sexta-feira, 3 de julho de 2026

Chocolate não é indicado para tratar hipoglicemia de quem tem diabetes; entenda o motivo

A primeira reação de muitas pessoas diante de uma hipoglicemia é oferecer um chocolate. No entanto, essa não é a melhor escolha para quem precisa elevar a glicose rapidamente. Segundo a endocrinologista e pesquisadora Denise Franco e a nutricionista e educadora em diabetes Tarcila Campos, o tratamento da hipoglicemia deve priorizar alimentos com açúcar de rápida absorção.

Durante participação no DiabetesCast, as especialistas explicaram que o objetivo do tratamento é fazer a glicose voltar ao nível seguro no menor tempo possível.

<><> Por que o chocolate não é indicado para tratar hipoglicemia?

Embora contenha açúcar, o chocolate também possui gordura. Nesse contexto, a gordura reduz a velocidade com que o açúcar chega à corrente sanguínea.

Segundo Tarcila Campos, o tratamento da hipoglicemia precisa utilizar carboidratos simples, sem a presença de outros nutrientes que retardem a absorção.

“O bombom pode fazer parte da alimentação da pessoa com diabetes, mas não é a melhor opção durante uma hipoglicemia”, explicou.

Por esse motivo, alimentos como chocolate, bolo, leite, queijo, ovos e até frutas inteiras não são considerados as alternativas mais indicadas para esse momento.

<><> Quais alimentos ajudam a corrigir a hipoglicemia?

As especialistas orientam priorizar fontes de açúcar simples, capazes de elevar a glicose com mais rapidez.

Entre as opções estão:

•        sachê de açúcar;

•        açúcar dissolvido em água;

•        balas comuns;

•        torrões de açúcar;

•        refrigerante comum;

•        suco de fruta.

Segundo Denise Franco, a recomendação para adultos costuma ser consumir cerca de 15 gramas de carboidrato de rápida absorção e aguardar aproximadamente 15 minutos para que esse açúcar chegue ao sangue. Nos sensores de glicose, essa resposta pode demorar um pouco mais para aparecer.

<><> Frutas e chocolate podem ser consumidos depois?

Sim. O problema não está no alimento em si, mas no momento em que ele é utilizado.

Tarcila Campos explica que frutas possuem fibras, enquanto chocolates e bombons contêm gordura. Esses componentes retardam a absorção do açúcar e, por isso, não ajudam quando a prioridade é corrigir uma hipoglicemia.

Por outro lado, esses alimentos podem fazer parte da alimentação habitual da pessoa com diabetes, desde que considerados no planejamento alimentar e, quando necessário, acompanhados do ajuste da insulina.

<><> Conhecer o tratamento evita complicações

Denise Franco reforça que episódios de hipoglicemia não devem ser considerados parte normal do tratamento do diabetes.

Além disso, pessoas que apresentam crises frequentes devem conversar com a equipe de saúde para avaliar possíveis ajustes na terapia. A médica destaca que entender como reconhecer e tratar a hipoglicemia faz parte do cuidado diário de quem utiliza insulina e também de algumas pessoas com diabetes tipo 2.

Segundo as especialistas, carregar uma fonte de açúcar de rápida absorção na bolsa, na mochila ou no carro pode facilitar o tratamento caso a glicose caia durante o dia.

•        Pré-diabetes: nutricionista dá 5 orientações que podem ajudar a reverter a condição

O pré-diabetes é uma condição que pode passar despercebida por anos, mas representa um risco importante para o desenvolvimento do diabetes tipo 2. Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), a reversão é possível em muitos casos quando o diagnóstico acontece cedo e a pessoa adota mudanças no estilo de vida. Além disso, hábitos relacionados à alimentação e à prática de atividade física podem contribuir para melhorar o controle da glicemia.

De acordo com o nutricionista especialista em diabetes Danilo Araújo, cinco mudanças simples na rotina podem ajudar quem recebeu o diagnóstico de pré-diabetes. No entanto, essas orientações devem fazer parte de um plano de tratamento acompanhado por profissionais de saúde.

<><> O que é pré-diabetes e por que ele merece atenção

O pré-diabetes acontece quando os níveis de glicose no sangue estão acima do considerado normal, mas ainda não atingem os valores que caracterizam o diabetes.

Segundo o coordenador do Departamento de Diabetes Tipo 2 e Pré-Diabetes da Sociedade Brasileira de Diabetes, Dr. Luciano Giacaglia, isso significa que o organismo já apresenta dificuldade para produzir insulina em quantidade suficiente para manter a glicose dentro dos parâmetros adequados. Portanto, o risco de evolução para o diabetes tipo 2 aumenta.

