quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Maria Luiza Falcão: O Brasil que encerra 2025 e o País que precisará se enfrentar em 2026

O Brasil termina 2025 entre dois reflexos que jamais se alinham por completo. De um lado, o país que comandou o G20, articulou o BRICS ampliado e conduziu a COP-30 como se houvesse nascido para a diplomacia climática. De outro, a nação que segue atravessada pela desigualdade, pela violência cotidiana, pela precarização do trabalho e pela sensação de que a democracia, mesmo sobrevivendo, continua tensionada. Depois de um ano em que o Brasil brilhou no mundo, chega a hora inevitável de olhar para dentro, e enfrentar o país real que insiste em ser adiado.

<><> O Brasil que encantou o Mundo, e o País que continuou à margem

Enquanto Belém recebia líderes globais para discutir a sobrevivência da floresta e o redesenho do “mapa do caminho na direção de um mundo que defende a preservação de florestas de pé, que combate o desmatamento e se afasta do uso de combustíveis fósseis”, os números domésticos seguiam revelando um Brasil suspenso entre avanços e frustrações.

A economia cresceu acima da média mundial — cerca de 2,0%, segundo o FMI — mas sem capacidade de alterar a estrutura profunda das desigualdades. A inflação convergiu para 3,8% ao ano, embora a inflação percebida pelas famílias de baixa renda continue muito mais alta em alimentos, gás de cozinha, transporte e aluguel. E os juros, seguiram entre os mais altos do mundo em termos reais, produzindo uma sangria de cerca de R$ 785 bilhões em pagamentos de juros apenas em 2025 — recursos que poderiam ter financiado saúde, educação, ciência, infraestrutura e a reconstrução do Estado brasileiro.

Essa contradição tornou-se quase uma marca do país: um Brasil que oferece ao mundo uma agenda de futuro, enquanto, internamente, ainda se move sob amarras antigas. O mercado de trabalho ilustra esse paradoxo. O desemprego caiu para 7,2%, o menor patamar em mais de uma década, mas o alívio estatístico não se converteu em dignidade. Cresceu a pejotização, aumentou a informalidade e a juventude — sobretudo negra e periférica — segue empurrada para ocupações de baixa remuneração e sem perspectiva. Criam-se vagas; não se criam horizontes.

A desigualdade permanece como a força gravitacional que estrutura a sociedade brasileira. Segundo a Oxfam, o 1% mais rico concentra 51% de toda a riqueza nacional, enquanto os 10% mais ricos ficam com 60% da renda. Convive-se, no mesmo território, com 9,1 milhões de pessoas em insegurança alimentar grave e 32 milhões vivendo com menos de R$ 420 por mês. O Brasil que lidera discussões internacionais sobre desenvolvimento e sustentabilidade é o mesmo país em que a fome e a precariedade ainda moldam o cotidiano de milhões de cidadãos.

<><> A Sociedade Ferida e a Fragilidade da Nossa Democracia

Ao longo de 2025, a situação social das grandes cidades brasileiras voltou a anunciar uma crise que teima em não ser tratada com a centralidade que merece — a da segurança pública. As mortes provocadas por policiais superaram 6.700 no ano — mais do que todas as mortes cometidas por forças de segurança da União Europeia somadas — e as chacinas se tornaram rotina em estados como o Rio de Janeiro e Salvador.

A saúde pública acumulou filas de quase um milhão de procedimentos, enquanto municípios enfrentavam falta de médicos, equipes e insumos básicos. E a educação básica, há anos abandonada por políticas estruturantes, continuou a operar entre a resiliência dos educadores e a precariedade das instituições: metade das escolas ainda não possui biblioteca, laboratório ou quadra coberta, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP).

A juventude é a face mais nítida desse esgarçamento. Taxas de desemprego quase três vezes maiores que a média, violência cotidiana, evasão escolar crescente e captura digital por redes de desinformação formam um círculo vicioso que mina não apenas o presente, mas o futuro democrático do país. Democracia não é apenas urna Constituição Cidadã como a que nos orgulha de 1988; é também a percepção de que a vida pode melhorar, de que há horizonte. Quando o horizonte se estreita, a democracia se fragiliza.

