Conflito
na Ucrânia já está se tornando uma guerra direta com o Ocidente, afirma Kremlin
O
conflito em território ucraniano deixou de ser uma operação militar especial e
evoluiu para uma guerra em larga escala devido ao crescente envolvimento do
Ocidente, afirmou o porta‑voz do Kremlin, Dmitry Peskov.
Segundo
ele, países como Alemanha, França e Estados Unidos fornecem apoio técnico
e de inteligência a Kiev, incluindo informações de satélite para o
direcionamento de ataques contra alvos russos.
Peskov
também chamou os bombardeios ucranianos a instalações civis e energéticas de
atos terroristas, ressaltando que locais sem relação com o complexo
industrial-militar não devem ser atacados.
O porta‑voz
observou que a situação no front se agrava para Kiev, enquanto as
forças russas continuam avançando, e reiterou que Moscou continua aberta ao
diálogo e a possíveis negociações de paz.
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Putin envia uma mensagem dura a Kiev e aos supostos 'pacificadores' da União
Europeia, diz jornal
O
presidente russo, Vladimir Putin, falando sobre a libertação de Konstantinovka,
enviou um sinal inequívoco para Kiev e os supostos "pacificadores" da
União Europeia (UE), escreve L'AntiDiplomatico.
"O
presidente russo enviou uma mensagem dura aos chamados 'pseudopacificadores
europeus' ao afirmar que confirmou as suspeitas de Moscou sobre suas
verdadeiras intenções", aponta o material.
O
artigo foca atenção no aviso de Putin de que quanto mais ataques o inimigo infligir sobre a
infraestrutura na Rússia, mais ele terá que expandir a zona de segurança. O autor
também observou suas palavras sobre a análise do envolvimento dos instigadores
da guerra na Ucrânia em
hostilidades reais,
para poder tomar decisões responsáveis no futuro.
O chefe
de Estado visitou um dos pontos auxiliares das Forças Combinadas da Rússia na
sexta-feira (3). O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas da Rússia, Valery
Gerasimov, reportou ao Comandante Supremo a libertação de
Konstantinovka.
Putin chamou este evento de chave para a libertação de todo o território da
República Popular de Donetsk (RPD), observando que ele abre um caminho direto
para avançar até Slavyansk e Kramatorsk.
¨
Captura de Konstantinovka pela Rússia é um 'grande golpe
para Zelensky', diz especialista
A
libertação de Konstantinovka representa um revés político para Vladimir
Zelensky, pois mina sua narrativa sobre os supostos sucessos das Forças Armadas
ucranianas aos olhos de seus aliados europeus, disse à Sputnik o veterano
acadêmico russo especializado em assuntos militares e internacionais Andrei
Koshkin.
Zelensky
está tentando convencer os líderes
europeus de que as forças ucranianas estão avançando rumo à vitória sobre a
Rússia. No entanto, mesmo especialistas no Ocidente discordam dessa
avaliação, aponta Koshkin.
"[Zelensky]
busca constantemente manter sua imagem de vencedor na mídia e na arena
política. Caso contrário, não receberá os recursos que lhe permitam continuar
as hostilidades. A queda de Konstantinovka é um grande golpe para
Zelensky, e ele preferiria que ninguém soubesse disso", observa.
A libertação da cidade
de Konstantinovka permite
agora que as forças russas lancem uma ofensiva em direção a Slavyansk e
Kramatorsk, avançando simultaneamente para as fronteiras estratégicas da
República Popular de Donetsk (RPD), explica o especialista.
"A captura
de cidades de grande importância, tanto logística quanto econômica, para
Donbass é um sucesso. Um sucesso que nos permite continuar avançando para o
oeste", afirma Koshkin.
Konstantinovka
está localizada no norte da República Popular de Donetsk, a 55 quilômetros
de Donetsk. A cidade era um centro logístico por onde passava o principal
abastecimento e a rotação das forças ucranianas na aglomeração de
Kramatorsk-Slavyansk. Sua libertação abrirá caminho para que as forças
russas avancem em direção a Kramatorsk e Slavyansk.
