Senadora
reage à misoginia de Paulo Figueiredo: “defeca pela boca”
Soraya
Thronicke (PSB-MS) reagiu na noite desta segunda-feira (29) aos ataques
misóginos de Paulo Figueiredo, aliado do clã Bolsonaro que vive nos Estados
Unidos, depois de o bolsonarista afirmar que mulheres “votam muito mal” e
repetir a declaração nas redes sociais.
A
senadora disse que oficiou a Procuradoria-Geral da República para pedir
providências contra Figueiredo e enquadrou o caso como violência política de
gênero. Na publicação, Soraya chamou o bolsonarista de “covarde” e “acéfalo” e
afirmou que ele, “lá dos EUA”, resolveu “defecar pela boca”.
“Este
traidor da pátria, foragido da justiça brasileira, covarde, parvo, néscio,
limítrofe, lerdo, acéfalo, não amado, medroso, inseguro, complexado por não
conseguir ser ninguém além de neto de um ditador, resolve, lá dos EUA, defecar
pela boca.”
Depois
da resposta de Soraya, Figueiredo voltou ao X e chamou a senadora de “Soraya
Trambique”. Ele também afirmou que a reação da esquerda seria “censura e
perseguição criminal” e disse que a parlamentar seria “aposentada por eleitores
de ambos os sexos” em outubro.
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Paulo Figueiredo repetiu ataque contra voto das mulheres
A crise
começou após vir à tona uma fala de Figueiredo em vídeo no YouTube na qual ele atacou Michelle Bolsonaro e
classificou o voto feminino como ruim. O bolsonarista afirmou que “mulher vota
estatisticamente muito mal”, com foco especial em mulheres solteiras.
No
trecho que passou a circular nas redes, Figueiredo disse que “mulheres casadas,
em geral, tendem a acompanhar o voto do marido” e que mulheres solteiras “não”.
Em seguida, reagiu às críticas com uma frase de baixo calão contra quem se
incomodasse com a declaração.
Horas
depois, em vez de recuar, o aliado bolsonarista publicou apenas: “Reitero.” A
postagem ampliou a crise e transformou a fala em novo foco de desgaste para o
entorno de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato da extrema direita à
Presidência.
Figueiredo
ainda publicou uma arte com a frase “Mulher vota mal para caralho. Mude a minha
opinião”, segundo registros que circularam nas redes e foram citados pela
imprensa. A insistência no ataque fez Soraya levar o caso para o campo
institucional.
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Soraya Thronicke cobra ação da PGR contra misoginia
Na
publicação, Soraya afirmou que ataques desse tipo não atingem apenas uma mulher
individualmente, mas todas as mulheres que participam da política e do processo
eleitoral. A senadora escreveu que “se mexeu com uma, mexeu com todas”.
A Lei
nº 14.192/2021 estabelece normas para prevenir, reprimir e combater a violência
política contra a mulher. A legislação trata de condutas que buscam impedir,
dificultar ou restringir direitos políticos de mulheres, inclusive no exercício
de mandato eletivo.
Soraya
também pediu que Figueiredo seja proibido de se comunicar publicamente por
redes sociais e outros meios. A parlamentar sustentou que a conduta deve gerar
ação penal e cobrou atuação rápida da PGR.
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Flávio Bolsonaro entra na crise do eleitorado feminino
O
ataque de Paulo Figueiredo ocorre no momento em que Flávio Bolsonaro tenta
reorganizar a própria pré-campanha em meio à guerra interna no bolsonarismo.
Como mostrou a Fórum, o racha no clã Bolsonaro expõe disputa por sucessão,
palanques e controle da extrema direita.
A crise
ganhou força após Michelle Bolsonaro criticar Flávio e ampliar o desgaste
público com os enteados. A Fórum também mostrou que Michelle deixou de seguir
Carlos e Eduardo Bolsonaro nas redes, em mais um sinal da ruptura no núcleo
familiar e político do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em
outra postagem, Figueiredo reagiu a uma análise do Estadão que apontava o
silêncio de Flávio diante do ataque ao voto feminino. O bolsonarista escreveu
que é “amigo do Flávio” e que suas opiniões são dele, não do senador.
O
problema eleitoral é direto. Mulheres são maioria no eleitorado brasileiro. A
página de estatísticas do eleitorado do Tribunal Superior Eleitoral reúne os
dados oficiais extraídos do Cadastro Nacional de Eleitores, e levantamentos com
base nesses registros apontam que o eleitorado feminino passa de 52% dos
votantes em 2026.
É nesse
cenário que o ataque de Figueiredo atinge um ponto sensível para a direita. A
fala mira justamente o grupo que pode decidir a eleição presidencial e expõe a
contradição de uma pré-campanha que tenta se aproximar de mulheres enquanto um
de seus aliados normaliza o desprezo ao voto feminino.
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Valdemar admite peso de Michelle e Figueiredo ironiza
Figueiredo
também reagiu a uma publicação do Portal Claudio Dantas atribuída a Valdemar
Costa Neto, presidente nacional do PL. Na mensagem reproduzida pelo
bolsonarista, Valdemar teria afirmado que, “se perdermos a Michelle, a eleição
vai ficar muito difícil”.
Ao
comentar a frase, Figueiredo ironizou o peso político da ex-primeira-dama e
escreveu: “Como se pode perder o que não se tem?” Em seguida, questionou como a
eleição ficaria “mais difícil” se Michelle “já está abertamente fazendo vídeo
contra o candidato”.
A
sequência de publicações mostra que o ataque misógino saiu do terreno de uma
fala isolada e passou a compor a disputa interna do bolsonarismo. De um lado,
Michelle Bolsonaro e Damares Alves aparecem como lideranças femininas
relevantes da direita. De outro, aliados de Flávio tentam reduzir o peso
político delas no momento em que a campanha precisa disputar o voto das
mulheres.
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Paulo Figueiredo já responde a caso ligado a Eduardo Bolsonaro
O
episódio também recoloca Paulo Figueiredo no centro do radar institucional. Em
junho, o Ministério Público Federal informou que Figueiredo também foi
denunciado no caso de coação no curso do processo que envolve Eduardo
Bolsonaro, embora a ação penal contra ele tenha sido desmembrada e siga em
curso próprio.
A Fórum
já mostrou que Paulo Figueiredo virou alvo da Polícia Federal no inquérito que
apurou a atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos contra autoridades
brasileiras.
Agora,
a reação de Soraya Thronicke abre uma nova frente contra o bolsonarista. A
senadora quer que a PGR trate o ataque ao voto feminino como violência política
de gênero. Figueiredo, por sua vez, dobrou a aposta, atacou a parlamentar e
tentou enquadrar a resposta institucional como censura.
• Michelle manda recado a Flávio Bolsonaro
e levará ameaça a encontro com Costa Neto
m meio
a uma série de recados cifrados nas redes sociais aos enteados, Michelle
Bolsonaro (PL) deve levar uma ameaça ao encontro marcado para a tarde desta
terça-feira (30) com Valdemar da Costa Neto, presidente do PL, que busca uma
saída para a crise instalada após o vídeo-bomba da madrasta contra Flávio
Bolsonaro (PL-RJ).
Atacada
pela milícia digital comandada por Eduardo Bolsonaro (PL-SP) dos EUA, Michelle
não deve recuar e dá mostras em publicações nas redes sociais.
Nesta
segunda-feira (29), a ex-primeira-dama voltou a usar um salmo bíblico para dar
recado a Flávio e aos irmãos.
“Aquele
que é limpo de mãos e puro de coração, que não entrega a sua alma à vaidade,
nem jura enganosamente. Este receberá a benção do Senhor e a justiça do Deus da
sua salvação”, diz o texto, volta a tocar nas “mentiras” propagadas pelo grupo
de Flávio Bolsonaro.
Na
sequência, Michelle compartilhou um vídeo em que o ex-governandor fluminense
Anthony Garotinho diz estar de posse do vídeo da festa chamada “noite das
astronautas”, que teria sido organizada por Daniel Vorcaro para políticos e
autoridades em Trancoso, na Bahia.
“A
verdade de Jesus Cristo vai prevalecer”, escreveu Michelle, insinuando que as
imagens feitas pelo banqueiro Daniel Vorcaro podem revelar outras nuances da
relação com o enteado.
