Entenda
como o cão de alerta identifica hipoglicemia e hiperglicemia em quem tem
diabetes pelo cheiro
Pessoas
com diabetes convivem diariamente com o desafio de identificar rapidamente
alterações na glicose. Além dos sensores de monitorização contínua, existe
outro recurso que ainda é pouco conhecido no Brasil: o cão de alerta para
diabetes, treinado para reconhecer mudanças no organismo por meio do olfato.
Enquanto
vídeos desses cães são comuns em outros países, a realidade brasileira ainda é
diferente. O desconhecimento sobre o trabalho desses animais dificulta até
mesmo o acesso deles a locais públicos. Em entrevista ao DiabetesCast, o
adestrador de cães de alerta Glauco Lima, que atua há mais de 37 anos com
treinamento de cães e já treinou mais de 1.800 animais no Brasil, explicou como
funciona esse trabalho e por que ele pode contribuir para a rotina de pessoas
com diabetes.
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Como o cão de alerta identifica alterações da glicose de quem tem diabetes
O
treinamento começa a partir da capacidade olfativa dos cães. Segundo Glauco
Lima, o organismo libera substâncias diferentes quando a glicose está muito
baixa ou muito alta. O cachorro aprende a reconhecer essas alterações durante o
treinamento com pessoas com diabetes.
Na
hipoglicemia, o principal composto utilizado é o isopreno, liberado em maior
quantidade durante a respiração quando a glicose está caindo. Nesse contexto, o
cão aprende a associar esse odor a uma resposta específica.
Já na
hiperglicemia, o treinamento utiliza amostras relacionadas ao aumento da
produção de cetonas. Segundo Glauco, o cheiro pode lembrar o de removedor de
esmalte. Durante o processo, o treinador coleta essas amostras para ensinar o
animal a reconhecer o padrão característico daquele momento.
“O
trabalho é um conjunto junto com o sensor”, explicou o adestrador durante a
entrevista.
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O treinamento ensina o cachorro a reconhecer o cheiro e avisar a pessoa com
diabetes
Reconhecer
o odor não basta. Além disso, o cão precisa aprender como avisará a pessoa
quando identificar uma alteração.
Segundo
Glauco Lima, alguns animais são treinados para tocar a pata no tutor. Outros
aprendem a pegar um pequeno colar de couro com a boca e entregá-lo como sinal
de alerta. Somente depois desse aviso a pessoa deve conferir os valores da
glicose utilizando o sensor.
O
treinamento também estabelece limites para que o cachorro faça o alerta antes
que a glicose atinja níveis mais críticos. Na hipoglicemia, por exemplo, o
objetivo não é esperar que a glicose chegue a 70 mg/dL. O treinamento busca
fazer o cão avisar quando os valores ainda estão próximos de 75 mg/dL e em
queda.
Na
hiperglicemia acontece o mesmo processo. Glauco explica que utiliza o sensor
para acompanhar a glicose durante o treinamento e define previamente o ponto em
que deseja que o cachorro faça a marcação. No exemplo apresentado, o alerta
começa quando a glicose se aproxima de 185 mg/dL, antes que continue
aumentando.
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O cão trabalha junto com o sensor de glicose
Embora
muitas pessoas imaginem que o cachorro substitui a tecnologia, Glauco Lima
afirma que isso não acontece.
Segundo
ele, o cão de alerta funciona como uma ferramenta complementar. O sensor
continua sendo o equipamento responsável por confirmar os valores da glicose e
orientar a tomada de decisões.
Ainda
assim, o treinador explica que o cachorro pode perceber alterações antes mesmo
de alguns sensores registrarem a mudança.
De
acordo com sua experiência, em determinadas situações o cão consegue emitir o
alerta entre 12 e 20 minutos antes da leitura do sensor. No entanto, ele
reforça que a confirmação sempre deve ocorrer por meio da monitorização da
glicose.
Além
disso, o cachorro também pode oferecer uma camada extra de segurança caso
ocorra alguma falha tecnológica, como perda de calibração, problemas na leitura
ou falta de bateria do sensor. Por esse motivo, Glauco reforça que os dois
recursos devem atuar em conjunto, e não competir entre si.
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O treinamento começa ainda nos primeiros meses de vida
Segundo
Glauco Lima, as chamadas janelas sociais do cachorro iniciam por volta dos 21
dias de vida e seguem até aproximadamente quatro meses. Nesse período, o
filhote desenvolve experiências importantes relacionadas aos estímulos do
ambiente.
Por
isso, o treinamento costuma começar quando o cão tem cerca de 60 dias. Nessa
fase, o animal já entra em contato com o odor da pessoa que será acompanhada.
O
treinamento utiliza reforço positivo. O cachorro aprende a associar aquele
cheiro à alimentação, às brincadeiras e às recompensas. Aos poucos, ele passa a
procurar espontaneamente o odor que aprendeu a identificar.
Além
disso, o treinador realiza entrevistas com a família e conversa com a equipe
médica que acompanha a pessoa com diabetes. Essas informações ajudam a entender
em quais horários ocorrem as hipoglicemias, quais situações aumentam o risco e
como adaptar o treinamento à rotina do futuro tutor.
Fonte:
Um Diabético

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