De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 50% das pessoas diagnosticadas com pré-diabetes desenvolvem diabetes tipo 2 em até dez anos.

Ainda assim, essa evolução não acontece obrigatoriamente. Segundo a SBD, a condição pode ser revertida com perda de peso, prática regular de atividade física, alimentação equilibrada e, quando necessário, uso de medicamentos prescritos pelo médico.

<><> O pré-diabetes costuma não apresentar sintomas

Um dos principais desafios é que o pré-diabetes geralmente não provoca sintomas. Nesse contexto, muitas pessoas descobrem a alteração apenas durante exames de rotina, como glicemia em jejum, hemoglobina glicada e teste oral de tolerância à glicose, também conhecido como curva glicêmica.

Segundo o Ministério da Saúde, esses exames devem ser realizados regularmente a partir dos 35 anos, principalmente em pessoas com fatores de risco, como excesso de peso, obesidade e histórico familiar de diabetes.

Para o Dr. Luciano Giacaglia, o diagnóstico precoce é fundamental porque aumenta as chances de iniciar o tratamento e reverter a condição.

Embora a maioria das pessoas não apresente sinais, algumas podem desenvolver alterações que também são observadas no diabetes. Entre elas estão doença da retina, perda de proteína na urina, sinais de neuropatia, como formigamento nas mãos e nos pés, além de fraqueza muscular.

<><> Quais sintomas indicam que o pré-diabetes pode ter evoluído para diabetes tipo 2

Enquanto o pré-diabetes costuma ser silencioso, o diabetes tipo 2 pode causar sintomas mais evidentes.

Entre os principais sinais estão:

•        aumento da sede;

•        aumento da fome;

•        vontade frequente de urinar;

•        fadiga;

•        visão turva;

•        dormência ou formigamento nas mãos e nos pés;

•        feridas que demoram para cicatrizar;

•        infecções frequentes;

•        perda de peso não intencional.

Diante desses sintomas, a orientação é procurar atendimento médico para investigação e confirmação do diagnóstico.

<><> Cinco orientações que podem ajudar a reverter o pré-diabetes

Segundo o nutricionista Danilo Araújo, algumas mudanças na alimentação e na rotina podem favorecer o controle da glicemia e contribuir para a reversão do pré-diabetes.

<><> 1. Consumir proteína em todas as refeições

O nutricionista recomenda incluir proteína na quantidade adequada em todas as refeições.

Segundo ele, muitas pessoas com pré-diabetes ingerem pouca proteína ao longo do dia. Portanto, ajustar esse consumo pode fazer parte da estratégia alimentar.

<><> 2. Praticar musculação para aumentar a massa muscular

Outra orientação é investir em exercícios de força, como a musculação.

De acordo com Danilo Araújo, os músculos funcionam como uma espécie de reservatório para a glicose. Assim, quanto maior a massa muscular, maior a capacidade do organismo de retirar glicose da corrente sanguínea durante o funcionamento dos músculos.

<><> 3. Dar atenção à ordem em que os alimentos são consumidos

Além da escolha dos alimentos, a sequência em que eles são consumidos também pode influenciar a resposta da glicemia.

Segundo o nutricionista, organizar essa ordem pode ajudar a reduzir os picos de glicose após as refeições.

<><> 4. Trocar o suco de laranja pela fruta inteira

Danilo Araújo orienta substituir o suco de laranja pelo consumo da fruta.

Segundo ele, essa troca faz parte de uma estratégia para melhorar o controle da glicemia durante as refeições.

<><> 5. Comer a fruta como sobremesa

Outra recomendação é deixar a fruta para o final da refeição.

O nutricionista explica que primeiro devem ser consumidos os alimentos da refeição, incluindo carboidratos, proteínas e gorduras. Depois disso, a fruta pode ser ingerida como sobremesa. Segundo ele, essa estratégia ajuda a diminuir o pico da glicemia após a alimentação.

<><> Mudanças no estilo de vida podem fazer diferença

Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e perda de peso representam os pilares para reverter o pré-diabetes.

Além disso, o acompanhamento médico continua sendo importante durante todo o processo. Em alguns casos, o profissional também pode indicar medicamentos para auxiliar no controle da glicemia e reduzir o risco de progressão para o diabetes tipo 2.

 

Fonte: Um Diabético

 

Nenhum comentário: