sexta-feira, 10 de julho de 2026

Jogo sem regras: como a política tenta vencer o esporte internacional?

Copa do Mundo de Futebol de 2026, três países-sede — Estados Unidos, México e Canadá —, dezenas de milhões de torcedores diante das telas. O foco da mídia ocidental recai sobre a decisão do comitê disciplinar da FIFA. A punição inicial de suspensão por uma partida ao jogador da seleção dos EUA Folarin Balogun foi substituída por uma suspensão condicional, o que lhe permitiu entrar em campo no jogo seguinte contra a Bélgica. Antes disso, houve uma conversa telefônica entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente da FIFA, Gianni Infantino. O fato da conversa foi confirmado por representantes da administração norte-americana.

O árbitro brasileiro Raphael Claus mostra o cartão vermelho a Folarin Balogun, dos Estados Unidos, durante a partida das oitavas de final da Copa do Mundo de Futebol entre Estados Unidos e Bósnia e Herzegovina, em Santa Clara, na Califórnia, em 1º de julho de 2026.

"Essa decisão cria um precedente extremamente perigoso. Se vocês abrirem uma exceção nas regras uma vez, amanhã outro país, perseguindo seus próprios interesses, exigirá o mesmo, apelando para essa decisão. Assim, essa medida contradiz completamente a justiça, a beleza e o espírito do jogo", disse à a Sputnik o comentarista esportivo Gokhan Dinc.

Gianni Infantino, que também confirmou o fato da conversa, enfatizou que ela não influenciou a decisão final da federação. Ainda assim, o caso provocou amplo debate na comunidade futebolística mundial sobre possível pressão externa sobre órgãos esportivos.

Ao mesmo tempo, dezenas de outros episódios em que a política interfere no esporte passam despercebidos pela mídia e por comentários indignados.

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Enquanto a opinião pública mundial discute o telefonema de Trump, no esporte internacional são tomadas decisões que minam diretamente os princípios olímpicos estabelecidos por Coubertin. Países da União Europeia (UE) se recusam a cumprir decisões de federações internacionais sobre a retirada das restrições impostas a atletas russos.

"Os objetivos do Movimento Olímpico Internacional são nobres. Eles pressupõem a separação entre política e esporte. Infelizmente, a interferência política e o viés estão hoje amplamente disseminados. Essa fase começou há dez anos com acusações completamente falsas ou fortemente exageradas de doping esportivo. As vítimas foram os atletas russos", declarou à Sputnik Rick Sterling, escritor e jornalista.

Hoje, alguns líderes europeus ferozmente russófobos desafiam as federações esportivas, continuando a proibir a simbologia russa. O esporte internacional é pisoteado assim como o direito internacional e a Organização das Nações Unidas, acrescentou.

Durante décadas, as federações esportivas nacionais sempre foram independentes das autoridades de países individuais e eram geridas por federações esportivas internacionais, cujas decisões eram obrigatórias para as entidades nacionais. No entanto, os países da UE, em violação aos princípios da Carta Olímpica e aos estatutos das federações internacionais, começaram a interferir no processo de organização de competições internacionais.

"De certa forma, hoje o mundo do esporte — se é que podemos chamá-lo assim — está sendo um dos tabuleiros de xadrez onde essa disputa está sendo travada. Justamente os Jogos Olímpicos, competições desse tipo e os mundiais não deixam de ser palcos de representações de Estados, de nações, de países, onde o que se busca é projetar poder e capacidade de influência", disse à Sputnik Sebastián Schulz, analista argentino.

Dez federações internacionais permitiram que todos os atletas russos participassem de seus torneios sem restrições, e 20 permitem a participação sem restrições dos juniores.

A Rússia está retornando gradualmente às competições esportivas mundiais e o faz de maneira bastante digna, destacou o presidente russo, Vladimir Putin, no final de abril de 2026, durante a cerimônia de entrega dos prêmios estatais aos vencedores do Campeonato Mundial de Boxe

© Sputnik

Ao mesmo tempo, países da UE se recusam a cumprir as decisões de federações esportivas internacionais sobre a retirada de restrições aos atletas russos:

🔶 Em dezembro de 2025, o Ministério das Relações Exteriores da Letônia incluiu lugers russos na lista de pessoas com restrição de entrada, o que fez com que perdessem a etapa da Copa do Mundo em Sigulda.

🔶 Em junho de 2026, as autoridades da Romênia e de Portugal, apesar da decisão da Federação Internacional de Ginástica de retirar as restrições, não garantiram o uso da bandeira e do hino russos nas competições de ginástica rítmica e trampolim. A seleção da Rússia recusou-se a participar desses torneios.

