Heba
Ayyad: O fenômeno da migração reversa e o colapso do mito israelense
A
emigração de Israel — ou “Yerida”, que significa literalmente “descida” — é uma
das questões sociais mais sensíveis da sociedade israelense. Esse termo carrega
profundas conotações, sugerindo declínio e deterioração, em contraste com
“Aliyah”, ou “ascensão”, que simboliza a imigração para a Terra Prometida.
Desde a
fundação do Estado de Israel, em 1948, a ideia de “ascender” a Israel tornou-se
um pilar da identidade sionista, enquanto a emigração passou a ser vista como
uma forma de abandono do projeto nacional — uma fuga ou a busca por ambições
pessoais em países ocidentais, em vez de contribuir para o esforço coletivo
destinado a assegurar o caráter judaico do Estado e seu futuro. O
primeiro-ministro israelense Yitzhak Rabin descreveu esses emigrantes, durante
as comemorações do Dia da Independência em 1976, como “a queda dos covardes”,
expressão que ainda hoje reflete a atitude coletiva em relação a esse grupo.
Israel
— um Estado fundado essencialmente sobre o conceito de imigração judaica para a
“Terra Prometida” — enfrenta, pela primeira vez desde a sua criação, uma onda
de emigração que cresce rapidamente, com o número de pessoas deixando o país
superando o número de chegadas nos últimos dois anos.
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O Desmoronamento do Mito do “Refúgio Seguro”
Desde
1948, a obsessão com a segurança tem sido central na formação da consciência
coletiva israelense e no discurso sionista, que apresentava Israel como a
“pátria segura do povo judeu” e o “último refúgio” para os judeus expulsos da
Europa.
No
entanto, esse mito desmoronou em 7 de outubro de 2023, com a Operação
“Inundação de Al-Aqsa”, que abalou profundamente os alicerces do sistema de
segurança e destruiu a sensação coletiva de proteção dentro das fronteiras do
país.
Naquele
dia, os israelenses descobriram que aquilo que havia sido alardeado por décadas
— uma suposta imunidade de inteligência e uma barreira absoluta de dissuasão —
não passava de uma ilusão coletiva. A violação das fronteiras fortemente
fortificadas pela resistência palestina e a transformação de símbolos de
segurança em cenas de desamparo e caos abalaram a confiança dos cidadãos
israelenses em suas instituições de defesa, convertendo uma crise militar
temporária em uma crise existencial de identidade nacional.
De
acordo com um relatório do Instituto da Democracia de Israel (2024), mais de
dois terços dos cidadãos afirmaram que sua confiança no exército diminuiu
drasticamente após o ataque, enquanto mais da metade relatou “medo constante de
perder a segurança pessoal, mesmo nas principais cidades”. A partir desse
momento, a ideia de um “porto seguro”, que durante décadas atraiu imigrantes
judeus da Europa e de diversas regiões do mundo, passou a ser fonte de dúvida e
ansiedade, levando milhares de famílias a buscar um “refúgio alternativo” fora
das fronteiras do país. A emigração deixou de ser apenas uma escolha econômica
ou profissional e passou a funcionar como um mecanismo de sobrevivência diante
da perda da sensação de segurança interna.
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O Tsunami da Partida
Israel
— um Estado fundado principalmente no conceito de imigração judaica para a
“Terra Prometida” — enfrenta, pela primeira vez desde a sua criação, uma onda
de emigração em rápida ascensão, na qual o número de pessoas que deixam o país
supera o número de chegadas nos últimos dois anos. De acordo com dados oficiais
do Centro de Pesquisa e Informação do Knesset, Israel tornou-se, entre 2023 e
2024, um “país que exporta mais pessoas do que recebe”, após um aumento sem
precedentes nas taxas de emigração desde a década de 1970. Informações
divulgadas pelo Departamento Central de Estatísticas de Israel (2024),
juntamente com relatórios internacionais de agências como a Associated Press e
o The Times of Israel, indicam que o período entre outubro de 2023 e meados de
2025 registrou uma das maiores ondas de emigração das últimas duas décadas. Segundo
estimativas do Departamento Central de Estatísticas, entre 82 mil e 85 mil
pessoas deixaram Israel em 2023 — o maior índice anual desde a Segunda
Intifada.
