'As
Malvinas são argentinas': Reino Unido pede investigação e Argentina pode ser
punida por faixa após a semifinal
A
Argentina pode enfrentar uma ação disciplinar da Fifa depois que seus jogadores
comemoraram a vitória sobre a Inglaterra na semifinal da Copa do Mundo na
quarta-feira (15/7) exibindo uma faixa em apoio à reivindicação argentina sobre
as Ilhas Malvinas.
A atual
campeã mundial conseguiu uma virada dramática nos minutos finais em Atlanta,
marcando dois gols para derrotar a equipe de Thomas Tuchel por 2 a 1 e garantir
vaga na final de domingo (19/7) contra a Espanha.
Após o
apito final, os jogadores argentinos comemoraram segurando uma faixa com a
frase "Las Malvinas son Argentinas" ("As Malvinas são
argentinas").
As
Ilhas Malvinas, ou Falklands, como são chamadas no Reino Unido, são um
território britânico ultramarino no sudoeste do Oceano Atlântico, e continuam
sendo objeto de uma disputa de soberania entre o Reino Unido e a Argentina.
O
secretário britânico de Negócios e Comércio, Peter Kyle, classificou a faixa
exibida pela Argentina como "totalmente inadequada" e afirmou esperar
que a Fifa realize uma investigação completa sobre o caso.
"Acho
que [uma investigação] certamente vai acontecer, porque foi uma violação tão
flagrante das regras que proíbem atividades políticas no futebol", disse
Kyle ao programa BBC Breakfast.
Uma
porta-voz do governo britânico declarou que qualquer possível ação contra os
jogadores argentinos é "uma questão para a Fifa", mas concordou com a
opinião de Kyle de que a entidade máxima do futebol argentino deveria
investigar o incidente.
"A
Copa do Mundo pode não ser nossa, mas as Ilhas Malvinas certamente são",
declarou a porta-voz do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer.
Argentina
e Reino Unido travaram uma guerra pelo arquipélago das lhas Malvinas, ou
Falklands, localizado a cerca de 480 quilômetros da costa leste argentina,
entre abril e junho de 1982.
O
conflito, que durou 74 dias, resultou na morte de 655 militares argentinos e
255 militares britânicos. Três moradores das ilhas também morreram.
Em
2014, a Fifa multou a Associação do Futebol Argentino em 30 mil francos suíços
(cerca de R$ 73 mil à época) depois que seus jogadores exibiram uma faixa com a
mesma mensagem antes de um amistoso contra a Eslovênia.
Na
ocasião, a entidade máxima do futebol afirmou que o gesto violava suas regras
sobre manifestações políticas e má conduta das equipes.
Em
outro caso recente, os jogadores espanhóis Rodri e Álvaro Morata foram
suspensos por um jogo cada pela Uefa, o órgão regulador do futebol europeu,
após cantarem sobre a reivindicação de seu país por Gibraltar depois da vitória
contra a Inglaterra na Euro 2024 — Gibraltar é um território ultramarino
britânico, situado no extremo sul da Península Ibérica.
Fazendo
referência a essas penalidades, o líder dos Liberais Democratas britânicos, Ed
Davey, afirmou que os jogadores argentinos que comemoraram com a faixa
"deveriam ser excluídos da final".
Após a
vitória de quarta-feira, a vice-presidente da Argentina, Victoria Villarruel,
publicou uma mensagem no X dizendo que "não foi apenas mais uma
partida", acompanhada de um vídeo que parecia mostrar soldados argentinos.
"As
Malvinas são argentinas", escreveu Villarruel. "Proibiram que elas
entrassem no estádio e esqueceram que as carregamos no sangue e no
coração."
Na
preparação para o jogo, Villarruel havia afirmado que a semifinal era uma
oportunidade de "colocar os invasores em seu devido lugar".
Os
jogadores argentinos também cantaram músicas que faziam referência às Malvinas
e aos ídolos argentinos Diego Maradona e Lionel Messi após a dramática vitória
por 3 a 2 sobre o Egito nas oitavas de final.
Antes
da semifinal, porém, o técnico Lionel Scaloni havia dito que não iria
"misturar" futebol e política.
"A
realidade é que este é um jogo de futebol. Não posso misturar as coisas,
especialmente por respeito ao que aconteceu tantos anos atrás", afirmou
Scaloni.
"Foi
um período muito triste da nossa história, e não há muito que possamos fazer
sobre isso. Essa é a realidade."
"Há
guerras acontecendo em outras partes do mundo, e nós criticamos a existência da
guerra. É claro que lembramos dessas pessoas. Mas isto é uma partida de
futebol; não devemos confundir as duas coisas."
A
semifinal, na qual a Inglaterra foi derrotada por gols nos minutos finais de
Enzo Fernández e Lautaro Martínez, foi disputada sob um esquema reforçado de
segurança devido às tensões históricas entre os dois países.
Fonte:
BBC Sport

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