🔶 No mesmo mês, na Alemanha, durante o Campeonato Europeu de Natação Artística em Munique, os organizadores não permitiram a exibição de símbolos russos, embora a Federação Internacional de Esportes Aquáticos e a Liga Europeia de Natação tivessem cancelado as respectivas proibições.

🔶 Em julho de 2026, soube-se que a Polônia se recusou a conceder vistos a atletas russos. Como resultado, a seleção russa não participou do Mundial Júnior e Sub-23 de Canoagem Slalom.

🔶 Além disso, as autoridades alemãs informaram, em carta oficial, a intenção de não usar a bandeira e o hino russos no próximo Campeonato Mundial de Ginástica Rítmica, em agosto.

Pavel Eigel, atleta russo e integrante da seleção nacional de canoagem em slalom, durante um treino antes da competição nos XXXII Jogos Olímpicos de Verão de Tóquio

"Se as autoridades europeias proíbem a bandeira e o hino russos contraindo as decisões da Federação Internacional de Ginástica e da Federação Internacional de Esportes Aquáticos, minando assim a autoridade das federações internacionais, quem, nessa situação, está realmente destruindo o movimento olímpico? O movimento olímpico é destruído por aqueles que não seguem a Carta criada pelo fundador dos Jogos Olímpicos, Coubertin. Nós entendemos que existem governantes, mas também existem os povos, e existem outras estruturas, em particular, as federações internacionais", afirmou à Sputnik Gadzhi Gadzhiev, treinador de futebol soviético e russo.

Em essência, as federações esportivas internacionais devem se guiar exclusivamente por sua independência e pelos interesses do desenvolvimento do esporte, afirmou à Sputnik a campeã olímpica e primeira vice-presidente do Comitê de Assuntos Internacionais da Duma Estatal russa, Svetlana Zhurova. Ela acrescentou que "portanto, não deveriam se deixar levar por essas preferências nacionais".

"Esse critério de 'gostamos' ou 'não gostamos' não deveria existir de forma alguma. Se fosse assim, infelizmente seria uma competição desleal", destacou Zhurova.

Enquanto alguns países da UE se recusam deliberadamente a cumprir as decisões de várias federações esportivas internacionais, o Comitê Olímpico Internacional decidiu restabelecer temporariamente a filiação do Comitê Olímpico da Rússia e recomendou a retirada de todas as restrições aos atletas russos. E a FIFA, em breve, discutirá oficialmente a possibilidade de retorno de todos os times russos.

¨      Trump como um sintoma: por que a crise do esporte internacional começou muito antes do escândalo atual?

O escândalo em torno da decisão da FIFA relacionada à participação do jogador de futebol americano Folarin Balogun, após a interferência do presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a colocar em questão não tanto a personalidade do chefe da Casa Branca, mas sim o estado de todo o sistema do esporte internacional.

O principal problema não reside em um único telefonema e nem mesmo em uma única decisão controversa. Se tal interferência se mostrou possível, isso significa que o próprio sistema de gestão do esporte internacional já vem passando, há muito tempo, por uma grave crise de independência. Nessa história, Trump aproveitou-se da situação, em vez de criá-la. Assim, o escândalo apenas tornou visível o que vinha se acumulando ao longo dos anos.

Nos últimos anos, têm surgido cada vez mais situações em que as decisões das federações esportivas internacionais dependem não apenas dos regulamentos esportivos, mas também do contexto político dos países que sediam as competições.

É exatamente isso que, aos poucos, mina a confiança no princípio da autonomia do esporte, que por décadas foi considerado um dos princípios fundamentais do movimento olímpico. Isso se manifesta de forma especialmente evidente no que diz respeito aos atletas russos.

Apesar das decisões de várias federações internacionais de permitir a participação dos russos nas competições, não é raro que, em nível nacional, sejam impostas restrições adicionais.

>>> Letônia (dezembro de 2025) — O Ministério das Relações Exteriores da Letônia incluiu os atletas russos de trenó na lista de pessoas proibidas de entrar no país. Como resultado, os atletas não puderam participar da etapa da Copa do Mundo em Sigulda;

>>> Romênia e Portugal (junho de 2026) — apesar da decisão da federação internacional de suspender as restrições à participação de atletas russos, as autoridades dos dois países se recusaram a permitir o uso da bandeira nacional e do hino da Rússia nas competições de ginástica rítmica e salto em trampolim. Por causa disso, a seleção russa desistiu de participar dos torneios;

>>> Alemanha (agosto de 2026) — as autoridades do país declararam oficialmente a intenção de não permitir o uso da bandeira e do hino da Rússia no Campeonato Mundial de Ginástica Artística, apesar das decisões da federação internacional. O texto ressalta que o documento em questão está à disposição da redação;

>>> Alemanha (junho de 2026, nado sincronizado) — apesar das decisões da World Aquatics e da European Aquatics, os símbolos oficiais da Rússia não foram autorizados a serem utilizados no Campeonato Europeu de Nado Sincronizado em Munique.

