Marandi:
Trump perdeu a guerra contra o Irã e tenta vender derrota como vitória
O
professor Seyed Mohammad Marandi, da Universidade de Teerã e ex-assessor da
equipe iraniana nas negociações nucleares, afirmou que o atual presidente dos
Estados Unidos, Donald Trump, foi obrigado a recuar diante do Irã e agora tenta
apresentar uma derrota estratégica como se fosse uma vitória política.
Em
entrevista ao jornalista Glenn Diesen, publicada no YouTube, Marandi avaliou
que o memorando de entendimento firmado após a guerra representa um avanço para
Teerã, embora ainda seja frágil e cercado de disputas. Segundo ele, os Estados
Unidos partiram da exigência de “rendição incondicional” e terminaram aceitando
negociar com base em uma proposta iraniana.
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“A guerra foi um erro catastrófico”
Marandi
sustentou que a guerra foi um divisor de águas no cenário internacional. “A
guerra em si foi um erro catastrófico e uma grande vitória para o Irã, uma
vitória-chave, um ponto de virada no mundo em que vivemos hoje”, afirmou.
Segundo
ele, a situação dos Estados Unidos piorou depois do conflito, especialmente
após o fracasso do cessar-fogo e o cerco norte-americano aos portos iranianos.
“Perder a guerra foi uma coisa, mas derrubar a economia é outra”, disse.
Para o
professor, Washington acreditava que conseguiria “estrangular o Irã, fazer o
povo iraniano passar fome, colocá-lo de joelhos” e, ao mesmo tempo, impedir que
os norte-americanos sentissem o impacto dos preços da energia. “Mas isso não
aconteceu. O Irã não cedeu. O Irã permaneceu muito firme e os americanos
cederam”, declarou.
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Estreito de Hormuz virou instrumento de pressão
Marandi
afirmou que o Irã manteve o controle sobre a passagem pelo Estreito de Hormuz
como forma de pressão contra países que, segundo ele, ajudaram os Estados
Unidos na guerra.
“O
Estreito de Hormuz continuou fechado para os países que ajudaram os Estados
Unidos na guerra. Nunca esteve fechado para todos”, disse. Ele citou Arábia
Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Bahrein e Catar como países afetados
pela medida.
O
professor afirmou que, nos últimos dias, a passagem voltou a operar
parcialmente, mas ainda com tráfego limitado. Segundo ele, o Irã tem interesse
em preservar sua capacidade de pressão durante as negociações.
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Memorando divide o Irã, mas fortalece posição de Teerã
Marandi
reconheceu que o memorando de entendimento gera controvérsia dentro do Irã.
“Algumas pessoas são contra, outras são a favor”, afirmou. Segundo ele, o líder
iraniano permitiu a aprovação do texto pelo Conselho Supremo de Segurança
Nacional, embora não estivesse plenamente satisfeito com todos os seus termos.
Para
Marandi, essa postura foi uma mensagem aos Estados Unidos. “Ele estava enviando
uma mensagem aos americanos de que seus negociadores não serão flexíveis. Eles
já concederam o máximo que será concedido”, disse.
O
professor resumiu a posição iraniana da seguinte forma: “Ou o cumprimento do
acordo, ou nada”.
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Sanções, petróleo e ativos iranianos
Segundo
Marandi, os Estados Unidos já começaram a cumprir partes do memorando. Ele
afirmou que Washington suspendeu o cerco, retirou sanções sobre exportações de
petróleo e energia do Irã e deu início ao mecanismo para liberar ativos
iranianos bloqueados.
Ele
também rejeitou a versão de que o Irã teria sido obrigado a comprar produtos
agrícolas dos Estados Unidos. “Os americanos dizem que o Irã tem que comprar
bens agrícolas dos EUA, mas isso não é verdade”, afirmou.
Marandi
disse ainda que o Irã não aceitou o retorno de inspetores da Agência
Internacional de Energia Atômica com um novo mandato aos locais bombardeados.
