O
tarifaço de Trump pode unificar o Brasil em torno da soberania e favorecer Lula
A
imposição de tarifas de 25% sobre exportações aos Estados Unidos, adotada pelo
governo de Donald Trump, penaliza gravemente setores inteiros da economia
brasileira. Não há por que minimizar os impactos dessa medida hostil. Ela
garroteia as condições de progresso de trabalhadores e empreendedores
brasileiros e destrói canais de comércio construídos arduamente ao longo de
décadas.
Serão
afetados 18% do total das exportações brasileiras, como estima o Ministério do
Desenvolvimento, Indústria e Comércio, ou o equivalente a US$ 7,4 bilhões
anuais.
Se o
seu impacto não é relativamente tão drástico em termos macroeconômicos, haverá
setores afetados existencialmente, como os de calçados e de móveis, para citar
apenas dois exemplos de áreas que empregam muitos trabalhadores. A medida
afeta, porém, muitas outras exportações, como as de etanol, máquinas agrícolas,
máquinas elétricas, vestuário, papel, açúcar orgânico e equipamentos de
mineração. São áreas relevantes por representarem, de um modo ou de outro, o
Brasil industrial, justamente aquele ameaçado pela competição muitas vezes
desigual. O país que é necessário preservar para não ser condenado a mera
plataforma de extração de produtos primários. O alvo das tarifas é o Brasil que
incorpora tecnologia e cria melhores empregos. Nesse sentido, a ofensiva
tarifária completa o trabalho da Lava Jato contra o Brasil.
O que
mais causa alarme nesse processo é a evidência de que o governo Trump lança mão
de qualquer pretexto para buscar atingir o Brasil. O tarifaço é, antes de tudo,
a demonstração mais evidente de que Donald Trump está disposto a tudo em sua
intenção descabelada de impedir que o presidente Lula conquiste a reeleição.
De
fato, a medida é imposta ao final de um processo que apela a toda sorte de
argumentos para punir o país. No relatório que tenta justificar o tarifaço, o
Brasil é atacado por subterfúgios lançados sem qualquer critério, assacados do
modo aleatório característico do trumpismo, abrindo mão de qualquer máscara de
coerência ou racionalidade.
O
Brasil vira, então, alvo porque dispõe de um instrumento financeiro como o Pix.
Ou por ter leis e uma Justiça soberana e independente, capaz de aplicá-las no
âmbito nacional contra big techs norte-americanas.
No
mesmo relatório alucinado, a Casa Branca ignora e falseia dados de
monitoramento atestados internacionalmente para tentar justificar, a qualquer
custo, sua sanha tarifadora, apesar de ser sabido que o governo Trump não dá a
mínima para a preservação do meio ambiente e que o Brasil de Lula é campeão na
redução do desmatamento.
Nesse
vale-tudo de ideias desencontradas entraram até alegações mentirosas sobre
trabalho escravo.
São,
portanto, meros sofismas de viés arrogante e imperial usados para sacrificar a
economia, pressionar a população e atingir o governo Lula. Este não terá outra
opção senão agir em reciprocidade, além de buscar novos mercados e novos
parceiros comerciais, China e Índia, antes de tudo.
O
tarifaço, porém, vai sair pela culatra em seu desígnio de ferir a candidatura
de Lula. As pesquisas indicam que a opinião pública sabe dar nomes aos bois. É
evidente que Flávio Bolsonaro e sua família traíram o país em diversas
ocasiões, operando junto a autoridades norte-americanas para atrair essas
sanções ao Brasil. Mais de uma vez, Flávio e sua família reivindicaram
publicamente a autoria da traição.
Agora,
como maus atores, percebendo que sua perfídia merece o repúdio reservado às
quintas-colunas, aos agentes a serviço de interesses alheios ao país, renegam
sua real participação no ataque.
A
reação já se faz notar. Os brasileiros cada vez mais entendem a seriedade do
que está em jogo. Até mesmo empresários antes próximos do bolsonarismo percebem
a impossibilidade de seguir ao lado de quem sabota a economia nacional. Daí
decorrem a falta de apoio e o afastamento de partidos conservadores, como União
Brasil, Progressistas e Republicanos, em relação à candidatura de Flávio
Bolsonaro. Daí se acentua a queda das intenções de voto em Flávio, já abalada
por seu currículo de envolvimento com líderes milicianos e outros crimes. O
áudio em que negocia recursos milionários com o dono do Banco Master, Daniel
Vorcaro, agora vem adornado por uma foto de Flávio com o próprio sicário,
capanga do banqueiro morto na prisão. Traição ao Brasil e gangsterismo. O que
mais falta para o país se unir em torno de um estadista sério, patriota e
honesto e dar a Lula uma vitória saneadora no primeiro turno?
• Governo Lula avalia que EUA só devem
negociar tarifaço após eleição presidencial
O
governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia que os Estados Unidos só
deverão retomar negociações efetivas sobre o tarifaço imposto a produtos
brasileiros depois da eleição presidencial deste ano. Segundo informações
publicadas pelo Metrópoles, interlocutores do Planalto entendem que a gestão do
presidente Donald Trump considera improvável um avanço nas tratativas com um
governo que rejeitou as principais exigências apresentadas por Washington.
A
percepção dentro do Executivo é de que faltam incentivos políticos para uma
reaproximação às vésperas da eleição. Ainda assim, a estratégia brasileira
permanece focada em ampliar a lista de produtos isentos da tarifa de 25%, cuja
entrada em vigor está prevista para quarta-feira (22).
Entre
os pontos que dificultaram o entendimento entre os dois países está a recusa do
Brasil em atender a uma solicitação norte-americana para restringir
investimentos estrangeiros em minerais críticos e terras raras por países
considerados “extra-hemisféricos”, referência que, segundo auxiliares
envolvidos nas negociações, tinha como principal alvo a China.
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Minerais críticos e abertura de mercados
O
governo brasileiro rejeitou a proposta por considerar que ela contraria sua
política para o setor. A posição defendida pelo presidente Lula é de que os
investimentos devem ser abertos a diferentes parceiros internacionais, sem
preferência geopolítica, e que o refino desses minerais ocorra em território
nacional para estimular a industrialização e agregar valor à economia
brasileira.
O
Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, atrás apenas da
China. Além desse tema, autoridades dos EUA também defenderam a abertura
integral do setor químico brasileiro, a eliminação das tarifas sobre bens
industriais e maior acesso ao mercado automotivo nacional.
Segundo
o governo, essas propostas foram recusadas porque poderiam causar prejuízos a
segmentos estratégicos da economia brasileira.
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Governo aposta em ampliar lista de exceções
Embora
considere improvável uma mudança de posição de Washington no curto prazo, o
Planalto continuará negociando para ampliar a relação de produtos excluídos da
sobretaxa.
O
decreto norte-americano já prevê mais de 2 mil categorias de produtos
brasileiros isentas da nova tarifa. Entre elas estão café, mel orgânico, açaí,
carne bovina, laranja e terras raras.
Por
outro lado, permanecem sujeitos à taxação itens como etanol, máquinas
agrícolas, calçados, vestuário, açúcar, papel e diversos produtos químicos.
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Carta de Flávio Bolsonaro a Marco Rubio entra na avaliação
Integrantes
do governo também relacionam o cenário comercial ao contexto eleitoral
brasileiro. Segundo a reportagem, caso o senador e pré-candidato à Presidência
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) vença as eleições, a interlocução entre Brasília e
Washington é vista como naturalmente favorecida.
No
início de junho, poucos dias após reunir-se com Donald Trump na Casa Branca,
Flávio enviou uma carta ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmando
estar “preparado” para colocar sua equipe de transição “imediatamente” à
disposição caso seja eleito presidente. Rubio respondeu agradecendo a “generosa
oferta”.
Para
interlocutores do Planalto, o episódio reforçou a percepção de que parte do
governo norte-americano aguarda o resultado das eleições antes de aprofundar
negociações comerciais com o Brasil.
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Declarações de Rubio provocaram reação do Itamaraty
O
governo brasileiro também atribui peso crescente à atuação do secretário de
Estado Marco Rubio nas decisões relacionadas ao Brasil.
Após a
confirmação do tarifaço, Rubio afirmou nas redes sociais que o Brasil não
negociou de “boa-fé” com os Estados Unidos. Ele declarou ainda que as políticas
econômicas de Lula prejudicam brasileiros e norte-americanos e que o presidente
brasileiro “colocou seu próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar
do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço por isso”.
As
declarações provocaram forte reação do governo brasileiro. O ministro das
Relações Exteriores, Mauro Vieira, classificou as manifestações como
“inaceitáveis e ofensivas” e afirmou que Rubio atacou Lula “de forma grosseira
e arrogante”.
Segundo
integrantes do Executivo, a repercussão das declarações por Flávio Bolsonaro e
aliados reforçou a avaliação de que existe um componente político na condução
da política comercial dos Estados Unidos em relação ao Brasil.
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Brasil prepara resposta com Lei de Reciprocidade
Após a
conclusão da investigação conduzida pelo Escritório do Representante de
Comércio dos Estados Unidos (USTR), o governo brasileiro tentou negociar a
reversão das tarifas, mas não obteve sucesso.
