'O
regime precisava calá-la': a denúncia contra Bukele do marido de advogada
detida há meses em El Salvador
A
família não tem notícias dela desde o dia 5 de julho. Acusada de
"peculato" ou apropriação indevida de fundos do Estado, a advogada
defensora dos direitos humanos Ruth López foi presa na noite de 18 de maio em
El Salvador. Seu marido, Louis Benavides, descreve as circunstâncias da sua
prisão como "incomuns". Pouco depois da detenção, a
Procuradoria-Geral da República (PGR) salvadorenha alterou a acusação para
enriquecimento ilícito. O processo passou a ser mantido em sigilo por
solicitação da PGR, chefiada pelo procurador-geral Rodolfo Delgado. Ele foi
reeleito para o cargo em 2024 pela Assembleia Legislativa do país, controlada
pelo partido do governo. Seus opositores e críticos o consideram próximo ao
presidente salvadorenho, Nayib Bukele. A família da
acusada afirma que, desde julho, nenhum tipo de visita é permitido. Nem mesmo
seus advogados podem vê-la. As condições foram denunciadas por diferentes
organismos internacionais.
A BBC
News Mundo — o serviço em espanhol da BBC — entrevistou Louis Benavides. Ele
esteve em Londres para receber, em nome da esposa, o Prêmio Magnitsky 2025,
outorgado pelo seu trabalho em defesa das vítimas da injustiça e sua luta
contra a corrupção. O prêmio leva o nome do advogado russo Sergei Magnitsky
(1972-2009), que morreu na prisão depois de acusar funcionários russos de
cometerem uma fraude fiscal multimilionária. Trata-se do mesmo advogado que
inspirou a Lei Global Magnitsky dos Estados Unidos, aplicada recentemente pelo
governo Donald Trump ao ministro do STF Alexandre de Moraes e sua família.
Como
chefe da Unidade Anticorrupção e de Justiça da organização de direitos humanos
Cristosal, López chefiou diversas investigações sobre o governo Bukele. A BBC
reconheceu o trabalho de Ruth López em 2024, com sua inclusão na lista anual
das 100 mulheres mais influentes e
inspiradoras do mundo.
Na sua acusação original, a Procuradoria faz referência à época em que López
foi "assessora de confiança e braço direito de Eugenio Chicas, durante
seus dois mandatos no Tribunal Superior Eleitoral [como seu presidente]"
de El Salvador.
Chicas
também foi preso em fevereiro, acusado de enriquecimento ilícito. Ele presidiu
o TSE salvadorenho e ocupou posteriormente o cargo de secretário de
Comunicações da Presidência da República, durante o mandato do antecessor de
Bukele, o ex-presidente Salvador Sánchez Cerén (2014-2019), da Frente Farabundo
Martí de Libertação Nacional. "Segundo as investigações e as informações
coletadas nas buscas realizadas no caso de Eugenio Chicas, identificou-se
participação ativa [de López] nos fatos imputados", destacou a PGR, em
publicação na rede social X.
López
afirma que é prisioneira política. "Todas as acusações são pela minha
atividade jurídica, pelas minhas denúncias contra a corrupção deste
governo", gritou ela em 4 de junho, ao sair da audiência inicial que
determinou sua prisão preventiva. "Não irão me calar, quero um julgamento
público! Que me concedam um julgamento público, as pessoas merecem saber. Quem
nada deve, nada teme."
Benavides
é advogado, cientista político e recentemente se tornou ativista. Ele pede um
julgamento justo e público para sua esposa. Em entrevista à BBC, ele conta em
detalhes o que aconteceu desde que a polícia bateu à porta de sua casa naquele
domingo de maio, perto de meia-noite. Benavides também critica o governo de
Bukele, que, segundo ele, procura calar os ativistas e defensores de
direitos humanos, como sua esposa. E qualifica de "inconstitucional"
o regime de exceção vigente no seu país desde março de 2022.
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Confira, abaixo, a entrevista.
·
Já se passaram seis meses desde que Ruth López foi
detida. Como ela está? O sr. e seus advogados conseguiram se comunicar
regularmente com ela?
Louis
Benavides - Depois
que ela foi detida, em 18 de maio deste ano, Ruth ficou incomunicável por mais
de 72 horas. Pensamos que algo de grave houvesse acontecido com ela.
Felizmente, não foi o caso. Eles depois a levaram para um recinto da Polícia
Nacional Civil, da polícia de trânsito, onde ficou até 4 de julho. Até então,
conseguimos vê-la diariamente. Tínhamos contato com ela. Mas, quando ela foi
transferida para um presídio conhecido como Fazenda Penitenciária de Izalco, a
partir de 4 de julho, não tivemos nenhum tipo de comunicação. Ficamos
totalmente incomunicáveis, tanto nós, sua família, quanto seus advogados. Não
são permitidas visitas a Ruth há meses.
