quinta-feira, 9 de julho de 2026

Diabetes: 5 órgãos que podem ser afetados pelo mau controle da glicose

O diabetes pode comprometer diferentes órgãos quando a glicose permanece elevada por longos períodos. No entanto, manter a doença controlada reduz o risco de complicações e ajuda a preservar a função desses órgãos. Durante o DiabetesCast, Denise Franco, endocrinologista e pesquisadora, explicou como esse processo acontece e quais cuidados fazem diferença ao longo da vida.

Como o diabetes causa complicações

Segundo Denise Franco, o aumento persistente da glicose favorece um processo inflamatório que atinge vasos sanguíneos pequenos e grandes. Com o tempo, essa inflamação pode provocar depósito de gordura, endurecimento das artérias e redução da circulação. Além disso, diferentes tecidos deixam de receber oxigênio e nutrientes de forma adequada, aumentando o risco de lesões.

<><> Olhos e rins estão entre os primeiros órgãos afetados

Os olhos fazem parte das complicações chamadas microvasculares, porque dependem de vasos muito pequenos para irrigar a retina. Denise Franco explica que esses vasos podem sofrer lesões, formar novos vasos frágeis e até romper, favorecendo a retinopatia diabética.

Se não houver tratamento, a doença pode evoluir para perda da visão. Por isso, o exame de fundo de olho deve ser realizado pelo menos uma vez por ano. O controle da glicemia, da pressão arterial e dos lipídios também ajuda a reduzir a progressão da doença.

Os rins também sofrem com alterações na microcirculação. Quando isso acontece, o órgão perde parte da capacidade de filtrar o sangue, podendo evoluir para doença renal, diálise e transplante nos casos mais avançados. A endocrinologista destaca que exames como albuminúria e creatinina permitem identificar alterações antes do aparecimento dos sintomas e devem fazer parte do acompanhamento anual, inclusive em crianças com diabetes.

<><> Coração, nervos e cérebro também exigem atenção

No sistema cardiovascular, o diabetes aumenta o risco de comprometimento das artérias que irrigam o coração e o cérebro. Além disso, pode afetar o próprio músculo cardíaco, favorecendo insuficiência cardíaca. Segundo Denise Franco, a avaliação anual pode incluir eletrocardiograma, ecocardiograma e outros exames, conforme a indicação médica.

Os nervos também podem ser comprometidos. A neuropatia periférica reduz a sensibilidade, principalmente nos pés, enquanto a neuropatia autonômica interfere no funcionamento automático do organismo.

Esse tipo de alteração pode afetar a digestão, o intestino, a bexiga e até o coração. Como consequência, a pessoa pode deixar de perceber machucados ou pressão excessiva nos pés, favorecendo úlceras e infecções. A especialista recomenda que os pés sejam examinados em todas as consultas médicas.

No cérebro, o diabetes aumenta o risco de acidente vascular cerebral e também está associado a maior chance de demência relacionada à resistência à insulina. Além disso, episódios frequentes de hipoglicemia podem comprometer atenção, memória e outras funções cognitivas ao longo do tempo.

<><> O que ajuda a reduzir as complicações

De acordo com Denise Franco, o principal fator para reduzir o risco é manter o diabetes controlado. A orientação inclui buscar hemoglobina glicada abaixo de 7%, quando essa for a meta individual, manter o tempo no alvo acima de 70% para quem utiliza sensor de glicose, controlar pressão arterial e colesterol e praticar atividade física aeróbica e de resistência.

Segundo os dados apresentados no DiabetesCast, essas medidas podem reduzir o risco de retinopatia em até 76%, de doença renal em até 54%, de neuropatia em até 60% e de amputações em até 50%.

•        4 frutas que mais elevam a glicose e as melhores opções para quem tem diabetes

Frutas são reconhecidas como parte de uma alimentação saudável, mas nem todas têm o mesmo efeito sobre a glicemia. Praticamente todas contêm carboidratos e, portanto, elevam o açúcar no sangue em algum grau.

Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), no entanto, isso não significa que devam ser evitadas, o segredo está em consumi-las com estratégia. O aumento da glicemia depende da quantidade consumida e do acompanhamento com fibras ou proteínas. Esses fatores ajudam a determinar o impacto real de cada fruta na alimentação.

<><> Por que algumas frutas elevam mais a glicose

Algumas frutas têm índice glicêmico mais alto do que outras, ou seja, elevam a glicose de forma mais rápida. Uva, banana madura, manga e melancia estão nesse grupo. Ainda assim, isso não significa que precisem ser eliminadas do cardápio.

De acordo com a nutricionista Carol Netto, o impacto dessas frutas depende de três fatores. São eles: o horário do consumo, a quantidade ingerida e o que é consumido junto com elas.

As frutas com índice glicêmico mais alto, como uva, banana, manga, por exemplo, quando você come isoladamente, elas sobem demais a glicemia.

“Elas não precisam ser evitadas, devem ser consumidas após a refeição, quando você já comeu uma salada, já comeu uma proteína. Melhor evitar comer essas frutas isoladamente, principalmente se você está tendo um pico glicêmico”, orienta Carol Netto.

<><> Índice glicêmico e carga glicêmica: qual a diferença

Para entender melhor por que isso acontece, a ciência médica utiliza dois conceitos complementares: o Índice Glicêmico (IG) e a Carga Glicêmica (CG). O IG mede a velocidade com que o carboidrato de uma fruta se transforma em glicose no sangue.

Já a CG considera a quantidade real de carboidrato presente em uma porção. Dessa forma, uma fruta pode ter IG alto, mas, se consumida em porção pequena, apresentar CG moderada. Isso ajuda a explicar por que a quantidade ingerida pesa tanto quanto o tipo de fruta escolhido. Por isso, além do tipo de fruta, vale observar o tamanho da porção servida em cada refeição.

<><> As 4 frutas que exigem mais atenção

•        Uva – Açúcares de absorção rápida; consumir após refeição, nunca isoladamente.

•        Banana bem madura – Quanto mais madura, mais açúcar; prefira a menos madura.

•        Manga – Alta concentração de frutose; pequena porção, após refeição.

•        Melancia – Índice glicêmico elevado, especialmente em grandes porções.

Segundo a especialista, não existe fruta proibida, existe a necessidade de ajustar quantidade, horário e combinação.

“Não existe fruta ruim. Não existe esse problema. O problema, sim, é o quanto você consome da fruta e como você consome.” Carol Netto | Nutricionista especialista em nutrição clínica

<><> Como consumir frutas com mais segurança

Algumas estratégias simples reduzem o impacto glicêmico das frutas, independentemente do tipo escolhido. Consumir a fruta após uma refeição principal, e não isoladamente ou em jejum, é uma das recomendações mais importantes. Além disso, combinar a fruta com proteína ou gordura saudável, como iogurte natural, castanhas ou queijo, retarda a absorção do açúcar.

Preferir a fruta inteira, com bagaço e casca, também faz diferença. Isso porque sucos e vitaminas removem as fibras que ajudam a controlar a velocidade da absorção. Nesse sentido, a porção recomendada gira em torno de meia xícara por refeição. Frutas mais maduras concentram mais açúcar, e frutas secas, como tâmaras e uvas-passas, exigem ainda mais critério.

<><> As melhores opções: frutas de menor impacto glicêmico

Para quem está em um momento de maior instabilidade glicêmica, algumas frutas oferecem mais segurança por terem menor índice glicêmico e maior teor de fibras. Morango, amora, framboesa e mirtilo se destacam pela riqueza em fibras e antioxidantes, aliada ao baixo teor de açúcar. Maçã e pera com casca também são boas opções, já que as fibras presentes na casca reduzem a velocidade de absorção da glicose.

O abacate, por sua vez, praticamente não contém açúcar e é rico em gordura saudável e fibras. Goiaba, acerola e maracujá completam a lista, unindo boa carga de vitamina C a menor impacto glicêmico. Em todos os casos, o acompanhamento com um nutricionista ajuda a personalizar as porções conforme o perfil glicêmico de cada pessoa.

 

Fonte: Um Diabético

 

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