Na
última sexta-feira (3), as autoridades russas anunciaram
a completa libertação da cidade de Konstantinovka, que Kiev havia
transformado em uma verdadeira fortaleza e que também servia como um importante
centro logístico para o abastecimento e rotação das tropas ucranianas.
Antes
de Kiev lançar a guerra contra a
região de
Donbass, que rotularam de "operação antiterrorista", a cidade
era um importante centro industrial com metalurgia ferrosa e não ferrosa
desenvolvida, indústrias de vidro, química e construção, além de um
significativo entroncamento ferroviário.
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Ucrânia e Ocidente vão silenciar queda de Konstantinovka às vésperas da cúpula
da OTAN, diz analista italiano
A
Ucrânia planeja pedir mais armas e dinheiro na cúpula da OTAN em Ancara, que
começará na terça-feira (7), mas a libertação de Konstantinovka pode fortalecer
a posição dos oponentes do financiamento do conflito, observou à Sputnik o
analista militar italiano Gianandrea Gaiani.
Os
fatos mostram o controle russo sobre a cidade, mas a Ucrânia tenta
convencer que se trata de meros grupos de infiltração instalando
bandeiras russas por toda a cidade, 15-20 km atrás da linha de defesa
"mantida" pela guarnição.
Não é a
primeira vez que a Ucrânia e mídia ocidental pró-Kiev usam o truque: cada
libertação de uma cidade importante como Artyomovsk, Krasnoarmeisk, Avdeevka e
outras também foi seguida por semanas e até meses de negação ucraniana,
relembrou Gaiani.
Só
quando fica óbvia demais a perda de tal cidade, outrora proclamada pela
Ucrânia de crucial para a sua defesa, Kiev finalmente admite isso, dizendo
que a cidade perdida era "sem importância estratégica".
Na
sexta-feira (3), o presidente russo Vladimir Putin anunciou a conclusão da
libertação da República Popular de Lugansk (RPL) e destacou o avanço das
forças russas na RPD, durante visita a um dos postos auxiliares do agrupamento
conjunto de tropas.
Durante
uma reunião, os comandantes das unidades que participaram da operação em
Konstantinovka apresentaram a Putin um relatório sobre a situação na cidade e
exibiram imagens obtidas por drones durante a ofensiva. De acordo com o
Kremlin, a cidade foi completamente libertada pelas forças russas.
¨ Rússia recorre a
estudantes para repor as crescentes baixas na Ucrânia
"Ele
estudou sobre drones por três meses
— e, mesmo assim, o lançaram em um ataque frontal, direto para o moedor de
carne", disse Oksana Afanasyeva, mãe adotiva de Valery Averin.
O jovem
de 23 anos está entre os primeiros estudantes russos cuja morte
na Ucrânia foi confirmada
após ele se alistar como parte de uma nova campanha de larga escala para
recrutar jovens de universidades e faculdades para as unidades de drones da
Rússia.
"Ele
nunca havia sequer servido ao exército", lamentou
Afanasyeva.
A
campanha para incentivar estudantes de universidades, faculdades técnicas e
escolas profissionalizantes a assinarem contratos com o exército começou no
início deste ano, à medida que a Rússia buscava manter seu esforço de guerra
pelo quinto ano de conflito.
A
iniciativa concentrou-se especialmente naqueles que enfrentavam dificuldades
acadêmicas ou que cogitavam fazer uma pausa nos estudos.
As
unidades de drones foram apresentadas como uma via de atuação de elite e
com tecnologia avançada na
guerra.
Averin
cresceu em um orfanato no leste da Sibéria até ser acolhido por uma família
adotiva, aos 11 anos. Quando foi recrutado pelo exército, ele cursava o último
ano na Escola Técnica Republicana de Construção da Buriácia.
