Homeschooling:
fundamentalismo cristão e ofensiva neoliberal contra a educação pública
Um
ponto central nos últimos anos é que, com o avanço do neoliberalismo ao redor
do mundo, o fortalecimento da extrema direita e de grupos religiosos
extremistas ganham maior influência na arena política. Mas o que esse fenômeno
tem a ver com a defesa do homeschooling?
Enquanto
o Congresso Nacional discute, mais uma vez, projetos de lei que tentam
legalizar o homeschooling no Brasil, poucos debatem quem está por trás dessa
agenda. Não se trata de um pleito espontâneo de famílias isoladas, mas de uma
ofensiva coordenada, articulada por redes políticas transnacionais que conectam
fundamentalismo cristão estadunidense, integrismo católico, neoliberalismo
educacional e parlamentares da extrema direita brasileira.
Atualmente
tramitam no Senado Federal pelo menos quatro proposições nesse sentido — o PLS
490/2017, o PL 3262/2019 , o PLS 1.338/2022, originalmente PL 3179/2012 , e o
PLP 22/2022 —, cada uma atacando um flanco diferente: descriminalizar a
educação domiciliar no Código Penal, autorizá-la explicitamente na educação
básica ou transferir a regulamentação para estados e municípios, onde a
fiscalização é ainda mais frágil. Tomadas em conjunto, essas proposições
configuram um cerco legislativo de longo prazo, cuja meta final é retirar a
educação infantil e fundamental do âmbito da escola pública, laica e universal.
Esse
cerco não nasceu no Brasil. Ele é a réplica local de uma estratégia testada e
aprovada nos Estados Unidos desde os anos 1980, exportada por organizações como
a Home School Legal Defense Association (Hslda) e a Global Home Education
Exchange (Ghex), e operacionalizada no país por sua principal correspondente
nacional, a Associação Nacional de Educação Domiciliar (Aned) . É essa
engrenagem — religiosa, jurídica e política — que sustenta hoje a presença de
parlamentares como Nikolas Ferreira (PL-MG) na linha de frente da Comissão de
Educação da Câmara dos Deputados, relatando pareceres que ampliam vouchers
escolares e abrem caminho para o desmonte do financiamento da escola pública.
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Uma teologia contra a escola pública.
Para
entender por que o homeschooling se tornou bandeira de um setor tão específico
da direita religiosa, é preciso recuar historicamente e examinar o DNA do
fundamentalismo cristão norte-americano. Nascido entre o final do século XIX e
o início do século XX como uma reação visceral às transformações históricas
crescentes nos Estados Unidos, o movimento fundamentalista cristão original
nunca se limitou à exegese que defende uma leitura bíblica literalista.
Conforme
o historiador Darren Grem, autor do livro The blessings of business: How
corporations shaped conservative christianity, o fundamentalismo cristão não
foi um movimento espontâneo nos Estados Unidos, mas foi moldado para atender
interesses econômicos das corporações capitalistas. Ele se estruturou como uma
ala militante, exclusivista e anti-pluralista dentro do protestantismo,
erguendo a bandeira da inerrância bíblica e do dispensacionalismo contra todas
as expressões do protestantismo estadunidense interessadas em defender valores
cristãos igualitaristas.
Desse
modo, o primeiro catalisador político do fundamentalismo cristão foi o combate
ao chamado Social Gospel (Evangelho Social). No período pós-industrial
americano, setores progressistas das igrejas protestantes aliaram-se a
sindicatos e movimentos sociais de esquerda para exigir reformas sociais, o
combate à pobreza urbana e a regulação estatal do mercado.
A
reação contra o Evangelho Social foi imediata e violenta: financiado pelas
elites econômicas assustadas com o fortalecimento das classes trabalhadoras, o
fundamentalismo ergueu uma cruzada em defesa do livre mercado, associando
qualquer demanda por justiça social ao “bolchevismo ateu”. No caso do movimento
do Evangelho Social, esses eram frequentemente retratados como uma distorção
herética da fé autêntica e dos valores da “América Cristã”. Atendendo aos
interesses de grandes corporações capitalistas, o fundamentalismo cristão foi
moldado para servir aos interesses das classes dominantes.