Em
resposta, o Planalto anunciou que utilizará os instrumentos previstos na Lei de
Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso Nacional, além de retomar a
discussão no mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do
Comércio (OMC).
O
governo brasileiro classificou a decisão norte-americana como desproporcional e
inaceitável e sustenta que as justificativas apresentadas pelos EUA não possuem
fundamentação técnica, mas refletem motivações políticas e ideológicas.
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Lula evita confronto direto com Trump
Apesar
do endurecimento da disputa comercial, a orientação do governo é preservar os
canais diplomáticos. Segundo auxiliares do presidente, não há previsão de
conversa direta entre Lula e Donald Trump, embora essa possibilidade não esteja
descartada caso seja considerada necessária.
Na
sexta-feira (17), durante compromissos no Rio de Janeiro, Lula afirmou que
pretende aguardar um posicionamento direto do presidente norte-americano antes
de comentar o tarifaço em maior profundidade. Ao tratar da disputa política em
torno do tema, disse que pretende travar uma “guerra da narrativa e da verdade”
e acrescentou que Trump “vai ter que aprender a fazer guerra” com a “arma da
palavra”.
Segundo
interlocutores do Planalto, a relação entre os dois governos deverá permanecer
pragmática e institucional enquanto não houver mudanças no cenário político ou
comercial.
• País bate recorde de importações após
fim da “taxa das blusinhas”, e indústria cobra medidas do governo
O
Brasil registrou um novo recorde de importações de mercadorias de pequeno valor
após a edição da medida provisória que extinguiu a cobrança do imposto federal
sobre compras internacionais de até US$ 50, conhecida como “taxa das
blusinhas”. A informação foi publicada pelo Valor Econômico, que relata forte
crescimento das remessas internacionais e uma reação imediata da indústria
nacional, preocupada com o avanço da concorrência de plataformas estrangeiras.
Dados
da Receita Federal analisados pelo mercado mostram que as compras realizadas
por meio do programa Remessa Conforme dispararam nas semanas seguintes à
mudança das regras. Em junho, primeiro mês completo sob a nova política, o
volume de encomendas aumentou 40% em relação a maio e 74% na comparação com
abril. No acumulado de dois meses, a expansão chegou a 85%, evidenciando a
rápida retomada das importações de baixo valor.
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Indústria teme perda de competitividade
Representantes
da indústria têxtil, do vestuário e do varejo argumentam que a eliminação da
cobrança sobre compras de até US$ 50 recria uma assimetria competitiva entre
empresas brasileiras e plataformas internacionais.
Segundo
a avaliação reproduzida pelo Valor Econômico, a medida pode ampliar a
participação de gigantes estrangeiras como Shein, Temu e AliExpress no mercado
brasileiro, pressionando fabricantes nacionais que enfrentam custos
tributários, trabalhistas e financeiros significativamente superiores.
O setor
defende que o governo volte a discutir mecanismos capazes de equilibrar a
concorrência sem comprometer o acesso dos consumidores a produtos importados.
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Consumidores voltam a comprar no exterior
A
reação dos consumidores foi praticamente imediata. Com a redução do custo final
das compras internacionais, houve forte recuperação da demanda por produtos
importados de baixo valor, especialmente vestuário, acessórios, eletrônicos e
utensílios domésticos.
Os
números divulgados pela Receita Federal indicam que a retomada ocorreu em ritmo
superior ao observado antes da criação da tributação federal, demonstrando a
elevada sensibilidade do consumidor brasileiro às mudanças no preço final dos
produtos.
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Debate sobre política industrial
O
crescimento das importações recoloca em evidência um tema recorrente da
economia brasileira: como conciliar maior abertura comercial com a preservação
da capacidade produtiva nacional.
Para
representantes da indústria, a concorrência internacional pode estimular ganhos
de eficiência, mas exige condições tributárias e regulatórias mais equilibradas
para evitar perda de empregos e investimentos no país.
Por
outro lado, defensores da flexibilização argumentam que a redução das barreiras
amplia o acesso dos consumidores a produtos mais baratos, aumenta a competição
e contribui para conter pressões inflacionárias.
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Governo acompanha os efeitos da medida
A
medida provisória que eliminou a cobrança do imposto federal sobre compras
internacionais de até US$ 50 permanece em tramitação no Congresso Nacional.
Enquanto o setor industrial pressiona por mudanças, o governo acompanha os
efeitos da nova política sobre arrecadação, atividade econômica e
competitividade da indústria brasileira.
O
comportamento das importações nos próximos meses deverá influenciar o debate
sobre a política comercial do país e sobre os instrumentos mais adequados para
equilibrar proteção à produção nacional, competitividade e benefício ao
consumidor.
Fonte:
Brasil 247

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