quarta-feira, 1 de julho de 2026

Senadora reage à misoginia de Paulo Figueiredo: “defeca pela boca”

Soraya Thronicke (PSB-MS) reagiu na noite desta segunda-feira (29) aos ataques misóginos de Paulo Figueiredo, aliado do clã Bolsonaro que vive nos Estados Unidos, depois de o bolsonarista afirmar que mulheres “votam muito mal” e repetir a declaração nas redes sociais.

A senadora disse que oficiou a Procuradoria-Geral da República para pedir providências contra Figueiredo e enquadrou o caso como violência política de gênero. Na publicação, Soraya chamou o bolsonarista de “covarde” e “acéfalo” e afirmou que ele, “lá dos EUA”, resolveu “defecar pela boca”.

“Este traidor da pátria, foragido da justiça brasileira, covarde, parvo, néscio, limítrofe, lerdo, acéfalo, não amado, medroso, inseguro, complexado por não conseguir ser ninguém além de neto de um ditador, resolve, lá dos EUA, defecar pela boca.”

Depois da resposta de Soraya, Figueiredo voltou ao X e chamou a senadora de “Soraya Trambique”. Ele também afirmou que a reação da esquerda seria “censura e perseguição criminal” e disse que a parlamentar seria “aposentada por eleitores de ambos os sexos” em outubro.

<><> Paulo Figueiredo repetiu ataque contra voto das mulheres

A crise começou após vir à tona uma fala de Figueiredo em vídeo no YouTube  na qual ele atacou Michelle Bolsonaro e classificou o voto feminino como ruim. O bolsonarista afirmou que “mulher vota estatisticamente muito mal”, com foco especial em mulheres solteiras.

No trecho que passou a circular nas redes, Figueiredo disse que “mulheres casadas, em geral, tendem a acompanhar o voto do marido” e que mulheres solteiras “não”. Em seguida, reagiu às críticas com uma frase de baixo calão contra quem se incomodasse com a declaração.

Horas depois, em vez de recuar, o aliado bolsonarista publicou apenas: “Reitero.” A postagem ampliou a crise e transformou a fala em novo foco de desgaste para o entorno de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato da extrema direita à Presidência.

Figueiredo ainda publicou uma arte com a frase “Mulher vota mal para caralho. Mude a minha opinião”, segundo registros que circularam nas redes e foram citados pela imprensa. A insistência no ataque fez Soraya levar o caso para o campo institucional.

<><> Soraya Thronicke cobra ação da PGR contra misoginia

Na publicação, Soraya afirmou que ataques desse tipo não atingem apenas uma mulher individualmente, mas todas as mulheres que participam da política e do processo eleitoral. A senadora escreveu que “se mexeu com uma, mexeu com todas”.

A Lei nº 14.192/2021 estabelece normas para prevenir, reprimir e combater a violência política contra a mulher. A legislação trata de condutas que buscam impedir, dificultar ou restringir direitos políticos de mulheres, inclusive no exercício de mandato eletivo.

Soraya também pediu que Figueiredo seja proibido de se comunicar publicamente por redes sociais e outros meios. A parlamentar sustentou que a conduta deve gerar ação penal e cobrou atuação rápida da PGR.

<><> Flávio Bolsonaro entra na crise do eleitorado feminino

O ataque de Paulo Figueiredo ocorre no momento em que Flávio Bolsonaro tenta reorganizar a própria pré-campanha em meio à guerra interna no bolsonarismo. Como mostrou a Fórum, o racha no clã Bolsonaro expõe disputa por sucessão, palanques e controle da extrema direita.

A crise ganhou força após Michelle Bolsonaro criticar Flávio e ampliar o desgaste público com os enteados. A Fórum também mostrou que Michelle deixou de seguir Carlos e Eduardo Bolsonaro nas redes, em mais um sinal da ruptura no núcleo familiar e político do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Em outra postagem, Figueiredo reagiu a uma análise do Estadão que apontava o silêncio de Flávio diante do ataque ao voto feminino. O bolsonarista escreveu que é “amigo do Flávio” e que suas opiniões são dele, não do senador.