Se uma
frente dos fundamentalistas cristãos mirava a disputa dentro do protestantismo
americano, outra era de disputar a sociedade a partir de pautas como a do papel
das escolas. Desde o início, fundamentalistas cristãos se posicionaram contra a
regulação do sistema educacional americano e a criação do Departamento Federal
de Educação (equivalente a um Ministério da Educação no Brasil). Ao longo dos
anos, esse segmento extremista do nacionalismo cristão branco criou redes de
escolas confessionais, além de seminários teológicos alternativos.
Com o
avanço desse modelo segregacionista, nasce uma nova leva de intelectuais, casos
de ideólogos do reconstrucionismo cristão (uma das alas extremistas de
fundamentalismo nos Estados Unidos) , como Rousas John Rushdoony, pai do
movimento de homeschooling religioso. Rushdoony e seus seguidores
sistematizaram uma oposição doutrinária à escola pública, retratada como
instrumento de uma cultura “anticristã” e estatizante.
Em
plena época dos movimentos de direitos civis dos negros e da luta pela
dessegregação das escolas, Rushdoony recuperava, inclusive, argumentos do
século XIX que justificavam a segregação racial como defesa de um “governo
fraco” incapaz de impor currículos únicos aos estados — uma genealogia que
conecta diretamente o movimento homeschooler norte-americano às raízes do
supremacismo branco religioso do século XIX.
Essa
genealogia religiosa não caminhou sozinha: ela foi financiada, lado a lado, com
a construção intelectual do próprio neoliberalismo. Rushdoony e seu principal
discípulo, Gary North, tiveram sua obra sustentada pelo Volker Fund, um think
tank liberal cujo objetivo declarado era reformular o ensino superior
estadunidense em defesa do capitalismo, combater o comunismo e difundir a ideia
de uma “herança cristã” da nação.
O mesmo
fundo bancou, na mesma época, os principais nomes da Escola Austríaca de
Economia — Hayek, Mises, Rothbard, Friedman e Sennholz —, os arquitetos
intelectuais do próprio neoliberalismo. Fundamentalismo religioso e
fundamentalismo de mercado nasceram, portanto, do mesmo mecenato da alta
burguesia americana, irmanados no que se pode chamar de “evangelho do livre
mercado”.
Dessa
fusão nasceu uma teologia que trata o capitalismo não como um sistema econômico
entre outros, mas como desígnio divino. Nessa teologia, cobrar impostos
progressivos das grandes fortunas é lido como transgressão do mandamento contra
o roubo, e qualquer política de proteção social é denunciada como um “falso
ídolo” que usurparia o lugar da providência divina, ou seja, “o estado ocupando
o lugar de Deus”. Essa teopolítica converte o sucesso econômico em prova de
retidão moral e o fracasso, em falha espiritual — de modo que cada indivíduo é
chamado a se tornar o “CEO de si mesmo”, inteiramente responsável pelo próprio
destino, o que desobriga o Estado de qualquer papel redistributivo e naturaliza
as exclusões produzidas pelo capitalismo.
É essa
mesma lógica, aplicada à educação, que sustenta a hostilidade ao ensino público
como serviço estatal. Como demonstra o sociólogo britânico Stephen Ball, em sua
análise das redes globais de política educacional, coalizões entre atores
privados, religiosos e corporativos atuam de forma coordenada para deslocar o
papel regulador do Estado em favor de formas de governança privatizadas. No
caso do homeschooling e do neoliberalismo religioso, esse deslocamento ganha
uma roupagem particular: a escola pública não é apenas ineficiente aos olhos do
mercado, é também “pecaminosa” aos olhos da fé.
