Após
até a mãe de Flávio Bolsonaro aparecer ligada a político preso, relembre
escândalos da família
A escalada
de escândalos policiais que asfixia a família Bolsonaro ganhou um novo e
ruidoso capítulo no Rio de Janeiro esta semana, atingindo em cheio, mais uma
vez, o discurso do clã. A ex-vereadora Rogéria Bolsonaro, mãe do senador Flávio
Bolsonaro (PL-RJ), assim como de Carlos e Eduardo Bolsonaro, e ex-esposa do
ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), viu seu nome relacionado ao centro de uma
trama criminosa digna dos piores roteiros da contravenção fluminense.
Rogéria
havia sido escalada formalmente como a primeira suplente na chapa de Márcio
Canella (União Brasil), ex-prefeito de Belford Roxo e a grande aposta do
bolsonarismo para disputar uma vaga ao Senado. A aliança desmoronou de forma
espetacular quando a Polícia Federal deflagrou a 6ª fase da Operação Unha e
Carne, que investiga uma organização criminosa suspeita de lavar
impressionantes R$ 7,6 bilhões por meio de redes de postos de combustíveis.
Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, os agentes federais
localizaram um fuzil calibre .556 escondido no banco de trás do veículo de
Canella. Sem registro ou porte da arma de guerra, o cabeça da chapa de Rogéria
foi preso em flagrante, arrastando o nome da matriarca para as páginas
policiais e implodindo o palanque desenhado pela extrema direita no estado.
O
episódio escancara uma contradição crônica que acompanha a trajetória política
do grupo. Embora a família de extrema direita viva de apontar supostos crimes,
pregar moralismo e atribuir corrupção a todos os seus adversários políticos com
discursos inflamados nas redes sociais, a realidade dos fatos mostra o oposto:
na verdade, cada um dos integrantes do clã já se viu profundamente enrolado com
investigações, indiciamentos ou práticas ilegais. Do patriarca aos filhos,
passando por ex-esposas, pela ex-primeira-dama e até pela enteada, nenhum
membro da dinastia política passou imune ao crivo das autoridades ou às
denúncias de desvio de dinheiro público, fraudes e fisiologismo. A seguir, no
melhor estilo “relembre”, confira o amplo apanhado das suspeitas e processos
que cercam cada um dos integrantes da família Bolsonaro.
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Jair Bolsonaro: O líder do clã e seus múltiplos indiciamentos
O
ex-presidente Jair Bolsonaro lidera o volume de frentes jurídicas abertas no
país. Investigado em inquéritos no Supremo Tribunal Federal, ele acumula
indiciamentos graves da Polícia Federal que vão da tentativa de subversão da
ordem democrática até crimes comuns de corrupção.
O caso
de maior peso institucional é o inquérito que apura a tentativa de golpe de
Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. A PF indiciou
Bolsonaro junto a generais e ex-ministros por articular uma estratégia golpista
para invalidar o resultado das eleições presidenciais de 2022, culminando nas
invasões de 8 de janeiro. Paralelamente, o ex-presidente foi indiciado por
peculato, lavagem de dinheiro e associação criminosa no caso das joias
sauditas. A apuração revelou que Bolsonaro se apropriou de conjuntos de joias
de luxo dados pelo regime da Arábia Saudita ao Estado brasileiro, utilizando
assessores e canais clandestinos para tentar comercializar os bens ilegalmente
nos EUA.
Como se
não bastasse, ele também foi indiciado por associação criminosa e inserção de
dados falsos em sistema público no caso da fraude nos cartões de vacina, sob a
acusação de ordenar a adulteração do sistema do Ministério da Saúde para emitir
certificados falsos de imunização contra a Covid-19 para si mesmo e familiares.
Bolsonaro ainda responde ao inquérito das milícias digitais por coordenar
estruturas de desinformação voltadas a desacreditar as urnas eletrônicas.
