Dos
bastidores às frentes parlamentares, bets se unem em lobby subterrâneo no
Congresso
Tradicionalmente,
alguns setores econômicos encontram no Congresso Nacional uma estrutura formal
de apoio, caso da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), aberta ao lobby do
agronegócio. Os parlamentares dessa bancada ruralista contam com apoio
estrutural, consultoria e recursos de organizações como o Instituto Pensar Agro
(IPA), que se descreve como organização representativa sem fins lucrativos que
presta “assessoria” aos congressistas, descrevendo esse apoio como “acordo de
cooperação técnica”. Criada em 1995, a FPA se consolidou como uma das
organizações mais influentes do Congresso Nacional e envolve centenas de
deputados e senadores.
Quando
o assunto são as casas de apostas online, essa não é a mesma realidade, ainda.
A influência política das bets se apresenta de forma pouco institucionalizada.
Alcançar este patamar de atuação, aliás, foi descrito à Agência Pública como “o
sonho” por lobistas que articulam interesses das bets junto aos Três Poderes.
Em
outubro de 2025, a Pública mostrou que o próprio IPA participou da elaboração
de emendas apresentadas por parlamentares da FPA para reduzir o aumento da
tributação das casas de apostas previsto na medida provisória do Imposto Sobre
Operações Financeiras, a chamada “MP do IOF”. Em um dos casos, o vice-líder da
bancada, deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), admitiu que o texto havia sido
elaborado a partir de debates com a FPA e o IPA, conforme registrado na sua
proposta.
A
influência do setor de apostas no Congresso ocorre de forma mais difusa, por
meio de associações, empresas e interlocutores que nem sempre atuam sob uma
mesma coordenação. Nas palavras de um interlocutor ligado ao cotidiano das
frentes parlamentares, a força das bets se manifesta no “subterrâneo” das
relações com deputados e senadores. Na Câmara, segundo fontes próximas à
atuação da Casa Alta, a construção do lobby acontece da maneira “pulverizada”,
com o poder exercido a partir de “dois, três, quatro” deputados que articulam
para que os projetos desfavoráveis ao setor possam ser barrados “com mais
facilidade”.
A
discussão do assunto é mais discreta porque há um temor entre os congressistas
de serem associados publicamente ao assunto. A avaliação é de que o tema
retiraria votos dos parlamentares por ser mal visto pela população – devido às
recentes pesquisas de endividamento e ludopatia.
Um
embate recente ajuda a ilustrar o caso. Em outubro de 2025, conforme noticiado
pela Folha de S. Paulo, a Frente Parlamentar do Empreendedorismo (FPE),
presidida pelo deputado Joaquim Passarinho (PL-PA), rompeu com o Instituto
Unidos Brasil (IUB), que a apoiava. O motivo teria sido a criação de uma outra
frente em parceria com o IUB, a Frente Parlamentar do Ambiente de Negócios
(FPN).
Segundo
apurado pela Pública, uma das principais razões para o rompimento foi a decisão
do Instituto de se aproximar de empresas do mercado de apostas a partir da nova
frente, o que dificultou ainda mais a relação já “desgastada” entre Passarinho
e os dirigentes do IUB, Nabil Sahyoun e Antônio Castilho. Para as bets, as
frentes funcionam como uma porta de entrada para o parlamento, articulando
conversas de representantes das casas de apostas com deputados que se opõem ao
tema, seja diretamente nos gabinetes do Congresso ou em eventos e jantares.
O
vice-presidente da FPE, deputado Zé Neto (PT-BA), confirmou que o rompimento
com o IUB ocorreu pela parceria da entidade com empresas de apostas online.
Segundo ele, o IUB simplesmente teria deixado a vice-presidência nas mãos das
casas de apostas. Quem ocupa o posto é o executivo de relações governamentais e
institucionais Disraelli Galvão, que comanda a Seta Public Affairs, empresa da
agência FSB Comunicação. Galvão é ativo em debates pela regulação do mercado de
apostas esportivas.
A
Pública apurou que ao menos duas casas de apostas – Rei do Pitaco e Bet MGM
(joint venture entre a MGM Resorts International e o Grupo Globo) – foram
convidadas a participar da FPN e estiveram presentes em uma reunião-almoço,
organizada por Disraelli, com integrantes da IUB e da Confederação Nacional do
Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Além do convite, houve o anúncio de
que o grupo seria presidido pelo ex-presidente da Câmara dos Deputados Arthur
Lira (PP-AL), tendo como vice o senador Efraim Filho (União-PB), que votou pela
rejeição do relatório final da CPI das Bets, em junho de 2025.