Foi
nesse terreno que surgiu, nos anos 1980, a Hslda, sob liderança de Michael
Farris, um advogado e seguidor fervoroso das ideias de Francis Schaeffer e do
próprio Rushdoony. A organização nunca foi apenas um escritório de assistência
jurídica a famílias que educam os filhos em casa. Desde sua fundação, ela atua
como um think tank de lobby político: monitora projetos de lei estado a estado,
treina seus membros para testemunhar em audiências públicas, mobiliza milhares
de famílias para pressionar parlamentares e processa judicialmente qualquer
tentativa de regulamentação mais rígida. O resultado dessa militância de
décadas é conhecido: hoje, na maior parte dos estados americanos, não existe
exigência de notificação, avaliação padronizada ou qualquer supervisão sobre o
que é ensinado dentro de casa pelas famílias homeschooler.
Esse
histórico de vitórias não ficou circunscrito aos Estados Unidos. Como observa o
cientista político Heath Brown, a militância homeschooler nos Estados Unidos é
“notável de tantas maneiras diferentes por mais de trinta anos” a ponto de
figurar entre as explicações para a própria eleição de Donald Trump — um
indício de como esse ativismo religioso-educacional funciona como base de
mobilização para projetos políticos mais amplos de extrema direita. Não por
acaso, ao assumir o primeiro mandato, Trump entregou o Departamento de Educação
a uma secretária, Betsy DeVos, cuja família doou cerca de 200 milhões de
dólares a causas da Nova Direita — incluindo a Heritage Foundation — e que
dedicou a gestão a expandir vouchers escolares e o próprio homeschooling como
alternativas financiadas com dinheiro público à escola estatal.
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A GHEX e a globalização do “direito de educar em casa”
Apartir
dos anos 2010, a Hslda, que conta com uma rede internacional de mais de 60
países, passou a atuar também por meio de uma plataforma criada especificamente
para exportar sua agenda: a Global Home Education Exchange (Ghex). A
organização promove webinars, capacitações de lideranças e, sobretudo,
conferências internacionais — as Global Home Education Conferences (Ghec) — que
reúnem juristas, políticos e ativistas religiosos conservadores de dezenas de
países para coordenar estratégias comuns de avanço legislativo. A iniciativa
enseja criar uma rede política internacional que compartilha estratégias e
transfere agendas políticas de cunho neoliberal e conservador ao redor do
mundo.
O
Brasil não é um destino qualquer dessa rede: foi escolhido como sede da segunda
edição da conferência, a Ghec 2016, realizada no Rio de Janeiro. O evento
consolidou os chamados “Princípios do Rio”, uma carta com dez pontos que
reformula o vocabulário dos direitos humanos para enquadrar a educação
domiciliar como liberdade fundamental da família — uma operação discursiva, já
identificada por pesquisadoras como Julia Mourão Permoser e Kristina Stoeckl,
que redes conservadoras transnacionais usam para evitar o confronto direto com
convenções internacionais de proteção à infância, preferindo capturar sua
linguagem por dentro.
Entre
os palestrantes da Ghec 2016 estavam Michael Farris, fundador da Hslda, e os
então parlamentares brasileiros como Lincoln Portela, que discursaram em defesa
do direito à educação domiciliar no Congresso Nacional . O evento não foi
apenas simbólico: foi o marco que consolidou a Aned como representante
hegemônica do homeschooling no Brasil, alçando a entidade ao circuito
internacional de lobby religioso-educacional e abrindo as portas que ela
usaria, no ano seguinte, para protocolar um amicus curiae no Supremo Tribunal
Federal sobre a constitucionalidade da educação domiciliar.
