quarta-feira, 19 de novembro de 2025

'Bolsonaro foi descartado porque saiu do controle da burguesia', diz Ivan Seixas

Durante entrevista à TV 247, o jornalista e escritor Ivan Seixas analisou o papel de Jair Bolsonaro (PL) no cenário político brasileiro e as razões pelas quais ele foi, segundo o jornalista, “descartado pela burguesia”.

De acordo com Seixas, a ascensão e queda de Bolsonaro se inserem em um contexto mais amplo de manipulação política e jurídica. Para ele, a criminalização da política, supostamente em nome do combate à corrupção, abriu caminho para o bolsonarismo. “O Bolsonaro serviu para essa criminalização, tanto criminalizando o PT, o Lula e a esquerda, quanto depois, quando ele é descartado e fica assim: ‘a política é uma coisa suja, não tem saída; a saída é o capitalismo’".

O jornalista descreveu o bolsonarismo como um fenômeno sustentado por interesses econômicos e ideológicos da extrema-direita. “O Bolsonaro e a quadrilha dele são delinquentes, não são ideológicos. Eles usam a ideologia, como essas supostas igrejas pentecostais, usam o discurso religioso para enriquecer e como instrumento da extrema-direita também”, declarou.

Seixas também destacou o caráter mercenário do grupo que orbitava o ex-presidente. “Esses delinquentes, que são milicianos lá no Rio, se colocam a serviço da extrema-direita, porque a extrema-direita sim é ideológica. E a quadrilha do delinquente Bolsonaro ganhou força e quis um projeto pessoal de ditadura pessoal, para enriquecimento. Para roubar joia, desviar dinheiro do INSS… Para roubar. Esse é o projeto deles. São mercenários".

Na entrevista, o jornalista comparou o caso brasileiro ao de regimes autoritários do século XX. “Eles fugiram ao controle da burguesia. Eles serviram de instrumento para a burguesia para tentar destruir o PT, o Lula, e passaram a ser um monstro que eles perderam o controle. Como Hitler foi instrumento dos Estados Unidos e Inglaterra para destruir a União Soviética. Depois ele saiu do controle e os caras tiveram que se unir com a União Soviética para destruir o monstro que eles criaram”, explicou.

Para Seixas, o momento atual revela uma tentativa das elites econômicas de retomar o comando político do país. “Eles precisam hoje botar o Bolsonaro na cadeia, toda a milicada junto, porque a burguesia, que é dona do Estado, precisa dar uma demonstração de que: ‘quem manda aqui não são vocês; somos nós’.”

•        "A burguesia vai trabalhar meticulosamente para destruir a candidatura Lula", diz Rui Costa Pimenta

A burguesia brasileira “vai trabalhar muito meticulosamente para destruir a candidatura do Lula” nas eleições de 2026, avaliou o presidente do PCO, Rui Costa Pimenta, em entrevista à TV 247 nesta sexta-feira, 14 de novembro. Segundo ele, o objetivo central da classe dominante é produzir uma disputa “nem Lula, nem Bolsonaro”, abrindo caminho para um governo capaz de aplicar, sem resistência popular, um projeto neoliberal profundo.

Rui analisou o avanço da extrema direita na América do Sul, os acordos do presidente argentino Javier Milei com Donald Trump — atual presidente dos Estados Unidos —, o cerco imperialista contra a Venezuela e os riscos crescentes para o Brasil. Ele destacou que essa ofensiva regional é expressão de um capitalismo global “num beco sem saída”, que só consegue avançar “espoliar de maneira muito agressiva os povos do mundo inteiro”.

<><> “Milei praticamente entregou o país ao Trump”

Comentando o acordo de livre comércio assinado entre Argentina e Estados Unidos, Rui foi direto: “o Milei praticamente entregou o país ao Donald Trump. a Argentina assume sua condição colonial.”

Para ele, Milei é “muito representativo” da nova onda neoliberal que atravessa o continente. Rui afirmou que não se trata de decisões individuais, mas de uma política estrutural do imperialismo, aplicada também em países como Peru, Equador e Bolívia — e que tende a pressionar cada vez mais o Brasil e o governo do presidente Lula.

<><> Trump como “figura secundária” do imperialismo

Respondendo a críticas de que teria relativizado o impacto de Trump, Rui reforçou:

“o Trump é presidente dos Estados Unidos. você não pode ser o anjo Gabriel sendo presidente do grande satã.”

Ele explicou que não considera Trump “melhor” que seus adversários internos, mas uma figura “que atrapalha o jogo do imperialismo”, ainda que sem força para alterar sua lógica. Rui lembrou que golpes e ofensivas na América Latina ocorreram antes da volta de Trump ao poder: "o golpe na Venezuela e a tentativa da Corina Machado foram antes do Trump. a ditadura no Peru também é anterior.”

