Aracy
P. S. Balbani: Por segurança sem demagogia
O
deputado federal sorocabano Guilherme Derrite (PP-SP) deixou o cargo de
Secretário de Estado da Segurança de São Paulo e voltou à Câmara Federal para
relatar o Projeto de Lei Antifacção (PL 5582/25).
O fato
trouxe à memória dos paulistas a frase ‘Vou colocar a Rota na rua’, dita pelo
ex-governador, ex-prefeito da capital e ex-deputado federal Paulo Maluf
(PP-SP).
Paulo
Maluf foi apoiador da ditadura militar; disse também ‘Estupra, mas não mata’ em
1989; foi condenado à prisão em 2017 por desvio de verba da obra da Avenida
Roberto Marinho (antiga Avenida Água Espraiada) com lavagem de dinheiro e
remessa ilegal ao exterior, e terminou obrigado pela justiça da Suíça a
repatriar R$ 80 milhões ao Brasil em 2024. É correligionário partidário de
Guilherme Derrite.
Dize-me
com quem andas e direi quem és. Não espanta que Guilherme Derrite tenha jantado
com Eduardo Cunha e Arthur Lira enquanto na semana em que ameaçava jornalistas
e retrocedia na relatoria do PL Antifacção em Brasília. Certamente, os três
comensais têm mais em comum do que o apetite por bacalhau.
O PL
Antifacção apresentado pelo Governo Federal foca desmantelar grupos criminosos
que dominem territórios ou explorem atividades econômicas pela violência, usem
armas de grande poder destrutivo, ou aliciem crianças e adolescentes.
Também
propõe bloquear bens e valores ligados a organizações criminosas e suspender
contratos públicos com as empresas envolvidas. A proposta é usar a inteligência
policial integrada da União, dos Estados e dos municípios para atacar a base
econômica do crime, asfixiar a circulação do dinheiro de atividades ilegais,
além de impedir que ele seja lavado em atividades lícitas e financie estruturas
de poder e corrupção.
Uma
internauta atilada comentou com precisão: como um garoto favelado de 11 anos,
que pouco frequentou a escola e mal fala português, compraria fuzis e pistolas
automáticas no exterior, traria as armas e pasta base de cocaína para o Brasil
por iniciativa própria e sem auxílio de gente influente, levaria tudo para o
morro, processaria a droga e a embarcaria para os EUA e a Europa à luz do dia
sem ser pego em flagrante em nenhum momento?
Tem
mesmo que colocar os chefes do tráfico de entorpecentes, de armas e de pessoas
na mira da inteligência policial coordenada com a Receita Federal e a
Controladoria Geral da União.
Ao
mesmo tempo, estados e municípios têm de oferecer: escola pública de boa
qualidade em tempo integral, ensino médio técnico profissionalizante,
transporte coletivo, saúde, esporte e lazer gratuitos nas periferias em que
moram os filhos e netos das empregadas domésticas e dos entregadores de
aplicativos. Do contrário, esses jovens pobres e sem perspectivas de futuro
continuarão sendo cooptados para o crime.
Enrique
Peñalosa, que foi prefeito de Bogotá por duas vezes e mudou para melhor uma das
cidades mais violentas e dominadas pela corrupção no mundo, já resumiu: ‘Onde
não há cultura, o crime vira espetáculo’.
O
deputado Guilherme Derrite esteve muito tentado a embutir no PL Antifacção do
Governo Federal o desejo indisfarçável da extrema-direita brasileira e
estadunidense trumpista: classificar as facções criminosas como grupos
terroristas. A brecha permitiria a ocupação do Brasil por agentes
governamentais e militares dos EUA sob o pretexto de combater o terrorismo na
América do Sul.
Perguntar
não ofende. Indagamos ao deputado Guilherme Derrite: depois de 716.000 mortos
por COVID-19 no Brasil, poderíamos classificar as pessoas que ainda molham o
dedo com saliva para contar dinheiro e abrir sacos plásticos nos supermercados
como terroristas?