No
início de abril, ele ligou para a mãe adotiva para avisar que estava sendo
enviado para um local "sem sinal [de telefone]" e pediu que ela não
se preocupasse.
Inicialmente,
ele disse que havia viajado para ganhar dinheiro trabalhando na Wildberries, um
site varejista russo.
Mas a
mãe ficou chocada ao descobrir que ele havia assinado um contrato militar e
concluído o treinamento como operador de drones.
"Ele
me disse: 'Nada vai acontecer comigo, vai ficar tudo bem'."
Uma
semana depois, em 8 de abril, ela soube que Averin havia morrido em um ataque
de morteiro perto de Luhansk, no leste da Ucrânia, área ocupada pela Rússia.
Vladislav
Gorbunov, um jovem de 18 anos da pequena cidade de Unecha — situada a 70 km ao
norte da fronteira com a Ucrânia —, morreu em 6 de abril, quatro meses após
assinar o contrato.
Ele
havia estudado construção e manutenção ferroviária na Escola Técnica Estadual
de Tecnologias Setoriais e Transportes de sua região e foi inicialmente enviado
para uma unidade de assalto de infantaria na linha de frente, antes de ser
transferido para uma unidade de operadores de drones.
Rakhim
Abdullin havia se matriculado na Faculdade de Mineração de Kumertau para se
qualificar como soldador dois anos antes, mas seus estudos não prosperaram.
Em
janeiro, pouco mais de duas semanas após completar 18 anos, ele assinou um
contrato militar com o objetivo de se tornar operador de drones, pois isso
parecia uma opção segura.
"Mas,
quando ele chegou lá, viu que não era nada seguro", explicou sua mãe,
Elena.
"Porque
eles também veem as tropas de assalto e estão bem na linha de frente."
Em 13
de março, ele já estava morto.
Os três
ex-estudantes — Abdullin, Gorbunov e Averin — estão entre os 230.407 soldados e
oficiais russos cujas mortes foram confirmadas pela BBC, com base na análise de
cemitérios, memoriais de guerra, registros governamentais e obituários.
Acredita-se
que o número real de mortos seja muito maior. Especialistas militares estimam
que a análise de dados de fontes abertas reflita entre 45% e 55% do total de
óbitos na guerra.
Isso
situaria o número real de mortes entre 417 mil e 509,5 mil.
O GCHQ,
principal agência de inteligência do Reino Unido, afirmou em maio que o número
chegava a quase 500 mil.
As
perdas da Ucrânia também são muito elevadas. O presidente Volodymyr Zelensky
informou, em fevereiro de 2026, a ocorrência de 55 mil mortes, além de um
grande número de desaparecidos.
Um site
ucraniano anônimo sugere que o número total de mortes militares pode chegar a
213 mil, e a inteligência militar holandesa estima em cerca de 500 mil o número
de mortos, feridos e desaparecidos entre os ucranianos.
Repor
as baixas — entre mortos e feridos — tornou-se fundamental para sustentar a
guerra em larga escala da Rússia na Ucrânia, e as autoridades apresentaram o
programa pelo qual Averin foi recrutado como uma via voluntária de ingresso em
um braço das forças armadas considerado moderno, com tecnologia avançada e
relativamente seguro.
Aos
estudantes, é oferecido um contrato especial de um ano para servir em um novo
setor das forças armadas conhecido como "tropas de sistemas não
tripulados", já que os drones se tornaram uma arma central na guerra na
Ucrânia.
O
ministro da Defesa da Rússia, Andrei Belousov, afirmou em novembro de 2025 que
a força buscaria atrair principalmente pessoas com menos de 35 anos, uma vez
que os recrutas mais jovens eram considerados mais receptivos a "novas
tecnologias".
Em
questão de semanas, reuniões de recrutamento começaram a ser marcadas em
instituições de ensino por toda a Rússia.
