quinta-feira, 23 de julho de 2026

O tarifaço contra o Brasil e a nova geoeconomia dos Estados Unidos

As tarifas impostas ao Brasil não podem ser compreendidas apenas como uma disputa comercial. Elas revelam uma estratégia mais ampla dos Estados Unidos para conter a reorganização da ordem internacional e reafirmar sua influência sobre a América Latina.

Em julho de 2025, o governo dos EUA, sob o segundo mandato de Donald Trump, ampliou drasticamente as taxas de importação aplicadas a produtos de diversos países. Um ano depois, em julho de 2026, o Brasil voltou a ser taxado.

A justificativa oficial para os tarifaços faz referência tanto a questões da política interna brasileira quanto a supostas práticas desleais de mercado. Entretanto, interpretar essa medida apenas como uma reação às disputas envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro ou como uma tentativa de corrigir injustiças comerciais significa ignorar um processo mais profundo.

O episódio insere-se em uma estratégia geoeconômica voltada à contenção do avanço do BRICS, da crescente presença chinesa na América Latina e das tentativas de reorganização da ordem internacional, lideradas pelo chamado Sul Global.

Durante décadas, os EUA exerceram sua hegemonia combinando superioridade militar, capacidade financeira e abertura comercial. O livre-comércio e a democracia foram apresentados como princípios universais, mesmo que frequentemente coexistissem com políticas protecionistas voltadas aos próprios interesses nacionais.

A novidade do segundo governo Trump não está no uso do protecionismo, mas na transformação explícita da política comercial em instrumento permanente de disputa geopolítica. A lógica deixa de ser apenas econômica. Tarifas, sanções, restrições tecnológicas e mecanismos financeiros passam a integrar uma mesma estratégia de poder.

O comércio deixa de representar apenas crescimento econômico para se converter em ferramenta de contenção de adversários estratégicos. Essa mudança ajuda a compreender por que o BRICS passou a ocupar posição central na política externa norte-americana.

Embora não constitua uma organização internacional formal, o agrupamento representa hoje uma das principais iniciativas de contestação da arquitetura internacional construída após a Segunda Guerra Mundial.

A ampliação do bloco, incorporando novos membros, reforçou seu peso econômico e político, ao mesmo tempo em que fortaleceu iniciativas voltadas à utilização de moedas nacionais nas transações comerciais, à ampliação do papel do Novo Banco de Desenvolvimento e à redução da dependência das instituições financeiras dominadas pelo Ocidente.

Para Washington, o problema não é apenas econômico. O fortalecimento do BRICS significa a consolidação de uma rede de cooperação capaz de ampliar a autonomia política dos países emergentes e reduzir a capacidade dos Estados Unidos de exercer influência sobre as regras do sistema internacional. É nesse contexto que o Brasil assume posição estratégica.

A política externa brasileira tradicionalmente busca diversificar suas parcerias como estratégia de inserção internacional. A participação em Mercosul, BRICS, G20, OCDE, as relações Sul-Sul e a cooperação com diferentes polos de poder fazem parte dessa estratégia de autonomia relativa construída ao longo das últimas décadas.

Ao taxar produtos brasileiros, a administração Trump envia uma mensagem que ultrapassa a relação bilateral. O objetivo parece ser elevar os custos da aproximação brasileira com iniciativas percebidas como alternativas à liderança norte-americana.

Essa estratégia também dialoga com uma antiga tradição da política externa dos Estados Unidos em relação à América Latina. Desde a formulação da Doutrina Monroe, em 1823, Washington considera o hemisfério ocidental uma área prioritária de influência. Trump situa suas ações em uma nova versão desse corolário, a Doutrina Donroe.

Ao longo de dois séculos, os instrumentos utilizados variaram – intervenções militares, apoio a governos aliados, cooperação econômica, acordos comerciais ou pressão diplomática –, mas a lógica permaneceu relativamente constante: limitar a presença de potências extrarregionais.