·
Qual é a última notícia que o sr. tem sobre a situação
legal da sua esposa? Os seus advogados conseguiram ter acesso completo ao
processo judicial?
Benavides
- Sim,
eles tiveram acesso completo, mas o caso foi colocado em sigilo.
Isso
cria complicações, pois não temos livre acesso ao processo, como ocorre
normalmente. Eles não podem fazer cópias do processo, nem gravá-lo, nem
retirá-lo do recinto. Para analisá-lo, os advogados precisam ir ao tribunal e
isso tem dificultado muito a preparação da defesa.
·
Como ela tem sido tratada na prisão, desde que foi
detida, em maio?
Benavides
- Quando
mantínhamos comunicação, ela não havia sido torturada. Pelo menos disso,
tínhamos certeza. Atualmente, eu não saberia responder. As autoridades parecem
estar acompanhando seus medicamentos. Toda vez que os remédios que ela recebe
periodicamente estão acabando, eles me avisam para poder levá-los. Quando fui
levar os remédios para o recinto de trânsito, em 4 de julho, eles me fizeram
esperar porque, supostamente, estavam ocupados com outros detidos. Depois de
uma hora, eles me disseram que Ruth não estava mais ali, que havia sido
transferida.
·
Ela foi detida por suposto peculato, mas eles alteraram
posteriormente a acusação para enriquecimento ilícito. O que o sr. tem a dizer
a respeito?
Benavides
- Primeiro,
devo dizer que as acusações são totalmente falsas. Ruth é inocente, mas o
regime percebeu que precisava calá-la, já que sua voz os incomodava. Era uma
voz com muita credibilidade, tanto nacional quanto internacionalmente. Ela
fazia denúncias fortes e fundamentadas, perturbando um regime que se preocupa
com a sua imagem. E eles procuraram uma forma de acusá-la de alguma coisa. Primeiro,
começaram com peculato, até que perceberam que essa acusação não se sustenta,
pois implica que a pessoa que está sendo acusada teve acesso ao dinheiro e o
manipulou. Mas isso não aconteceu em nenhum dos cargos que ela ocupou, enquanto
esteve no governo. Talvez ao perceberem isso, eles mudaram a acusação para
enriquecimento ilícito, que tem um conceito mais amplo.
·
Como sua equipe jurídica pretende responder a estas
acusações de enriquecimento ilícito?
Benavides
- Determinando
as origens do seu dinheiro, que são legais. O dinheiro vem do nosso trabalho
como família, do que ganhamos para sobreviver. Pretendemos contar a verdade nua
e crua.
·
O sr. acredita que esta estratégia irá funcionar?
Benavides
- Gostaria
de pensar que sim, que vai funcionar, mas acredito que o motivo principal da
detenção de Ruth é porque eles querem que ela se cale, devido ao seu trabalho
como ativista. O caso de Ruth também beneficiou muito o regime, pois, depois da
detenção de Ruth e do advogado Enrique Anaya Barraza, ocorrido uma semana
depois, houve uma grande deserção de jornalistas e ativistas, que se exilaram
imediatamente por medo. Por isso, honestamente não sei se teremos uma justiça
verdadeira.
·
O sr. disse que Ruth foi detida pelo seu trabalho como
ativista. Quais investigações específicas teriam motivado, segundo o sr., a sua
prisão?
Benavides
- Houve
vários casos. Ruth era chefe anticorrupção e de justiça da Cristosal, uma
organização dedicada à defesa dos direitos humanos. Por isso, ela começou a
investigar supostos casos de corrupção no governo. Um deles foi um caso
investigado e documentado por ela, em relação à gestão do dinheiro entregue
pelas famílias aos centros penais, para uso dos prisioneiros. Questionamentos
revelaram que essas instalações penitenciárias, como são conhecidas, gerenciam
de forma muito obscura o dinheiro que recebem das pessoas e do Estado. Ruth
também investigou contratos outorgados pelo Ministério da Saúde durante a
pandemia de covid-19 e descobriu contratações estranhas. Pessoas que nunca
haviam se dedicado à venda de insumos médicos subitamente receberam contratos
milionários.
·
Qual leitura o sr. faz da situação e da saída do país de
jornalistas, ativistas e organizações, como a Cristosal?
Benavides
- O
regime de El Salvador está tentando calar as vozes dissidentes porque tem muito
interesse pela sua imagem no exterior. Ele quer manter a imagem de um
governo cool, que trouxe segurança e promove o desenvolvimento. Seu
objetivo é atrair investimentos estrangeiros e, para isso, eles tentam calar a
realidade do país.
·
E qual é a realidade do país?
Benavides
- Estamos
vivendo em El Salvador a consolidação de uma ditadura, com uma pessoa que
controla os fios de todas as instituições e, em muitos casos, não oferece
diretrizes diretas. Mas é claro que todas as instituições acabam fazendo o que
ele espera ou o que ele diz para fazer.