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Flávio Bolsonaro: O pioneiro das”rachadinhas” e o rastro de dinheiro vivo
O filho
01, senador Flávio Bolsonaro, foi o responsável por inaugurar a era dos
escândalos financeiros que carimbaram a gestão de sua família. O centro de suas
turbulências jurídicas é o caso das rachadinhas, originado na Assembleia
Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) através da Operação Furna da Onça. O
Ministério Público fluminense denunciou Flávio sob a acusação de liderar uma
organização criminosa em seu antigo gabinete de deputado estadual, que
confiscava parte ou a totalidade dos salários de assessores nomeados, muitos
deles funcionários fantasmas que jamais exerceram as funções.
O
operador do esquema era o subtenente reformado da PM Fabrício Queiroz, amigo
íntimo da família. Segundo as investigações, a engrenagem de lavagem do
dinheiro desviado operava em duas frentes: uma franquia de chocolates de Flávio
em um shopping, que recebia depósitos em espécie incompatíveis com o comércio,
e transações imobiliárias suspeitas na Zona Sul do Rio, caracterizadas por
compras com dinheiro vivo e lucros artificiais em revendas rápidas. Apesar do
robusto caminho do dinheiro traçado pelo MP, a defesa de Flávio conseguiu que o
STJ e o STF anulassem as quebras de sigilo fiscal e bancário por questões
técnicas e de foro, congelando a punição criminal, embora as evidências
permaneçam expostas publicamente.
A teia
de relações sombrias de Flávio se estende diretamente ao crime organizado do
Rio de Janeiro através de sua ligação com o ex-capitão do Bope Adriano da
Nóbrega, apontado pelas autoridades como o chefe do “Escritório do Crime”, uma
das milícias mais violentas e letais do estado. Longe de ser um contato casual,
a proximidade com o miliciano, morto em uma operação policial na Bahia, ficou
amplamente documentada: Flávio chegou a visitá-lo na prisão, condecorou o
criminoso com a Medalha Tiradentes (a maior honraria da Alerj) e, sob a
intermediação de Fabrício Queiroz, empregou a mãe e a ex-esposa de Adriano em
seu próprio gabinete como funcionárias fantasmas. O Ministério Público revelou
que as contas bancárias das familiares do miliciano eram peça-chave no repasse
de dinheiro da rachadinha, fundindo o submundo das milícias cariocas com a
estrutura financeira do clã.
Para
além do tradicional reduto fluminense, o senador foi tragado recentemente para
uma investigação de grande porte conduzida pela Polícia Federal envolvendo
cifras milionárias no exterior. A PF passou a rastrear, após uma matéria com
áudio do portal Intercept Brasil, o envio de R$ 61 milhões enviados aos EUA
pelo senador, recebidos do ex-banqueiro criminoso Daniel Vorcaro, então dono do
Banco Master. O pretexto oficial para o repasse, que totalizaria R$ 134 milhões
prometidos a Flávio em diálogos gravados, seria o financiamento do filme “Dark
Horse”, uma cinebiografia rocambolesca sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.
Contudo, os investigadores apontam para suspeitas graves de compra de
influência política e desvio de finalidade: a maior parte do montante foi
enviada ao fundo Havengate, administrado no Texas pelo advogado migratório de
Eduardo Bolsonaro, levantando indícios de que a fortuna financiou secretamente
a permanência e a articulação política do irmão 03 em solo norte-americano sob
a fachada de fomento cultural.
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Carlos Bolsonaro: O mentor digital e a espionagem clandestina
Conhecido
como o 02, o vereador carioca Carlos Bolsonaro é apontado como o chefe da
máquina de propaganda do clã, mas acabou indiciado pela Polícia Federal em uma
frente ainda mais sombria: o caso da Abin Paralela. A investigação policial
demonstrou que Carlos era um dos principais articuladores e beneficiários de
uma estrutura de inteligência clandestina montada na Agência Brasileira de
Inteligência (Abin) na gestão de Alexandre Ramagem. O grupo utilizava softwares
avançados de geolocalização para monitorar ilegalmente os passos de adversários
políticos, jornalistas e ministros do STF. Além disso, Carlos é alvo de
investigações do Ministério Público do Rio de Janeiro sob a suspeita de
replicar em seu gabinete na Câmara Municipal o mesmo modelo de funcionários
fantasmas e prática de rachadinha atribuído ao irmão mais velho.
