Diabetes:
5 órgãos que podem ser afetados pelo mau controle da glicose
O
diabetes pode comprometer diferentes órgãos quando a glicose permanece elevada
por longos períodos. No entanto, manter a doença controlada reduz o risco de
complicações e ajuda a preservar a função desses órgãos. Durante o
DiabetesCast, Denise Franco, endocrinologista e pesquisadora, explicou como
esse processo acontece e quais cuidados fazem diferença ao longo da vida.
Como o
diabetes causa complicações
Segundo
Denise Franco, o aumento persistente da glicose favorece um processo
inflamatório que atinge vasos sanguíneos pequenos e grandes. Com o tempo, essa
inflamação pode provocar depósito de gordura, endurecimento das artérias e
redução da circulação. Além disso, diferentes tecidos deixam de receber
oxigênio e nutrientes de forma adequada, aumentando o risco de lesões.
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Olhos e rins estão entre os primeiros órgãos afetados
Os
olhos fazem parte das complicações chamadas microvasculares, porque dependem de
vasos muito pequenos para irrigar a retina. Denise Franco explica que esses
vasos podem sofrer lesões, formar novos vasos frágeis e até romper, favorecendo
a retinopatia diabética.
Se não
houver tratamento, a doença pode evoluir para perda da visão. Por isso, o exame
de fundo de olho deve ser realizado pelo menos uma vez por ano. O controle da
glicemia, da pressão arterial e dos lipídios também ajuda a reduzir a
progressão da doença.
Os rins
também sofrem com alterações na microcirculação. Quando isso acontece, o órgão
perde parte da capacidade de filtrar o sangue, podendo evoluir para doença
renal, diálise e transplante nos casos mais avançados. A endocrinologista
destaca que exames como albuminúria e creatinina permitem identificar
alterações antes do aparecimento dos sintomas e devem fazer parte do
acompanhamento anual, inclusive em crianças com diabetes.
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Coração, nervos e cérebro também exigem atenção
No
sistema cardiovascular, o diabetes aumenta o risco de comprometimento das
artérias que irrigam o coração e o cérebro. Além disso, pode afetar o próprio
músculo cardíaco, favorecendo insuficiência cardíaca. Segundo Denise Franco, a
avaliação anual pode incluir eletrocardiograma, ecocardiograma e outros exames,
conforme a indicação médica.
Os
nervos também podem ser comprometidos. A neuropatia periférica reduz a
sensibilidade, principalmente nos pés, enquanto a neuropatia autonômica
interfere no funcionamento automático do organismo.
Esse
tipo de alteração pode afetar a digestão, o intestino, a bexiga e até o
coração. Como consequência, a pessoa pode deixar de perceber machucados ou
pressão excessiva nos pés, favorecendo úlceras e infecções. A especialista
recomenda que os pés sejam examinados em todas as consultas médicas.
No
cérebro, o diabetes aumenta o risco de acidente vascular cerebral e também está
associado a maior chance de demência relacionada à resistência à insulina. Além
disso, episódios frequentes de hipoglicemia podem comprometer atenção, memória
e outras funções cognitivas ao longo do tempo.
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O que ajuda a reduzir as complicações
De
acordo com Denise Franco, o principal fator para reduzir o risco é manter o
diabetes controlado. A orientação inclui buscar hemoglobina glicada abaixo de
7%, quando essa for a meta individual, manter o tempo no alvo acima de 70% para
quem utiliza sensor de glicose, controlar pressão arterial e colesterol e
praticar atividade física aeróbica e de resistência.
Segundo
os dados apresentados no DiabetesCast, essas medidas podem reduzir o risco de
retinopatia em até 76%, de doença renal em até 54%, de neuropatia em até 60% e
de amputações em até 50%.
• 4 frutas que mais elevam a glicose e as
melhores opções para quem tem diabetes
Frutas
são reconhecidas como parte de uma alimentação saudável, mas nem todas têm o
mesmo efeito sobre a glicemia. Praticamente todas contêm carboidratos e,
portanto, elevam o açúcar no sangue em algum grau.
