terça-feira, 7 de julho de 2026


 

Conflito na Ucrânia já está se tornando uma guerra direta com o Ocidente, afirma Kremlin

O conflito em território ucraniano deixou de ser uma operação militar especial e evoluiu para uma guerra em larga escala devido ao crescente envolvimento do Ocidente, afirmou o porta‑voz do Kremlin, Dmitry Peskov.

Segundo ele, países como Alemanha, França e Estados Unidos fornecem apoio técnico e de inteligência a Kiev, incluindo informações de satélite para o direcionamento de ataques contra alvos russos.

Peskov também chamou os bombardeios ucranianos a instalações civis e energéticas de atos terroristas, ressaltando que locais sem relação com o complexo industrial-militar não devem ser atacados.

O porta‑voz observou que a situação no front se agrava para Kiev, enquanto as forças russas continuam avançando, e reiterou que Moscou continua aberta ao diálogo e a possíveis negociações de paz.

<><> Putin envia uma mensagem dura a Kiev e aos supostos 'pacificadores' da União Europeia, diz jornal

O presidente russo, Vladimir Putin, falando sobre a libertação de Konstantinovka, enviou um sinal inequívoco para Kiev e os supostos "pacificadores" da União Europeia (UE), escreve L'AntiDiplomatico.

"O presidente russo enviou uma mensagem dura aos chamados 'pseudopacificadores europeus' ao afirmar que confirmou as suspeitas de Moscou sobre suas verdadeiras intenções", aponta o material.

O artigo foca atenção no aviso de Putin de que quanto mais ataques o inimigo infligir sobre a infraestrutura na Rússia, mais ele terá que expandir a zona de segurança. O autor também observou suas palavras sobre a análise do envolvimento dos instigadores da guerra na Ucrânia em hostilidades reais, para poder tomar decisões responsáveis no futuro.

O chefe de Estado visitou um dos pontos auxiliares das Forças Combinadas da Rússia na sexta-feira (3). O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas da Rússia, Valery Gerasimov, reportou ao Comandante Supremo a libertação de Konstantinovka. Putin chamou este evento de chave para a libertação de todo o território da República Popular de Donetsk (RPD), observando que ele abre um caminho direto para avançar até Slavyansk e Kramatorsk.

¨      Captura de Konstantinovka pela Rússia é um 'grande golpe para Zelensky', diz especialista

A libertação de Konstantinovka representa um revés político para Vladimir Zelensky, pois mina sua narrativa sobre os supostos sucessos das Forças Armadas ucranianas aos olhos de seus aliados europeus, disse à Sputnik o veterano acadêmico russo especializado em assuntos militares e internacionais Andrei Koshkin.

Zelensky está tentando convencer os líderes europeus de que as forças ucranianas estão avançando rumo à vitória sobre a Rússia. No entanto, mesmo especialistas no Ocidente discordam dessa avaliação, aponta Koshkin.

"[Zelensky] busca constantemente manter sua imagem de vencedor na mídia e na arena política. Caso contrário, não receberá os recursos que lhe permitam continuar as hostilidades. A queda de Konstantinovka é um grande golpe para Zelensky, e ele preferiria que ninguém soubesse disso", observa.

libertação da cidade de Konstantinovka permite agora que as forças russas lancem uma ofensiva em direção a Slavyansk e Kramatorsk, avançando simultaneamente para as fronteiras estratégicas da República Popular de Donetsk (RPD), explica o especialista.

"A captura de cidades de grande importância, tanto logística quanto econômica, para Donbass é um sucesso. Um sucesso que nos permite continuar avançando para o oeste", afirma Koshkin.

Konstantinovka está localizada no norte da República Popular de Donetsk, a 55 quilômetros de Donetsk. A cidade era um centro logístico por onde passava o principal abastecimento e a rotação das forças ucranianas na aglomeração de Kramatorsk-Slavyansk. Sua libertação abrirá caminho para que as forças russas avancem em direção a Kramatorsk e Slavyansk.

Na última sexta-feira (3), as autoridades russas anunciaram a completa libertação da cidade de Konstantinovka, que Kiev havia transformado em uma verdadeira fortaleza e que também servia como um importante centro logístico para o abastecimento e rotação das tropas ucranianas.

Antes de Kiev lançar a guerra contra a região de Donbass, que rotularam de "operação antiterrorista", a cidade era um importante centro industrial com metalurgia ferrosa e não ferrosa desenvolvida, indústrias de vidro, química e construção, além de um significativo entroncamento ferroviário.

<><> Ucrânia e Ocidente vão silenciar queda de Konstantinovka às vésperas da cúpula da OTAN, diz analista italiano

A Ucrânia planeja pedir mais armas e dinheiro na cúpula da OTAN em Ancara, que começará na terça-feira (7), mas a libertação de Konstantinovka pode fortalecer a posição dos oponentes do financiamento do conflito, observou à Sputnik o analista militar italiano Gianandrea Gaiani.

Os fatos mostram o controle russo sobre a cidade, mas a Ucrânia tenta convencer que se trata de meros grupos de infiltração instalando bandeiras russas por toda a cidade, 15-20 km atrás da linha de defesa "mantida" pela guarnição.