A
Associated Press observa que os primeiros meses de 2024 apresentaram um aumento
de 59% no número de emigrantes em comparação ao mesmo período do ano anterior. O
The Times of Israel relatou ainda que o número de pessoas que retornaram ao
país caiu 21% durante o primeiro semestre de 2024, refletindo uma mudança clara
no equilíbrio demográfico entre emigração (Yerida) e retorno (Aliyah).
Essa
queda no retorno a Israel evidencia a erosão do antigo apelo de “porto seguro”
na consciência coletiva israelense. A decisão de emigrar deixou de ser
interpretada apenas sob perspectivas econômicas ou profissionais e passou a ser
também uma resposta às preocupações de segurança desencadeadas pelos
acontecimentos que se intensificaram após 7 de outubro de 2023. Com a ampliação
das tensões regionais e o aumento da sensação de instabilidade, esses números
começam a sugerir uma mudança demográfica estrutural de longo prazo, levantando
questões importantes sobre o futuro socioeconômico do país na próxima década.
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Duas Fases da Nova Onda Migratória
As
estatísticas demonstram que essa onda migratória não seguiu um padrão uniforme,
mas ocorreu em duas fases principais:
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Fase 1 (outubro de 2023 – março de 2024)
Período
marcado pelo “choque coletivo” que se seguiu à Operação “Inundação de Al-Aqsa”.
Nesse intervalo, as preocupações com a segurança combinaram-se com a
mobilização militar generalizada, ampliando a sensação de instabilidade entre
as famílias. A migração foi predominantemente defensiva e temporária — uma
espécie de “migração preventiva”, destinada a escapar de tensões imediatas.
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Fase 2 (abril de 2024 – verão de 2025)
Fase de
“estabilidade relativa”, em que a saída do país passou a ser uma escolha mais
estratégica para certos grupos, especialmente profissionais qualificados e
famílias urbanas. Nesse período, viajar deixou de ser apenas uma fuga do perigo
e passou a representar a busca por um estilo de vida mais estável,
oportunidades de trabalho e educação no exterior.
Uma
reportagem publicada pelo Times of Sarajevo em 15 de outubro de 2024,
intitulada “Israelenses Deixam o País em Massa: Um Êxodo Sem Precedentes,
Principalmente em Idade Militar”, apontou que Israel está vivenciando uma
crescente onda de emigração entre sua população jovem e produtiva. A reportagem
afirmou que a idade média dos emigrantes do sexo masculino era de 31,6 anos,
enquanto a das mulheres era de 32,5 anos. Explicou ainda que indivíduos na
faixa dos 20 e 30 anos constituem aproximadamente 40% do total de emigrantes,
apesar de representarem apenas 27% da população. Esses números, de acordo com
análises estatísticas, mostram que Israel está perdendo um segmento crucial de
sua força de trabalho qualificada — jovens em idade universitária,
profissionais liberais e militares — o que prenuncia consequências econômicas e
sociais de grande alcance.
O
relatório também afirmou que 48% dos emigrantes do sexo masculino e 45% do sexo
feminino eram solteiros, enquanto 41% se mudaram com seus parceiros, indicando
que uma parcela significativa dessa população está emigrando de forma
permanente, e não temporária. Em relação à origem, 59% dos emigrantes nasceram
no exterior, enquanto 41% nasceram em Israel. Entre os nascidos fora do país,
80% vieram da Europa, sendo a grande maioria (72%) oriunda de ex-repúblicas
soviéticas. Este último grupo havia se beneficiado anteriormente de amplo apoio
governamental, incluindo moradia subsidiada e hipotecas, antes de reinvestir no
exterior os lucros provenientes da venda dessas propriedades (Sarajevo Times,
2024).