Hoje, essa preocupação concentra-se sobretudo na expansão chinesa. Nas últimas duas décadas, a China tornou-se um dos principais parceiros comerciais da América do Sul, ampliando investimentos em infraestrutura, energia, mineração e logística. Essa presença reduz a capacidade dos EUA de exercer influência econômica exclusiva sobre a região.

A política tarifária do segundo governo Trump deve ser compreendida justamente como parte dessa disputa mais ampla. Em vez de recorrer prioritariamente ao poder militar, Washington passa a utilizar instrumentos econômicos para preservar posições estratégicas e dificultar a consolidação de alternativas institucionais ao sistema liderado pelos Estados Unidos.

A competição entre grandes potências desloca-se, assim, do campo estritamente militar para as cadeias produtivas, as moedas, as tarifas, os investimentos e o controle das tecnologias estratégicas. A geoeconomia passa a ocupar, no século XXI, papel semelhante ao desempenhado pela geopolítica clássica durante boa parte do século XX.

Isso não significa que a dimensão militar tenha perdido importância. Pelo contrário. O uso crescente de instrumentos econômicos amplia as possibilidades de competição sem eliminar o risco de escaladas políticas e militares, sobretudo em regiões consideradas estratégicas.

Nesse cenário, o Brasil enfrenta um desafio delicado. A ampliação de suas parcerias internacionais representa uma oportunidade de diversificação econômica e de maior autonomia diplomática. Ao mesmo tempo, aumenta sua exposição às tensões entre EUA e China, transformando o país em espaço de disputa entre projetos distintos de organização da ordem mundial.

Mais do que uma reação comercial, as tarifas impostas por Washington revelam uma mudança de paradigma. A economia deixa de ser apenas instrumento de desenvolvimento e volta a ocupar posição central como mecanismo de competição entre grandes potências.

Para o governo Trump, todas as armas são válidas. O Sul Global é o alvo preferencial da nova competição pela influência internacional. O Brasil e a América Latina retornam ao centro da disputa geopolítica global, não como protagonistas, como aspiravam, mas como reféns dos interesses das grandes potências.

¨      EUA podem perder para o Brasil o papel de maior exportador agrícola do mundo, diz Financial Times

Uma reportagem publicada nesta terça-feira (21/7) no britânico Financial Times, um dos principais jornais de finanças do mundo, afirma que os Estados Unidos correm o risco de perder para o Brasil o posto de maior exportador agrícola do mundo.

Segundo o Departamento de Agricultura americano e o Ministério da Agricultura brasileiro, os EUA exportaram US$ 171 bilhões em produtos agrícolas no ano passado, apenas US$ 2 bilhões a mais do que o Brasil. Em 2021, essa diferença foi de US$ 56 bilhões.

O texto diz que as exportações brasileiras no agro cresceram 6% no primeiro semestre de 2026, atingindo um recorde de US$ 87 bilhões, graças não só ao seu papel de maior produtor mundial de soja e das carnes bovina e avícola, mas também do sucesso de cultivos como o algodão, que tinha os EUA como seu principal exportador, mas que foi ultrapassado pelo Brasil.

<><> O papel da China

Para os analistas ouvidos pela reportagem britânica, que esteve nos Estados de Iowa, nos EUA, e em Mato Grosso, no Brasil, a principal razão por trás desta mudança está nas "perturbações comerciais desencadeadas pelas tarifas impostas pelo presidente Donald Trump".

Isso porque a China, um dos maiores compradores do mundo, reduziu significativamente suas importações dos americanos depois que o republicano impôs tarifas ao país em 2018, ainda durante seu primeiro mandato na Casa Branca.

Um gráfico que acompanha a reportagem mostra que, em 2016, a China comprava volumes semelhantes de soja do Brasil e dos EUA. As exportações brasileiras já cresciam, mas em ritmo mais moderado.

Com a retaliação de Pequim às tarifas de Washington em 2018, porém, esse crescimento se acelerou. Em 2025, o Brasil exportou mais de 80 milhões de toneladas de soja para a China, enquanto os EUA não chegaram à casa das dezenas de milhões de toneladas.