<><> Chacinas, repressão e risco de alinhamento brasileiro

Na parte da entrevista dedicada ao Brasil, Rui relacionou a recente chacina no Rio de Janeiro a orientações políticas mais amplas ligadas aos Estados Unidos. Ele advertiu que setores do governo brasileiro podem ceder à pressão para adotar discursos e práticas repressivas: “O PT está sendo pressionado por motivos eleitorais a aderir a essa política repressiva. é um erro colossal.”

Segundo ele, pesquisas que tentam mostrar apoio popular a ações policiais violentas “não são idôneas”. Rui relatou que militantes do pco estiveram no Complexo do Alemão logo após a operação e encontraram ampla rejeição popular.

<><> Venezuela: “o Brasil tende a ficar em cima do muro”

Sobre a mobilização militar estadunidense no Caribe, Rui avaliou que o Brasil não deverá oferecer um apoio sólido à Venezuela sem forte pressão popular:

“vai depender muito da mobilização. nós vamos organizar uma campanha ampla em defesa da Venezuela.”

Para ele, apesar da propaganda negativa contra Nicolás Maduro, a maioria do povo brasileiro rejeitaria uma intervenção estrangeira no país vizinho.

<><> A geopolítica global e o risco crescente de guerra

Rui também comentou a postura da Rússia e da China, que vêm se manifestando abertamente contra a ameaça dos Estados Unidos à Venezuela: “a Rússia está pronta a atender todas as demandas da Venezuela, inclusive no campo militar. isso é muito bom.”

Ele situou o conflito dentro de uma disputa global mais ampla, que envolve Ucrânia, Oriente Médio e o cerco à China: “o imperialismo está armando uma guerra de grandes proporções contra China, Rússia e Irã.”

<><> A eleição brasileira de 2026: “o plano é Lula fora do jogo”

A parte mais tensa da conversa foi dedicada ao cenário eleitoral brasileiro. Rui foi categórico: “a burguesia vai trabalhar muito meticulosamente para destruir a candidatura do Lula.”

Ele afirmou que o capital financeiro e os grandes grupos econômicos desejam uma eleição sem Lula e sem Bolsonaro, apostando em nomes como Tarcísio de Freitas, Romeu Zema, Ronaldo Caiado ou mesmo Ciro Gomes, caso ele migre para o PSDB.

Segundo Rui, Lula e Bolsonaro são rejeitados pela burguesia “pelo mesmo motivo”:

“os dois têm base popular. os dois evitam políticas abertamente impopulares. mas a burguesia quer uma política que mate milhões se for preciso, como na Argentina.”

Ele destacou que Fernando Haddad, ao admitir que pode deixar o ministério da Fazenda, sinaliza que gostaria de disputar a presidência, mas isso facilitaria o plano da direita:

“se o Lula desistir e colocar o Haddad, a burguesia elege seu candidato com facilidade.”

<><> PT, antipetismo e a fragilidade diante da ofensiva da direita

Rui apontou que o PT está “muito adaptado” às pressões da direita e adota frequentemente políticas de conciliação, como a escolha de Geraldo Alckmin como vice:

“o PT abriga antipetistas e não combate o antipetismo. isso enfraquece o partido.”

Ele avalia que, sem mobilização popular, o governo Lula terá extrema dificuldade, mesmo que vença: “a eleição não vai resolver a parada. mesmo que ganhe, o Lula estaria na contramão do que a burguesia quer. o governo poderia até cair antes do fim.”

<><> Conclusão: só a mobilização popular pode conter a nova ofensiva

Rui encerrou afirmando que a crise ainda está em desenvolvimento, mas que o sentido geral é claro:  “não vamos encontrar a solução para os problemas brasileiros na eleição. é preciso uma mobilização geral da população.”

•        Não há motivo para pessimismo: Lula continua favorito para 2026. Por Bepe Damasco

Um pouco de sangue frio e boa vontade para contextualizar politicamente as pesquisas de avaliação do governo e sobre a disputa para a presidência da República cairiam bem para alguns quadros da esquerda brasileira e integrantes da mídia alternativa.

Vejamos: depois que a frase infeliz do presidente Lula ("o traficante também é vítima do usuário") foi fartamente explorada pela imprensa comercial e pelas redes da extrema direita, e o mesmo acontecer em relação à chacina protagonizada pelo governador bolsonarista Cláudio Castro, apoiada por boa parte da população sedenta de sangue e de vingança, era previsível uma queda acentuada de Lula nas pesquisas.

Mas isso ficou longe de acontecer.