Não
sabemos qual foi o melhor governador de São Paulo de todos os tempos. O pior,
sem dúvida, é Tarcísio de Freitas.
Excetuando
a privatização irresponsável da Sabesp – um dos ativos mais estratégicos e
valiosos para a saúde humana e o desenvolvimento socioeconômico dos paulistas –
e a proliferação dos pedágios free flow, o engenheiro militar carioca não
executou nada notável desde que foi importado para administrar nosso Estado.
Ao
contrário, demorou a endossar a apuração do escândalo de propina bilionária
efetuada pela Operção Ícaro, do Ministério Público paulista, na Secretaria da
Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo (Sefaz). Desde agosto, não se tem
mais nenhuma notícia do caso.
Em
2025, Tarcísio de Freitas determinou a extinção da Empresa Metropolitana de
Transportes Urbanos (EMTU) e privatizou três linhas de trem da Companhia
Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). O serviço da linha 7-Rubi da CPTM
piorou, provocando superlotação da estação Barra Funda nos horários de pico.
O
Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Saúde no Estado de São Paulo
(SindSaúdeSP) afirma que Tarcísio de Freitas chegará “ao último ano de governo
sem ter construído um único hospital e, ao contrário, entregou à iniciativa
privada os que já existiam”. Além disso, o governador não teria cumprido a
promessa de reposição salarial dos servidores da Saúde no Estado.
Uma
fracasso retumbante.
Na área
da segurança pública, a dupla Freitas & Derrite ainda não percebeu a
ineficiência da Coordenadoria Estadual dos Conselhos Comunitários de Segurança
(CONSEGs) da Secretaria de Segurança Pública do Estado bem debaixo de seus
narizes.
Segundo
a legislação paulista, “a participação da comunidade como um todo é essencial
para que a parceria entre a Polícia Civil e a Polícia Militar tenham êxito na
prevenção ao combate à criminalidade. E os Consegs exercem papel importante
nesta política de governo”.
O atual
Coordenador Estadual dos Consegs é o Coronel PM da Reserva Leonardo Castro
Isipon. Em 16 de abril, houve eleições para os Consegs nos municípios
paulistas. Segundo notícia da própria Secretaria de Segurança Pública do
Estado, a participação de cidadãos nessa eleição aumentou 460% em relação à
anterior.
Porém,
enquanto vários municípios divulgaram, cada um a seu critério, o calendário
eleitoral de 2025, a composição e as propostas das chapas concorrentes nas
redes digitais e na imprensa local, outros realizaram a eleição sem divulgação
nenhuma. Nestes, o pleito só foi comunicado à população após seu encerramento,
impossibilitando os cidadãos de votarem.
Quem
quis, divulgou o que desejava. Quem não quis, não divulgou nada. Os
contribuintes, que financiam essa estrutura administrativa e os vencimentos do
Coordenador, permanecem encafifados até hoje. Para quê Coordenadoria dos
Consegs, então?
O
governador Tarcísio de Freitas e o secretário licenciado Guilherme Derrite
devem aos paulistas uma explicação convincente para essa incoordenação total do
processo eleitoral dos Consegs.
A RMS
Sorocaba, que já contou com deputado federal na Assembleia Constituinte de
1988, ativistas, empreendedores e intelectuais de grande destaque na vida
nacional, tem a obrigação de resgatar o protagonismo na democracia e no
republicanismo. A coragem civil nunca foi tão necessária.
É
urgente evitar a catástrofe de eleger ou reeleger deputados estaduais e
federais e senadores que atuem contra os interesses legítimos do povo
brasileiro e a nossa soberania.
Basta
de cultivar a cultura política arcaica de ‘rouba, mas faz’, que já tem eleito a
segunda ou terceira gerações de raposas velhas.
A RMS
merece uma vida coletiva cada vez melhor e mais digna. A história será
implacável ao julgar nossas escolhas.