Segundo ele, as declarações de Trump e de integrantes de seu governo servem
principalmente ao consumo interno.
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Crise energética pressiona Trump
Na
avaliação de Marandi, Trump precisa do acordo para evitar uma crise econômica
ainda mais grave. Ele citou declarações do próprio presidente dos Estados
Unidos sobre a escassez de reservas de combustível.
“Ele
disse: ‘Temos apenas mais quatro semanas de reservas’”, afirmou Marandi,
acrescentando que a admissão surpreendeu até aliados de Trump. Para o
professor, se o conflito for retomado, o impacto poderá ser devastador. “Se o
conflito for renovado, acho que uma depressão econômica global pior que a dos
anos 1930 estará assegurada”, disse.
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Israel e Netanyahu são apontados como sabotadores
Marandi
acusou Benjamin Netanyahu de tentar destruir qualquer entendimento. Segundo
ele, o primeiro-ministro israelense sabotou o cessar-fogo ao bombardear o
Líbano.
“Netanyahu,
sozinho, e depois Trump, com o cerco aos portos iranianos, tornaram as coisas
muito piores para eles”, afirmou.
O
professor também disse que Israel continua tentando inviabilizar o acordo.
“Netanyahu fará tudo o que for possível para destruir o acordo”, declarou.
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Críticas a Israel crescem nos Estados Unidos
Marandi
avaliou que a relação entre Estados Unidos e Israel passa por uma mudança
importante. Segundo ele, a guerra em Gaza, os ataques ao Líbano e a crise
regional ampliaram a rejeição internacional ao governo israelense.
“Vimos
essa hostilidade crescente contra o regime e contra o sionismo em todo o mundo
desde 7 de outubro”, afirmou.
Ele
também destacou que figuras públicas norte-americanas passaram a criticar
Israel de forma mais aberta. “Essas críticas a esse regime israelense, que
antes eram impossíveis de ver entre as elites, são algo muito importante”,
disse.
Ainda
assim, Marandi alertou que o lobby pró-Israel continua poderoso. “Eu nunca
subestimaria o poder do sionismo e como ele pode capturar pessoas e forçá-las a
fazer sua vontade”, afirmou.
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“O caminho à frente não parece bom para Israel”
Para o
professor, Israel enfrenta um cenário de crescente isolamento político e moral.
“O caminho à frente não parece bom para o sionismo. O caminho à frente não
parece bom para o regime israelense”, disse.
Marandi
afirmou que a sustentação de Israel depende do apoio político, econômico e
militar do Ocidente, mas esse apoio estaria se tornando mais escasso. “Vejo o
colapso do império acontecendo diante dos nossos olhos”, declarou.
No
encerramento, ele afirmou que os Estados Unidos e Israel estão presos em um
dilema. “Se cumprirem o acordo, é uma má notícia para Israel. Se destruírem o
acordo, também é uma notícia muito ruim para o regime israelense”, disse.
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Vitória do Irã sobre os EUA marca ponto de inflexão
global, afirma Mohammad Marandi
O
intelectual iraniano Mohammad Marandi afirmou que a vitória do Irã sobre os
Estados Unidos representa “um ponto de inflexão na história do mundo” e disse
que Washington foi obrigado a buscar um acordo após perder o conflito militar
de 39 dias. Em entrevista exclusiva
ao jornalista Marco Fernandes, do Brasil de Fato, Marandi avaliou que o
chamado Memorando de Islamabad consolida uma derrota histórica dos EUA e de
Israel diante da resistência iraniana.
Segundo
Marandi, o acordo é “obviamente uma vitória para o Irã”, pois prevê a devolução
de ativos iranianos, o levantamento de sanções sobre petróleo e energia, o fim
do cerco ao Estreito de Ormuz e a interrupção dos ataques israelenses no
Líbano. Para ele, no entanto, a implementação do entendimento permanece incerta
enquanto Israel mantiver suas ações militares. “Neste momento, o regime
israelense está massacrando famílias, crianças e mulheres, todos os dias. E
enquanto isso acontecer e o regime israelense não recuar, não haverá
implementação do acordo”, afirmou.