O problema eleitoral é direto. Mulheres são maioria no eleitorado brasileiro. A página de estatísticas do eleitorado do Tribunal Superior Eleitoral reúne os dados oficiais extraídos do Cadastro Nacional de Eleitores, e levantamentos com base nesses registros apontam que o eleitorado feminino passa de 52% dos votantes em 2026.

É nesse cenário que o ataque de Figueiredo atinge um ponto sensível para a direita. A fala mira justamente o grupo que pode decidir a eleição presidencial e expõe a contradição de uma pré-campanha que tenta se aproximar de mulheres enquanto um de seus aliados normaliza o desprezo ao voto feminino.

<><> Valdemar admite peso de Michelle e Figueiredo ironiza

Figueiredo também reagiu a uma publicação do Portal Claudio Dantas atribuída a Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL. Na mensagem reproduzida pelo bolsonarista, Valdemar teria afirmado que, “se perdermos a Michelle, a eleição vai ficar muito difícil”.

Ao comentar a frase, Figueiredo ironizou o peso político da ex-primeira-dama e escreveu: “Como se pode perder o que não se tem?” Em seguida, questionou como a eleição ficaria “mais difícil” se Michelle “já está abertamente fazendo vídeo contra o candidato”.

A sequência de publicações mostra que o ataque misógino saiu do terreno de uma fala isolada e passou a compor a disputa interna do bolsonarismo. De um lado, Michelle Bolsonaro e Damares Alves aparecem como lideranças femininas relevantes da direita. De outro, aliados de Flávio tentam reduzir o peso político delas no momento em que a campanha precisa disputar o voto das mulheres.

<><> Paulo Figueiredo já responde a caso ligado a Eduardo Bolsonaro

O episódio também recoloca Paulo Figueiredo no centro do radar institucional. Em junho, o Ministério Público Federal informou que Figueiredo também foi denunciado no caso de coação no curso do processo que envolve Eduardo Bolsonaro, embora a ação penal contra ele tenha sido desmembrada e siga em curso próprio.

A Fórum já mostrou que Paulo Figueiredo virou alvo da Polícia Federal no inquérito que apurou a atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos contra autoridades brasileiras.

Agora, a reação de Soraya Thronicke abre uma nova frente contra o bolsonarista. A senadora quer que a PGR trate o ataque ao voto feminino como violência política de gênero. Figueiredo, por sua vez, dobrou a aposta, atacou a parlamentar e tentou enquadrar a resposta institucional como censura.

•        Michelle manda recado a Flávio Bolsonaro e levará ameaça a encontro com Costa Neto

m meio a uma série de recados cifrados nas redes sociais aos enteados, Michelle Bolsonaro (PL) deve levar uma ameaça ao encontro marcado para a tarde desta terça-feira (30) com Valdemar da Costa Neto, presidente do PL, que busca uma saída para a crise instalada após o vídeo-bomba da madrasta contra Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Atacada pela milícia digital comandada por Eduardo Bolsonaro (PL-SP) dos EUA, Michelle não deve recuar e dá mostras em publicações nas redes sociais.

Nesta segunda-feira (29), a ex-primeira-dama voltou a usar um salmo bíblico para dar recado a Flávio e aos irmãos.

“Aquele que é limpo de mãos e puro de coração, que não entrega a sua alma à vaidade, nem jura enganosamente. Este receberá a benção do Senhor e a justiça do Deus da sua salvação”, diz o texto, volta a tocar nas “mentiras” propagadas pelo grupo de Flávio Bolsonaro.

Na sequência, Michelle compartilhou um vídeo em que o ex-governandor fluminense Anthony Garotinho diz estar de posse do vídeo da festa chamada “noite das astronautas”, que teria sido organizada por Daniel Vorcaro para políticos e autoridades em Trancoso, na Bahia.

“A verdade de Jesus Cristo vai prevalecer”, escreveu Michelle, insinuando que as imagens feitas pelo banqueiro Daniel Vorcaro podem revelar outras nuances da relação com o enteado.

