'Protesto
das baratas': como manifestação liderada por jovens aumenta pressão sobre o
governo Modi, na India
A
pressão sobre o governo da Índia tem aumentado, com milhares de simpatizantes
de um grupo político autodenominado Partido Janata Barata (CJP) protestando há
dias na capital, Nova Déli.
O
movimento é liderado por jovens e busca reformas na educação e a renúncia do
ministro da Educação, Dharmendra Pradhan.
Os
protestos ganharam ainda mais impulso na terça-feira (21/07), quando líderes do
principal partido de oposição da Índia, o Congresso Nacional Indiano (INC, na
sigla em inglês), se juntaram às manifestações, apesar das fortes chuvas que
atingem a capital.
Um
movimento político satírico, o CJP foi inspirado por declarações feitas no
início deste ano pelo presidente do Supremo Tribunal da Índia, que usou o termo
"barata" para descrever jovens desempregados que se dedicam ao
jornalismo e ao ativismo.
Após a
repercussão negativa dos comentários, o presidente da Corte disse que se
referia apenas àqueles com "diplomas falsos e fraudulentos".
Além da
renúncia do ministro da Educação, Dharmendra Pradhan, os integrantes do CJP
denunciam irregularidades relacionadas a um exame nacional de admissão para
faculdades de medicina, realizado em maio.
O
governo cancelou a prova devido a um vazamento de questões. A decisão afetou
milhões de estudantes e provocou indignação em todo o país.
Mas o
movimento rapidamente se expandiu e se tornou uma das expressões mais visíveis
nos últimos anos de dissidência pública contra o primeiro-ministro da Índia,
Narendra Modi.
Os
protestos da terça também foram uma reação à brutal repressão policial às
manifestações organizadas pelo CJP no dia anterior, segunda-feira (20), que
resultou em dezenas de manifestantes e policiais feridos.
Na
segunda-feira, dezenas de milhares de pessoas tomaram as ruas do centro de Déli
depois que CJP convocou uma marcha até o Parlamento, no início da Sessão das
Monções — que é o segundo dos três períodos legislativos anuais da Casa.
Pelo
menos 60 pessoas ficaram feridas depois que a polícia usou cassetetes e gás
lacrimogêneo para dispersar a multidão.
Os
policiais também desmontaram o palco e as tendas improvisadas em Jantar Mantar,
um antigo observatório astronômico que se tornou a principal base da
demonstração. Mas os manifestantes se recusaram a sair, mantendo um protesto
permanente.
O INC
compartilhou vídeos de seu deputado Rahul Gandhi e outros sendo arrastados para
ônibus e levados para centros de detenção durante a confusão. Eles foram
posteriormente libertados.
Após a
violência de segunda, os manifestantes do CJP receberam a visita de vários
líderes da oposição, como o ex-ministro-chefe de Déli, Arvind Kejriwal, e o
político veterano Sharad Pawar.
Mais
tarde, na terça-feira, o presidente do INC, Mallikarjun Kharge, e o deputado
Rahul Gandhi lideraram uma marcha surpresa até a casa de Modi, exigindo a sua
renúncia e de outros ministros.
Gandhi
disse que o governo deveria pedir desculpas aos estudantes pela repressão,
acrescentando que o seu partido decidiu realizar o protesto em frente à casa de
Modi porque não foi autorizado a levantar a questão no Parlamento.
Ele
disse que se encontrou com o presidente da Câmara, Om Birla, para solicitar uma
discussão, mas "o presidente disse que precisava da permissão do
governo".
"Ficou
muito claro para nós que o governo não tinha interesse em debater o
assunto", disse Gandhi.
Mais
tarde, Pradhan, o ministro da Educação, criticou o INC por "explorar
descaradamente os estudantes como ferramentas políticas".
"Mesmo
depois de o governo ter manifestado sua disposição para uma discussão
abrangente, o CJP optou pelo espetáculo político em vez do debate democrático.
Seu objetivo nunca foi encontrar soluções para os estudantes, mas sim causar
perturbações para gerar manchetes políticas", disse ele em uma postagem no
X.
Pradhan
admitiu que o governo deve "respostas, reformas e responsabilização"
aos estudantes do país, ascrescentando que "é exatamente isso que nosso
governo continua comprometido em entregar."
A
renúncia de Pradhan tem sido uma das principais exigências dos manifestantes, e
o CJP ainda não respondeu aos seus comentários.
Os
manifestantes, que estão acampados há um mês em Jantar Mantar, ganharam atenção
global depois que o ativista e educador Sonam Wangchuk se juntou a eles em 28
de junho e iniciou uma greve de fome por tempo indeterminado em apoio às suas
reivindicações.
Ele foi
retirado à força do local do protesto pela polícia no sábado (18) e levado ao
hospital, onde continua em jejum.
Nos
últimos dias, o apoio ao CJP cresceu além de Déli, com protestos também sendo
realizados em outras grandes cidades como Mumbai, Hyderabad, Bengaluru e
Ahmedabad.
Fonte:
BBC News Mundo

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