·
Nesta linha, a Cristosal e outras organizações acusam
Bukele de estar acabando com as instituições e com o Estado de direito. Elas
destacam que o autoritarismo aumentou no país. "Sabem do
quê? Não me importo que me chamem de ditador. Prefiro ser chamado de ditador a
ver os salvadorenhos sendo mortos nas ruas", declarou Bukele em junho, em
um discurso para comemorar o primeiro ano do seu segundo mandato.
Benavides
- O
partido do governo do presidente Bukele inicia sua gestão em 2021, com maioria
avassaladora na Assembleia Legislativa. E, na primeira sessão, destitui os
magistrados da Sala Constitucional da Suprema Corte de Justiça e o
procurador-geral. Eles impuseram a Sala Constitucional e o procurador que eles
queriam. Estas primeiras ações já são inconstitucionais. Eles pretendiam
reprimir essas instituições e parece que conseguiram.
·
Bukele foi reeleito presidente em 2024 com 85% dos votos
e conta com enorme popularidade. A que se deve isso, na sua opinião?
Benavides
- Simplesmente
porque ele conseguiu tirar das ruas as gangues de El
Salvador.
As gangues trouxeram muita dor para as famílias salvadorenhas. O fato de que o
salvadorenho pode circular livremente em qualquer parte do país é algo que
ninguém imaginava que pudesse ocorrer. E ele conseguiu. Mas, agora, existem
dúvidas sobre essa conquista. Investigações indicam que seu governo celebrou
pactos com as gangues, permitindo que houvesse redução da violência e menos
homicídios. O cidadão comum não sabe mais o que pensar a respeito.
·
O que irá acontecer com o trabalho da Cristosal, agora
que a organização saiu do país?
Benavides
- Para
continuar seu trabalho, a Cristosal e muitas outras organizações de El Salvador
precisaram mudar suas sedes para outros lugares. A Cristosal se mudou para a
Guatemala. Dali, ela tentará dar continuidade ao trabalho de defesa dos
direitos humanos em El Salvador. O que acontece é que é muito difícil. Já é
difícil encontrar pessoas em El Salvador dispostas a continuar com esse
trabalho, pois elas têm medo de se expor e serem atacadas.
·
Ruth López segue em prisão preventiva e espera
julgamento. Quais seriam os passos seguintes do processo legal? Existe data
para o julgamento ou sua equipe jurídica recebe notificações a respeito?
Benavides
- A
equipe jurídica recebe notificações. O caso, como digo, é totalmente sigiloso. O
caso está na audiência inicial. As acusações contra ela foram apresentadas e
foi dado início ao trâmite da investigação como tal. Eu não saberia dizer qual
a etapa atual da investigação ou se ela já avançou. Atualmente, todos os
processos em El Salvador caminham muito lentamente.
·
A Comissão Interamericana de Direitos Humanos estabeleceu
em setembro medidas cautelares, após reconhecer "a situação de gravidade e
urgência" em que Ruth López se encontra. A entidade solicitou ao governo de
El Salvador a adoção de medidas para garantir que suas condições de detenção
atendam aos padrões internacionais, acabar com a falta de comunicação e
garantir seu contato regular com a família, entre outras medidas. Esta
decisão teve alguma consequência?
Benavides
- Não.
Foram feitas as petições correspondentes e, até o momento, não recebemos
resposta positiva. Continuamos no aguardo de algum indício de cumprimento da
decisão. Mas, até agora, não, nada.
·
Vocês mantiveram algum tipo de contato com o governo?
Benavides
- Não
tivemos nenhum contato com o governo e não é o que desejamos. A realidade é que
tentamos ser o mais institucionais possíveis. Temos tratado para que os
advogados levem o caso adiante.
·
Com quais outros apoios vocês contam?
Benavides
- A
Cristosal continua nos apoiando. Ela nos ajuda a gerar empatia e tornar o caso
visível no cenário internacional e até mesmo diplomático. Isso é importante,
pois ajuda a fazer pressão enquanto esperamos que melhorem as condições de
Ruth. Os prêmios e reconhecimentos também servem de apoio ao seu trabalho. E
talvez possam ajudar para que nada de grave ocorra com ela enquanto estiver
detida.
·
Que recordação o sr. tem do dia em que ela foi presa pela
Polícia Nacional Civil de El Salvador?