<><> Ameaça

Na reunião com Costa Neto, Michelle vai jogar pesado com o eleitorado feminino e evangélico que conquistou e fará uma ameaça: pode deixar a candidatura ao Senado e à política se Flávio Bolsonaro e os enteados não recuarem.

A informação aumenta o desespero no núcleo da campanha de Flávio Bolsonaro, que já antevê um estrago ainda maior caso Michelle desista da candidatura.

Além da pecha de machista e autoritário, comprovada por aliados próximos como Paulo Figueiredo e o ex-assessor Felipe Pedri, Flávio Bolsonaro ainda teme que a madrasta saia de cena e passe a operar nos bastidores.

A preocupação é que a ex-primeira-dama pode minar toda a estrutura criada por ela, colocando os diretórios e lideranças do PL Mulher para trabalhar contra a candidatura do enteado.

Outra preocupação é com a relação de Michelle com o ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF).

Mendonça vem blindando Flávio e seu grupo político nas decisões sobre as investigações da Polícia Federal. No entanto, o ministro se torna suscetível aos desejos de Michelle, uma das principais fiadoras de sua indicação ao Supremo, a quem deve devoção.

•        Em meio à briga com Flávio, Michelle posta vídeo sobre “festa das astronautas” de Vorcaro: “A verdade vai aparecer”

ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro compartilhou em suas redes sociais, nesta segunda-feira (29), um vídeo do ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho sobre a chamada “Noite das Astronautas”, festa atribuída a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

A publicação foi feita em meio à crise pública entre Michelle e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência da República, e passou a ser lida nos bastidores do bolsonarismo como um recado ao filho “01” de Jair Bolsonaro e a outros nomes da direita que vêm promovendo ataques contra ela.

Ao compartilhar o trecho, Michelle escreveu: “A verdade de Jesus Cristo vai prevalecer”.

<><> O vídeo de Garotinho e a “Noite das Astronautas”

No vídeo compartilhado por Michelle, Anthony Garotinho afirma ter tido acesso a uma gravação da chamada “Noite das Astronautas”, festa atribuída a Daniel Vorcaro.

Segundo o ex-governador, o material mostraria deputados, senadores e governadores em situação de nudez. Garotinho não exibiu a íntegra do vídeo nem identificou os supostos participantes. A reportagem não teve acesso à gravação completa e trata as presenças citadas como alegação do ex-governador.

No trecho, Garotinho afirma que viu a gravação e descreve mulheres usando capacetes de astronauta. Segundo ele, o material mostraria “deputados, senadores, governadores” e “homens que defendem a família” na festa.

O ex-governador também disse que as mulheres não seriam brasileiras e que teriam sido levadas ao evento para não entender as conversas em português.

“Esse Vorcaro é 171 qualificado”, afirmou Garotinho no vídeo.

<><> Compartilhamento ocorre após ataques a Michelle

O gesto de Michelle ganhou peso político porque ocorre logo após a ex-primeira-dama romper publicamente com Flávio Bolsonaro e denunciar ter sido humilhada e desrespeitada pelo senador durante uma conversa telefônica.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Michelle afirmou que Flávio foi “ríspido”, a tratou mal e tentou afastá-la das decisões do PL.

“Ele retornou a ligação. Mas, sinceramente, para dizer o que me disse, teria sido melhor que não tivesse ligado. Foi muito ríspido, me desrespeitou e me tratou mal ao telefone. E eu não tinha feito nada contra ele”, disse Michelle.

Segundo ela, Flávio afirmou que seria melhor que ela ficasse fora das decisões do partido e disse que a ex-primeira-dama “havia chegado ontem” e “não entendia nada de política”.

“Diante dessa humilhação, respondi que tudo bem”, afirmou Michelle.

<><> “Textos muito parecidos”

No vídeo em que rebateu Flávio, Michelle também acusou os filhos de Jair Bolsonaro de agirem de forma coordenada contra ela.

“Os irmãos se uniram, de forma coordenada, com textos muito parecidos entre si. Parecia combinado, premeditado”, afirmou.