Posteriormente,
Lira declinou assumir a FPN, e a participação das empresas de apostas também
foi barrada. A negativa foi tomada pelo atual presidente do grupo, o deputado
Mendonça Filho (PL), após uma terceira casa do setor, a Bet Boom, pedir para
entrar no grupo. Segundo afirmou à Pública uma fonte próxima às bets, ouvida em
reserva, a resposta dada por Disraelli teria sido que o deputado não queria
“agora, antes das eleições” a participação das casas de apostas, mas que,
passado o pleito, “vai dar para entrar” no grupo. Antônio Castilho, do IUB,
negou envolvimento com casas de apostas.
A
reportagem esteve presente na reunião-almoço de posse da nova diretoria da FPN,
em 6 de maio deste ano. O encontro ocorreu na sede da FPN, uma mansão
residencial no Lago Sul, área nobre da capital federal. Com 1.200 m², salão
principal com capacidade para 40 lugares, auditório para até cem pessoas, duas
salas reservadas e quatro para reuniões particulares, o espaço pertence ao IUB
e, de acordo com o site da organização, também é a base do próprio instituto.
Mendonça
e Efraim foram questionados pela reportagem sobre o motivo da criação da nova
Frente e a possível associação com casas de apostas. Efraim não respondeu aos
questionamentos até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto em
caso de manifestação.
Segundo
Mendonça, sua associação com as bets seriam “inverdades construídas para
atender interesses outros, que não o da verdade dos fatos” e que “não têm
qualquer conexão com a minha atuação parlamentar”. O presidente da FPN afirmou
ainda que desde que assumiu o cargo “tem pautado o debate de temas como
trabalho, renda, produtividade, comércio exterior, competitividade, isonomia
tributária” e pontuou que pessoalmente não é membro do IUB, que descreve como
“uma entidade sem fins lucrativos e que tem posicionamento a favor do livre
mercado, da redução do custo Brasil, da liberdade de se empreender e gerar
empregos”.
Apesar
de terem sido temporariamente barradas na FPN, as bets já têm interesses bem
representados pela Frente Parlamentar Mista Pelo Livre Mercado (FPLM). Formada
por 187 deputados federais e 27 senadores, o grupo se define como “uma coalizão
suprapartidária” em defesa da liberdade e é formada, em sua quase totalidade,
por partidos de direita e centro direita, coordenados pela deputada Caroline de
Toni (PL-SC).
O grupo
se posicionou fortemente contra a criação do Cide-bets, tributo previsto no PL
Antifacção, cujo texto foi votado na Câmara em fevereiro. À época, o grupo
divulgou manifesto contra a medida, argumentando que a taxação seria
“contraproducente” e ameaçaria a “formalização do setor” [de apostas]. “O
Cide-bets representa um risco muito mais grave do que um simples aumento de
tributação. Diferentemente dos tributos que incidem sobre a receita dos
operadores, essa contribuição recai diretamente sobre o valor total apostado
pelo usuário. Ao tributar o apostador no momento da aposta, o modelo encarece
de forma imediata e perceptível a experiência do consumidor, criando um forte
incentivo para a migração ao mercado ilegal, que opera sem qualquer supervisão
ou controle do Estado brasileiro”, afirmou a frente.
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Lobby e controvérsias dentro e fora do Congresso
Na
manhã de 2 de dezembro de 2025, senadores se reuniram na Comissão de Assuntos
Econômicos (CAE) do Senado Federal para votar um aumento de impostos sobre
fintechs e bets. Com relação às casas de apostas, a CAE aprovou uma elevação
gradual anual dos então 12% cobrados para 18% sobre a receita bruta das
operadoras até 2028. O projeto impactava outras categorias e entre o destino
dos recursos arrecadados estava o setor da cultura. Uma discussão de mais de
uma hora expôs rachas sobre o texto relatado pelo senador Eduardo Braga
(MDB-AM).