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Ameaça
Na
reunião com Costa Neto, Michelle vai jogar pesado com o eleitorado feminino e
evangélico que conquistou e fará uma ameaça: pode deixar a candidatura ao
Senado e à política se Flávio Bolsonaro e os enteados não recuarem.
A
informação aumenta o desespero no núcleo da campanha de Flávio Bolsonaro, que
já antevê um estrago ainda maior caso Michelle desista da candidatura.
Além da
pecha de machista e autoritário, comprovada por aliados próximos como Paulo
Figueiredo e o ex-assessor Felipe Pedri, Flávio Bolsonaro ainda teme que a
madrasta saia de cena e passe a operar nos bastidores.
A
preocupação é que a ex-primeira-dama pode minar toda a estrutura criada por
ela, colocando os diretórios e lideranças do PL Mulher para trabalhar contra a
candidatura do enteado.
Outra
preocupação é com a relação de Michelle com o ministro André Mendonça, relator
do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF).
Mendonça
vem blindando Flávio e seu grupo político nas decisões sobre as investigações
da Polícia Federal. No entanto, o ministro se torna suscetível aos desejos de
Michelle, uma das principais fiadoras de sua indicação ao Supremo, a quem deve
devoção.
• Em meio à briga com Flávio, Michelle
posta vídeo sobre “festa das astronautas” de Vorcaro: “A verdade vai aparecer”
ex-primeira-dama
Michelle Bolsonaro compartilhou em suas redes sociais, nesta segunda-feira
(29), um vídeo do ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho sobre a
chamada “Noite das Astronautas”, festa atribuída a Daniel Vorcaro,
ex-controlador do Banco Master.
A
publicação foi feita em meio à crise pública entre Michelle e o senador Flávio
Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência da República, e passou a ser
lida nos bastidores do bolsonarismo como um recado ao filho “01” de Jair
Bolsonaro e a outros nomes da direita que vêm promovendo ataques contra ela.
Ao
compartilhar o trecho, Michelle escreveu: “A verdade de Jesus Cristo vai
prevalecer”.
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O vídeo de Garotinho e a “Noite das Astronautas”
No
vídeo compartilhado por Michelle, Anthony Garotinho afirma ter tido acesso a
uma gravação da chamada “Noite das Astronautas”, festa atribuída a Daniel
Vorcaro.
Segundo
o ex-governador, o material mostraria deputados, senadores e governadores em
situação de nudez. Garotinho não exibiu a íntegra do vídeo nem identificou os
supostos participantes. A reportagem não teve acesso à gravação completa e
trata as presenças citadas como alegação do ex-governador.
No
trecho, Garotinho afirma que viu a gravação e descreve mulheres usando
capacetes de astronauta. Segundo ele, o material mostraria “deputados,
senadores, governadores” e “homens que defendem a família” na festa.
O
ex-governador também disse que as mulheres não seriam brasileiras e que teriam
sido levadas ao evento para não entender as conversas em português.
“Esse
Vorcaro é 171 qualificado”, afirmou Garotinho no vídeo.
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Compartilhamento ocorre após ataques a Michelle
O gesto
de Michelle ganhou peso político porque ocorre logo após a ex-primeira-dama
romper publicamente com Flávio Bolsonaro e denunciar ter sido humilhada e
desrespeitada pelo senador durante uma conversa telefônica.
Em
vídeo publicado nas redes sociais, Michelle afirmou que Flávio foi “ríspido”, a
tratou mal e tentou afastá-la das decisões do PL.
“Ele
retornou a ligação. Mas, sinceramente, para dizer o que me disse, teria sido
melhor que não tivesse ligado. Foi muito ríspido, me desrespeitou e me tratou
mal ao telefone. E eu não tinha feito nada contra ele”, disse Michelle.
Segundo
ela, Flávio afirmou que seria melhor que ela ficasse fora das decisões do
partido e disse que a ex-primeira-dama “havia chegado ontem” e “não entendia
nada de política”.
“Diante
dessa humilhação, respondi que tudo bem”, afirmou Michelle.
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“Textos muito parecidos”
No
vídeo em que rebateu Flávio, Michelle também acusou os filhos de Jair Bolsonaro
de agirem de forma coordenada contra ela.
“Os
irmãos se uniram, de forma coordenada, com textos muito parecidos entre si.
Parecia combinado, premeditado”, afirmou.