A fala expôs uma fratura interna no bolsonarismo, justamente no momento em que Flávio tenta se consolidar como nome da direita para a disputa presidencial.

Michelle, por sua vez, usou sua atuação no PL Mulher para rebater a acusação de que não teria experiência política. Ela afirmou ter viajado o Brasil, montado diretorias nos 27 estados e no Distrito Federal e ajudado a eleger 1.005 mulheres em 2024.

<><> Banco Master, Vorcaro e a pressão política

A fala de Garotinho também reacende a pressão sobre a rede de relações de Daniel Vorcaro com autoridades e políticos.

A Fórum mostrou que uma planilha apreendida pela Polícia Federal no celular de Vorcaro apontava gastos de R$ 11,9 milhões em eventos com políticos em Nova York, incluindo a rubrica “Noite das Astronautas”, além de degustações de uísques e charutos.

Vorcaro é ex-controlador do Banco Master, cuja liquidação extrajudicial foi comunicada pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025. No mesmo dia, a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero para apurar suspeitas de emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras.

A investigação avançou em novas frentes. Na oitava fase da Compliance Zero, a PF informou que apura a possível aplicação irregular de cerca de R$ 3 bilhões do Rioprevidência em fundos de investimento de banco privado.

O caso também já havia atingido Flávio Bolsonaro politicamente. O era amigo de Daniel Vorcaro, para quem pediu e obteve milhões supostamente destinados ao filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro.

<><> Um recado dentro da guerra bolsonarista

Ao compartilhar justamente um vídeo em que Garotinho fala de “homens que defendem a família” em uma festa atribuída a Vorcaro, Michelle deu combustível à leitura de que a postagem foi um recado aos aliados que a atacam.

A frase escolhida por ela — “A verdade de Jesus Cristo vai prevalecer” — reforçou essa interpretação no momento em que a ex-primeira-dama tenta se defender de acusações internas, preservar sua base no eleitorado conservador e se apresentar como vítima de uma ofensiva dentro do próprio bolsonarismo.

Até aqui, porém, o vídeo mencionado por Garotinho não foi divulgado integralmente, os supostos participantes não foram identificados e não há confirmação independente sobre as presenças citadas pelo ex-governador.

•        Michelle Bolsonaro deixa de seguir Carlos e Eduardo e aprofunda crise no bolsonarismo

O alto escalão do bolsonarismo vive em pé de guerra desde que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) publicou, na última quinta-feira (26), um longo vídeo em que afirma ter sido alvo de ataques misóginos de Flávio, seu enteado e pré-candidato do PL à Presidência.

Dessa maneira, o que se observou foi uma verdadeira cisão do núcleo duro do bolsonarismo, que se dividiu entre os apoiadores de Michelle Bolsonaro e o time do entorno de Flávio.

Com a piora do clima nos últimos dias, Michelle Bolsonaro deu mais um passo em sua declaração de guerra e deixou de seguir os enteados Carlos e Eduardo no Instagram, o que revela uma crise sem precedentes no alto escalão do bolsonarismo.

<><> Paulo Figueiredo ataca Michelle: “Mulher vota mal, principalmente solteiras”

 O blogueiro bolsonarista Paulo Figueiredo, neto do ditador brasileiro general João Batista Figueiredo, abusou da misoginia, em uma live no YouTube. Na ânsia de criticar Michelle Bolsonaro, depois da divulgação de vídeo contra Flávio Bolsonaro, o fiel escudeiro da família Bolsonaro, atacou todas as mulheres, afirmando que elas “votam mal”.

“Mulher vota, estatisticamente, muito mal. Principalmente mulheres solteiras. Mulheres casadas, em geral, tendem a acompanhar o voto do marido. Mulheres solteiras, não”, disse. Em seguida, baixou ainda mais o nível: “Podem arrancar os pentelhos das calcinhas, fazer o que quiser, principalmente as feministas, que têm mais pentelhos, mas eu quero dizer a vocês: isso é estatística”, afirmou.

 

Fonte: Fórum

 

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