Os dados são do UN Comtrade (United Nations Commodity Trade Statistics Database), considerado o maior e mais abrangente repositório público de estatísticas de comércio internacional.

O Financial Times diz que, embora os EUA sigam capazes de produzir "safras extraordinárias", "as margens de lucro estão desaparecendo à medida que as tensões comerciais e os preços baixos deixam sua marca no Meio-Oeste".

Segundo a reportagem, a estimativa da American Farm Bureau Federation, a maior organização e grupo de lobby de agricultores e pecuaristas dos EUA, é de que o setor tenha no próximo ano prejuízos de US$ 138 por acre para a soja, US$ 167 para o milho, US$ 145 para o trigo e US$ 406 para o algodão.

<><> A ascensão de Mato Grosso

O Financial Times lembra que "a força do setor agrícola do Brasil não é apenas consequência da política comercial americana", mas é algo que vem sendo construído ao longo das últimas décadas.

A reportagem conta que o Brasil, hoje líder ainda na exportação de café, cana-de-açúcar e suco de laranja, dependia de importações para alimentar sua população até os anos 1970. A situação mudou quando o país passou a tirar vantagem de seu território, capaz de gerar duas ou até três safras no mesmo ano.

Isso se deve, em parte, à disponibilidade e ao baixo custo da terra, principalmente nas regiões de fronteira, mas também à expansão da produção para áreas antes consideradas inférteis ou de difícil cultivo, que ganharam sobrevida com "o tratamento de solos pobres em nutrientes e o desenvolvimento genético de culturas adaptada ao clima".

"Esse modelo de produção contínua ajuda a diluir os custos fixos e, normalmente, melhora as margens das propriedades rurais", explicou Raphael Bulascoschi, analista da corretora de commodities StoneX, ao periódico britânico.

Mas o Brasil, acrescentam os especialistas ouvidos pelo Financial Times, também se prepara para cenários menos favoráveis, diante das altas taxas de juros internas, da queda nos preços das commodities e, após a guerra entre Irã e Israel, da alta no preço dos fertilizantes, que vêm, em sua vasta maioria, de fora.

¨      'Interesse mercadológico' explica contradição dos EUA com medida que pode fortalecer PCC e CV

O Departamento de Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos (ATF, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, a pedido da Casa Branca, sugeriu 34 mudanças regulatórias no mercado de armas do país. Dentre as medidas, o documento propõe a permissão de vendas on-line de armamentos com entrega em domicílio.

O Departamento de Justiça norte-americano aponta a revisão das regras como uma necessidade para garantir o direito à Segunda Emenda da Constituição dos Estados Unidos.

"A Segunda Emenda não é um direito de segunda classe", disse o procurador-geral interino dos EUA, Todd Blanche, em abril. "Este Departamento de Justiça está pondo fim ao uso da autoridade federal como arma contra proprietários de armas que respeitam a lei. Continuaremos a defender vigorosamente os direitos deles, conforme exige a Constituição."

O que deveria ser uma questão interna da segurança pública norte-americana acaba transbordando América abaixo. Em entrevista à Sputnik Brasil, especialistas acreditam que a revisão dessas medidas atende a uma lógica de mercado e pode facilitar a chegada de armas nas mãos de organizações criminosas brasileiras.

Robson Rodrigues, cientista social e membro pesquisador associado do Laboratório de Análise de Violência da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), explica que há um lobby forte nos Estados Unidos para a flexibilização de leis relacionadas à compra, posse e porte de armas.

"Acho que todas essas tomadas de decisões visam atender a uma necessidade de expansão mercadológica que é própria do capitalismo. E, quando se pondera entre dois valores, um de segurança pública que atenda à população e o outro que atenda ao mercado, é muito recorrente, frequente, que essas decisões tenham pendido para o lado do interesse mercadológico."