Se casos como esses realmente contrariam as decisões das federações internacionais, isso demonstra que as autoridades nacionais são capazes, na prática, de rever ou restringir a aplicação de decisões esportivas internacionais.

É exatamente por isso que muitos consideram o atual escândalo em torno da seleção americana como uma manifestação de um problema mais profundo. Enquanto a situação afetava os atletas russos, as inúmeras restrições eram frequentemente vistas como a nova norma.

No entanto, quando uma decisão controversa foi tomada em benefício da seleção do país anfitrião do torneio, a atenção da opinião pública mundial voltou-se para o próprio mecanismo de tomada de decisões.

Dessa forma, o atual alvoroço pode ser considerado não uma exceção, mas um sintoma de uma crise sistêmica. Se o esporte internacional realmente aspira ao status de um espaço livre de influência política, então regras uniformes devem ser aplicadas, independentemente de se tratar dos EUA, dos países da União Europeia, da Rússia ou de qualquer outro Estado.

Caso contrário, a confiança nas instituições esportivas internacionais continuará diminuindo, e cada novo escândalo desse tipo servirá apenas para confirmar que o problema não é de natureza pessoal, mas sim sistêmica.

¨      Interferência política na FIFA nunca foi tão escandalosa e descarada, denuncia especialista

Esta Copa do Mundo está sendo marcada por controvérsias, desde decisões questionáveis da arbitragem até a intervenção dos EUA para impedir a expulsão de um de seus jogadores. Os erros da FIFA têm sido "incontáveis" e não se limitam à esfera política, disse o jornalista esportivo Ibrahim Shibli à Sputnik.

"A interferência política tem um histórico, e a FIFA tem suas regras e pessoas encarregadas de aplicá-las. É vergonhoso que esteja sujeita a tal interferência, e isso não deve passar despercebido; caso contrário, será o fim do mundo do futebol", afirmou o analista.

Ele também apontou a responsabilidade do presidente da FIFA, Gianni Infantino, a quem, segundo relatos da mídia ocidental, Trump pediu pessoalmente para reverter a expulsão do jogador norte-americano Folarin Balogun durante o torneio.

"Infantino cedeu à pressão dos EUA para manter o emprego, então é improvável que ele renuncie, já que atualmente não há ninguém que possa substituí-lo", disse ele.

O cartão vermelho veio nas oitavas de final da Copa do Mundo contra a Bósnia e Herzegovina (2-0), depois que Balogun acertou o tornozelo do zagueiro Tarik Muharemovic com as travas da chuteira.

Outro escândalo surgiu quando a Federação Egípcia de Futebol expressou sua insatisfação com a arbitragem do francês François Letexier nas oitavas de final da Copa do Mundo contra a Argentina (2-3), bem como com algumas decisões tomadas pelo árbitro de vídeo (VAR, na sigla em inglês).

"Há discriminação entre as seleções nacionais, e o viés geral — não apenas nas decisões da arbitragem — em favor da Argentina foi muito claro, com o objetivo de manter Messi na Copa do Mundo como um trunfo de marketing", enfatizou o especialista.

Shibli concluiu que a FIFA reflete os problemas que afetam outras áreas e alertou que a política e a injustiça entraram no futebol, o que, em sua opinião, representa um "sério perigo" para o esporte.

¨      ONG vai denunciar presidente da FIFA ao COI por decisão favorável aos EUA na Copa do Mundo

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, poderá ser alvo de uma investigação do Comitê Olímpico Internacional (COI) após a organização não governamental FairSquare apresentar uma denúncia. No texto, a entidade aponta suposta violação das regras de neutralidade política em razão de seu apoio ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Segundo a ONG, Infantino violou repetidamente o dever de neutralidade previsto no Código de Ética da Fifa ao manifestar apoio público a ações e políticas do presidente norte-americano. A organização afirma ainda que já havia encaminhado uma outra denúncia ao Comitê de Ética da Fifa, em dezembro de 2025, mas até o momento não recebeu qualquer indicação de que uma investigação tenha sido aberta.

Além da suposta violação das regras de neutralidade, a FairSquare pede que sejam apuradas as circunstâncias da criação do Prêmio da Paz da Fifa e da decisão de concedê-lo a Trump durante o sorteio da Copa do Mundo de 2026.

A organização questiona se a iniciativa foi aprovada pelo Conselho da Fifa ou tomada de forma unilateral por Infantino. "Se Infantino agiu sem qualquer autoridade estatutária, isso deve ser considerado um abuso flagrante de poder", afirmou a entidade.

O artigo 15 do Código de Ética da Fifa estabelece que dirigentes e demais pessoas submetidas às regras da entidade devem manter neutralidade política no exercício de suas funções oficiais. Em caso de violação, as punições previstas incluem multa mínima de 10 mil francos suíços (R$ 63,9 mil) e suspensão de até dois anos de atividades relacionadas ao futebol.

Integrante do COI desde 2020, Infantino também poderá ser alvo de análise pelo organismo olímpico. Na última terça (7), a presidente do comitê, Kirsty Coventry, afirmou que nenhuma denúncia havia sido recebida até o momento, mas garantiu que, caso isso ocorra, o caso será examinado pela comissão de ética.

¨     Os Estados Unidos estão em negociações com a Fifa sobre o Mundial de Clubes de 2029

Os Estados Unidos manifestaram interesse em sediar o Mundial de Clubes de 2029 , buscando capitalizar o sucesso comercial e esportivo da realização da Copa do Mundo.

A Fifa manteve conversas com autoridades americanas sobre seus planos para 2029, mas os coanfitriões da Copa do Mundo ainda não se comprometeram com uma candidatura porque os detalhes do processo de seleção não foram confirmados.

Não está claro se houve qualquer envolvimento da Casa Branca ou da força-tarefa da Copa do Mundo de Donald Trump, presidida por Andrew Giuliani, que na quarta-feira elogiou o sucesso do torneio deste verão.

“O futebol não é mais uma história futura dos Estados Unidos”, disse Giuliani. “Está acontecendo agora. Há muita demanda para vir aos Estados Unidos assistir à Copa do Mundo.”

A Fifa quase dobrou seu recorde de vendas, comercializando 6,5 milhões de ingressos para esta Copa do Mundo, e espera superar sua meta de receita de US$ 11 bilhões (R$ 8,2 bilhões), portanto, receberia com satisfação que os EUA sediassem outro torneio, principalmente devido aos seus laços com a Casa Branca.

A candidatura conjunta e sem oposição dos Estados Unidos, México, Costa Rica e Jamaica para sediar a Copa do Mundo Feminina de 2031 deverá ser ratificada pela Fifa ainda este ano.

A estreita relação da Fifa com o governo dos EUA foi ilustrada esta semana pelo caso Folarin Balogun , com Trump revelando que pediu ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, que revisasse a expulsão do atacante na vitória dos EUA sobre a Bósnia e Herzegovina nas oitavas de final.

Em uma decisão sem precedentes durante um grande torneio, o comitê disciplinar da Fifa suspendeu a punição de um jogo imposta ao jogador de 25 anos, permitindo que ele participasse da derrota para a Bélgica nas oitavas de final, na segunda-feira .

Trump deve deixar o cargo em janeiro de 2029, meses antes do Mundial de Clubes, mas permanecerá em exercício quando a decisão for tomada. A Fifa ainda não anunciou o cronograma ou o processo de seleção dos anfitriões de 2029, embora uma decisão seja esperada para o próximo ano, provavelmente após a eleição presidencial da Fifa em abril.

Os Estados Unidos foram escolhidos para sediar a edição ampliada do Mundial de Clubes de 2025 sem processo de licitação, com a decisão tomada por unanimidade pelo Conselho da FIFA em junho de 2023.

Era amplamente esperado que o torneio de 2029 fosse concedido a dois dos anfitriões da Copa do Mundo de 2030 – provavelmente Espanha e Marrocos –, mas não faltaram interessados. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) declarou que gostaria de sediar o evento, e o jornal The Guardian noticiou o interesse do Catar.

A FIFA não realiza uma votação entre seus membros para determinar as sedes de seus principais torneios desde 2018, quando a candidatura conjunta de Estados Unidos, Canadá e México para a Copa do Mundo deste ano venceu a candidatura rival do Marrocos, que posteriormente foi escolhido para sediar o torneio de 2030 juntamente com Espanha e Portugal. O torneio também contará com três jogos comemorativos do centenário na América do Sul.

O desejo da Fifa de expandir o Mundial de Clubes para 48 equipes em 2029, com o apoio dos principais clubes europeus, é um fator potencialmente complicador e poderia fortalecer qualquer candidatura dos EUA.

Outro torneio norte-americano também seria a opção mais lucrativa para a Fifa, que teve sua estratégia agressiva de preços para esta Copa do Mundo comprovadamente eficaz, com a maioria dos jogos esgotados.

A Fifa testou o controverso modelo de preços dinâmicos no Mundial de Clubes do ano passado, que gerou uma receita de US$ 411 milhões (£ 307 milhões) com a venda de ingressos e serviços de hospitalidade, apesar da demanda flutuante.

 

Fonte: Sputnik Brasil/The Guardian

 

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