terça-feira, 7 de julho de 2026

Trump e Infantino jogaram na lama a Copa do Mundo de 2026

A Copa do Mundo de 2026 pode entrar para a história não apenas pelos jogos disputados em Estados Unidos, Canadá e México, mas por um episódio que ameaça a própria credibilidade do futebol internacional. Ao ceder à pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e suspender a punição automática aplicada ao atacante Folarin Balogun após um cartão vermelho, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, mergulhou o torneio em uma crise institucional sem precedentes. A reação da UEFA foi devastadora: a entidade acusou a Fifa de ter cruzado uma “linha vermelha” e de colocar em risco a integridade da competição.  

O episódio é grave porque rompe um dos princípios fundamentais do esporte: a igualdade de regras para todos os competidores. Até então, a suspensão automática após um cartão vermelho era considerada uma norma objetiva e obrigatória, aplicada indistintamente a todos os atletas. A própria Fifa havia reiterado dias antes que a punição era automática e sem possibilidade de recurso.  

Tudo mudou quando Trump decidiu entrar em campo.

Segundo relatos públicos, o presidente norte-americano telefonou diretamente para Gianni Infantino para protestar contra a suspensão do principal atacante da seleção dos Estados Unidos. Pouco depois, a Fifa anunciou uma decisão inédita: suspendeu, em caráter experimental, a aplicação da punição automática, permitindo que Balogun voltasse a ficar à disposição da seleção americana. A sequência dos acontecimentos tornou inevitável a suspeita de interferência política sobre uma decisão esportiva.  

<><> A UEFA reage

A resposta da UEFA foi uma das manifestações mais duras já dirigidas contra a Fifa.

Em comunicado oficial, a entidade afirmou que “o futebol depende de regras, que são a base de uma competição justa, honesta e transparente”. Acrescentou que, nesse caso, “as regras não estão abertas à interpretação” e que a suspensão automática após um cartão vermelho “não é uma opção discricionária”.  

A entidade europeia foi além ao afirmar que a decisão estabelece um precedente extremamente perigoso.

Se uma suspensão automática pode ser revogada por razões políticas ou conveniências circunstanciais, outras federações terão o direito de exigir tratamento idêntico em situações semelhantes. O resultado é a destruição da previsibilidade das regras e da confiança no sistema disciplinar da competição.

<><> Um golpe na credibilidade da Fifa

Gianni Infantino respondeu dizendo que os órgãos judiciais da Fifa são independentes e que não sofrem interferência externa.  

Entretanto, a sucessão dos fatos torna difícil dissociar a decisão do contexto político em que foi tomada. A mudança ocorreu justamente após a intervenção pública do presidente do país-sede da Copa do Mundo.

Independentemente da versão oficial, o dano institucional já está produzido.

No futebol profissional, a percepção de imparcialidade vale tanto quanto a imparcialidade em si. Quando dirigentes, atletas, federações e torcedores passam a acreditar que decisões disciplinares podem ser influenciadas pelo peso político de determinados governos, toda a arquitetura de credibilidade construída ao longo de décadas começa a ruir.

<><> O esporte não pode se curvar ao poder

A Copa do Mundo sempre foi apresentada pela própria Fifa como uma competição universal, regida por regras iguais para todos os países, independentemente de sua força econômica ou política.

O caso Balogun transmite justamente a mensagem oposta.

Passa a impressão de que existe uma regra para os países comuns e outra para a nação que sedia o torneio — especialmente quando essa nação é governada por um presidente disposto a intervir diretamente em assuntos esportivos.

É exatamente essa percepção que levou a UEFA a afirmar que a Fifa “cruzou uma linha vermelha”. Não se trata apenas de um cartão vermelho cancelado. Trata-se da confiança nas regras do jogo.

<><> A maior derrota da Copa

Os resultados dentro de campo continuarão produzindo campeões e eliminados. Mas o episódio envolvendo Trump, Infantino e Balogun já produziu um derrotado evidente: a credibilidade da Copa do Mundo.

O maior patrimônio do futebol nunca foi apenas seu espetáculo, mas a crença de que as mesmas regras valiam para todos.

Quando essa convicção desaparece, o esporte deixa de ser apenas uma competição e passa a conviver com a suspeita permanente de que o poder político pode decidir aquilo que deveria ser resolvido exclusivamente dentro das quatro linhas.

¨      Trump desmoralizou a Copa do Mundo e a FIFA ao mesmo tempo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a celebrar publicamente nesta segunda-feira (6) a decisão da Fifa de suspender a punição aplicada ao atacante Folarin Balogun, liberando o jogador para atuar nas oitavas de final da Copa do Mundo. Durante um evento no Salão Oval da Casa Branca, Trump retomou o tema ao lado do senador republicano Ted Cruz e ironizou o interesse da imprensa pelo episódio. 

A declaração ocorre um dia após a repercussão internacional da revelação de que Trump telefonou ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, para tratar da suspensão automática imposta ao atacante da seleção dos Estados Unidos. Poucas horas depois do contato, a entidade utilizou o artigo 27 do Código Disciplinar para suspender os efeitos da sanção, permitindo que Balogun enfrentasse a Bélgica na fase eliminatória do torneio.

Durante a cerimônia na Casa Branca, foi o senador Ted Cruz quem voltou a mencionar o caso ao agradecer a atuação do presidente norte-americano nos bastidores da decisão da Fifa.

“Em nome de todos os americanos, obrigado por ter se livrado daquele ridículo cartão vermelho. Foi espetacular. Havia um motivo para o Troféu da Paz da Fifa ter ficado aqui por tanto tempo”, afirmou Cruz, em referência ao prêmio entregue anteriormente por Gianni Infantino a Trump.

Na sequência, Trump respondeu em tom descontraído e aproveitou para ironizar a cobertura jornalística sobre a polêmica envolvendo Balogun.

“A situação é a seguinte: temos a imprensa aqui. Eles não querem saber nada sobre futebol. Felizmente, não vão fazer perguntas sobre isso. Ninguém liga para isso, certo? O foco aqui são as contas de Trump, que são absolutamente incríveis para as crianças”, declarou o presidente.

<><> Entenda o caso Balogun

A controvérsia começou após Folarin Balogun ser expulso na partida entre Estados Unidos e Bósnia e Herzegovina. Pela regra geral prevista no regulamento da Copa do Mundo, o cartão vermelho resultaria em suspensão automática para o jogo seguinte.

No entanto, após o contato de Donald Trump com Gianni Infantino, a Fifa decidiu aplicar o artigo 27 do Código Disciplinar, suspendendo os efeitos da punição e tornando o atacante apto para disputar a partida das oitavas de final contra a Bélgica.

A decisão provocou ampla repercussão internacional e gerou críticas de dirigentes e entidades esportivas, que questionaram a possibilidade de interferência política em uma decisão disciplinar da Fifa. O episódio também levantou debates sobre a autonomia dos órgãos responsáveis por aplicar as regras da competição.

Mesmo diante das críticas, Trump voltou a demonstrar satisfação com o desfecho do caso e transformou novamente o episódio em tema de seu discurso oficial na Casa Branca, reforçando sua participação nos bastidores da liberação do atacante norte-americano.

¨      Conmebol defende Raphael Claus após pressão da Casa Branca

A Conmebol defendeu publicamente o árbitro brasileiro Raphael Claus nesta segunda-feira (6), depois que ele se tornou alvo de críticas da Casa Branca pela expulsão de Folarin Balogun no jogo entre Estados Unidos e Bósnia e Herzegovina, pela segunda fase da Copa do Mundo de 2026. A Fifa reverteu o cartão vermelho aplicado ao atacante norte-americano, que poderá enfrentar a Bélgica nas oitavas de final.

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A manifestação da entidade sul-americana ocorreu após posicionamentos da CBF e da Federação Paulista de Futebol em defesa de Claus. O caso ganhou dimensão política depois que o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, passou a questionar a atuação do árbitro brasileiro e a legalidade da decisão tomada com auxílio do VAR.

O lance ocorreu no segundo tempo da partida disputada no Levi’s Stadium, em Santa Clara. Balogun pisou com as travas da chuteira no tornozelo de Tarik Muharemovic, da Bósnia e Herzegovina. Em campo, Raphael Claus inicialmente não puniu o atacante, mas foi chamado pelo VAR para rever o lance e, após análise no monitor, decidiu aplicar o cartão vermelho.

A expulsão, no entanto, acabou derrubada pela Fifa após uma ofensiva jurídica e política conduzida por autoridades norte-americanas. A Casa Branca coordenou uma operação para contestar a decisão, enquanto Trump pediu diretamente a Gianni Infantino, presidente da Fifa, que o caso fosse revisto.

O governo norte-americano também elaborou um dossiê contra Raphael Claus e levantou suspeitas sobre seu histórico de arbitragem. Trump chamou o brasileiro de “suspeito”, e o Poder Executivo dos EUA alegou a possibilidade de envolvimento do árbitro em manipulação de resultados.

A Conmebol reagiu por meio de nota da Comissão de Árbitros, na qual destacou a carreira internacional de Claus e repudiou, na prática, os questionamentos feitos ao brasileiro. A entidade afirmou seu “reconhecimento à trajetória, à honestidade, à independência e à competência profissional do árbitro sul-americano Raphael Claus, qualidades amplamente demonstradas ao longo de sua destacada carreira na arbitragem internacional”.

No mesmo comunicado, a confederação sul-americana declarou “pleno e irrestrito apoio ao seu trabalho, reafirmando sua confiança em seu profissionalismo, sua integridade e no compromisso com o qual desempenha suas funções a serviço do futebol mundial”.

O caso também envolveu Andrew Giuliani, diretor executivo da Força-Tarefa da Casa Branca para a Copa do Mundo. Ele atuou diretamente com a equipe jurídica norte-americana e buscou atualizações constantes junto à Fifa e à U.S. Soccer. A argumentação apresentada pela defesa dos Estados Unidos sustentou que a expulsão foi injusta e concentrou as críticas em uma suposta falha no uso do VAR.

Na segunda-feira (6), o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, elogiou a decisão da Fifa de anular o cartão vermelho e criticou a revisão em câmera lenta. Para ele, o lance entre Balogun e Muharemovic deveria ter sido avaliado em velocidade normal, e não por meio de imagens desaceleradas.

Com a reversão da punição, Balogun fica à disposição do técnico Mauricio Pochettino para a partida contra a Bélgica, pelas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. O confronto será disputado às 21h, pelo horário de Brasília, no Estádio de Seattle, nos Estados Unidos.

 

Fonte: Brasil 247

 

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