Segundo
a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), no entanto, isso não significa que
devam ser evitadas, o segredo está em consumi-las com estratégia. O aumento da
glicemia depende da quantidade consumida e do acompanhamento com fibras ou
proteínas. Esses fatores ajudam a determinar o impacto real de cada fruta na
alimentação.
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Por que algumas frutas elevam mais a glicose
Algumas
frutas têm índice glicêmico mais alto do que outras, ou seja, elevam a glicose
de forma mais rápida. Uva, banana madura, manga e melancia estão nesse grupo.
Ainda assim, isso não significa que precisem ser eliminadas do cardápio.
De
acordo com a nutricionista Carol Netto, o impacto dessas frutas depende de três
fatores. São eles: o horário do consumo, a quantidade ingerida e o que é
consumido junto com elas.
As
frutas com índice glicêmico mais alto, como uva, banana, manga, por exemplo,
quando você come isoladamente, elas sobem demais a glicemia.
“Elas
não precisam ser evitadas, devem ser consumidas após a refeição, quando você já
comeu uma salada, já comeu uma proteína. Melhor evitar comer essas frutas
isoladamente, principalmente se você está tendo um pico glicêmico”, orienta
Carol Netto.
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Índice glicêmico e carga glicêmica: qual a diferença
Para
entender melhor por que isso acontece, a ciência médica utiliza dois conceitos
complementares: o Índice Glicêmico (IG) e a Carga Glicêmica (CG). O IG mede a
velocidade com que o carboidrato de uma fruta se transforma em glicose no
sangue.
Já a CG
considera a quantidade real de carboidrato presente em uma porção. Dessa forma,
uma fruta pode ter IG alto, mas, se consumida em porção pequena, apresentar CG
moderada. Isso ajuda a explicar por que a quantidade ingerida pesa tanto quanto
o tipo de fruta escolhido. Por isso, além do tipo de fruta, vale observar o
tamanho da porção servida em cada refeição.
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As 4 frutas que exigem mais atenção
• Uva – Açúcares de absorção rápida;
consumir após refeição, nunca isoladamente.
• Banana bem madura – Quanto mais madura,
mais açúcar; prefira a menos madura.
• Manga – Alta concentração de frutose;
pequena porção, após refeição.
• Melancia – Índice glicêmico elevado,
especialmente em grandes porções.
Segundo
a especialista, não existe fruta proibida, existe a necessidade de ajustar
quantidade, horário e combinação.
“Não
existe fruta ruim. Não existe esse problema. O problema, sim, é o quanto você
consome da fruta e como você consome.” Carol Netto | Nutricionista especialista
em nutrição clínica
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Como consumir frutas com mais segurança
Algumas
estratégias simples reduzem o impacto glicêmico das frutas, independentemente
do tipo escolhido. Consumir a fruta após uma refeição principal, e não
isoladamente ou em jejum, é uma das recomendações mais importantes. Além disso,
combinar a fruta com proteína ou gordura saudável, como iogurte natural,
castanhas ou queijo, retarda a absorção do açúcar.
Preferir
a fruta inteira, com bagaço e casca, também faz diferença. Isso porque sucos e
vitaminas removem as fibras que ajudam a controlar a velocidade da absorção.
Nesse sentido, a porção recomendada gira em torno de meia xícara por refeição.
Frutas mais maduras concentram mais açúcar, e frutas secas, como tâmaras e
uvas-passas, exigem ainda mais critério.
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As melhores opções: frutas de menor impacto glicêmico
Para
quem está em um momento de maior instabilidade glicêmica, algumas frutas
oferecem mais segurança por terem menor índice glicêmico e maior teor de
fibras. Morango, amora, framboesa e mirtilo se destacam pela riqueza em fibras
e antioxidantes, aliada ao baixo teor de açúcar. Maçã e pera com casca também
são boas opções, já que as fibras presentes na casca reduzem a velocidade de
absorção da glicose.
O
abacate, por sua vez, praticamente não contém açúcar e é rico em gordura
saudável e fibras. Goiaba, acerola e maracujá completam a lista, unindo boa
carga de vitamina C a menor impacto glicêmico. Em todos os casos, o
acompanhamento com um nutricionista ajuda a personalizar as porções conforme o
perfil glicêmico de cada pessoa.
Fonte:
Um Diabético

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