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ANED: a sucursal brasileira
Fundada
em Belo Horizonte e hoje sediada em Brasília, a Aned se define publicamente
como uma entidade de apoio a famílias homeschooler, mas sua atuação revela uma
estrutura de lobby político profissionalizada. A entidade mantém, segundo seu
próprio site, diálogo direto com o Ministério da Educação e com o Ministério da
Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (Mmfdh), além de articulação
permanente com o Legislativo federal — vínculo institucional que ficou evidente
durante o governo Bolsonaro, quando Alexandre Magno Fernandes Moreira, que foi
diretor jurídico da Aned entre 2010 e 2019, assumiu a Secretaria Nacional de
Proteção Global do Ministério da Mulher. Moreira também atuou por oito anos
como conselheiro da Ghex e mantém vínculos diretos com a Hslda — uma porta
giratória entre a rede internacional, a entidade brasileira e o próprio aparato
de Estado.
Uma
reportagem da Agência Pública em parceria com a OpenDemocracy revelou, em 2022,
um dos aspectos mais graves dessa atuação: por meio do “Clube Aned”, programa
de descontos para associados junto a empresas parceiras, a entidade distribui
ou recomenda materiais didáticos que normalizam o castigo físico contra
crianças — ao menos quatro das empresas conveniadas oferecem produtos nesse
sentido . Em curso oferecido pela própria Aned e disponibilizado na plataforma
de streaming Brasil Paralelo, o mesmo Alexandre Magno Fernandes Moreira chegou
a orientar pais sobre como aplicar “castigo físico” desde que feito “com calma,
paciência e dentro de situações específicas”. A defesa da palmada como direito
parental, aliás, é antiga em organizações ligadas à Hslda, que historicamente
também se posiciona contra a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da
Criança, sob a alegação de que o tratado ameaçaria a autoridade disciplinar dos
pais.
Politicamente,
a capilaridade da Aned já se traduziu em estrutura formal: em 2019 foi lançada
a Frente Parlamentar em Defesa do Homeschooling, reunindo parlamentares da
Frente Parlamentar Evangélica e setores ligados ao integrismo católico em torno
da pauta Em discurso no evento de lançamento, o ativista Rick Dias, vinculado à
entidade, chegou a se gabar publicamente da capacidade da Aned de incidir
simultaneamente sobre os três poderes da República — uma confissão que resume
bem o caráter institucional, e não meramente comunitário, desse ativismo.
Em
março de 2025, o diretor internacional da Hslda, Kevin Boden, publicou um
relato no site da organização descrevendo o Brasil como palco de uma “nova
fase” da luta pela “liberdade de educação domiciliar”, citando relatos de
famílias pressionadas judicialmente — incluindo casos de contas bancárias
bloqueadas e crianças levadas de volta às escolas por decisão judicial. O texto
enquadra qualquer ação do Estado brasileiro para garantir o direito à educação
como perseguição, replicando ponto por ponto a retórica vitimista que a própria
Hslda já usou décadas atrás nos Estados Unidos contra qualquer tentativa de
regulamentação.
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Nikolas Ferreira e a ofensiva dentro da Comissão de Educação
Se
Hlda, Ghex e Aned constroem a infraestrutura ideológica e jurídica do movimento
em defesa do homeschooling, é no Parlamento que essa agenda se converte em
política pública. Em 2024, a eleição do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) para
a Comissão de Educação da Câmara dos Deputados deu um rosto nacional, jovem e
com forte presença digital a essa pauta. Em declarações públicas sobre sua
entrada na comissão, Ferreira destacou justamente a defesa “intransigente” da
educação domiciliar como uma de suas prioridades — alinhando-se, ponto por
ponto, ao discurso da Aned e da Hslda sobre liberdade parental e desconfiança
em relação à escola pública.