Na
ocasião, um atrito entre os senadores Carlos Portinho (PL-RJ), da oposição, e
Rogério Carvalho (PT-SE), da base de Lula, teve como foco o tópico da
destinação da arrecadação, que poderia beneficiar setores como o da cultura, e
culminou numa provocação do governista: “A gente vê muito vigor quando se trata
de projetos e de demandas específicas de determinados ‘segmentos’ que têm uma
assessoria poderosa aqui dentro, que têm muita gente trabalhando…”, disse
Carvalho. O senador do PL logo respondeu: “eu não sei se quanto ao lobby o
senhor está se referindo às bets…”.
O
embate público sobre o tema, quase radioativo no Senado, por vezes, toma
contornos irônicos. Segundo apurado pela Pública, muitos colegas enxergam
Rogério Carvalho como alguém favorável a bets e jogos de azar. Segundo o
petista, que refuta a pecha de seus colegas de Senado, seu voto pela
regulamentação, em 2023, visava exclusivamente “regulamentar e tributar um
setor que já operava de forma descontrolada na vida dos brasileiros, atendendo,
inclusive, a uma solicitação formal do Ministério da Fazenda e não expressa
qualquer simpatia ao setor”.
Por
meio de nota, sua equipe alegou que “é preciso esclarecer que sua [Carvalho]
trajetória no Senado demonstra exatamente o oposto: votou favoravelmente ao PL
2985/2023, que restringe a publicidade das bets, e declarou apoio à MP 1303,
que aumenta a tributação sobre essas empresas”. Retórico, o questionamento do
senador ao colega Portinho ficou sem resposta pública, mas pôs na mesa de forma
explícita a presença conhecida do lobby nos corredores do Senado.
A
menção ao lobby feita durante a sessão não surgiu por acaso. Nos últimos anos,
o setor de apostas se tornou um dos grupos econômicos com forte presença nos
debates sobre regulação, tributação e publicidade no Congresso Nacional. O
aumento dessa influência acompanhou a expansão acelerada do mercado e a
crescente relevância política de um segmento que movimentou R$ 360 bilhões por
ano, segundo a CNC.
Embora
o lobby seja considerado uma atividade legítima em democracias, especialistas
apontam que grande parte das articulações entre setores econômicos e agentes
públicos acontece longe dos olhos da sociedade. No caso das apostas esportivas,
essa influência não se limita às votações no Congresso, mas inclui reuniões
técnicas, negociações regulatórias, disputas de narrativas e processos de
convencimento que raramente ficam explícitas no debate público.
O
mestre em economia e doutor em direito Bruno Carazza destaca como a ausência de
regras específicas de transparência dificulta o acompanhamento dessas relações.
“O problema é a forma como isso se dá, porque no Brasil a gente não tem uma
regulamentação”, avalia. “Se essas reuniões fossem transparentes, os setores
que eventualmente fossem prejudicados por uma determinada decisão poderiam se
organizar para contestar, levar outros argumentos e trazer a discussão para o
debate público”, completa.
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Enquanto isso, no governo
Essa
interlocução constante entre setor privado e poder público também esteve
presente na construção da regulamentação das apostas. O ex-assessor especial do
Ministério da Fazenda José Francisco Manssur, um dos responsáveis pela
elaboração das regras que deram origem ao mercado regulado de apostas
esportivas, afirmou à Pública que a equipe encarregada pelo marco regulatório
realizou entre 300 e 400 reuniões com representantes do segmento durante a
formulação das normas.
Segundo
ele, a intenção era ouvir operadores, compreender o funcionamento do mercado e
estudar experiências internacionais antes de definir regras. “A gente não se
trancou numa sala e fez uma regulação nossa. A gente ouviu muito quem ia ter
que trabalhar com isso depois”. Para Manssur, esse processo não representa a
captura da regulação, mas um esforço de construção conjunta por meio de debate.
“O que
eu acho que hoje está faltando é uma portaria que trate da responsabilidade de
cada um na cadeia de fornecimento de produtos para a bet. […] A
responsabilidade do meio de pagamento já está lá, sobre lavagem de dinheiro,
uma série de coisas. Essa, já está estabelecida. Mas a responsabilidade do tal
do afiliado, daquela pessoa que tem um contrato com a empresa, e se você aposta
por meio das redes sociais dele ganhar um percentual? Isso tem que ser visto
com muita responsabilidade. Esse sujeito é tratado como um contratado para
fazer marketing ou ele é um sócio?”, questiona.
