quarta-feira, 1 de julho de 2026

Feliciano enquadra Flávio Bolsonaro e pede explicações sobre dinheiro de Vorcaro

O pastor e deputado federal Marco Feliciano (PL-SP) cobrou, durante entrevista a um podcast, uma explicação de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Mário Frias (PL-SP) sobre o uso do dinheiro dado por Daniel Vorcaro, que está preso por fraude bancária, na produção de “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Para o deputado, não há ilegalidade no investimento feito por Daniel Vorcaro, mas o fato de o montante ter ido para um fundo localizado nos Estados Unidos, sendo que a produção é brasileira, levanta suspeitas. Por isso, Flávio e Mário Frias deveriam cumprir a promessa e apresentar as planilhas com os gastos do longa-metragem:

“Não há ilegalidade […] o que pegou foi que o filme foi todo rodado no Brasil, a produtora está aqui no Brasil, mas o dinheiro, parece, foi para um fundo nos EUA, pra depois voltar pra cá. Estão lastreando o dinheiro, parece que tem compra de casa, então é uma coisa muito mal explicada. Por isso, o Flávio e o Mário Frias deveriam fazer aquilo que eles prometeram: abrir as contas e explicar para o povo. Eles disseram que não tinha problema nenhum em fazer isso […] nós estamos esperando isso acontecer.”

<><> Sócio de empresa ligada à produtora de filme de Bolsonaro é integrante do PCC, diz MP

Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro, voltou ao centro da apuração sobre a rede de empresas ligada à sua produtora após o Ministério Público de São Paulo apontar Alex Leandro Bispo dos Santos, sócio da Favela Conectada Serviço e Tecnologia Ltda., como integrante do PCC. A empresa foi subcontratada pelo Instituto Conhecer Brasil, entidade presidida por Karina Ferreira da Gama, dona da Go Up Entertainment, produtora do longa bolsonarista.

Alex Leandro Bispo dos Santos está preso por feminicídio em São Paulo. A nova revelação amplia a pressão sobre o entorno de Dark Horse, que já aparece em apurações envolvendo contratos públicos, movimentação de recursos, suspeitas de lavagem de dinheiro e a produtora responsável pela cinebiografia de Bolsonaro.

O Instituto Conhecer Brasil firmou parceria com a Prefeitura de São Paulo no programa WiFi Livre SP, voltado à implantação de pontos de internet pública em comunidades da capital. A página oficial de convênios da Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia registra termo de colaboração com o Instituto Conhecer Brasil no âmbito do programa.

<><> Dark Horse, PCC e a subcontratada no WiFi Livre SP

A Favela Conectada, empresa de Alex Leandro Bispo dos Santos, foi subcontratada pelo Instituto Conhecer Brasil para atuar no projeto de wi-fi em favelas de São Paulo. O acordo previa até R$ 12 milhões para a implantação de 2.000 pontos de internet nas zonas oeste e sul da capital paulista.

Um extrato contratual aponta pagamento de R$ 2 milhões à Favela Conectada em 7 de julho de 2025. A Prefeitura de São Paulo afirma que não teve vínculo contratual direto com a empresa nem com Alex Leandro Bispo dos Santos, e que a relação jurídica do município ocorreu exclusivamente com o Instituto Conhecer Brasil.

A gestão municipal também afirma que a Favela Conectada não atua como parceira do Instituto Conhecer Brasil no Programa WiFi Livre SP desde dezembro de 2025. O instituto sustenta que a contratação da empresa foi feita diretamente pela entidade, sem indicação da Prefeitura de São Paulo ou da Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia.

<><> Alex Leandro Bispo dos Santos é citado pelo Ministério Público de SP

Alex Leandro Bispo dos Santos está preso pelo feminicídio de Maria Katiane Gomes da Silva, que morreu após cair do 10º andar de um prédio na zona sul de São Paulo. Para o Ministério Público de São Paulo, a morte foi homicídio, e não suicídio.

Santos aparece em mais de 60 registros processuais no Conselho Nacional de Justiça. A presença do nome nos processos não significa que ele seja réu em todos, mas parte dos procedimentos envolve acusações criminais, como roubo, extorsão mediante sequestro e feminicídio.

A defesa de Santos nega a acusação de ligação com o PCC e também nega o feminicídio. O advogado Eugênio Malavasi afirmou que “evidência não é prova” e declarou que o empresário nega “peremptoriamente” integrar facção criminosa. Sobre a morte de Maria Katiane, a defesa sustenta que Santos não jogou a companheira do prédio.

<><> Produtora de Dark Horse já era alvo de apurações

A nova frente reforça a centralidade de Dark Horse nas apurações sobre a produtora ligada ao projeto bolsonarista. A Fórum já mostrou o suposto elo entre o filme de Bolsonaro e o PCC a partir de investigações sobre a rede financeira ligada ao longa.

Em outro desdobramento, a Polícia Federal pediu a quebra de sigilo da produtora responsável por Dark Horse. A apuração mira a movimentação de recursos ligados à produção do filme e seus possíveis vínculos com outros investigados.

Karina Ferreira da Gama também aparece vinculada a contratos públicos por meio de empresas e entidades relacionadas ao ecossistema da Go Up Entertainment. A Fórum revelou que a produtora de Dark Horse aparece em contratos com 51 governos, em uma rede que passou a ser escrutinada depois de o filme entrar no centro das apurações.