A fala
expôs uma fratura interna no bolsonarismo, justamente no momento em que Flávio
tenta se consolidar como nome da direita para a disputa presidencial.
Michelle,
por sua vez, usou sua atuação no PL Mulher para rebater a acusação de que não
teria experiência política. Ela afirmou ter viajado o Brasil, montado
diretorias nos 27 estados e no Distrito Federal e ajudado a eleger 1.005
mulheres em 2024.
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Banco Master, Vorcaro e a pressão política
A fala
de Garotinho também reacende a pressão sobre a rede de relações de Daniel
Vorcaro com autoridades e políticos.
A Fórum
mostrou que uma planilha apreendida pela Polícia Federal no celular de Vorcaro
apontava gastos de R$ 11,9 milhões em eventos com políticos em Nova York,
incluindo a rubrica “Noite das Astronautas”, além de degustações de uísques e
charutos.
Vorcaro
é ex-controlador do Banco Master, cuja liquidação extrajudicial foi comunicada
pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025. No mesmo dia, a Polícia Federal
deflagrou a Operação Compliance Zero para apurar suspeitas de emissão de
títulos de crédito falsos por instituições financeiras.
A
investigação avançou em novas frentes. Na oitava fase da Compliance Zero, a PF
informou que apura a possível aplicação irregular de cerca de R$ 3 bilhões do
Rioprevidência em fundos de investimento de banco privado.
O caso
também já havia atingido Flávio Bolsonaro politicamente. O era amigo de Daniel
Vorcaro, para quem pediu e obteve milhões supostamente destinados ao filme
“Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro.
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Um recado dentro da guerra bolsonarista
Ao
compartilhar justamente um vídeo em que Garotinho fala de “homens que defendem
a família” em uma festa atribuída a Vorcaro, Michelle deu combustível à leitura
de que a postagem foi um recado aos aliados que a atacam.
A frase
escolhida por ela — “A verdade de Jesus Cristo vai prevalecer” — reforçou essa
interpretação no momento em que a ex-primeira-dama tenta se defender de
acusações internas, preservar sua base no eleitorado conservador e se
apresentar como vítima de uma ofensiva dentro do próprio bolsonarismo.
Até
aqui, porém, o vídeo mencionado por Garotinho não foi divulgado integralmente,
os supostos participantes não foram identificados e não há confirmação
independente sobre as presenças citadas pelo ex-governador.
• Michelle Bolsonaro deixa de seguir
Carlos e Eduardo e aprofunda crise no bolsonarismo
O alto
escalão do bolsonarismo vive em pé de guerra desde que a ex-primeira-dama
Michelle Bolsonaro (PL) publicou, na última quinta-feira (26), um longo vídeo
em que afirma ter sido alvo de ataques misóginos de Flávio, seu enteado e
pré-candidato do PL à Presidência.
Dessa
maneira, o que se observou foi uma verdadeira cisão do núcleo duro do
bolsonarismo, que se dividiu entre os apoiadores de Michelle Bolsonaro e o time
do entorno de Flávio.
Com a
piora do clima nos últimos dias, Michelle Bolsonaro deu mais um passo em sua
declaração de guerra e deixou de seguir os enteados Carlos e Eduardo no
Instagram, o que revela uma crise sem precedentes no alto escalão do
bolsonarismo.
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Paulo Figueiredo ataca Michelle: “Mulher vota mal, principalmente solteiras”
O blogueiro bolsonarista Paulo Figueiredo,
neto do ditador brasileiro general João Batista Figueiredo, abusou da
misoginia, em uma live no YouTube. Na ânsia de criticar Michelle Bolsonaro,
depois da divulgação de vídeo contra Flávio Bolsonaro, o fiel escudeiro da
família Bolsonaro, atacou todas as mulheres, afirmando que elas “votam mal”.
“Mulher
vota, estatisticamente, muito mal. Principalmente mulheres solteiras. Mulheres
casadas, em geral, tendem a acompanhar o voto do marido. Mulheres solteiras,
não”, disse. Em seguida, baixou ainda mais o nível: “Podem arrancar os
pentelhos das calcinhas, fazer o que quiser, principalmente as feministas, que
têm mais pentelhos, mas eu quero dizer a vocês: isso é estatística”, afirmou.
Fonte:
Fórum

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