura política necessária para caracterizar risco continuado. Flávio, ainda que não tenha provocado juridicamente o agravamento da prisão, ajudou a construir o clima de insubordinação simbólica que reforça a ideia de que o grupo não reconhece limites institucionais.

A ironia da peripécia cármica está justamente na coerência fatal dessa cadeia de eventos. Bolsonaro passou anos investindo na construção de um cinturão de lealdade absoluta que, em vez de protegê-lo, anulou qualquer possibilidade de autocontenção. Criou um ambiente familiar em que a própria noção de consequência deixou de existir. O espelho que ergueu para contemplar sua grandeza devolveu agora a imagem precisa da sua vulnerabilidade jurídica.

No fim, não foi o Estado que cercou Bolsonaro. Foi o próprio projeto político e afetivo que ele arquitetou. Foi a soma das práticas que ele naturalizou. Foi a família que cresceu acreditando que a lei não se aplica a quem carrega o sobrenome. Ao tentar escapar, ao romper a tornozeleira, ao acionar seus operadores, Bolsonaro apenas completou a lógica que sempre guiou o clã: a convicção de que poder pessoal vale mais do que ordem institucional. A preventiva fechada é o desfecho inevitável dessa crença.

O carma não está na surpresa, mas na obviedade: criou soldados para defender sua fantasia e terminou derrubado pelas consequências da própria formação. O pai moldou os filhos. E os filhos, sem querer, moldaram a sentença. Obrigada, meninos.

 

Fonte: Brasil 247

 

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