sábado, 22 de novembro de 2025

Sheinbaum denuncia tentativa de ‘instalar narrativa’ de repressão no México

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou em coletiva que os confrontos violentos registrados durante a marcha de sábado (15/11), na capital do país, foram parte de uma “operação organizada projetar internacionalmente a falsa ideia de que há no México uma insatisfação da população jovem contra o governo”.

Segundo a mandatária, as manifestações “foram uma armação de grupos muito violentos, uma armação que está sendo investigada, mas chama a atenção como as ações deles foram coordenadas, e provavelmente financiadas”.

“Esses grupos agiam de forma ensaiada, algumas pessoas atacavam os agentes da polícia e atrás deles apareciam os cúmplices para registrar as imagens na hora em que os agentes reagiam. Queriam que a polícia respondesse para gerar esses vídeos e, com eles, construir a ideia de que no México há repressão aos jovens, e isso é falso”, acrescentou a líder mexicana.

Em outro momento da coletiva, Sheinbaum reforçou seus questionamentos de que a manifestação pudesse ser atribuída a grupos de jovens, à chamada “Geração Z” (pessoas nascidas entre 1990 e 2010, que hoje teriam, portanto, entre 15 e 35 anos).

<><> ‘Ato infiltrado pela direita’

Questionada sobre o fato de as publicações que convocaram o ato contarem com apelos a esse público, a mandatária disse que “o que nós vimos foi uma marcha com maioria de pessoas adultas, infiltrada por figuras políticas ligadas à oposição, figuras ligadas ao mundo empresarial e influenciadores cujos perfis estão ligados à Maré Rosa (organização de direita)”.

Durante a coletiva, Sheinbaum mostrou vídeos com os quais destacou as ações violentas do grupo, usando artefatos explosivos e armas como martelos, marretas e objetos contundentes.

“A forma como agiram de forma coordenada para tentar derrubar as grades de proteção é um claro indício de que não havia a intenção de fazer um protesto pacífico, pelo qual bastava realizar o ato dentro do amplo espaço disponibilizado pelas forças de segurança”, frisou a presidente.

Os atos realizados na Cidade do México reuniram cerca de 17 mil pessoas, segundo as autoridades municipais da capital do país. Cerca de 23 pessoas foram presas.

¨     Sheinbaum rejeita ameaças de ataque militar feitas por Trump

presidente do México, Claúdia Sheinbaum, rebateu na terça-feira  às ameaças de ataque militar contra as instalações de narcotráfico no México e na Colômbia feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Durante coletiva, Sheinbaum foi questionada sobre as declarações do mandatário norte-americano nesta segunda-feira (17/11) e enfatizou aos jornalistas, sobre os ataques no México, que “isso não vai acontecer”.

A presidente mexicana ainda declarou que o próprio governo de Trump esclareceu posteriormente que só autorizariam o exército norte-americano a tomar medidas contra cartéis de drogas no México com permissão do governo mexicano.

A mandatária também mencionou a guerra mexicana-americana, no Século XIX, como um alerta sobre as consequências que poderiam acontecer se tropas dos Estados Unidos tivessem permissão para entrar no México.

“Da última vez que os Estados Unidos intervieram no México, tomaram metade do território”, recordou Sheinbaum.

Nesta segunda, o presidente Trump frisou que “não está satisfeito com o México” e que o governo norte-americano mantém o tráfico de drogas no país “sob forte vigilância”.

“Eu gostaria de ataques no México para acabar com as drogas? Por mim, tudo bem, faremos o que for preciso para acabar com as drogas”, argumentou Trump.

<><> Relação entre México e EUA

No começo deste mês, Sheinbaym negou que Washington estava planejando enviar tropas ao México, mesmo com todas as propostas de Trump rejeitadas pela mesma. A presidente afirmou que não concorda “com nenhum processo de interferência ou intervencionismo” em seu país.

No entanto, Trump exige que o México, maior parceiro comercial dos Estados Unidos, se esforce para reduzir o fluxo de drogas e migrantes através da fronteira entre os dois países.

Em outubro, Trump disse que respeita a presidente, afirmando que a considera “uma mulher extraordinária”.

“Ela é uma mulher muito corajosa, mas o México é controlado pelos cartéis”, opinou o mandatário norte-americano.

¨      Candidata governista de Honduras convoca apoiadores contra tentativas de golpe

Em comício realizado na terça-feira (18/11), a candidata presidencial pelo partido governista Liberdade e Refundação (Libre), Rixi Moncada, pediu aos seus apoiadores que se mobilizem em uma vigília contra as tentativas da oposição de direita de sabotar as eleições gerais do país, marcadas para o próximo dia 30 de novembro.