Até aqui, os elementos disponíveis indicam que a Favela Conectada foi subcontratada pelo Instituto Conhecer Brasil no projeto WiFi Livre SP. Não há, no material analisado, registro de contrato direto entre a Prefeitura de São Paulo e a empresa de Alex Leandro Bispo dos Santos.

O ponto central da nova revelação é que a subcontratada da entidade ligada à produtora de Dark Horse tem como sócio um empresário que, segundo o Ministério

Público de São Paulo, integra o PCC e está preso por feminicídio.

•        PL e emendas de Eduardo Bolsonaro, Mário Frias e Pollon bancaram filme sobre “regimes comunistas” de pré-candidato

diretório nacional do PL, comandado por Valdemar Costa Neto, pagou R$ 600 mil do fundo partidário à ONG Passos da Liberdade entre janeiro e abril deste ano, em parcelas mensais de R$ 150 mil. A entidade, sediada em Porto Alegre e presidida pelo pré-candidato a deputado estadual Rodrigo Cassol Lima, está produzindo o documentário “Nós”, sobre regimes autoritários comunistas, financiado também com emendas parlamentares de figuras do bolsonarismo.

Além dos R$ 600 mil do fundo partidário do PL, o projeto recebeu R$ 860 mil em emendas parlamentares dos deputados Mario Frias (PL-SP), Marcos Pollon (PL-MS) e Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que perdeu o mandato em dezembro. As informações foram divulgadas pela Folha de S.Paulo nesta terça-feira (30).

Cassol Lima, presidente da ONG, é coprodutor e responsável jurídico da produção, reforçando a sobreposição entre a entidade, seu dirigente e o projeto cinematográfico financiado com recursos públicos.

A nota fiscal apresentada pelo partido justifica o gasto como “prestação de serviços de assessoria em comunicação e de produção audiovisual no Estado de Minas Gerais”.

A incongruência geográfica chama atenção: a ONG é gaúcha, seu presidente é pré-candidato a deputado estadual pelo PL no Rio Grande do Sul, e os serviços declarados teriam sido prestados em Minas Gerais.

Cassol Lima, que preside a Passos da Liberdade, acumula ainda as funções de coprodutor e responsável jurídico do documentário que a entidade está produzindo, o que estreita ainda mais o vínculo entre o repasse partidário e a produção audiovisual em curso.

<><> O filme “Nós” e seu financiamento

A ONG Passos da Liberdade está produzindo o documentário “Nós”, anteriormente intitulado “Genocidas”, com foco em “regimes autoritários comunistas” na Europa após a Segunda Guerra Mundial. O filme fez gravações na Polônia, Alemanha, República Tcheca e Hungria, e tem estreia marcada para 15 de julho, em Brasília, no Cine Brasília, com lideranças da direita convidadas para o evento.

A Passos da Liberdade foi criada em 2023 e se registra formalmente como uma associação “de defesa de direitos sociais”, mas seu perfil é declaradamente conservador. O diretor do documentário, Gustavo Lopes, percorreu postos centrais do governo Jair Bolsonaro: chefiou a comunicação do Ministério do Trabalho e Previdência, depois a da Casa Civil, e encerrou o período como secretário nacional de Audiovisual em 2022.

Fora do governo, consolidou sua atuação no campo da direita cultural com os livros “Guerra Cultural” (2023) e “Liberdade Ameaçada” (2025), este último escrito em parceria com o deputado Marcos Pollon, um dos signatários das emendas ao próprio filme que Lopes dirige.

O corroteirista do documentário, Doriel Francisco, é dono da Dori Filmes, produtora responsável por “A Colisão dos Destinos”, lançado em maio, que narra a trajetória de Bolsonaro desde a infância até a Presidência. A equipe criativa de “Nós” reúne, portanto, figuras com trajetória direta no aparato de comunicação do governo anterior e na produção de conteúdo alinhado à direita bolsonarista, tudo financiado por parlamentares do mesmo campo político.

<><> Posicionamento da ONG e implicações

Procurada, a Passos da Liberdade confirmou o contrato com o PL para “prestação de serviços de comunicação institucional, com entrega de produto audiovisual”. A entidade afirmou que a contratação “não se confunde com pré-campanha, campanha eleitoral, propaganda eleitoral ou promoção pessoal de qualquer dirigente” e que Rodrigo Cassol Lima não recebe remuneração pelo cargo.

A ONG também negou qualquer ligação com projetos do Ministério da Cultura e com o filme “Dark Horse”, que gerou crise na pré-campanha do PL à Presidência, classificando as iniciativas como “distintas”.

“A contratação tem natureza institucional e não se confunde com pré-campanha, campanha eleitoral, propaganda eleitoral ou promoção pessoal de qualquer dirigente da entidade.”

O que a ONG não explicou é o conteúdo concreto dos serviços prestados: a entidade invocou uma “cláusula de confidencialidade” para não detalhar o objeto do contrato.

A combinação de R$ 600 mil em fundo partidário com R$ 860 mil em emendas parlamentares, canalizados para uma ONG cujo presidente é pré-candidato do mesmo partido e coprodutor do filme financiado, coloca em evidência como recursos públicos podem ser mobilizados para a produção de conteúdo ideológico sem que os mecanismos formais de prestação de contas tornem transparente o que, de fato, foi entregue.

 

Fonte: Brasil 247

 

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