É nesse ambiente que a extrema direita brasileira — embora enfraquecida eleitoralmente — continua a operar e manipular. Recuou em volume, mas não em convicção. Reorganizou-se em prefeituras, câmaras municipais, redes religiosas e corporações armadas. Alimenta-se do medo, da desinformação e da experiência concreta de sofrimento econômico e social. As eleições de 2026, que começam a ser moldadas agora, não serão pleito de rotina. Serão, novamente, disputa de rumos profundos.

O governo Lula, fortalecido internacionalmente, termina o ano pressionado internamente pela política fiscal e monetária restritiva, pelo Congresso fragmentado, pelo desgaste social acumulado desde a pandemia e pelo abismo entre números macroeconômicos positivos e a vida real da população. Resultados existem — mas não se traduzem ainda em percepção de alívio.

<><> O Ano que Começa: a Necessidade de Encarar o País que somos

A travessia para 2026 exige que o Brasil abandone o hábito histórico de adiar suas questões estruturais. O país precisa enfrentar sua desigualdade com a mesma centralidade com que defende suas florestas; precisa reconstruir o trabalho digno com a mesma urgência com que negocia transições energéticas globais; precisa romper com o ciclo de juros proibitivos que beneficiam poucos e sacrificam milhões; precisa reinventar a política de segurança pública para que deixe de produzir corpos e comece a produzir vida; precisa transformar a transição ecológica num projeto nacional de inclusão, inovação e empregos; e precisa proteger a democracia da máquina de desinformação que tenta capturar o Estado pela via do ressentimento.

É nesse ponto que as pesquisas eleitorais mais recentes — Datafolha, Quaest, IPEC — assumem um papel ambíguo. Elas mostram Lula liderando cenários para 2026 com vantagem expressiva sobre todos os nomes da direita e da extrema direita, em alguns casos ultrapassando dez pontos de diferença e sustentando níveis de aprovação que resistem ao desgaste social e à pressão institucional. Mas números favoráveis nunca foram garantia de tranquilidade no Brasil. Pelo contrário: podem ser o prenúncio de ofensivas mais duras.

A extrema direita não está derrotada; está reorganizada. Opera nos municípios, influencia corporações armadas, avança nas igrejas neopetencospais, multiplica canais de desinformação e prepara uma disputa que será agressiva, polarizada e, se possivelmente, antidemocrática. O Congresso — que ao longo de 2025 sabotou projetos progressistas, distorceu prioridades nacionais e se portou como usina de chantagens — tem plena consciência de que seu poder depende de manter o país dividido e o governo acuado. Nada indica que recuará. É por isso que, apesar das pesquisas animadoras, a vigilância democrática permanece indispensável. O Brasil já viu o que acontece quando baixa a guarda. O perigo continua presente, disciplinado e paciente.

<><> Planejamento de longo prazo

Há ainda uma cobrança que se torna cada vez mais urgente entre economistas, urbanistas, cientistas e gestores públicos: o Brasil precisa recuperar a capacidade de planejar o futuro. Não se constrói um país apenas reagindo à conjuntura, por mais turbulenta que ela seja. Falta-nos um programa de longo alcance, um horizonte estratégico capaz de integrar infraestrutura, educação, ciência, tecnologia, indústria verde, economia digital e redução das desigualdades. Países que romperam o atraso — e a China é apenas o exemplo mais notório — avançaram porque pensaram décadas à frente de si mesmos. Seus planos quinquenais não são fetiches tecnocráticos, mas instrumentos de coordenação nacional. O Brasil, que possui todos os recursos e talentos para liderar a transição ecológica e tecnológica, não pode seguir prisioneiro de ciclos eleitorais curtos, agendas improvisadas e disputas paroquiais. Precisamos de um plano de país, e não apenas de governo.

<><> Geopolítica em transformação e a urgência de um plano nacional

Essa necessidade de planejamento se torna ainda mais evidente quando observamos a geopolítica em metamorfose acelerada. O mundo que se desenha para a próxima década não será um prolongamento inofensivo do presente: novas alianças surgem, novos países do Sul Global ocupam posições estratégicas e velhos atores passam a atuar como forças de erosão. Donald Trump, novamente na Casa Branca, é o símbolo mais claro dessa era de depredadores geopolíticos — líderes que desmontam instituições multilaterais, tratam regiões inteiras como zonas de influência militar e apostam no caos como método de poder. Ao mesmo tempo, cresce a relevância de parcerias estruturantes, como China, Índia, Indonésia, África do Sul e o conjunto de países do BRICS ampliado, todos empenhados em reorganizar comércio, moeda, energia e governança global.

 Em um mundo que se reconfigura tão rapidamente, o Brasil não pode caminhar sem bússola. Ou teremos um projeto nacional capaz de dialogar com a nova ordem — e dela se beneficiar — ou continuaremos vulneráveis a pressões externas, crises importadas e aventuras de potências que tratam até aliados como peças descartáveis. Planejar é, hoje, um ato de soberania.

<><> Haddad e o futuro do Brasil. Por Paulo Kliass

A semana passada se encerrou com algumas dúvidas fundamentais a respeito do futuro político do Ministro da Fazenda e das eventuais consequências desse movimento para o futuro do Brasil. Uma das peças mais importantes para analisar esse quadro pode ser encontrada na entrevista que o próprio Haddad concedeu ao Estadão em 14 de novembro. Apesar dos dias anteriores terem sido recheados por notícias em off comentando a respeito da eventual saída do Ministro de seu cargo para os próximos meses, ali ele não acenou com nenhuma hipótese a esse respeito. Ao que tudo indica, Lula gostaria que seu colaborador fosse candidato a alguma coisa nas eleições do ano que vem, mas nada ainda foi confirmado. Caso esse cenário se concretize, Haddad precisaria se desincompatibilizar do posto na Esplanada até abril do ano no que.

A simples possibilidade de que a posição do principal responsável da área econômica fique vacante já abre espaço para todo o tipo de fofoca e especulação. De um lado, sempre surgem os mais esperançosos por algum tipo de giro à esquerda a ser eventualmente patrocinado por Lula. Esse tipo de expectativa de mudança se mantém no radar e existe ainda antes das eleições de 2022, quando se imaginava que o terceiro mandato seria orientado pelas principais promessas do então candidato. Neste terreno, duas delas chamavam a atenção dos analistas e dos apoiadores do governo a qualquer custo, que mais se assemelham a fanáticos de torcida uniformizada do que a militantes de esquerda com algum pé fincado na realidade concreta.

Em primeiro lugar, Lula dizia que só havia aceito a incumbência de um terceiro mandato porque gostaria de fazer mais e melhor pelo País do que havia realizado ao longo dos dois primeiros mandatos. Ora, caso esse compromisso fosse efetivamente levado a sério, tal postura significaria uma profunda alteração na rota da política econômica implementada desde o golpeachment perpetradocontra Dilma Roussef em 2016, com a entrada em cena dos governos de Temer/Henrique Meirelles e depois de Bolsonaro/Paulo Guedes. Para que o período 2023/26 fosse marcado por uma gestão melhor e com mais realizações do que entre 2003/10, o fundamental seria uma reversão na esfera da economia para buscar o caminho do desenvolvimento econômico, social e ambiental, com recuperação do protagonismo do Estado no processo econômico. 

<><> Lula promete mas não cumpre.