Não é a primeira vez que a Ucrânia e mídia ocidental pró-Kiev usam o truque: cada libertação de uma cidade importante como Artyomovsk, Krasnoarmeisk, Avdeevka e outras também foi seguida por semanas e até meses de negação ucraniana, relembrou Gaiani.

Só quando fica óbvia demais a perda de tal cidade, outrora proclamada pela Ucrânia de crucial para a sua defesa, Kiev finalmente admite isso, dizendo que a cidade perdida era "sem importância estratégica".

Na sexta-feira (3), o presidente russo Vladimir Putin anunciou a conclusão da libertação da República Popular de Lugansk (RPL) e destacou o avanço das forças russas na RPD, durante visita a um dos postos auxiliares do agrupamento conjunto de tropas.

Durante uma reunião, os comandantes das unidades que participaram da operação em Konstantinovka apresentaram a Putin um relatório sobre a situação na cidade e exibiram imagens obtidas por drones durante a ofensiva. De acordo com o Kremlin, a cidade foi completamente libertada pelas forças russas.

¨     Rússia recorre a estudantes para repor as crescentes baixas na Ucrânia

"Ele estudou sobre drones por três meses — e, mesmo assim, o lançaram em um ataque frontal, direto para o moedor de carne", disse Oksana Afanasyeva, mãe adotiva de Valery Averin.

O jovem de 23 anos está entre os primeiros estudantes russos cuja morte na Ucrânia foi confirmada após ele se alistar como parte de uma nova campanha de larga escala para recrutar jovens de universidades e faculdades para as unidades de drones da Rússia.

"Ele nunca havia sequer servido ao exército", lamentou Afanasyeva.

A campanha para incentivar estudantes de universidades, faculdades técnicas e escolas profissionalizantes a assinarem contratos com o exército começou no início deste ano, à medida que a Rússia buscava manter seu esforço de guerra pelo quinto ano de conflito.

A iniciativa concentrou-se especialmente naqueles que enfrentavam dificuldades acadêmicas ou que cogitavam fazer uma pausa nos estudos.

As unidades de drones foram apresentadas como uma via de atuação de elite e com tecnologia avançada na guerra.

Averin cresceu em um orfanato no leste da Sibéria até ser acolhido por uma família adotiva, aos 11 anos. Quando foi recrutado pelo exército, ele cursava o último ano na Escola Técnica Republicana de Construção da Buriácia.

No início de abril, ele ligou para a mãe adotiva para avisar que estava sendo enviado para um local "sem sinal [de telefone]" e pediu que ela não se preocupasse.

Inicialmente, ele disse que havia viajado para ganhar dinheiro trabalhando na Wildberries, um site varejista russo.

Mas a mãe ficou chocada ao descobrir que ele havia assinado um contrato militar e concluído o treinamento como operador de drones.

"Ele me disse: 'Nada vai acontecer comigo, vai ficar tudo bem'."

Uma semana depois, em 8 de abril, ela soube que Averin havia morrido em um ataque de morteiro perto de Luhansk, no leste da Ucrânia, área ocupada pela Rússia.

Vladislav Gorbunov, um jovem de 18 anos da pequena cidade de Unecha — situada a 70 km ao norte da fronteira com a Ucrânia —, morreu em 6 de abril, quatro meses após assinar o contrato.

Ele havia estudado construção e manutenção ferroviária na Escola Técnica Estadual de Tecnologias Setoriais e Transportes de sua região e foi inicialmente enviado para uma unidade de assalto de infantaria na linha de frente, antes de ser transferido para uma unidade de operadores de drones.

Rakhim Abdullin havia se matriculado na Faculdade de Mineração de Kumertau para se qualificar como soldador dois anos antes, mas seus estudos não prosperaram.

Em janeiro, pouco mais de duas semanas após completar 18 anos, ele assinou um contrato militar com o objetivo de se tornar operador de drones, pois isso parecia uma opção segura.

"Mas, quando ele chegou lá, viu que não era nada seguro", explicou sua mãe, Elena.

"Porque eles também veem as tropas de assalto e estão bem na linha de frente."

Em 13 de março, ele já estava morto.

Os três ex-estudantes — Abdullin, Gorbunov e Averin — estão entre os 230.407 soldados e oficiais russos cujas mortes foram confirmadas pela BBC, com base na análise de cemitérios, memoriais de guerra, registros governamentais e obituários.

Acredita-se que o número real de mortos seja muito maior. Especialistas militares estimam que a análise de dados de fontes abertas reflita entre 45% e 55% do total de óbitos na guerra.

Isso situaria o número real de mortes entre 417 mil e 509,5 mil.

O GCHQ, principal agência de inteligência do Reino Unido, afirmou em maio que o número chegava a quase 500 mil.

As perdas da Ucrânia também são muito elevadas. O presidente Volodymyr Zelensky informou, em fevereiro de 2026, a ocorrência de 55 mil mortes, além de um grande número de desaparecidos.