O
memorando foi assinado à distância pelos presidentes Donald Trump, atual
presidente dos Estados Unidos, e Masoud Pezeshkian, do Irã. As partes teriam
concordado em abrir um prazo de 60 dias para negociações sobre os termos de
implementação. A viagem das delegações à Suíça, prevista para esta sexta-feira,
não ocorreu, em meio às dúvidas sobre a viabilidade política do acordo e à
continuidade dos bombardeios israelenses no Líbano.
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“Os Estados Unidos perderam a guerra”
Marandi
foi categórico ao afirmar que o conflito representou uma derrota militar para
Washington e seus aliados. “Os Estados Unidos perderam a guerra.
Perderam o conflito militar. Após 39 dias de combates, os iranianos saíram
vitoriosos. Não foi apenas que o Irã sobreviveu. O Irã derrotou a coalizão”,
disse.
Segundo
ele, essa coalizão incluía “os Estados Unidos, o regime israelense, a
Jordânia, a Arábia Saudita, o Bahrein, o Kuwait, o Catar e os Emirados Árabes
Unidos”, além do apoio do Ocidente e dos países da OTAN. Na avaliação do
intelectual iraniano, a guerra naval aberta pelos EUA se transformou em uma
“faca de dois gumes” e colocou em risco a própria economia global.
“Como
resultado, os Estados Unidos estão destruindo a economia global, e os iranianos
resistiram mais do que eles. Portanto, agora os Estados Unidos precisam de um
acordo. E o acordo não é ruim. É um bom acordo, mas os Estados Unidos não estão
preparados para implementá-lo. E se não o implementarem, o Irã não cumprirá
seus compromissos”,
declarou.
O ponto
central da avaliação de Marandi é que o Irã não apenas resistiu ao maior
aparato militar da história, mas saiu do conflito com maior capacidade de
influência regional e global. O país passou a reivindicar, segundo essa
leitura, uma posição de potência dominante na Ásia Ocidental e de ator decisivo
no controle do Estreito de Ormuz, principal gargalo energético do planeta.
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Acordo prevê sanções, ativos e Estreito de Ormuz
O
Memorando de Entendimento de 14 pontos prevê, segundo Marandi, medidas
favoráveis ao Irã em áreas estratégicas. Entre elas estão o fim de sanções, a
devolução de ativos, a normalização das exportações de petróleo e energia, o
desbloqueio de Ormuz e compromissos relacionados ao programa nuclear iraniano.
“O
acordo, o Memorando de Entendimento (MOU), obviamente é uma vitória para o Irã,
porque os Estados Unidos afirmam que devolverão os ativos roubados do Irã.
Levantarão as sanções sobre as exportações de petróleo e energia iranianas.
Levantarão o cerco ao Estreito de Ormuz. E porão fim ao genocídio no Líbano,
entre outras coisas”,
afirmou.
Marandi
rejeitou a interpretação de que a reabertura do Estreito de Ormuz seria uma
grande concessão iraniana. Segundo ele, o estreito já estava aberto antes da
guerra e a crise atual foi provocada pelos próprios Estados Unidos e por
Israel.
“A
abertura do Estreito de Ormuz não é uma concessão. Ele já estava aberto antes
da guerra. Foram os americanos que fizeram com que a situação chegasse ao ponto
em que se encontra hoje. E foram os americanos e os israelenses que causaram
essa crise global”,
disse.
O
intelectual também afirmou que, mesmo se houver implementação do acordo, a
situação de Ormuz não voltará ao modelo anterior. Segundo ele, o Irã pretende
cobrar taxas pela passagem de embarcações e impedir que os EUA utilizem o
estreito para militarizar o Golfo Pérsico.
“Após
os 60 dias, se é que chegaremos a esse ponto, o Irã cobrará taxas. O Irã
controla o Estreito de Ormuz e cobrará taxas de seguro, de proteção ambiental e
de proteção dos próprios navios. Portanto, isso é algo que os iranianos
decidiram fazer, e eles controlarão esse comércio”, afirmou.