Esses
números indicam que Israel está perdendo sua elite jovem, produtiva e instruída
— o próprio segmento que compõe a espinha dorsal de sua força de trabalho,
sistema educacional e serviço militar — o que prenuncia impactos humanos e
econômicos de longo prazo. Os jovens em Israel já não veem o Estado como um
projeto coletivo nacional com futuro, mas como uma entidade ameaçada,
“prisioneira da realidade do conflito em curso”.
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Fuga de Cérebros
Nos
últimos anos, surgiu uma tendência paralela à emigração juvenil: um êxodo
crescente de acadêmicos e profissionais das áreas de tecnologia, medicina e
engenharia. De acordo com uma sessão especial realizada pela Comissão de
Imigração e Absorção do Knesset em maio de 2024, o Centro de Pesquisa e
Informação do Knesset observou que, embora dados oficiais precisos ainda não
estejam disponíveis, estimativas iniciais indicam que aproximadamente 12% dos
emigrantes em 2024 possuíam títulos de pós-graduação (mestrado ou doutorado),
refletindo uma grave perda de capital humano qualificado em Israel (Comunicado
de Imprensa do Knesset, 2025). Por sua vez, a ScienceAbroad — uma rede
internacional que conecta pesquisadores israelenses que trabalham no exterior —
revelou em seu relatório anual de 2024 que mais de 3.500 cientistas e
pesquisadores israelenses se mudaram para universidades da Europa e da América
do Norte desde o início da guerra em Gaza, em comparação com cerca de 2.000 nos
dois anos anteriores somados, representando uma duplicação do ritmo da “fuga de
cérebros” em decorrência do conflito militar e político (Relatório Anual da
ScienceAbroad, 2024).
De
maneira semelhante, o pesquisador Yagil Levy, da Universidade Aberta de Israel,
afirma que esse fenômeno representa uma forma de “fuga de conhecimento” que
ameaça a infraestrutura da economia israelense, baseada na inovação e na
pesquisa científica. Ele alerta que a perda contínua de conhecimento acadêmico
e tecnológico criará, a médio e longo prazo, uma lacuna difícil de ser
preenchida (Relatório do Haaretz, 2025). Em conclusão, esses indicadores
demográficos sugerem que Israel está à beira de uma transformação estrutural
profunda e duradoura.
A
crescente emigração de jovens e de indivíduos com formação superior não
constitui um fenômeno populacional passageiro; ela afeta o próprio núcleo da
sociedade israelense, sua composição etária e sua estrutura profissional. A
continuidade dessa fuga de capital humano provoca um desequilíbrio crescente na
pirâmide etária da força de trabalho e um declínio em setores vitais, como
tecnologia e pesquisa científica — áreas que formam a base da economia
israelense moderna há décadas.
As
repercussões desse fenômeno ultrapassam a dimensão econômica e impactam o
tecido social e político do Estado. Muitos dos que partem o fazem não apenas em
busca de melhores oportunidades, mas também de um sentido perdido de segurança
e estabilidade. Já aqueles que permanecem tendem a estar vinculados à terra por
motivações religiosas ou por nacionalismo simbólico. Assim, aprofunda-se a
divisão entre os que enxergam a permanência no país como um dever nacional e os
que veem a saída como uma legítima forma de preservação individual e familiar.
A longo
prazo, essa trajetória aponta para uma redução no crescimento populacional,
declínio da produtividade e, possivelmente, uma redefinição da própria
identidade do Estado. O modelo sionista, fundado na ideia de um “porto seguro”,
enfrenta agora um teste existencial: seu simbolismo se desgasta diante de uma
realidade em que a confiança nas instituições diminui e a capacidade de
garantir segurança às gerações futuras se enfraquece. Diante dessa
transformação, o conceito de “Aliá” — outrora sinônimo do sonho coletivo de
ascender à “Terra Prometida” — corre o risco de se tornar apenas uma memória
simbólica de uma era passada.