Embora tenha se posicionado como estadista, na contracorrente da opinião pública, condenando a "matança" cometida pela operação policial mais letal da história do Brasil, Lula não despencou nas pesquisas como sugere a onda de pessimismo que de repente ganhou corpo no campo democrático.

Aliás, só mandatários corajosos e com forte convicção democrática e republicana, como Lula, são capazes de assumir, por dever de consciência, posições contramajoritárias.

A variação para baixo da avaliação do governo limitou-se a uma oscilação de três pontos percentuais, dentro da margem de erro, mostrando que a metade dos brasileiros não recua do seu apoio ao presidente e mostra-se invulnerável ao espancamento midiático.

Essa resiliência é um grande trunfo eleitoral.

Já a diminuição da vantagem que Lula mantém sobre todos os candidatos no primeiro e no segundo turno é algo absolutamente normal quando se trata de disputa pelo poder.

Para os que arrancam os cabelos com isso, a notícia não é das melhores: idas e vidas, subidas e descidas vão acontecer em profusão até Lula ser eleito para seu quarto mandato, o que estou convencido que ocorrerá.

Vamos lembrar que neste país existe direita e extrema direita, tem o agro, os grupos de mídia, a Faria Lima, os militares, as polícias, as milícias, as igrejas neopentecostais.

Sem falar no antipetismo presente na sociedade, que ainda é forte.

As disputas presidenciais são tão acirradas que Lula com toda a sua força política e eleitoral nunca venceu no primeiro turno. Tampouco Dilma Rousseff revolveu a parada no primeiro turno.

Outra análise corrente, na minha visão sujeita a chuvas e trovoadas, é a que aponta a questão da segurança pública como tema praticamente exclusivo da eleição de 2026. Não resta dúvida que será um assunto central, como demonstram todas as pesquisas, mas daí a achar que o ótimo momento econômico vivido pelo país não terá peso vai uma enorme distância.

Isso não quer dizer, por óbvio, que o segmento progressista não tenha que ser mais propositivo e assertivo no debate sobre a segurança pública. Contudo, é forçoso reconhecer que passos importante foram dados pelo governo federal, tais como a PEC da Segurança Pública e o PL Antifacção.

E vem mais coisa por aí.

Ou alguém acha que Lula vai assistir sem reação aos conservadores e inimigos do povo alçarem a discussão da segurança ao topo da agenda nacional ?

E mais: uma coisa são pesquisas feitas a frio, no ano anterior à eleição. Outra completamente diferente é a campanha propriamente dita, quando se manifesta com  intensidade a conhecida química entre Lula e o povo brasileiro.

Quem viver verá!

•        PL tenta encontrar saída para guerra estabelecida entre bolsonaristas em SC

A direção nacional do PL iniciou uma articulação discreta para tentar conter a guerra aberta que se instalou no extremismo catarinense após a decisão de Carlos Bolsonaro de disputar o Senado em 2026. As informações são do Metrópoles. A movimentação colocou pressão sobre o grupo do governador Jorginho Mello (PL) e acendeu um alerta no partido sobre o risco de divisão antecipada no estado.

A entrada do vereador carioca, filho “02” do ex-presidente Jair Bolsonaro, desorganizou a composição inicial da chapa governista, que previa duas vagas ao Senado, mas agora reúne três pré-candidatos. Além de Carlos, disputam espaço o senador Esperidião Amin (PP-SC) — nome apoiado por Jorginho — e a deputada federal Caroline de Toni (PL-SC), que figura entre os favoritos nas pesquisas.

Nos bastidores, caciques do PL passaram a testar alternativas para evitar um confronto direto entre esses nomes. Um dos cenários defendidos por parte da cúpula do partido sugere deslocar Amin para a disputa de vice-governador, preservando sua participação na chapa majoritária. A segunda vaga ao Senado, por sua vez, seria usada como trunfo para atrair o PSD, num movimento considerado estratégico para ampliar o palanque de Jorginho Mello.

Nesse arranjo, o PL tentaria trazer o prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), para disputar o Senado pela coligação governista. Rodrigues tem sinalizado interesse em concorrer ao governo estadual contra Jorginho em 2026, o que torna a negociação sensível, mas também potencialmente decisiva para neutralizar resistências internas.

A solução, porém, deixa de fora a deputada Caroline de Toni, apesar de sua boa posição nas pesquisas. Dirigentes do PL reconhecem o desgaste político dessa exclusão, mas avaliam que, por ter apenas 39 anos, a parlamentar ainda teria “espaço e tempo” para projetos maiores em pleitos futuros, caso o partido precise priorizar outro nome neste ciclo eleitoral.

 

Fonte: Brasil 247

 

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