Em segundo lugar, Lula se inspirou no mote da campanha e do governo de Juscelino Kubitschek (JK) há sete décadas atrás. À época em que o mandato presidencial em nossas terras era quinquenal, JK prometera fazer “50 anos em 5”. Realmente foi um período marcado por mudanças profundas e bastante simbólicas em nossa sociedade, que iam desde a “revolucionária” mudança da capital da República do Rio de Janeiro para Brasília até a estruturação do parque da indústria automobilística, para ficar apenas em duas delas. Pois Lula anunciou que iria realizar “40 anos em 4” em sua terceira passagem pelo Palácio do Planalto, sabendo da imagem forte que tal promessa cumpriria junto ao eleitorado. Ora, assim como no compromisso mencionado anteriormente, caso o Presidente realmente estivesse com o desejo político de efetivar esse bordão de campanha, os rumos da política econômica também deveriam ser outros.

No entanto, os caminhos adotados foram distintos do que se esperava. Aquilo que se verificou depois da posse em 01 de janeiro de 2023 foi a implementação de uma diretriz de continuidade da essência da economia que vinha sendo praticada desde que Temer ocupou a Presidência sob o manto do documento “Ponte para o Futuro”. Trata-se de um importante texto que havia sido divulgado pela Fundação Ulysses Guimarães do PMDB, meses antes da consumação do impedimento de Dilma. Haddad aprofundou os principais elementos constitutivos de tal ordenamento inspirado no neoliberalismo mais autêntico, com foco na austeridade fiscal radical, na política monetária acirrada, no estímulo às privatizações e na redução da dimensão do Estado nas atividades de forma geral. Parece razoável supor que todas as principais decisões adotadas na economia foram tomadas com o aval e o pleno conhecimento do Presidente da República. Lula não é bobo e não se pode argumentar que tenha sido enganado por seu Ministro da Fazenda desde o começo do governo.

<><> Eleições de 2026 e a ilusão do giro à esquerda.

No entanto, o fato é que a proximidade do próximo pleito e os arranjos envolvendo as eleições de outubro do ano que vem devem proporcionar rearranjos no esquema político da ESplanada. O prazo para desincompatibilização de eventuais candidatos a cargos na disputa eleitoral exige a exoneração de parcela de seus colaboradores mais próximos. Nestes casos, a regra geralmente utilizada até então, para evitar maiores atritos e desgastes por um curto período de tempo (de abril a outubro de 2026), tem sido a indicação de um ocupante temporário, geralmente o Secretário Executivo da pasta considerada. Ora, se esta fosse a solução para uma eventual saída de Haddad, não haveria razão alguma para que esse tipo de especulação pudesse prosperar. Haddad sai, disputa o cargo e eventualmente volta para encerrar o terceiro mandato com Lula até 31 de dezembro do ano que vem.

Assim, o desenho e as costuras para um eventual quarto mandato ficariam para depois. Mas não é impossível que Lula lance mão, mais uma vez, da conhecida figura simbólica do “candidato violinista”. Aquele segura com a esquerda e toca com a direita (sic). Para tanto, a intuição do candidato à reeleição incorporaria a necessidade de fazer um giro à esquerda na época de campanha, com o intuito de arregimentar maiores apoios e empolgar a militância em prol de sua candidatura a mais um mandato à frente do Palácio do Planalto. Caso esse raciocínio estiver correto, haveria espaço para que Lula oferecesse alguma esperança de novos rumos para o período 2027/2030. A encomenda que ele fez a Haddad de um estudo a respeito da gratuidade para o transporte público municipal, por exemplo, seria um indicativo de tal hipótese.

No entanto, creio que o passo de maior evidência para eventual mudança mais substantiva está muito fora de cena. Este seria o caso da nomeação de algum substituto de Haddad cujo perfil significasse uma possibilidade de reorientação efetiva nos rumos da economia. O mais provável é que se permaneça no conhecido modo “mais do mesmo” também para os próximos anos. Ainda que não seja impossível, o perfil de Lula não é marcado por esse tipo de descontinuidade em processos de transição. Afinal, optar por tal trilha implicaria um movimento de “rebeldia” junto aos setores do financismo e da Faria Lima. E o histórico conciliador do Presidente não autoriza esse tipo de conclusão, ainda mais para uma área tão sensível para as nossas classes dominantes, como a política econômica.