Sem
demagogia!
• 'A segurança pública como guerra está
falida', diz José Genoino
O
ex-deputado federal e ex-presidente do PT, José Genoino, afirmou em entrevista
à TV 247 que o atual modelo de segurança pública no Brasil está “falido” e
precisa ser completamente reformulado. Segundo ele, a concepção de segurança
baseada na lógica da guerra e no predomínio das polícias militares fracassou no
combate ao crime organizado e na proteção da população.
As
declarações foram dadas em crítica à atuação do secretário estadual de
Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, e à sua defesa de um modelo
de segurança mais centralizado nas forças policiais estaduais. “Derrite quer
fortalecer o modelo de segurança pública que está falido. Quer fortalecer o
federalismo, enquanto a posição do governo busca criar uma coordenação nacional
com os estados e municípios, principalmente na área de governança, banco de
dados, papel da Polícia Federal e da inteligência”, afirmou Genoino.
Para o
ex-presidente do PT, é fundamental que o país invista em um sistema coordenado
nacionalmente e com foco estratégico. “Tem que ter uma repressão focada na
cúpula do crime organizado. O massacre no morro do Alemão, na Penha, mostrou
que os comandantes não foram presos. A segurança como guerra está falida”,
disse.
Genoino
criticou ainda o que chamou de “tutela das polícias” sobre os governadores,
inclusive em administrações progressistas. “O que o Derrite quer é fortalecer a
tutela das polícias sobre os governadores. Porque, na verdade, quem manda na
segurança pública são as PMs, inclusive nos governos do PT. Você tem que
estabelecer a autoridade do secretário de Segurança sobre as polícias Militar e
Civil”, afirmou.
Como
alternativa, o ex-deputado defendeu a criação de um Ministério da Segurança
Pública, com poder de coordenação nacional e integração entre os órgãos de
repressão e inteligência. “Temos que agravar as penas para facções criminosas,
no caso do tráfico de drogas, da lavagem de dinheiro e do contrabando de armas.
E tem que atingir a cabeça, não adianta pegar o baixo clero”, ressaltou.
Genoino
também criticou a tentativa de Derrite de transferir seu modelo de segurança
estadual para a esfera federal. “O Derrite saiu de São Paulo para ir para a
Câmara consolidar esse modelo falido, que é o predomínio das PMs e da Polícia
Civil, tirando o papel da coordenação feita pela União via Polícia Federal e
Secretaria de Segurança Pública. Está provado que o crime de lavagem de
dinheiro, tráfico e contrabando de armas só pode ser combatido com uma ação
nacional e internacional. O crime não é federativo, não pertence só ao estado
A, B ou C. O crime é amplo”, concluiu.
• 'Chacina no Rio é parte de um complô
contra o presidente Lula', aponta Paulo Sérgio Pinheiro
A
entrevista concedida pelo professor titular de ciência política da Universidade
de São Paulo (USP) e ex-ministro da Secretaria de Estado de Direitos Humanos,
Paulo Sérgio Pinheiro, à TV 247, expôs a avaliação de que a mais recente
chacina no Rio de Janeiro integra uma operação com motivação política contra o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo
o ex-ministro, a perícia criminal fluminense reproduz um problema estrutural
que se arrasta há décadas. Ele afirma que “a perícia do Rio de Janeiro, como
todo órgão policial, está totalmente controlada pelo governo de extrema-direita
do governador Cláudio Castro”, ressaltando que o Brasil constitucional ainda
não conseguiu garantir independência técnica nesses órgãos. Para ele, o fato de
as secretarias de segurança seguirem à frente das perícias significa que “os
próprios investigados controlam a perícia”, o que inviabiliza investigações
isentas sobre operações policiais deste tipo.
Pinheiro
também avalia que o ambiente político e institucional fluminense se consolidou
como um território resistente à atuação do governo federal. “O Rio de Janeiro e
outros estados se parecem como fortalezas contra o poder federal”, declarou,
criticando o que considera uma cultura consolidada de autonomia armada.