“Se tentarem um golpe, ou uma fraude, temos que estar atentos, temos que fazer com que eles (a direita) vejam a nossa erupção, vejam como nos tornamos o maior vulcão da história de Honduras, para defender a democracia”, disse a candidata presidencial da esquerda.

O discurso aconteceu em um ato massivo de campanha na cidade de Juticalpa, na região central do país, no qual participaram mais de 30 mil pessoas.

Durante o comício, Moncada se referiu a dois de seus adversários eleitorais, os candidatos Nasry Asfura (Partido Nacional) e Salvador Nasralla (Partido Liberal), e disse a eles que “nem ousem tentar roubar a vitória da resistência popular e do povo hondurenho”.

Ela também lembrou a participação dos dois partidos opositores no golpe de Estado contra Manuel Zelaya, em junho de 2009, e nas fraudes eleitorais de 2013 e 2017, que beneficiaram o conservador Juan Orlando Hernández (Partido Nacional).

<><> Candidata de Xiomara

Rixi Moncada é economista e participou do governo da presidente Xiomara Castro, primeiro como ministra da Economia, entre janeiro de 2022 e janeiro de 2024, e depois como ministra da Defesa, entre setembro de 2024 e maio de 2025.

Ela também foi ministra do Trabalho durante o governo de Manuel Zelaya, entre janeiro de 2006 e janeiro de 2008.

¨      Equador: Noboa anuncia reforma ministerial após derrota em referendo

Dias após a derrota no referendo popular, o governo do Equador oficializou na terça-feira (18/11) uma reforma ministerial na qual substituiu metade do seu ministério. No total, foram sete mudanças, entre as 14 pastas que integram o Executivo local. A reforma veio à tona na segunda-feira (17/11), devido a duas renúncias: a de Ivonne Núñez, ex-ministra do Trabalho, e Danilo Palacios, que era ministro da Agricultura, Pecuária e Pesca. Segundo o diário Primicias, ambos comunicaram o afastamento através de mensagens nas redes sociais, antecipando o anúncio do presidente Daniel Noboa.

Na terça, o mandatário apresentou os nomes de Harold Burbano para o Ministério do Trabalho e de Juan Carlos Vega para o Ministério da Agricultura, Pecuária e Pesca.

Entre as outras trocas se destaca o caso de Zaida Rovira, que deixou a pasta da Secretaria de Governo (entregue a Álvaro Rosero) e assumiu o Ministério do Desenvolvimento Humano (no lugar de Harold Burbano, nomeado no do Trabalho).

Outro destaque é para o Ministério da Saúde Pública, no qual saiu Jimmy Martín e entrou a vice-presidenta María José Pinto, que passa a acumular as duas funções.

As últimas duas pastas com mudanças são o Ministério da Educação Esportes e Cultura, no qual saiu Alegría Crespon e entrou Gilda Alcívar; e a Secretaria Nacional de Gestão de Riscos, no qual saiu Jorge Carrillo e entrou Carolina Lozano.

<><> Derrota no referendo

A reforma ministerial de Noboa acontece dois dias depois do referendo no qual o governo sofreu derrotas nas quatro perguntas realizadas à população – algumas delas por ampla margem contra as propostas defendidas pelo presidente.

A primeira pergunta do referendo foi sobre se a população aceitaria ou não a instalação de bases militares estrangeiras no país, considerando que o presidente Noboa prometeu firmar acordos com os Estados Unidos para cooperação no combate ao narcotráfico – e que Washington exige, em contrapartida, o controle de algumas bases no território equatoriano.

No domingo (16/11), os equatorianos votaram contra o retorno das bases militares estrangeiras e contra a realização de uma assembleia constituinte no país sul-americano. Durante o dia, foram realizados um referendo e uma consulta popular, promovidos pelo presidente do Equador, Daniel Noboa, com o objetivo de fazer alterações na Constituição vigente e até mesmo substituí-la. “Estes são os resultados. Consultamos o povo equatoriano e ele se manifestou (…) Continuaremos lutando incansavelmente pelo país que vocês merecem, com as ferramentas que temos”, declarou Noboa em uma mensagem publicada nas redes sociais.

<><> Não às instalações dos EUA

Em primeiro lugar, os cidadãos foram consultados: “Concordam com a remoção da proibição de estabelecer bases militares estrangeiras ou instalações estrangeiras para fins militares, e com a transferência de bases militares nacionais para forças armadas ou de segurança estrangeiras?”.