O especialista alerta para o fato de os Estados Unidos terem uma das taxas de homicídio por 100 mil habitantes mais altas entre os países desenvolvidos, mostrando que o país convive com problemas de segurança pública relacionados a armas.

No entanto, na visão de Rodrigues, essa revisão de regras no comércio de armas norte-americano também impactará o Brasil ao "alimentar" as organizações criminosas do país, até mesmo aquelas que foram classificadas por Washington como terroristas.

"A flexibilização do comércio vai tornar o que antes estava ainda dentro dessas fronteiras do ilícito ou clandestino, uma legalização que não vai ser boa. Facilitando esse fluxo para atender a essas necessidades de expansão mercadológica, o que vai sofrer agora é a sociedade brasileira, que vai ver essas organizações cada vez mais bem armadas."

Marcio Christino, procurador de Justiça do Ministério Público de São Paulo (MPSP), também acredita que a flexibilização ajuda o crime organizado e evidencia uma contradição de Washington ao classificar Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas.

"O comércio ilegal de armas de fogo independe, obviamente, da regulação formal do mercado americano. Entretanto, quando os EUA estabelecem um critério de flexibilização da venda de armas, há uma evidente contradição com o reconhecimento da criminalidade organizada como terrorista."

Para o procurador, coautor do livro "Laços de sangue: a história secreta do PCC", a medida norte-americana não teria impacto direto no Brasil, afinal, as armas não poderiam ser entregues legalmente aqui. No entanto, a proximidade geográfica com os Estados Unidos age "claramente como um facilitador".

<><> O problema está lá, mas também aqui

Rodrigues defende que o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, está certo ao apontar que muitas armas apreendidas pela Polícia Federal são enviadas da Flórida, enquanto organizações criminosas brasileiras usam o estado norte-americano de Delaware, considerado paraíso fiscal, para lavar dinheiro.

Para o especialista, existe uma "extrema leniência" de países do centro de poder financeiro com crimes como a lavagem de dinheiro, o que dificulta o combate a grupos como CV e PCC. O consumo de drogas, por exemplo, também é pouco combatido, o que favorece e impulsiona a oferta.

"[Nestes países desenvolvidos] não se combate a demanda, que às vezes tem uma margem de lucro muito maior. Não se combate a lavagem de dinheiro, que vai facilitar a vida desses criminosos de que nós estamos falando aqui nas plagas do Sul."

Por outro lado, Rodrigues ressalta que é responsabilidade do Brasil cuidar da própria segurança pública. O cientista social identifica "soluções espetaculosas" nas ações das polícias brasileiras, sem o uso de diagnósticos já feitos por pesquisadores e analistas do setor.

"A gente tem uma atuação muito míope, baseada muito mais na nossa emoção, na manipulação política do medo, nas respostas fáceis e ilusionistas, do que um plano efetivo para controle, para a diminuição da vulnerabilidade social, uma ocupação racional do espaço por parte do Estado."

No caso do Rio de Janeiro, mais especificamente, Rodrigues entende ser necessário um plano a nível federal para o combate ao contrabando internacional de armas. O analista acredita que também é preciso um controle maior das fronteiras, tanto em estradas quanto no mar — portos e outras regiões da Baía de Guanabara — para estancar a importação de armas.

"A gente também não pode só culpar o governo [do presidente dos EUA, Donald] Trump. A gente pode fazer alguma coisa aqui. Os ingredientes já estão postos. Você tem bastante conhecimento, pesquisa e dados para iniciar. […] Ocupar esses espaços, diminuir essa margem de manobra desses criminosos é um ponto fundamental para começar a reverter a situação, e isso não tem sido feito."

¨      Governo Trump transforma imigrantes e esquerda em “ameaças à sobrevivência” dos EUA

Nos Estados Unidos, país mais medroso do mundo, onde tudo representa um perigo, o governo Trump afirma que os imigrantes e a esquerda representam a ameaça mais grave à superpotência na atualidade.

Recentemente, o arquiteto das políticas anti-imigração da Casa Branca, Stephen Miller, declarou que seu país precisa expulsar todos os que chegaram “ilegalmente” desses países do Terceiro Mundo onde, segundo ele, jamais teriam inventado a roda, nem a tecnologia ou a medicina moderna, nem qualquer elemento da “grandeza” estadunidense.

Seguindo essa lógica, para começar, seria preciso ter deportado os primeiros ingleses que chegaram ao território que hoje corresponde aos Estados Unidos e, talvez, todos os seus descendentes, já que, tecnicamente, foram os primeiros “ilegais” — nunca solicitaram autorização às nações indígenas para entrar e permanecer em terras que não lhes pertenciam.

Mais ainda, se Miller revisasse um pouco a história, descobriria que entre os países que classifica como atrasados do “Terceiro Mundo” estão aqueles que forneceram os números e as letras que ele e todos utilizam: a matemática se desenvolveu em terras árabes; o alfabeto moderno surgiu entre o Egito, a Grécia e a Fenícia (parte do atual Líbano); e a roda para transporte foi inventada na Mesopotâmia, território que hoje corresponde ao Iraque.

Entre os imigrantes que ele insulta diariamente e cuja perseguição procura justificar estão os trabalhadores essenciais que, de forma anônima, salvam seu país todos os dias com seu trabalho e suas contribuições, além de personalidades conhecidas, como os cerca de 35% dos vencedores do Prêmio Nobel nos Estados Unidos que são imigrantes.

Nesta Copa do Mundo, 25% dos 26 integrantes da seleção estadunidense nasceram em outros países — parte dos 286 jogadores do Mundial que não nasceram nos países que estavam representando, informou o La Jornada.

Que Miller, cujos antepassados foram refugiados, seja hoje o arquiteto de políticas anti-imigração que, segundo seu próprio tio, teriam impedido a entrada de seus ancestrais e levado à aniquilação de sua família, é algo sobre o qual ele nunca respondeu. Mas ele agora integra uma corrente de extrema direita no poder que possui uma longa história de perseguição e discriminação contra minorias e dissidentes.

As manifestações anti-imigração fazem parte de uma agenda de direita que também inclui políticas antiesquerdistas. Essa dupla tem uma longa história, em parte baseada na acusação de que as ideias de esquerda, consideradas “estrangeiras” e antiestadunidenses, são importadas para o país pelos imigrantes.

Na semana passada, durante a reunião ministerial internacional convocada pelo Departamento de Estado, Miller declarou aos representantes de 66 países que “tomamos a medida necessária e essencial de reconhecer formalmente a violência de esquerda como uma forma de terrorismo político que representa uma ameaça direta à nossa segurança nacional e à sobrevivência de nossa forma republicana de governo”.

O anfitrião da reunião, o secretário de Estado Marco Rubio, filho de imigrantes cubanos, declarou na ocasião que “podem se chamar anticapitalistas, anti-imperialistas, comunistas, anarquistas ou marxistas, mas sua natureza fundamental é sempre a mesma”, resumindo-a como “um ressentimento venenoso disfarçado sob a linguagem da igualdade, da justiça e da libertação” e “um ódio à própria civilização”.

Ou seja, segundo Miller, Rubio e outros integrantes deste governo, os imigrantes, juntamente com uma esquerda “violenta” transnacional, representam a ameaça mais grave ao país mais poderoso do mundo.

Com base nesse argumento, seria de se supor que, se Albert Einstein surgisse hoje, seria classificado como “inimigo” por ser não apenas um imigrante, mas também um socialista. De fato, alguns setores da direita atualmente exigem a deportação do atual prefeito de Nova York por ser imigrante e socialista democrático, e até mesmo de Bernie Sanders, filho de imigrantes — e essa lista é longa.

Talvez os que hoje estão no poder tenham razão em temer aqueles que, historicamente, transformaram e democratizaram os Estados Unidos desde seus primórdios.

 

Fonte: Por Ricardo Luigi, Higor Ferreira Brigola e Bruno de Souza Silva, no Le Monde/BBC News/La Jornada

 

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