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Casas destruídas e preços exorbitantes: moradores relatam
a vida em Gaza um mês após cessar-fogo
Quando Israel e Hamas concordaram com
um cessar-fogo na Faixa de Gaza, há um mês, Mona al-Harazeen lembra não ter
conseguido conter o choro.
Só
pensava no filho Yazan, morto, segundo ela, em um bombardeio nos primeiros
meses da guerra, aos 17 anos. "Durante a guerra, não tivemos tempo de
ficar tristes. Eu não tive tempo de viver o luto", explica a mulher de 36
anos, que trabalhava no setor administrativo da companhia elétrica local.
"Quando a guerra acaba, a dor e a tristeza voltam." Falando por
telefone à BBC, ela diz que a primeira coisa que fez foi retornar ao norte da
Faixa de Gaza, onde viveu a maior parte da vida. Tinha fugido de bombardeios
intensos semanas antes de o cessar-fogo entrar em
vigor, em outubro.
Não era
a primeira vez que al-Harazeen fazia esse percurso. Em janeiro de 2025, quando
um cessar-fogo anterior foi firmado, ela também caminhou do sul ao norte. Na
ocasião, carregava o corpo de Yazan, que havia retirado dos escombros onde
estava preso havia quase um ano. Chorando, explica que queria dar ao filho um
enterro digno. Desta vez, ela foi de carro. O trajeto, que antes da guerra
levaria 30 minutos, durou cerca de três horas, em meio a estradas destruídas e
engarrafamentos causados pelo grande número de pessoas retornando ao norte.
Desta
vez, ela foi de carro. O trajeto, que antes da guerra levaria 30 minutos, durou
cerca de três horas, em meio a estradas destruídas e engarrafamentos causados
pelo grande número de pessoas retornando ao norte. Ao cruzar o vale com vista
para a Cidade de Gaza, al-Harazeen diz ter
ficado aterrorizada. "Até onde eu podia ver, só havia espaços vazios. Era
uma cena horrível. O chão estava coberto de destroços, como se tivesse engolido
todos os prédios." Ela conta que o horizonte mudou completamente:
edifícios de até 13 andares desapareceram. "Foi solitário e assustador.
Não consigo descrever a sensação. Só chorei", diz. Ela já sabia que sua
casa, onde morou por 20 anos, fora destruída em 2024. Apesar disso, quer
permanecer na cidade, "porque é o meu lar". Encontrou um apartamento
de três cômodos para alugar a dez minutos de carro.
É um
dos poucos disponíveis e, segundo ela, custa caro. Só consegue pagar dividindo
o aluguel com a mãe, duas irmãs e suas famílias. Não sabe por quanto tempo vão
conseguir manter o arranjo. Ela afirma não ter recebido ajuda nem doações de
alimentos. Diz que alguns produtos voltaram a aparecer, mas com preços
"absurdos".
Antes
da guerra, 1kg de banana custava cerca de três shekels (R$ 5,40). Agora, está
em torno de 20 shekels (R$ 36). Um pacote de pão pita, que custava sete ou oito
shekels (R$ 15), hoje chega a 60 shekels (R$ 108). Ela ainda não consegue
comprar ovos e conta que muitas famílias cozinham em fogueiras, por falta de
gás. "Acendemos fogo sobre placas de metal, em cilindros grandes, nas
varandas, em banheiros desativados ou perto das janelas, para ferver água e
esquentar a comida."
"Como
não temos móveis, sentamos em cobertores e almofadas no chão", acrescenta.
Ela diz
que os habitantes de Gaza não se sentem seguros e duvidam da estabilidade do
cessar-fogo. "Ainda ouvimos tiros, foguetes e bombardeios. Tenho muito
medo."
Mesmo
assim, dorme um pouco mais tranquila ao saber que os outros dois filhos,
Mohammad, 16, e Bashar, 12, estão relativamente protegidos. O futuro, para ela,
é sombrio: "Não temos futuro... Gaza acabou. Gostaria, nem que fosse por
um dia, de voltar à minha casa, tomar banho no meu banheiro, dormir na minha
cama, pentear o cabelo diante do espelho, vestir roupas limpas, passar meu
perfume. Tenho saudade das coisas simples que fazia e já não posso fazer."
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Jumana
Enquanto
a maioria das pessoas ouvidas diz achar impossível pensar em reconstruir a
vida, algumas, como Jumana, 26, encontram breves lampejos da antiga rotina.
Sua
casa é uma das poucas ainda de pé na Cidade de Gaza. "Nosso apartamento
não foi gravemente danificado, graças a Deus", afirma por telefone.
"Só as janelas quebraram, e a cozinha ficou um pouco destruída."
A
jornalista freelancer vive ali com o marido, que também trabalha na área, e as
duas filhas. A mais velha, Tulin, 6, que sonhava voltar à escola, começou a ter
aulas particulares, sendo as primeiras desde o início da guerra. A caçula,
Thalia, 2, nasceu menos de uma semana depois do ataque de 7 de outubro de 2023,
liderado pelo Hamas contra o sul de Israel, quando 251 pessoas foram
sequestradas e cerca de 1.200 morreram. Tulin também nasceu em outubro, e os
pais esperavam, neste ano, finalmente fazer uma grande festa para as duas. Mas
os planos ruíram quando um parente foi morto em bombardeios israelenses no fim
de outubro, após Israel e Hamas se acusarem mutuamente de violar o cessar-fogo.
Ele é uma das mais de 68 mil vítimas da guerra em Gaza, segundo o Ministério da
Saúde controlado pelo Hamas, números aceitos pela Organização das Nações Unidas
(ONU) e outras entidades internacionais.
O
Exército israelense afirmou ter atingido "dezenas de alvos terroristas e
militantes" em resposta a violações do acordo mediado pelos Estados
Unidos. O ministro da Defesa de Israel acusou o Hamas de um ataque que matou um
soldado israelense e de descumprir as condições sobre a devolução dos corpos de
reféns mortos. O Hamas negou envolvimento e acusou Israel de tentar minar o
acordo.
Para
Jumana, o episódio foi um lembrete de que a vida está longe do normal.
"Com guerra ou sem guerra, é isso que nossas vidas viraram, a triste
realidade", diz, com amargura. Ainda assim, saiu para passear com o marido
e as meninas. Compartilhou um vídeo das duas caminhando entre destroços. Depois,
foram a um restaurante. "Comeram pizza, shawarma e tomaram Coca-Cola.
Ficamos tanto tempo sem nada disso que parecia um sonho", conta. Jumana
também postou fotos de alimentos que conseguiu comprar — espetinhos de carne,
frango inteiro, sorvete, frutas e cordeiro. Levou as filhas ao supermercado e
registrou prateleiras cheias de doces, salgadinhos e café, mas outras vazias ao
fundo. "As prateleiras só ficam cheias quando o [Exército] israelense
permite a entrada de mercadorias", explica. "Nem tudo está
disponível. Se as fronteiras fecham por dois dias, os produtos somem
imediatamente."
Ela e o
marido conseguem sustentar a família porque continuam trabalhando. Mas a
maioria dos moradores está desempregada e os bancos permanecem fechados.
Alguns
ainda têm dinheiro guardado e cobram taxas de até 25% para liberar
transferências, relata. Jumana também compartilhou imagens das filhas brincando
e nadando no mar, com prédios destruídos ao fundo; em um deles, sem paredes nem
janelas, ainda vive uma família. A cena resume a realidade em Gaza. "Não
há futuro para nós nem para nossas filhas. Tentamos seguir, mas não é
normal", diz. "Estamos planejando um futuro fora de Gaza,
infelizmente."
Fonte: Brasil
247/BBC News Mundo

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