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Eduardo Bolsonaro: Articulação internacional e fuga para os EUA
O
deputado federal Eduardo Bolsonaro, o 04, converteu-se em alvo prioritário da
Procuradoria-Geral da República (PGR). Ele é investigado por coação no curso do
processo, obstrução de investigação e envolvimento em atos antidemocráticos,
decorrentes de seus discursos violentos e suas conexões com movimentos de
extrema direita internacionais para deslegitimar as instituições brasileiras. O
cerco jurídico em torno de Eduardo provocou uma reação drástica: o parlamentar
anunciou sua licença e saída temporária do país rumo aos EUA, sob a
justificativa de sofrer perseguição política, gerando duras críticas pelo
abandono prático do mandato. Eduardo também coleciona condenações e processos
por calúnia e difamação devido a ataques coordenados nas redes.
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Jair Renan: Fraude bancária e o mistério da mansão em Brasília
O filho
04, Jair Renan Bolsonaro, eleito vereador em Balneário Camboriú, foi indiciado
pela Polícia Civil do Distrito Federal por crimes de falsidade ideológica, uso
de documento falso e lavagem de dinheiro. Ele e seu instrutor de tiro forjaram
relatórios de faturamento da empresa RB Eventos e Mídia, estipulando um ganho
falso de R$ 4,6 milhões para conseguir empréstimos bancários fraudulentos que
ultrapassaram R$ 500 mil. A investigação provou que o dinheiro foi desviado
para pagar despesas pessoais de Renan.
A este
escândalo somou-se o caso da mansão do Lago Sul. Em 2021, ele e sua mãe, Ana
Cristina Valle, mudaram-se para uma propriedade de luxo avaliada em mais de R$
3 milhões em Brasília. Para abafar o escândalo da falta de renda compatível,
alegaram que o imóvel era alugado. Relatórios subsequentes do Coaf
desmascararam a versão ao revelarem transações atípicas e apontarem que a casa
estava em nome de um “laranja”. Posteriormente, a mãe de Jair Renan admitiu à
Justiça Eleitoral ser a real proprietária de frações do patrimônio, confirmando
a fraude imobiliária.
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Michelle Bolsonaro: Joias desviadas e os depósitos de Queiroz
A
ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro está diretamente implicada no escândalo das
joias sauditas. Mensagens eletrônicas e depoimentos colhidos pela PF indicam
que Michelle tinha conhecimento do esquema de descaminho e ocultação e chegou a
receber pessoalmente caixas de joias preciosas que deveriam integrar o acervo
público da Presidência da República. Contudo, seu envolvimento com
movimentações financeiras nebulosas é anterior: as quebras de sigilo do caso
Alerj revelaram que Fabrício Queiroz, o operador das rachadinhas de Flávio, e
sua esposa depositaram 21 cheques na conta bancária pessoal de Michelle,
somando R$ 89 mil. A justificativa de que os repasses quitavam um empréstimo
informal feito por Jair Bolsonaro nunca ganhou comprovação documental.
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Letícia Firmo: Cabide de empregos e polêmica de doações
A filha
mais velha de Michelle Bolsonaro, Letícia Firmo, também colheu desgastes de
imagem severos para a família. Ela enfrentou forte indignação pública ao se
envolver em polêmicas digitais sobre a prestação de contas de Pix de doações
que deveriam ser canalizadas para as vítimas das enchentes no Rio Grande do
Sul, forçando Michelle a intervir publicamente de forma agressiva em sua
defesa. No campo do fisiologismo, Letícia virou vidraça ao ser nomeada para um
cargo de confiança com alto salário (Secretária de Articulação Nacional) no
governo de Santa Catarina, comandado pelo aliado Jorginho Mello, logo após o
clã “transferir” seu reduto político para a região Sul.