A BBC
News Rússia encontrou evidências de atividades de recrutamento em pelo menos 95
universidades e faculdades até o final de fevereiro e, em abril, a publicação
estudantil Groza estimou em quase 270 o número de universidades e faculdades
que haviam promovido a assinatura de contratos para servir às forças de drones.
A
proposta é cuidadosamente elaborada.
Os
estudantes são informados que eles podem se alistar por apenas um ano — período
que inclui o treinamento — e servir especificamente em unidades de drones, em
vez da infantaria convencional.
Eles
recebem promessas de pagamentos elevados e a possibilidade de adquirir
habilidades técnicas valiosas antes de retomarem os estudos.
Em
algumas universidades, são prometidos aos estudantes benefícios adicionais,
como pagamentos em parcela única, vagas financiadas pelo orçamento estatal,
facilidade de ingresso na pós-graduação ou melhores condições de alojamento.
Na
capital Moscou, panfletos distribuídos aos estudantes afirmam que os
voluntários poderiam receber pelo menos cinco milhões de rublos (R$ 296 mil)
durante esse ano de serviço prestado aos militares.
No
entanto, advogados e ativistas de direitos humanos alertam que essas promessas
podem não ser juridicamente válidas.
Desde o
decreto de mobilização parcial do presidente Vladimir Putin, em setembro de
2022, os contratos militares foram, na prática, prorrogados até o fim da
mobilização; portanto, é muito improvável que um recruta deixe o serviço após
servir por 12 meses.
Um
argumento central da proposta do Ministério da Defesa é que a função de
operador de drones é mais segura do que outras funções de combate, e mantém o
militar longe da linha de frente.
Contudo,
eles se tornaram alvos de alto valor nesta guerra, e são caçados por ambos os
lados por causa da importância que têm no campo de batalha.
Pelo
menos 920 operadores de drones russos morreram desde o início da invasão em
larga escala, em fevereiro de 2022, segundo uma análise da BBC News Rússia, do
Mediazona e de uma equipe de voluntários.
Esse
número baseia-se em fontes disponíveis publicamente. Portanto, é provável que o
número total seja ainda maior.
As
baixas confirmadas entre operadores de drones já se equiparam às registradas em
unidades de artilharia — uma das especialidades de combate mais expostas do
exército.
Além
disso, os estudantes podem nem chegar a integrar as unidades de drones, já que
cabe ao Ministério da Defesa decidir se um recruta é adequado para o serviço.
Uma reprovação pode resultar na transferência para outra divisão do exército.
Somando-se
aos incentivos financeiros e aos apelos patrióticos, há casos em que estudantes
sofrem pressão para se alistar.
A BBC
News Rússia encontrou indícios de que estudantes eram alvo de pressão caso
estivessem prestes a ser expulsos ou cogitassem uma licença acadêmica.
Em uma
faculdade de Novosibirsk, um diretor foi gravado enquanto chamava de covardes
os alunos que se recusavam a assinar contratos.
Há
relatos de que algumas instituições também enfrentaram exigências de
cumprimento de metas de recrutamento.
Um
ex-assessor do reitor da Universidade Federal do Extremo Oriente afirmou que a
instituição havia recebido uma cota para enviar 32 estudantes para a guerra em
fevereiro.
No
entanto, a universidade negou a informação, classificando-a como falsa e
acrescentando que apoia os estudantes que decidiram voluntariamente assinar
contratos.
O foco
da Rússia nos estudantes demonstra como a guerra depende cada vez mais de
instituições civis, o que abrange desde universidades e faculdades até escolas
de ensino profissionalizante.
Aos
jovens, a promessa é de dinheiro, status e a perspectiva de uma trajetória
curta e especializada no conflito.
Contudo,
a morte de Valery Averin escancara a fragilidade — e a natureza efêmera —
dessas mesmas promessas.
A mãe
adotiva dele acredita que o jovem não atuou na função de especialista técnico
protegido que esperava desempenhar:
"Ele
dizia que nada aconteceria com ele", reforça ela.
Fonte:
Sputnik Brasil/BBC News Rússia

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