Marandi
acrescentou: “No futuro, não permitirão que navios da Marinha americana
entrem no Golfo Pérsico para criar outro ambiente propício à agressão contra o
Irã. Portanto, a situação do comércio no Estreito de Ormuz não vai voltar a ser
como era antes. O comércio continuará, mas haverá uma taxa para cada navio e
não haverá nenhuma oportunidade para os Estados Unidos usarem o Estreito para
militarizar o Golfo Pérsico”.
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Programa nuclear e urânio enriquecido seguem no centro das negociações
Um dos
temas mais sensíveis do memorando é o programa nuclear iraniano. O acordo trata
dos 430 kg de urânio enriquecido a 60%, nível próximo ao necessário para a
produção de uma bomba nuclear. Pelos termos mencionados na entrevista, esse
material seria diluído domesticamente sob supervisão rigorosa da Agência
Internacional de Energia Atômica, em vez de ser enviado a outros países.
A
solução é interpretada como mais uma vitória de Teerã, pois preserva a
soberania iraniana sobre o processo e evita a transferência do material para
fora do país. Ainda assim, as negociações previstas para os próximos 60 dias
terão de definir os mecanismos concretos de verificação e implementação.
Marandi
insistiu que, sem o cumprimento da parte norte-americana, o Irã não aceitará
executar seus compromissos. Para ele, a continuidade dos ataques israelenses ao
Líbano é o principal obstáculo imediato ao avanço do memorando.
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Israel, Líbano e a pressão sobre Trump
Questionado
sobre a possibilidade de Israel sabotar o acordo, Marandi afirmou que, até
agora, não há sinais de que os Estados Unidos estejam dispostos a forçar o
governo israelense a interromper os ataques ao Líbano.
“Até
agora, não há sinais de que os americanos vão fazer algo para forçar os
israelenses a interromper os ataques genocidas contra o povo libanês e os
civis”,
afirmou.
Ele
relatou ainda um episódio pessoal para ilustrar a gravidade dos
bombardeios: “Na verdade, o sogro de um amigo meu, que era
pós-doutorando na Universidade de Pequim, foi assassinado esta manhã nos
ataques aéreos israelenses. Ele estava em sua casa e, junto com outros civis,
ficou preso sob os escombros. Todos morreram”.
Marandi
disse que Washington tem condições de conter Israel quando quiser, mas acusou
os EUA de sustentarem militar e politicamente as ações israelenses. “Mas
os americanos, hipoteticamente ou teoricamente falando, é claro que podem
impedir os israelenses sempre que quiserem. O regime israelense é totalmente
dependente dos Estados Unidos”, declarou.
Segundo
ele, há uma divergência crescente entre os interesses de Trump e os de Israel.
O governo israelense, afirmou, não se preocupa com os impactos da guerra sobre
a economia global, enquanto o presidente norte-americano depende da
estabilidade econômica dos EUA.
“O
regime israelense não se importa com a economia global. Ele não se importa se
ela entrar em colapso. E Trump, é claro, tem seu destino dependente de que a
economia dos EUA não entre em colapso. Portanto, as palavras duras de Vance e
de Trump não significam nada para o Irã. No fim das contas, a única coisa que
importa para o Irã é que os Estados Unidos cumpram sua parte do acordo. Caso
contrário, o Irã não cumprirá a sua parte do acordo”, afirmou.
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Sul Global, BRICS e o declínio do Ocidente
Na
entrevista, Marandi também situou a vitória iraniana em um cenário mais amplo
de transformação da ordem mundial. Para ele, o Ocidente perde capacidade de
impor sua vontade, enquanto o Sul Global avança política e economicamente.
“Bem,
o Ocidente está perdendo seu status globalmente e está em declínio. E sua
capacidade de conter o Irã está diminuindo rapidamente”, afirmou.