As
disputas políticas durante o processo de regulamentação das casas de apostas
culminaram na saída de Manssur do Ministério da Fazenda em fevereiro de 2024.
Ele relatou ter sofrido assédio de parlamentares ligados ao Centrão, que
tentava transferir a chancela das autorizações para o Ministério do Esporte,
comandado por um aliado do então presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).
“Houve
pressão, houve muita pressão. Eu saí por causa dessas pressões, saí porque
queriam que a autorização fosse dada pelo Ministério do Esporte, onde estava
alguém do PP [o ex-ministro André Fufuca (PP-MA)], que era ligado ao presidente
da Câmara”, afirmou, ressaltando que a pasta esportiva não possuía a estrutura
técnica para analisar o volume de documentos exigidos das empresas. Diante do
impasse e da recusa em ceder ao avanço político sobre uma área de perfil
técnico, a permanência de Manssur tornou-se inviável.
“O
Arthur Lira viu que eu não estava fazendo o que ele queria. Talvez a lógica
dele, seja a formação dele, ‘ou faz o que eu mando ou vai fora’. Eu não fiz e
saí”, explicou o ex-assessor. Apesar da saída, Manssur avalia que a investida
política não obteve sucesso prático na época, já que o governo manteve a
estrutura na Fazenda e nomeou outro quadro técnico para substituí-lo,
preservando o trabalho realizado.
Procurado,
Arthur Lira afirmou ter atuado dentro de suas atribuições institucionais e que
seria improcedente “qualquer tentativa de atribuir ao deputado responsabilidade
por decisões administrativas ou funcionais tomadas no âmbito do Poder
Executivo, em especial no Ministério da Fazenda”. “Infelizmente tem sido comum
e nefasto pessoas irrelevantes aproveitarem o período eleitoral para criar fake
news, na tentativa de atingir quem reconhecidamente entregou ao país decisões
importantes, como a reforma tributária e o imposto [de renda] zero para quem
ganha até 5 mil reais”, completou.
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Pressão além da regulação
A
presença das casas de apostas vem sendo contínua e não se limitou à regulação
do setor. Até estudos econômicos e diagnósticos sobre os impactos das bets
tornaram-se parte da arena de influência do setor. Um exemplo desse processo
surgiu após a divulgação, em abril, de estudo da Confederação Nacional do
Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) que associou o avanço das apostas
online ao agravamento da inadimplência severa, especialmente entre consumidores
de baixa renda. Segundo a instituição, o setor já movimenta R$ 29 bilhões ao
mês e, embora as bets não tenham ampliado de forma significativa o número total
de brasileiros endividados, elas ajudariam a explicar o aumento do contingente
de pessoas incapazes de quitar suas dívidas e o prolongamento do atraso nos
pagamentos.
A
reação do setor foi imediata. Entre as críticas mais contundentes esteve um
artigo do presidente da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), Plínio
Lemos Jorge, publicado no Poder360, em que classificou a estimativa como
incompatível com os números da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), que
registrou receita bruta de R$ 37 bilhões para todo o mercado regulado em 2025.
O argumento é que volume movimentado e receita bruta haviam sido comparados e
que o estudo estaria comprometido. O argumento fez todo sentido para o setor,
uma vez que foi justamente esse estudo do CNC que embasou o projeto de lei
proposto pelo governo federal para proibir as bets no país. Descredibilizá-lo
significaria também enfraquecer as chances de avanço do tema no Congresso.
Em
entrevista à Pública, o economista Fábio Bentes, responsável pelo estudo,
rejeita a ideia de que exista uma incompatibilidade entre CNC e SPA e explica
que enquanto a SPA se concentrou no tamanho e na movimentação do mercado, a CNC
mediu os efeitos sobre o orçamento das famílias e indicadores de inadimplência.
Além disso, afirma que o cenário real é menos conflituoso do que o que é
retratado no embate midiático que o tema se tornou em veículos de imprensa.
Segundo ele, após a divulgação da pesquisa, os próprios representantes do setor
de apostas participaram de reuniões na CNC, que ele classifica como “produtivas
e cordiais”. “A gente expôs nossa metodologia e até as limitações dos dados.
Eles expuseram os pontos de vista deles e nós os nossos. Daquele encontro
surgiu até um entendimento melhor entre as partes”, garantiu.