De acordo com os resultados divulgados pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE), a opção “Não” recebeu mais de 60% dos votos , enquanto a opção “Sim” não atingiu 40%.

A atual Constituição do Equador, aprovada em 2008 após ter sido elaborada em um processo constituinte durante o governo de Rafael Correa (2007-2017), afirma expressamente em seu artigo 5º: “O Equador é um território de paz. Não será permitida a instalação de bases militares estrangeiras ou de instalações estrangeiras para fins militares. É proibida a cessão de bases militares nacionais a forças armadas ou de segurança estrangeiras”.

Mas, no ano passado, Noboa apresentou um projeto de lei para emendar esse artigo da Constituição e reduzi-lo a: “O Equador é um território de paz”. Seu projeto de lei foi aprovado em junho passado pela Assembleia Nacional e agora está sendo submetido a referendo popular.

Antes do referendo, mesmo sem os equatorianos terem se manifestado, a Secretária de Segurança Interna dos EUA, Kristi Noem, visitou o Equador, percorrendo duas instalações militares para avaliar a possível implantação de bases americanas no país sul-americano.

Entre essas instalações estava o quartel-general do Esquadrão de Combate nº 2313, localizado na base aérea naval de Manta, província de Manabí, onde uma antiga base militar dos EUA operou entre 1999 e 2009.

Noem também visitou a Escola Superior de Aviação Cosme Rennella, em Salinas, província de Santa Elena, também com o mesmo objetivo.

<><> Outros ‘não’

A maioria dos equatorianos também disse “Não” a questões relacionadas ao financiamento de partidos políticos e à redução do número de parlamentares, respondendo negativamente às seguintes perguntas.

“Você concorda com a eliminação da obrigação do Estado de destinar recursos do Orçamento Geral do Estado para organizações políticas?”.

“Você concorda com a redução do número de membros da assembleia e com a eleição deles de acordo com os seguintes critérios: 10 membros na assembleia nacional; 1 membro eleito por cada província; e 1 membro adicional na assembleia provincial para cada 400.000 habitantes, segundo o último censo nacional?”.

Em relação à questão sobre os partidos políticos, a intenção deste referendo era que fossem financiados “com contribuições de seus membros e apoiadores”, segundo informações fornecidas pela CNE; enquanto a outra questão visava reduzir o número de legisladores dos atuais 151 — número que foi aumentado este ano — para 73.

<><> Continuar com a mesma Constituição

A quarta e única questão na cédula eleitoral dizia respeito à proposta de Noboa de convocar uma assembleia constituinte para elaborar uma nova constituição que substituísse a de 2008. Para essa questão também, mais de 60% dos eleitores disseram “Não”. A questão era:

Você concorda que uma Assembleia Constituinte seja convocada e empossada, cujos representantes sejam eleitos pelo povo equatoriano, de acordo com as normas eleitorais previstas no Estatuto Constituinte anexo, para elaborar uma nova Constituição da República, que só entrará em vigor se for posteriormente aprovada pelo povo equatoriano em referendo?

Noboa justificou a convocação de uma assembleia constituinte alegando que a atual lei suprema “protege criminosos”.

Antes do referendo de domingo, surgiu uma controvérsia quando o presidente sugeriu a possibilidade de escrever a Constituição usando inteligência artificial (IA); no entanto, após críticas, ele recuou e disse que “a Constituição não será escrita por IA”.

<><> Celebração

A Confederação das Nacionalidades Indígenas do Equador (CONAIE), que liderou a campanha pelo “Não”, comemorou os resultados. “Esta vitória pertence ao povo mobilizado”, declararam em comunicado à imprensa publicado no X, no qual agradeceram aos movimentos sociais, à mídia comunitária, às organizações e aos atores políticos que ajudaram a “revelar a verdadeira natureza desta consulta”.

O texto aproveita também a oportunidade para exigir que o governo “reprima o autoritarismo, a violência, o populismo e as políticas que priorizam interesses privados”. “O Estado não pode ser usado para ganho privado”, acrescentam.

Por sua vez, o ex-presidente Correa enfatizou que a Constituição elaborada durante seu governo “foi ratificada após 17 anos em vigor”. “Pela primeira vez na história do Equador, uma Constituição foi aprovada pela maioria dos cidadãos duas vezes. Isso marca um marco histórico. Espero que seja o início da estabilidade constitucional definitiva para o país”, escreveu ele em X.

 

Fonte: Opera Mundi/TeleSUR/Primicias

 

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