Benavides
- A
polícia chegou naquele domingo, quase à meia-noite, e nos disse que,
supostamente, o veículo de propriedade de Ruth teria se envolvido em um
acidente de trânsito.Aquilo me pareceu estranho. Não havíamos saído naquele
dia, nem sofrido nenhum acidente. Eles me disseram que queriam falar com a
proprietária. Por isso, entrei em casa e comentei com Ruth. Ela me disse para
trazer os documentos e saímos. No lado de fora, explicamos o que havíamos feito
naquele dia. Eles verificaram os documentos de Ruth e, imediatamente, um dos
agentes disse a ela que tinha uma ordem de detenção administrativa da
Procuradoria-Geral da República e que ela ficaria detida a partir daquele
momento. O policial, muito envergonhado, acrescentou que estava apenas
cumprindo ordens. Pedimos aos agentes que permitissem que ela trocasse de
roupa, já que estávamos de pijama. Eles não deixaram. Foi um tratamento incomum
e prejudicial para a dignidade de qualquer ser humano. Ela, então, disse uma
frase que se tornaria muito significativa para as pessoas que estão lutando
contra isso. Ela pediu que eles tivessem decência, que isso irá acabar algum
dia e o que eles estavam fazendo não era correto.
·
Vocês esperavam que acontecesse algo assim?
Benavides
- Nós
esperávamos, até que a BBC a incluiu na sua lista das 100 mulheres mais influentes do mundo. Até então, sempre
tivemos temor, sempre sentimos a perseguição por parte da polícia. Às vezes, a
polícia aparecia subitamente perto de casa e a seguia enquanto ela fazia seu
trabalho, quando ia apresentar denúncias ou assistia a conferências. Quase
sempre, havia policiais tirando fotografias. O reconhecimento da BBC nos gerou
a confiança de que seria mais difícil que se metessem com ela. Mas a figura de
Ruth se tornou tão forte que eles perceberam que era preciso fazer algo contra
ela. Acredito que eles sentiram que, se não fizessem naquele momento, depois
ficaria mais complicado.
·
Como foram estes últimos meses para o sr. e sua família?
Vocês continuam morando em El Salvador?
Benavides
- Parece
estranho, mas os primeiros meses talvez tenham sido os mais críticos, pois
foram meses de muita incerteza. Não sabíamos o que poderia acontecer
conosco.Mas, pouco a pouco, a ansiedade e o temor foram diminuindo. O ambiente
se estabilizou, mas isso não quer dizer que estejamos totalmente tranquilos
vivendo em El Salvador.Seguimos esperando a libertação de Ruth. Estamos atentos
para qualquer eventualidade. Em El Salvador, existem muitas pessoas detidas que
morrem dentro das penitenciárias, sem que o julgamento seja sequer iniciado. As
famílias estão sempre muito preocupadas com o que pode acontecer com seu
familiar que está detido — muitas vezes, injustamente.
·
Qual o impacto do regime de exceção aprovado pela
Assembleia salvadorenha em 2022, a pedido de Bukele, e prorrogado desde então?
Benavides
- O
regime de exceção está em vigor desde março de 2022, embora a Constituição só
permita que ele dure por 30 dias, com possibilidade de extensão por uma vez.
Mas o regime já o prorrogou 44 vezes. Esta prática é inconstitucional. Ela
implica a suspensão de direitos e garantias constitucionais básicas. As
detenções provisórias já não duram 72 horas. Elas podem durar até 15 dias, sem
que você saiba por que está detido e sem ter acesso a advogados ou
representantes. Eles não precisam ler os seus direitos, nem dizer qual é o
motivo da prisão. Eles podem levar você porque alguém mandou e ponto final. Inicialmente,
houve um lado positivo, pois muitos membros de gangues acabaram presos. Mas,
depois, o regime começou a gerenciar isso incorretamente. Ao autorizar a
denúncia anônima de membros de gangues ou pessoas suspeitas, surgiu uma série
de práticas nocivas. Eles começaram a deter pessoas inocentes, que nada tinham
a ver com nenhuma gangue. Isso degenerou ainda mais o assunto e, agora, existe
em El Salvador muito medo de falar contra o governo, de ser ativista ou até de
usar as redes sociais. As pessoas não se expressam mais como antes. Eles
conseguiram impor o medo e calar a população, eliminando sua liberdade de
expressão.
·
O sr. não receia receber represálias por fazer este tipo
de denúncia?
Benavides
- Claro
que temos medo de sermos detidos.
É por
isso que, de forma geral, eu não trabalho como ativista. E, embora minha esposa
esteja presa, sempre tento manter pouca exposição junto aos meios de
comunicação.
·
Qual mensagem o sr. gostaria de enviar à comunidade
internacional, aos salvadorenhos e ao governo de El Salvador sobre a situação
de Ruth López?
Benavides
- Queremos
que se faça um julgamento justo. Ruth quer que ele seja público, para podermos
provar sua inocência.Outra coisa que solicito é que percebam o que está
acontecendo no país em nível institucional. A deterioração da democracia já é
inegável. Continuar apoiando governos como o salvadorenho é seguir fortalecendo
o autoritarismo.
Fonte:
BBC News Mundo

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