Segundo
o intelectual, o Irã venceu em três frentes: no campo de batalha, na guerra de
cerco econômico e na mesa de negociações. Para ele, esse processo demonstra que
Estados Unidos e Europa já não ocupam a mesma posição de força que tiveram no
passado.
“E
isso, creio eu, são todos sinais de que os Estados Unidos e os europeus,
especialmente os europeus, não estão mais realmente em uma posição forte para
impor sua vontade a outras nações. Eles estão em declínio, enquanto o Sul
Global está em ascensão”, disse.
Marandi
citou o artigo de Robert Kagan na revista The Atlantic para reforçar a dimensão
histórica do episódio. “A vitória do Irã foi, como Robert Kagan, o
padrinho dos neoconservadores, apontou em seu artigo na revista The Atlantic:
trata-se da maior catástrofe para os Estados Unidos em toda a sua história.
Esse foi um ponto de inflexão na história do mundo”, afirmou.
Para
ele, o futuro do Irã não está no Ocidente, mas na aproximação com a chamada
Maioria Global. “Assim, o Irã intensificará sua cooperação com os
países do Sul Global, os países do BRICS e os membros da Organização de
Cooperação de Xangai, e seu controle sobre o estreito de Ormuz aumentará sua
capacidade de crescer economicamente e de exercer influência regional e global
mais do que nunca”, declarou.
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Relações com Rússia e China
Apesar
da parceria estratégica do Irã com Moscou e Pequim, Marandi afirmou não
acreditar que Rússia e China tenham desempenhado papel decisivo na construção
do entendimento com Washington. Ainda assim, disse que os laços de Teerã com
esses dois países continuarão se fortalecendo.
“Não
creio que Moscou ou a China tenham desempenhado um papel significativo nesse
processo de acordo. Mas a relação entre o Irã e a Rússia, e entre o Irã e a
China, está obviamente evoluindo e se fortalecendo. E por razões óbvias: tanto
porque são parceiros naturais, quanto devido ao antagonismo do Ocidente em
relação a todos eles”,
disse.
Para
Marandi, o memorando não representa uma reorientação iraniana em direção ao
Ocidente. Ao contrário, consolida a ancoragem do país no eixo euro-asiático e
no Sul Global.
“Mas
o atual acordo do Irã com os Estados Unidos — ou, para ser mais preciso, o
Memorando de Entendimento (MOU) com os Estados Unidos — não afasta o Irã de
seus amigos e parceiros próximos na maioria global. Na verdade, não vejo a
relação do Irã com o Ocidente melhorando nem um pouco. Os Estados Unidos são
simplesmente incapazes de se comportar como um país normal, e os europeus são
um bando sem esperança, que está se tornando cada vez mais irrelevante.
Portanto, o futuro do Irã não está no Ocidente, mas na Maioria global”, afirmou.
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Investimentos e reconstrução econômica
Outro
ponto tratado na entrevista foi a previsão de US$ 300 bilhões em investimentos
para a reconstrução do Irã e o fortalecimento de sua economia. Marandi explicou
que não se trata de uma transferência direta de recursos ao governo iraniano,
mas de um mecanismo para impedir que os EUA bloqueiem investimentos
estrangeiros no país.
“Os
300 bilhões de dólares são basicamente uma forma de contornar o regime de
sanções, hipoteticamente, porque os Estados Unidos não podem bloquear
investimentos. Não se trata de dinheiro que será transferido ou entregue
diretamente ao Irã. Mas significa que, se investidores estrangeiros investirem,
supondo que haja um acordo, os Estados Unidos não poderão impedir o
investimento”,
afirmou.
Sobre
os ativos iranianos congelados, ele disse ter a compreensão de que o país está
recebendo os valores, embora ainda não tenha confirmação definitiva. “Com
relação aos ativos iranianos, entendo que o Irã está recebendo esse dinheiro.
Mas não tenho confirmação definitiva. Contudo, parece estar acontecendo”,
declarou.
Fonte:
Brasil 247

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