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Rogéria Bolsonaro: Empregos fantasmas e a chapa armada com fuzil
Fechando
a lista, a ex-vereadora Rogéria Bolsonaro, que já carregava o histórico de ter
sido investigada pelo MP por suspeita de atuar como funcionária fantasma e
participar do rateio de salários nos gabinetes dos filhos no Rio de Janeiro,
agora carimba sua biografia com o caso Márcio Canella. Ao aceitar a vaga de
primeira suplente de um político apontado como o braço político de uma
quadrilha de lavagem de dinheiro bilionária de combustíveis, ligada às
milícias, e flagrado com um fuzil de assalto ilegal no automóvel, Rogéria
consolida o padrão de conexões perigosas do clã.
O
histórico familiar desmente, de forma inequívoca, a narrativa purista e a
cartilha de retidão moral que o grupo tenta vender ao eleitorado. Atrás da
cortina dos discursos moralistas de extrema direita, repousa um robusto arquivo
de investigações policiais.
• General ironiza campanha bolsonarista:
“nunca mais um Bolsonaro no Planalto”
O general da reserva do Exército Brasileiro
Paulo Chagas voltou a direcionar críticas públicas à família Bolsonaro ao
compartilhar, em seu perfil na rede social X, antigo Twitter, uma publicação
que afirma que nenhum integrante do clã voltará a ocupar a Presidência da
República. A manifestação ocorreu poucos dias após o Partido Liberal (PL)
confirmar a convenção nacional que oficializará a candidatura do senador Flávio
Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República, marcada para 25 de julho.
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Na
mensagem, segundo o Metrópoles, Paulo Chagas republicou uma mensagem que se
despede politicamente da família Bolsonaro e também faz críticas ao Partido dos
Trabalhadores (PT).
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Postagem prevê fim da família Bolsonaro no Planalto
Na
publicação compartilhada pelo militar, a mensagem afirma: “Nunca mais teremos
um Bolsonaro no Palácio do Planalto. Disso eu tenho certeza. Agora precisamos
não ter nunca mais um petista também, começando em 2026.”
O
compartilhamento ocorreu em meio às articulações do PL para oficializar a
candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, ampliando a repercussão política
da manifestação do general da reserva.
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Críticas ao bolsonarismo não são recentes
Esta
não é a primeira vez que Paulo Chagas critica Jair Bolsonaro e seus aliados. Em
dezembro de 2025 o militar utilizou a mesma rede social para classificar o
ex-presidente como um “líder tão estridente quanto vazio”.
Na
ocasião, também afirmou que Bolsonaro era “o maior líder de um grupo incapaz de
se consolidar como força propositiva” e avaliou que sua liderança surgiu “em
meio a um vácuo de representatividade e de confiança no liberalismo e no
conservadorismo, mas que nunca teria deixado de ser um projeto de promoção e de
poder pessoal”.
O
general ainda criticou a atuação política do ex-presidente no Congresso
Nacional, afirmando que Bolsonaro, “praticando uma mesmice política da qual
dizia estar fora, uniu-se ao Centrão que, em campanha, permitiu que fosse
chamado de ladrão, fragilizando não apenas o seu governo, mas toda a direita
que nele acreditava”.
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Quem é Paulo Chagas
Paulo
Chagas é general da reserva do Exército Brasileiro e disputou o Governo do
Distrito Federal nas eleições de 2018. Ele terminou a disputa em quarto lugar,
com 110.973 votos, o equivalente a 7,35% dos votos válidos.
Fonte:
Fórum/Brasil 247

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