Um site ucraniano anônimo sugere que o número total de mortes militares pode chegar a 213 mil, e a inteligência militar holandesa estima em cerca de 500 mil o número de mortos, feridos e desaparecidos entre os ucranianos.

Repor as baixas — entre mortos e feridos — tornou-se fundamental para sustentar a guerra em larga escala da Rússia na Ucrânia, e as autoridades apresentaram o programa pelo qual Averin foi recrutado como uma via voluntária de ingresso em um braço das forças armadas considerado moderno, com tecnologia avançada e relativamente seguro.

Aos estudantes, é oferecido um contrato especial de um ano para servir em um novo setor das forças armadas conhecido como "tropas de sistemas não tripulados", já que os drones se tornaram uma arma central na guerra na Ucrânia.

O ministro da Defesa da Rússia, Andrei Belousov, afirmou em novembro de 2025 que a força buscaria atrair principalmente pessoas com menos de 35 anos, uma vez que os recrutas mais jovens eram considerados mais receptivos a "novas tecnologias".

Em questão de semanas, reuniões de recrutamento começaram a ser marcadas em instituições de ensino por toda a Rússia.

A BBC News Rússia encontrou evidências de atividades de recrutamento em pelo menos 95 universidades e faculdades até o final de fevereiro e, em abril, a publicação estudantil Groza estimou em quase 270 o número de universidades e faculdades que haviam promovido a assinatura de contratos para servir às forças de drones.

A proposta é cuidadosamente elaborada.

Os estudantes são informados que eles podem se alistar por apenas um ano — período que inclui o treinamento — e servir especificamente em unidades de drones, em vez da infantaria convencional.

Eles recebem promessas de pagamentos elevados e a possibilidade de adquirir habilidades técnicas valiosas antes de retomarem os estudos.

Em algumas universidades, são prometidos aos estudantes benefícios adicionais, como pagamentos em parcela única, vagas financiadas pelo orçamento estatal, facilidade de ingresso na pós-graduação ou melhores condições de alojamento.

Na capital Moscou, panfletos distribuídos aos estudantes afirmam que os voluntários poderiam receber pelo menos cinco milhões de rublos (R$ 296 mil) durante esse ano de serviço prestado aos militares.

No entanto, advogados e ativistas de direitos humanos alertam que essas promessas podem não ser juridicamente válidas.

Desde o decreto de mobilização parcial do presidente Vladimir Putin, em setembro de 2022, os contratos militares foram, na prática, prorrogados até o fim da mobilização; portanto, é muito improvável que um recruta deixe o serviço após servir por 12 meses.

Um argumento central da proposta do Ministério da Defesa é que a função de operador de drones é mais segura do que outras funções de combate, e mantém o militar longe da linha de frente.

Contudo, eles se tornaram alvos de alto valor nesta guerra, e são caçados por ambos os lados por causa da importância que têm no campo de batalha.

Pelo menos 920 operadores de drones russos morreram desde o início da invasão em larga escala, em fevereiro de 2022, segundo uma análise da BBC News Rússia, do Mediazona e de uma equipe de voluntários.

Esse número baseia-se em fontes disponíveis publicamente. Portanto, é provável que o número total seja ainda maior.

As baixas confirmadas entre operadores de drones já se equiparam às registradas em unidades de artilharia — uma das especialidades de combate mais expostas do exército.

Além disso, os estudantes podem nem chegar a integrar as unidades de drones, já que cabe ao Ministério da Defesa decidir se um recruta é adequado para o serviço. Uma reprovação pode resultar na transferência para outra divisão do exército.

Somando-se aos incentivos financeiros e aos apelos patrióticos, há casos em que estudantes sofrem pressão para se alistar.

A BBC News Rússia encontrou indícios de que estudantes eram alvo de pressão caso estivessem prestes a ser expulsos ou cogitassem uma licença acadêmica.

Em uma faculdade de Novosibirsk, um diretor foi gravado enquanto chamava de covardes os alunos que se recusavam a assinar contratos.

Há relatos de que algumas instituições também enfrentaram exigências de cumprimento de metas de recrutamento.

Um ex-assessor do reitor da Universidade Federal do Extremo Oriente afirmou que a instituição havia recebido uma cota para enviar 32 estudantes para a guerra em fevereiro.

No entanto, a universidade negou a informação, classificando-a como falsa e acrescentando que apoia os estudantes que decidiram voluntariamente assinar contratos.

O foco da Rússia nos estudantes demonstra como a guerra depende cada vez mais de instituições civis, o que abrange desde universidades e faculdades até escolas de ensino profissionalizante.

Aos jovens, a promessa é de dinheiro, status e a perspectiva de uma trajetória curta e especializada no conflito.

Contudo, a morte de Valery Averin escancara a fragilidade — e a natureza efêmera — dessas mesmas promessas.

A mãe adotiva dele acredita que o jovem não atuou na função de especialista técnico protegido que esperava desempenhar:

"Ele dizia que nada aconteceria com ele", reforça ela.

 

Fonte: Sputnik Brasil/BBC News Rússia


Nenhum comentário: