Após
prometer submissão a Trump, Flávio Bolsonaro diz que Brasil vai se “alinhar” a
Israel
O
senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) discursou neste domingo (28) na abertura da
Conferência de Presidentes da América Latina, em Buenos Aires, evento promovido
pela Fundação dos Aliados de Israel (IAF) e pela organização Amigos Americanos
dos Acordos de Abraão (Afoia). No palco, chamou o presidente Luiz Inácio Lula
da Silva de “antissemita”, prometeu transferir a Embaixada do Brasil em Israel
de Tel Aviv para Jerusalém e anunciou adesão do país aos Acordos de Isaac,
iniciativa diplomática de Javier Milei e Benjamin Netanyahu, caso seja eleito
em outubro.
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Flávio Bolsonaro ataca Lula e promete mudança na política externa
O
discurso de Flávio Bolsonaro em Buenos Aires foi construído sobre dois eixos: o
ataque direto ao presidente Lula e uma série de promessas de ruptura na
política externa brasileira. Ao chamar Lula de “antissemita”, o senador mentiu
que Lula nutre ódio pelo povo judeu, evocando a declaração que o presidente fez
em 2024, quando comparou a ação militar genocida de Israel na Faixa de Gaza ao
Holocausto nazista. A ofensiva israelense no enclave deixou mais de 70 mil
palestinos mortos até então.
A
promessa mais concreta do discurso foi a transferência da Embaixada do Brasil
em Israel de Tel Aviv para Jerusalém, caso Flávio vença as eleições de outubro.
O pré-candidato foi além: afirmou que, já no primeiro dia de governo, receberia
as credenciais de um novo embaixador de Israel em Brasília. A mudança de sede
de embaixada para Jerusalém é uma questão diplomaticamente sensível: a maioria
dos países mantém representações em Tel Aviv justamente para não antecipar
posição sobre o status da cidade, disputada entre israelenses e palestinos em
qualquer cenário de negociação de paz.
“A
partir de 2027, o Brasil voltará a ser mais irmão da Argentina mais do que
nunca. E será também, com orgulho e sem o menor medo de dizer isso, irmão de
Israel”, declarou Flávio Bolsonaro no evento.
O
senador elogiou a diplomacia israelense e prometeu que o Brasil aderirá aos
Acordos de Isaac, iniciativa patrocinada pelo presidente argentino Javier Milei
e pelo primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu com o objetivo de
estreitar relações entre Israel e países da América Latina.
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Contexto das declarações e alinhamento internacional
As
relações diplomáticas entre Brasil e Israel estão tensas desde 2024, quando a
ofensiva israelense em Gaza provocou críticas públicas do presidente Lula. A
comparação que Lula fez entre a ação militar israelense e o Holocausto gerou
reação imediata de Tel Aviv e culminou na retirada dos embaixadores de ambos os
países de suas respectivas representações, um gesto diplomático que sinaliza
rebaixamento formal das relações. Desde então, o Brasil opera com um
encarregado de negócios na embaixada em Tel Aviv, e Israel designou Rasha
Athamni para a mesma função em Brasília.
Nesse
cenário de ruptura, Flávio Bolsonaro escolheu Buenos Aires para se posicionar
como o candidato do realinhamento. Em discurso proferido em espanhol, o senador
também defendeu a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do
Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, associando as facções ao
Irã e ao Hezbollah. Para sustentar o argumento, citou que, segundo a Justiça
argentina, o atentado à Embaixada de Israel em Buenos Aires em 1992 foi
atribuído ao Hezbollah, financiado pelo Irã. Acrescentou ainda que
investigações da Polícia Federal brasileira, com apoio da inteligência
israelense e norte-americana, apontam para conexões entre redes do Hezbollah e
facções criminosas brasileiras, envolvendo rotas de cocaína e contrabando de
armas.
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Submissão
O
discurso em Buenos Aires não é um episódio isolado. Semanas antes, no início de
junho, Flávio Bolsonaro enviou carta ao secretário de Estado dos EUA, Marco
Rubio, em papel timbrado do Senado Federal. No texto, além de pedir que
Washington não impusesse novas tarifas sobre produtos brasileiros, o senador se
comprometeu a colocar sua equipe de transição “à disposição” do governo
norte-americano caso eleito, para acelerar um acordo comercial. Rubio respondeu
agradecendo a “oferta generosa”, mas manteve integralmente a posição favorável
às tarifas contra o Brasil.
O
governo Lula, parlamentares de esquerda e setores da diplomacia brasileira
classificaram a proposta como incompatível com a tradição de autonomia da
política externa brasileira. Para o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), a carta
“escancara o tamanho da submissão” de Flávio aos EUA.
• Milei, rejeitado por 60% dos argentinos,
posta foto com Flávio Bolsonaro
presidente
da Argentina, Javier Milei, publicou nesta segunda-feira (29) uma foto ao lado
do senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência com a legenda
“vem aí a maré azul para o Brasil”.
O
encontro ocorreu em Buenos Aires, onde Bolsonaro está desde o fim de semana
para participar da Latin America Chairmen’s Conference, evento da comunidade
judaica global. No dia anterior, o senador já havia discursado no evento
criticando o governo Lula e prometendo uma “guinada” no Brasil em outubro de
2026.
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Milei e Flávio Bolsonaro: o encontro em Buenos Aires
A foto
foi publicada por Milei no X e também no perfil oficial do governo argentino,
com a legenda: “O presidente Javier Milei junto com o senador e candidato à
Presidência da República Federativa do Brasil, Flávio Bolsonaro.” O uso do
canal institucional do governo para identificar Bolsonaro como candidato ao
Planalto não é detalhe menor: transforma um encontro político em endosso de
Estado.
Flávio
Bolsonaro está em Buenos Aires desde o fim de semana para participar da Latin
America Chairmen’s Conference. A reunião com Milei ocorreu na manhã desta
segunda-feira (29). Ainda nesta segunda, às 19h, o senador participa do evento
de encerramento da conferência, cuja palestra de abertura será feita pelo
próprio Milei, reforçando a proximidade entre os dois.
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Discurso de Flávio Bolsonaro: críticas ao governo Lula e projeções para 2026
No
domingo (28), Flávio Bolsonaro discursou na abertura da Latin America
Chairmen’s Conference, elogiou Milei e destacou o que chamou de avanço da
direita no continente, citando Peru e Colômbia como exemplos. O tom foi de
pré-campanha declarada.
“Nós,
brasileiros, olhamos para esse mapa hoje com um pouco de inveja. Porque
enquanto nossos vizinhos, um a um, escolhem a liberdade e a ordem, o Brasil
ainda está preso ao passado. Somos a peça que falta nesse mapa. E estou aqui
para dizer, sem rodeios: em outubro, isso muda.”
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Milei passa por pior momento na Argentina
Enquanto
endossa Flávio, Milei passa por seu pior momento nas pesquisas de opinião.
Levantamentos recentes de opinião indicam aumento da rejeição ao governo e
crescimento da percepção de que a principal promessa de combate à corrupção não
foi cumprida.
Pesquisa
da consultoria Zentrix aponta que 66,6% dos argentinos acreditam que a
administração Milei passou a integrar a mesma “casta” política que o presidente
criticava durante a campanha eleitoral. O resultado reflete uma mudança na
avaliação de parte da população sobre um dos principais pilares do discurso
adotado pelo governo.
Outro
levantamento, realizado pela Atlas Intel e divulgado no fim de abril, registrou
os piores índices de popularidade do mandato até o momento. Segundo a pesquisa,
63% dos entrevistados desaprovam a gestão de Milei, enquanto 35% manifestam
aprovação.
• Paulo Figueiredo dirá que TariFlávio
ajudará Lula em audiência e confirma “transição” submissa a Trump
iel
escudeiro de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), Paulo Figueiredo pedirá ao governo
Donald Trump que a aplicação de nova taxação aos produtos brasileiros, que
ficou conhecida como TariFlávio, ajudará Lula nas eleições presidenciais e que,
por isso, o presidente dos EUA deve deixar o tarifaço para depois das eleições.
A
declaração será dada em audiência pública sobre o tema, marcada para o dia 6 de
julho. Flávio Bolsonaro (PL) vai falar no dia seguinte.
Segundo
informações divulgadas pela Folha de S.Paulo neste sábado (27), que teve acesso
ao depoimento preparado para ser lido nos 5 minutos que terá direito na Seção
301 do United States Trade Representative (USTR), órgão responsável por
formular e negociar a política comercial dos EUA, Figueiredo pedirá a Trump
para deixar o Tariflávio para depois das eleições porque vai beneficiar Lula na
disputa presidencial.
Figueiredo
deve dizer que o novo tarifaço seria transformado por Lula novamente em um
discurso nacionalista em plena campanha eleitoral, fortalecendo a candidatura
do atual presidente.
A
declaração foi combinada com Flávio Bolsonaro que, um dia depois, vai pedir que
o processo seja suspenso até outubro, segundo o coordenador da campanha,
Rogério Marinho (PL-RN).
“Vamos
pedir que seja suspenso o processo durante o período eleitoral, e depois as
partes podem se sentar na mesa de uma forma séria e responsável, sem palavras
de ordem, com quem tiver obtido legitimidade política no voto, durante um
processo de transição”, afirmou Marinho já contando com a pouco provável
vitória do filho “01” de Jair Bolsonaro (PL).
Em
encenação para lacração nas redes, Flávio posará de defensor dos interesses do
Brasil durante o início de seu discurso. O restante da fala deve ser usada para
atacar Lula e gerar cortes para serem usados nas redes sociais.
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Submissão aos EUA
Em
publicação na rede X na manhã deste sábado, Figueiredo também confirmou que,
caso eleito, Flávio Bolsonaro colocará o seu governo à disposição de Trump em
uma inédita “colaboração” com os EUA já durante a transição, período em que se
dá a formação da futura gestão.
Em
carta ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, com o objetivo
aparente de pedir o adiamento do tarifaço, Flávio se compromete a colocar “à
disposição dos EUA” sua equipe de transição.
“Como
já afirmei, estou confiante de que serei eleito presidente do Brasil em
outubro. Caso essa seja a vontade do meu povo, estou preparado para colocar
imediatamente minha equipe de transição à disposição de seu governo, para que
possamos concluir, o mais rapidamente possível, um amplo acordo de comércio e
investimentos benéfico para ambas as nações –baseado em livre mercado, respeito
mútuo e na aliança estratégica que nossos povos merecem”, escreveu Flávio.
Na rede
X, Figueiredo respondeu ironicamente à informação, mas confirmou que, caso
Flávio vença, haverá uma “equipe de negociação” que, segundo ele, vai negociar
o TariFlávio com Trump.
“Gente,
qual é a dificuldade de entender que se o Flávio Bolsonaro for eleito será
necessário, já na transição, estabelecer uma equipe de negociação para que os
EUA não tarifem o Brasil? Tem certos ‘debates’ acontecendo que denotam um
problema que vai além da ideologia”, ironizou.
O que
Figueiredo não conta é que nunca houve algo parecido durante um governo de
transição no Brasil e que a negociação é justamente para reverter algo que foi
trabalhado junto ao governo Trump por ele, Flávio e Eduardo Bolsonaro.
• Flávio Bolsonaro perde força e Faria
Lima aposta na reeleição de Lula
Os
tropeços na pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ)
passaram a alimentar, entre executivos do topo da Faria Lima, a percepção de
que o presidente Lula (PT) é hoje o favorito para vencer a eleição de outubro.
A avaliação ganhou força após novas pesquisas eleitorais e depois da crise
pública entre o senador e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, informa Lauro
Jardim, do jornal O Globo.
Ainda
há muita campanha pela frente, mas o ambiente entre parte relevante do mercado
financeiro mudou. A expectativa de uma arrancada de um nome de terceira via,
como o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD), perdeu força, assim como arrefeceu o
entusiasmo em torno da candidatura de Flávio Bolsonaro.
O
movimento ocorre em meio a uma sequência de desgastes para o senador. O
episódio mais recente foi a exposição da divergência com Michelle Bolsonaro
sobre os rumos do PL no Ceará. O conflito envolveu a articulação do partido com
Ciro Gomes (PSDB) e a disputa por uma vaga ao Senado, com Michelle defendendo a
vereadora Priscila Costa e Flávio apoiando o deputado estadual Alcides
Fernandes.
A crise
ganhou contornos públicos quando Michelle afirmou ter sido desrespeitada e
diminuída politicamente pelo enteado. Mesmo após pedidos de desculpas e
tentativas de reduzir o desgaste, o episódio abriu fissuras no campo
bolsonarista e atingiu uma área sensível da pré-campanha de Flávio: a relação
com o eleitorado feminino, segmento no qual Michelle tem influência relevante
por sua atuação à frente do PL Mulher.
Além do
ruído familiar e partidário, Flávio Bolsonaro já vinha enfrentando dificuldades
desde a repercussão do caso envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco
Master. Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg mostrou queda do senador em cenários de
primeiro e segundo turno após a divulgação de áudios e mensagens relacionados
ao caso.
O
desgaste também apareceu em levantamento Meio/Ideia, no qual 57% dos
entrevistados avaliaram que o caso do áudio de Flávio Bolsonaro para Vorcaro
prejudicaria sua campanha presidencial. A leitura, dentro e fora do campo
bolsonarista, é que o episódio dificultou a construção de uma imagem de
renovação e ampliou a resistência de setores moderados.
Na
Faria Lima, esse acúmulo de reveses passou a produzir um ajuste de
expectativas. Executivos que antes buscavam alternativas a Lula e ao
bolsonarismo agora começam a se debruçar sobre um cenário de um quarto mandato.
A preocupação central deixou de ser apenas quem poderia derrotá-lo e passou a
incluir outra pergunta: como seria uma nova gestão Lula e quais nomes ocupariam
postos-chave no governo.
A
mudança de humor não significa adesão política ao presidente, mas
reconhecimento pragmático de que a candidatura governista atravessa o momento
com mais estabilidade do que a de seu principal adversário na direita. Enquanto
Flávio tenta conter danos internos, recompor pontes com Michelle e reorganizar
sua pré-campanha, Lula se beneficia da fragmentação no campo oposicionista e da
ausência, até agora, de uma alternativa competitiva de centro ou terceira via.
Fonte:
Fórum/Brasil 247

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