Mas a
atuação de Ferreira não se limita ao homeschooling. Como relator do parecer
sobre o PL 844/2022, de autoria do deputado Paulo Eduardo Martins — projeto que
tem origem direta em modelos de vouchers escolares de organizações
estadunidenses ligadas ao fundamentalismo cristão —, Ferreira não apenas
endossou a proposta, como propôs sua ampliação: sugeriu retirar do texto a
exigência de que a escola financiada por voucher fosse “a mais próxima do
domicílio” do estudante. Sob o discurso de ampliar a “liberdade de escolha” das
famílias, a medida, na prática, remove qualquer parâmetro territorial de
controle público sobre para onde vai o dinheiro da educação, abrindo caminho
para que recursos do Fundeb — o principal fundo de financiamento da educação
básica no Brasil — sejam redirecionados para o setor privado e confessional, em
prejuízo direto da rede pública.
A
trajetória americana já mostrou aonde esse tipo de aliança costuma chegar: foi
exatamente assim que Betsy DeVos, discípula de Rushdoony, à frente do
Departamento de Educação no primeiro governo de Trump, atuou para redistribuir
fundos públicos a escolas charter, vouchers e homeschooling, com o apoio
organizado de entidades como a Hslda e a Alliance Defending Freedom. A
“voucherização” e o homeschooling não são pautas paralelas: são duas faces da
mesma engenharia neoliberal, que desloca o financiamento da educação do Estado
para o mercado e para a família, sob uma roupagem de liberdade religiosa.
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Religião como verniz, mercado como motor: o que está em jogo
Oconceito
que melhor descreve essa aliança não é o de uma simples “afinidade eletiva”
entre religião e capitalismo, como sugeriria uma leitura weberiana mais
clássica. O que esses dados revelam é algo mais próximo de uma relação
umbilical — um compadrio em que o significante religioso (a “família cristã”, a
“liberdade dos pais”, a proteção da “pureza” infantil) funciona como linguagem
de legitimação para uma agenda essencialmente privatizante. Por trás da
retórica espiritual, há um mercado editorial bilionário de currículos
confessionais, plataformas de ensino online, cursos de “formação familiar” e
produtos de proteção jurídica — todos vendidos a famílias convencidas de que a
escola pública é, por natureza, um ambiente “contaminado” e hostil à fé.
É essa
lógica que explica por que organizações como a Aned descrevem a escola não como
espaço de convivência com a diferença, mas como ameaça à integridade moral da
criança. Ao infantilizar o contato com colegas de outra religião, outra
orientação sexual ou outra posição política como risco a ser evitado. Esse
discurso constrói uma pedagogia do medo que rejeita justamente aquilo que torna
a escola pública um projeto civilizatório: o convívio obrigatório com quem é
diferente de nós, condição para qualquer aprendizado democrático e o respeito à
diversidade.
Tomadas
isoladamente, cada proposição legislativa sobre homeschooling, cada parecer
favorável a vouchers, cada curso de “educação parental” distribuído por uma
plataforma de streaming bolsonarista pode parecer um episódio menor na disputa
educacional brasileira. Mas, vistas em conjunto — como elos de uma mesma rede
que conecta Hslda, Ghex e Aned a parlamentares como Nikolas Ferreira —, essas
iniciativas compõem um projeto coerente e de longo prazo: esvaziar o
financiamento da escola pública, fragilizar sua regulação e construir, peça por
peça, um sistema educacional paralelo, segregado por fé, classe e ideologia. O
compadrio entre fundamentalismo de mercado (neoliberalismo) e fundamentalismo
religioso é uma ameaça real para o direito à educação e o pensamento crítico.
Compreender
essa engrenagem é o primeiro passo para enfrentá-la. A defesa da escola
pública, laica, gratuita e plural não pode mais ser tratada como uma bandeira
setorial de educadores: é uma disputa central sobre que tipo de sociedade o
Brasil pretende construir nas próximas décadas — uma em que a infância seja
formada pelo encontro com a diversidade, ou uma em que grupos obscurantistas
ergam, com ajuda de capital estrangeiro e teologia importada dos Estados
Unidos, seu próprio muro contra o mundo.
Fonte:
Por Caio S. Marçal, para Jacobin Brasil

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