<><> Haddad sendo Haddad: extremismo fiscalista.

Voltando ao tema da mencionada entrevista, Haddad concentrou 70% do tempo da conversa ressaltando o seu compromisso com a austeridade fiscal. Foram mais de 42 minutos do total de uma hora do encontro com 3 jornalistas do Estadão em que o chefe da Fazenda não poupou saliva para sublinhar seu compromisso em atender às expectativas dos congêneres de seu grande amigo André Esteves do banco BTG/Pactual. Fiscal, fiscal e fiscal – esse foi o discurso monotônico do entrevistado, que contou com toda a boa vontade, a conivência e a compreensão dos encarregados por lhe apresentar questões. Afinal, nenhuma perguntinha sequer foi feita a respeito do trilhão de reais gastos em 12 meses como despesa orçamentária para pagamento de juros da dívida pública. Eles ficaram sempre na mesma lengalenga de pontuar o suposto “desequilíbrio fiscal” causado exclusivamente pelas despesas com itens como saúde, previdência social, educação, assistência social e outras. Como não perguntaram nada a respeito dos impactos causados pelas despesas financeiras (aquelas que são chamadas de “não-primárias”), Haddad ficou totalmente à vontade, pois nem precisou exercitar seu contorcionismo retórico. Afinal, os questionamentos tão necessários nem surgiram durante a conversa.

Até mesmo na crítica à política monetária, ele foi bastante discreto. Afirmou que poderia ser obtido o mesmo resultado de combate ao suposto “descontrole inflacionário” com SELIC a 12% ao invés dos atuais 15%. Mas como nada lhe foi perguntado a respeito do fato de que a meta de inflação é definida pelo próprio Executivo, Haddad tampouco precisou se esforçar para explicar a razão pela qual levou a Lula sugestão de uma meta tão irrealizável quanto irresponsável de 3% ao ano para o IPCA. Afinal, se o objetivo para o crescimento dos preços estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) fosse 4,5% ao ano, não haveria argumento algum para o COPOM insistir na tragédia dos níveis da SELIC dos últimos anos.

Enfim, para o atual ocupante da Fazenda, o Brasil vai muito bem, obrigado. Ele cumpriu seus compromissos todos assumidos com o tema da austeridade fiscal. E deixou subentendido que a continuidade da política econômica para um quarto mandato deve manter a mesma toada do quadriênio que se encerra no final do ano que vem. Ele mesmo reconhece – as palavras são suas na entrevista – que a sobrevivência do Novo Arcabouço Fiscal é uma “questão de matemática”.

<><> A decisão é de Lula: do futuro de Haddad e do futuro do Brasil

Ou seja, Haddad abre uma enorme avenida para que o período que se inicia com o anúncio do resultado das eleições seja marcado pela sinistra sugestão da responsável pelo Planejamento, Simone Tebet. Ela menciona o período entre o final de outubro de 2026 e o início do quarto mandato em janeiro de 2027 como o momento propício para o pacote de maldades tão defendido pela Faria Lima e pelo financismo de forma geral. Para eles, trata-se de uma oportunidade única para dar um verdadeiro golpe contra a sociedade e contra o futuro do Brasil. Seria a chance para promover um conjunto de maldades, incluindo a desvinculação dos benefícios do INSS do salário mínimo e o fim dos pisos constitucionais para saúde e educação.

(…) “que o próximo presidente da República, “seja quem for”, tem a missão de aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) de revisão de gastos. Ela argumenta que, por isso, “a janela de oportunidade é após o processo eleitoral”, o que transfere o debate para o primeiro ano do próximo governo.” (…)

Assim, independentemente do futuro político de Haddad, caso nada de substantivo seja efetivado para alterar o rumo da política econômica baseada nos princípios do neoliberalismo, o futuro do Brasil estará seriamente comprometido, mesmo para um eventual quarto mandato de Lula. Resta saber qual avaliação dele a respeito de manchar ou não sua própria biografia com esse tipo de medida.

 

Fonte: Jornal GGN



 

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