A gente
não está apontando os gastos online como o vilão da história. O principal vetor
de endividamento continua sendo o crédito caro, especialmente os juros do
cartão de crédito. Mas as apostas ajudam a explicar parte desse agravamento”,
sintetiza.
O
contraste entre o discurso conciliador apresentado por Bentes e o tom adotado
por parte dos representantes das apostas ilustram a discreta atuação dos grupos
de apostas, que disputam não apenas o mercado, mas as narrativas que chegam ao
Congresso e à sociedade.
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Para não restarem dúvidas
1) O
que são “bets” e por que estão fazendo lobby no Congresso?
“Bets”
são casas de apostas online. O setor busca influenciar regulação, tributação e
publicidade para proteger sua operação e evitar impostos ou restrições que
reduzam a formalização do mercado. O lobby cresceu com a expansão financeira do
segmento.
2) Como
o lobby das casas de apostas se diferencia do lobby do agronegócio?
Enquanto
o agronegócio tem frentes parlamentares institucionalizadas (ex.: FPA) e apoio
organizado, as casas de apostas atuam de forma descentralizada e “subterrânea”,
por meio de associações, empresas e interlocutores sem coordenação única. Isso
cria influência difusa e menos transparente.
3)
Quais frentes parlamentares tiveram algum tipo de ligação com as bets?
A
reportagem menciona a Frente Parlamentar do Empreendedorismo (FPE), a Frente
Parlamentar do Ambiente de Negócios (FPN) e a Frente Parlamentar Mista Pelo
Livre Mercado (FPLM) como espaços onde houve tentativas de aproximação e
articulação envolvendo empresas de apostas.
4)
Houve conflito público envolvendo frentes parlamentares por causa das bets?
Sim. A
reportagem relata o rompimento entre a FPE e o Instituto Unidos Brasil (IUB)
após aproximação do instituto com empresas de apostas, além de impedimentos
temporários à entrada de operadoras na nova Frente (FPN), por receio eleitoral
e imagem.
5)
Quais empresas de apostas aparecem na apuração?
Foram
citadas ao menos Rei do Pitaco, Bet MGM (joint venture MGM + Grupo Globo) e Bet
Boom como casas convidadas a participar de frentes e reuniões com
interlocutores parlamentares e institutos.
6) Como
o tema da tributação entrou na disputa no Congresso?
O
Senado discutiu aumento gradual de tributos sobre bets (12% para 18% até 2028)
e houve resistência de frentes favoráveis ao livre mercado, que alegam que
tributos como “Cide-bets” encareceriam a aposta e incentivariam o mercado
ilegal.
7) Que
papel teve o Ministério da Fazenda no processo de regulação?
O
Ministério da Fazenda foi o responsável por conduzir a regulação, por meio da
Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA). Técnicos da pasta realizaram centenas de
reuniões com o setor durante a construção do marco regulatório. O ex-assessor
José Francisco Manssur relata pressões políticas que o levaram a sair em 2024,
por tentativas de transferir competência ao Ministério do Esporte, ligado a
aliados do Centrão.
8) Há
evidências de opacidade ou encontros “subterrâneos”?
A
reportagem aponta que grande parte das articulações ocorre longe da
transparência pública, em reuniões técnicas, jantares e encontros privados
mantidos por associações e intermediários, dificultando o acompanhamento
cidadão e a fiscalização.
9) O
setor de apostas tem impacto econômico mensurável no Brasil?
Instituições
citam números divergentes: a CNC aponta R$ 360 bilhões por ano (ou R$ 29
bilhões/mês em outra menção), enquanto a SPA registrou receita bruta de R$ 37
bilhões em 2025. A discrepância alimenta disputas sobre impactos sociais e
tributários.
10)
Quais são os principais argumentos contra e a favor da regulação/tributação das
bets?
Contra:
representantes do setor dizem que tributos diretos ao apostador encarecem a
experiência e favorecem o mercado ilegal; questionam estudos que embasam
proibições. A favor: estudos e parte do Congresso apontam riscos de ludopatia,
aumento da inadimplência e necessidade de controlar publicidade e lavagem de
dinheiro.
Fonte:
Por Caio de Freitas, Dyepeson Martins, Duda Sousa, Ed Wanderley, Maira
Escardovelli, Thiago Domenici, Agência Pública

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