Por
que PF e Flávio Dino apontam presidente do PL como suspeito de indicar emendas
irregularmente
O
presidente nacional do PL, Valdemar
Costa Neto, tornou-se alvo de uma investigação que apura supostas
irregularidades na indicação de emendas parlamentares. Segundo a Polícia
Federal (PF), ele teria influenciado a destinação de recursos
públicos mesmo sem exercer mandato no Congresso
Nacional.
Com
base nos indícios apresentados pela PF, o ministro do Supremo
Tribunal Federal (STF) Flávio Dino determinou a suspensão das
emendas parlamantares e o bloqueio de até R$ 119,2 milhões de bens do
dirigente.
O valor
bloqueado por Dino corresponde a emendas parlamentares que teriam sido
indicadas irregularmente por Valdemar.
A
indicação de emendas é uma prerrogativa exclusiva de deputados e senadores.
Como Valdemar não é parlamentar há mais de uma década, ele não poderia decidir,
direta ou indiretamente, o destino desses recursos.
Em
nota, o presidente do PL negou qualquer irregularidade. Segundo a defesa,
Valdemar apenas exercia atividades inerentes à direção de um partido político,
como dialogar com parlamentares e defender prioridades da legenda, e que não há
provas de que ele tenha participado conscientemente de um esquema criminoso.
O PL é
o partido de Flávio
Bolsonaro, senador e pré-candidato a presidente da República. Além
dele, seu pai, o ex-presidente Jair
Bolsonaro (PL), seus irmãos e sua madrastra, Michelle
Bolsonaro, também são filiados à legenda.
Em uma
publicação nas redes sociais nesta sexta-feira (10/7), o senador criticou a
investigação da PF e disse que o órgão atua "de forma seletiva para
constranger um adversário político do atual governo".
"Como
presidente do maior partido do Brasil, é natural que ele atue politicamente
junto a deputados federais, em especial os do próprio PL", escreveu Flávio
Bolsonaro no X.
"Tenho
certeza que o presidente Valdemar saberá dar todas as respostas aos pontos
levantados."
Segundo
a decisão do ministro Flávio Dino, assinada na segunda-feira (6/7), e baseada
na investigação da PF, Valdemar utilizava sua posição como presidente do PL
para "direcionar recursos de emendas de comissão" como se fossem uma
"cota pessoal e particular".
Para
isso, ele contava com o auxílio de servidores da Câmara dos Deputados, que,
segundo a investigação, organizavam as indicações e encaminhavam aos
ministérios as informações necessárias para a execução das emendas.
Segundo
a PF, os parlamentares apareciam formalmente como autores das indicações,
embora as decisões teriam partido de Valdemar. Na decisão, Flávio Dino afirma
que esse procedimento buscava dar aparência de legalidade às destinações feitas
por uma pessoa sem mandato parlamentar:
"As
planilhas eram tratadas, analisadas e condensadas pelos servidores da Câmara
para encaminhamento aos Ministérios. O encaminhamento direcionava essas emendas
alocando, falsamente, deputados federais como 'solicitantes' das indicações, a
fim de conferir ares de legalidade às indicações formalizadas conforme
diretrizes de um não parlamentar."
A
estimativa é que pelo menos 21 emendas, que somam cerca de R$ 119,2 milhões,
tenham sido empenhadas ou pagas dentro do suposto esquema.
Ao
analisar o caso, Dino afirmou que há "indícios contundentes" de que o
grupo atuou para dar às emendas parlamentares destino diferente do previsto em
lei, "contemplando e beneficiando interesses de uma pessoa não pertencente
ao parlamento".
A
investigação é um desdobramento da Operação Transparência, deflagrada pela
Polícia Federal em dezembro de 2025 para apurar suspeitas de irregularidades na
destinação de recursos públicos por meio de emendas parlamentares.
A BBC
News Brasil procurou a PF, mas não obteve retorno até a publicação desta
reportagem.
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O que diz a defesa
Em
nota, a defesa de Valdemar Costa Neto afirmou que a decisão de Flávio Dino é
baseada em "premissas frágeis, inferências subjetivas e em uma indevida
criminalização da atividade político-partidária".
Valdemar
nega ter cometido qualquer crime e afirma que não há provas de que tenha
participado conscientemente de um suposto esquema criminoso.
A
defesa também argumenta que é legítimo que um presidente de partido dialogue
com parlamentares e influencie politicamente sua bancada, desde que isso não
envolva fraude ou desvio de recursos públicos, e afirma que recorrerá da
decisão.
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Leia a nota na íntegra:
A
defesa de Valdemar Costa Neto recebe com surpresa a decisão do Ministro Flávio
Dino que decretou medidas cautelares em seu desfavor. Com o devido respeito, a
decisão parte de premissas frágeis, inferências subjetivas e de uma indevida
criminalização da atividade político-partidária.
Valdemar
Costa Neto nega categoricamente a prática de qualquer crime. Não há qualquer
prova, ou mesmo indício, de que tenha aderido conscientemente a um suposto
esquema criminoso.
É
natural e legítimo, no sistema democrático, que um presidente partidário
dialogue com parlamentares, defenda prioridades programáticas, articule
interesses nacionais e regionais e influencie politicamente sua bancada. Nada
há de criminoso nisso. A atuação político-partidária somente poderia ter
relevância penal se acompanhada de indícios concretos de fraude, desvio
funcional, ocultação deliberada ou apropriação indevida da execução da despesa
pública. Esses elementos não estão minimamente demonstrados.
A
defesa também destaca o fato de que a Procuradoria-Geral da República foi
contrária à decretação das medidas cautelares. Ainda assim, foram impostas
restrições graves com base em suposições sem qualquer demonstração
individualizada de dolo, fraude, desvio de finalidade ou participação
consciente em qualquer crime, além de estar claro na decisão de que não houve,
com o devido respeito, qualquer vantagem pessoal para Valdemar Costa Neto.
É
especialmente preocupante a premissa de que a indisponibilidade deve recair
sobre o patrimônio integral do investigado "até que o inquérito aporte
elementos mais seguros". A reconhecida incerteza investigativa não
autoriza constrição patrimonial ampla, tampouco qualquer presunção de culpa.
A
defesa lamenta a exposição pública prematura de investigação ainda em fase
preliminar, especialmente quando desacompanhada de elementos indiciários
idôneos e em período de especial sensibilidade institucional e eleitoral.
A
defesa reafirma a inocência de Valdemar Costa Neto e adotará todas as medidas
judiciais cabíveis para demonstrar a improcedência das imputações, restabelecer
a legalidade e preservar suas garantias fundamentais.
Fonte:
BBC News Brasil

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