Outro
ponto destacado foi a intenção da extrema-direita de classificar organizações
criminosas como narcoterroristas, medida que ele considera despropositada. Para
Pinheiro, “considerar organizações criminosas como narcoterroristas é realmente
um absurdo total”, uma estratégia que, segundo afirma, serve mais ao discurso
político da extrema direita do que à realidade das investigações.
Ao
comentar a megaoperação que mobilizou 2,5 mil agentes, o professor foi enfático
ao apontar elementos que, em sua visão, reforçam o caráter político da ação.
“Tudo foi montado para ser gravado, os 2,5 mil homens… Para que 2,5 mil homens?
O que eles fizeram?”, questionou. Ele destacou a cobrança do ministro Alexandre
de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que solicitou detalhamento da
atuação de cada agente mobilizado. Para Pinheiro, o episódio se insere
claramente em “um contexto político de uma conspiração, de um complô de extrema
direita, depois da condenação de seu líder máximo [Jair Bolsonaro] e seus
capangas generais que estavam a fim de dar um golpe”.
O
cientista político avalia ainda que o país enfrenta um acúmulo de distorções
institucionais que corroem a democracia. “É um conjunto de excrescências que a
governança democrática não conseguiu ainda debelar”, afirmou, defendendo novas
formas de enfrentamento às dinâmicas de segurança pública dominadas por
governos estaduais alinhados à extrema direita.
Para
Pinheiro, qualquer tentativa de cooperação que envolva os atuais gestores
estaduais está fadada ao fracasso. “Isso só vai ser debelado se for feito de
maneiras diferentes. Não adianta criar um centro de cooperação com o próprio
autor da chacina, que é o governador Cláudio Castro”, declarou. Ele completou
afirmando que “ele e outros colegas só veem essa forma de lidar com o crime
organizado”, criticando a lógica de operações espetaculosas e sem transparência
que, na avaliação do pesquisador, aprofundam a crise de segurança no país.
• Carlos Giannazi: Tarcísio surfa em
mortes e não tem proposta
O
deputado estadual de São Paulo Carlos Giannazi (Psol) criticou duramente o
governador Tarcísio de Freitas durante entrevista à TV 247. Segundo ele, o
chefe do Executivo paulista estaria tentando capitalizar politicamente as
tragédias recentes ligadas à violência policial e à crise da segurança pública
no estado e no país.
Em suas
declarações, Giannazi acusou Tarcísio de transformar as mortes ocorridas em
operações policiais no litoral paulista e no Rio de Janeiro em plataforma
eleitoral, inclusive promovendo a escolha de seu secretário de Segurança, o
deputado Guilherme Derrite, para relatar o PL Antifacção em Brasília. “Ele
[Tarcísio] controla a bancada federal de São Paulo. Ele tem força política no
partido dele. E ele tem interesse nessa pauta [da segurança pública]. Ele quer
voltar a ser o candidato à Presidência da República. Ele quer surfar na onda da
segurança pública da extrema-direita”, afirmou o parlamentar.
O
deputado destacou que tanto o governador quanto o campo político que ele
representa não têm soluções concretas para o problema da violência. “As pessoas
falam que a esquerda não tem proposta para segurança pública, mas eles também
não têm nenhuma. A única proposta que a extrema-direita tem é matança, como
aconteceu no Guarujá, em Santos e no Rio de Janeiro, com mais de 120 pessoas
mortas. É uma matança. É a única proposta que esse pessoal tem para segurança
pública”, declarou Giannazi.
Ele
também criticou o envolvimento de Derrite em uma tentativa de interferência nas
ações da Polícia Federal. “Caiu a máscara agora, com o Derrite tentando sabotar
o trabalho da Polícia Federal contra o crime organizado”, afirmou o deputado.
Fonte:
A Terra é Redonda/Brasil 247

Nenhum comentário:
Postar um comentário