Bets
apoiam novas regras para publicidade anunciadas pelo governo
As
novas regras do Ministério da Fazenda para a publicidade das plataformas de
apostas esportivas online, conhecidas como bets, foram recebidas de forma
positiva por representantes do setor. Para eles, as medidas reforçam as
exigências para a comunicação das empresas, ampliam a proteção ao consumidor e
responsabilizam operadores e influenciadores por eventuais irregularidades nas
campanhas.
A
publicação da portaria interministerial nº 73, na sexta-feira, oficializou uma
ação conjunta inédita entre o Ministério da Fazenda, a Secretaria de
Comunicação Social da Presidência da República (Secom) e o Ministério da
Justiça e Segurança Pública (MJSP) para regulamentar a publicidade, a
comunicação e a oferta de apostas de quota fixa.
As
novas diretrizes reforçam as exigências para a comunicação das empresas,
ampliam a proteção ao consumidor e criam uma rede integrada de fiscalização que
envolve diretamente a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA/MF), a Secretaria
Nacional do Consumidor (Senacon/MJSP) e a Secretaria Nacional de Direitos
Digitais (SNDD/MJSP).
Entre
as principais mudanças está a obrigatoriedade da inclusão de alertas em todas
as peças publicitárias. As propagandas deverão informar, de forma clara,
mensagens como "apostar faz você perder dinheiro", "apostar pode
causar dependência" e "apostar não é investimento", em modelo
semelhante ao adotado nas campanhas de cigarros e bebidas alcoólicas.
Além
disso, as empresas ficam proibidas de utilizar estratégias que criem senso de
urgência para estimular apostas, apresentem a atividade como forma de
investimento ou solução financeira, utilizem ganhos anteriores como incentivo
para novos jogos ou induzam o consumidor ao erro. Caso influenciadores
contratados descumpram essas regras, as próprias plataformas poderão ser
punidas, e o conteúdo irregular deverá ser retirado do ar.
Para o
consultor jurídico da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e sócio do
escritório Betlaw Bernardo Cavalcanti Freire, especializado no setor, as novas
determinações representam um processo natural de amadurecimento da
regulamentação.
"As
medidas dão continuidade à autorregulação do setor, o que envolve a própria
aprendizagem em torno da melhor forma de publicidade responsável. Esta é a
tendência para os próximos meses: o aperfeiçoamento da publicidade, a partir de
um viés de demonstração clara sobre o que é o setor, ou seja, evidenciando que
a aposta é entretenimento, e não um mecanismo de lucro", afirma.
A
portaria prevê que as infrações serão apuradas de forma autônoma e independente
tanto pela Senacon (no âmbito do direito do consumidor) quanto pela SPA (na
forma da Lei das Bets). Além das penalidades financeiras tradicionais, a
aplicação definitiva das sanções poderá ensejar a instauração de procedimento
administrativo pela Secom para suspender ou cancelar o cadastro do infrator no
Cadastro Nacional de Agentes de Veiculação de Publicidade (Midiacad), gerando
restrições de mercado severas para os envolvidos.
Na
avaliação de Daniel Fortune, criador de conteúdo digital voltado à
conscientização sobre apostas, o endurecimento das regras contribui para
consolidar um ambiente mais seguro para os consumidores. "As novas medidas
representam um passo importante para amadurecer o mercado de apostas no Brasil.
Regras mais rígidas para a publicidade e maior responsabilização de plataformas
e influenciadores ajudam a coibir práticas que criam expectativas irreais sobre
os jogos. Quem já atua de forma responsável vê essa regulamentação com bons
olhos, porque ela fortalece o mercado legal, dificulta a atuação de operadores
irregulares e coloca a proteção do apostador no centro da comunicação. O jogo
deve ser apresentado como entretenimento, nunca como uma promessa de ganho ou
solução financeira", destaca.
O
psicólogo da Empresa Brasileira de Apoio ao Compulsivo (Ebac) Cristiano Costa,
por sua vez, afirma que as novas normas reforçam o papel educativo da
publicidade dentro do mercado regulado. "A publicidade deve informar, e
não criar expectativas irreais. Mensagens que estimulam urgência ou associam
apostas à segurança financeira podem distorcer a percepção do consumidor. Ao
estabelecer limites para esse tipo de comunicação, a regulamentação contribui
para uma relação mais consciente entre o apostador e a atividade, preservando o
caráter recreativo das apostas", avalia.
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Ação contra o vício
Paralelamente
ao endurecimento das regras para a publicidade das apostas on-line, o governo
federal também tem ampliado as ações voltadas ao atendimento de pessoas
afetadas pelo vício em jogos. As apostas esportivas e os jogos de azar deixaram
de ser apenas um tema econômico e passaram a representar um desafio para a
saúde pública, levando o Sistema Único de Saúde (SUS) a reforçar a rede de
assistência especializada, e o Congresso Nacional a discutir propostas para
reduzir os impactos da atividade.
Entre
as medidas está a ampliação da oferta de consultas presenciais e de
teleatendimento com psicólogos e psiquiatras especializados no tratamento da
compulsão por apostas. A iniciativa busca garantir mais privacidade aos
pacientes, ampliar o acesso ao acompanhamento e facilitar o atendimento de quem
precisa de suporte especializado.
Outra
frente de atuação é a Plataforma Centralizada de Autoexclusão, desenvolvida em
parceria entre os Ministérios da Saúde e da Fazenda. A ferramenta permitirá que
qualquer cidadão bloqueie voluntariamente o próprio CPF para impedir o acesso a
plataformas de apostas e deixar de receber publicidade desse tipo de serviço.
O
Governo Federal também criou o Observatório Saúde Brasil, sistema destinado a
reunir dados qualificados sobre os impactos das apostas, identificar
comportamentos de risco relacionados à compulsão e ao endividamento e fornecer
informações que auxiliem as equipes do SUS no atendimento às pessoas afetadas.
Os
representantes das casas de aposta
acreditam que o desafio, agora, é combinar regras claras com fiscalização
eficiente para fortalecer o mercado legal. Para o COO e Partner da Start Bet, Diego Bittencourt, o objetivo do governo não
é impedir a comunicação das empresas que cumprem as regras, mas estabelecer
critérios claros, fiscalização efetiva e mecanismos que fortaleçam o jogo
responsável e a proteção do consumidor.
"Medidas
amplas de proibição podem acabar reduzindo o espaço dos operadores regulados e
abrindo caminho para quem atua à margem da legislação, o que vai na contramão
do objetivo de tornar o setor mais seguro", afirma.
Na
mesma linha, o Country Manager da Brazino777 no Brasil, André Medeiros, defende
que a publicidade também exerce um papel importante na identificação das
empresas autorizadas a operar no país.
"A
publicidade responsável cumpre um papel importante dentro do mercado regulado,
porque permite que o consumidor identifique quais plataformas são autorizadas a
operar no Brasil e seguem todas as exigências da legislação. Eventuais
restrições à comunicação das empresas legalizadas tendem a reduzir essa
diferenciação e abrir mais espaço para operadores irregulares, que não oferecem
as mesmas garantias de segurança, jogo responsável e proteção ao usuário. O
fortalecimento da fiscalização e o combate às plataformas ilegais são caminhos
mais efetivos", conclui.
Fonte:
Correio Braziliense

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