quarta-feira, 1 de julho de 2026

Após prometer submissão a Trump, Flávio Bolsonaro diz que Brasil vai se “alinhar” a Israel

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) discursou neste domingo (28) na abertura da Conferência de Presidentes da América Latina, em Buenos Aires, evento promovido pela Fundação dos Aliados de Israel (IAF) e pela organização Amigos Americanos dos Acordos de Abraão (Afoia). No palco, chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de “antissemita”, prometeu transferir a Embaixada do Brasil em Israel de Tel Aviv para Jerusalém e anunciou adesão do país aos Acordos de Isaac, iniciativa diplomática de Javier Milei e Benjamin Netanyahu, caso seja eleito em outubro.

<><> Flávio Bolsonaro ataca Lula e promete mudança na política externa

O discurso de Flávio Bolsonaro em Buenos Aires foi construído sobre dois eixos: o ataque direto ao presidente Lula e uma série de promessas de ruptura na política externa brasileira. Ao chamar Lula de “antissemita”, o senador mentiu que Lula nutre ódio pelo povo judeu, evocando a declaração que o presidente fez em 2024, quando comparou a ação militar genocida de Israel na Faixa de Gaza ao Holocausto nazista. A ofensiva israelense no enclave deixou mais de 70 mil palestinos mortos até então.

A promessa mais concreta do discurso foi a transferência da Embaixada do Brasil em Israel de Tel Aviv para Jerusalém, caso Flávio vença as eleições de outubro. O pré-candidato foi além: afirmou que, já no primeiro dia de governo, receberia as credenciais de um novo embaixador de Israel em Brasília. A mudança de sede de embaixada para Jerusalém é uma questão diplomaticamente sensível: a maioria dos países mantém representações em Tel Aviv justamente para não antecipar posição sobre o status da cidade, disputada entre israelenses e palestinos em qualquer cenário de negociação de paz.

“A partir de 2027, o Brasil voltará a ser mais irmão da Argentina mais do que nunca. E será também, com orgulho e sem o menor medo de dizer isso, irmão de Israel”, declarou Flávio Bolsonaro no evento.

O senador elogiou a diplomacia israelense e prometeu que o Brasil aderirá aos Acordos de Isaac, iniciativa patrocinada pelo presidente argentino Javier Milei e pelo primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu com o objetivo de estreitar relações entre Israel e países da América Latina.

<><> Contexto das declarações e alinhamento internacional

As relações diplomáticas entre Brasil e Israel estão tensas desde 2024, quando a ofensiva israelense em Gaza provocou críticas públicas do presidente Lula. A comparação que Lula fez entre a ação militar israelense e o Holocausto gerou reação imediata de Tel Aviv e culminou na retirada dos embaixadores de ambos os países de suas respectivas representações, um gesto diplomático que sinaliza rebaixamento formal das relações. Desde então, o Brasil opera com um encarregado de negócios na embaixada em Tel Aviv, e Israel designou Rasha Athamni para a mesma função em Brasília.

Nesse cenário de ruptura, Flávio Bolsonaro escolheu Buenos Aires para se posicionar como o candidato do realinhamento. Em discurso proferido em espanhol, o senador também defendeu a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, associando as facções ao Irã e ao Hezbollah. Para sustentar o argumento, citou que, segundo a Justiça argentina, o atentado à Embaixada de Israel em Buenos Aires em 1992 foi atribuído ao Hezbollah, financiado pelo Irã. Acrescentou ainda que investigações da Polícia Federal brasileira, com apoio da inteligência israelense e norte-americana, apontam para conexões entre redes do Hezbollah e facções criminosas brasileiras, envolvendo rotas de cocaína e contrabando de armas.

<><> Submissão

O discurso em Buenos Aires não é um episódio isolado. Semanas antes, no início de junho, Flávio Bolsonaro enviou carta ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, em papel timbrado do Senado Federal. No texto, além de pedir que Washington não impusesse novas tarifas sobre produtos brasileiros, o senador se comprometeu a colocar sua equipe de transição “à disposição” do governo norte-americano caso eleito, para acelerar um acordo comercial. Rubio respondeu agradecendo a “oferta generosa”, mas manteve integralmente a posição favorável às tarifas contra o Brasil.

O governo Lula, parlamentares de esquerda e setores da diplomacia brasileira classificaram a proposta como incompatível com a tradição de autonomia da política externa brasileira. Para o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), a carta “escancara o tamanho da submissão” de Flávio aos EUA.

•        Milei, rejeitado por 60% dos argentinos, posta foto com Flávio Bolsonaro

presidente da Argentina, Javier Milei, publicou nesta segunda-feira (29) uma foto ao lado do senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência com a legenda “vem aí a maré azul para o Brasil”.

O encontro ocorreu em Buenos Aires, onde Bolsonaro está desde o fim de semana para participar da Latin America Chairmen’s Conference, evento da comunidade judaica global. No dia anterior, o senador já havia discursado no evento criticando o governo Lula e prometendo uma “guinada” no Brasil em outubro de 2026.

<><> Milei e Flávio Bolsonaro: o encontro em Buenos Aires

A foto foi publicada por Milei no X e também no perfil oficial do governo argentino, com a legenda: “O presidente Javier Milei junto com o senador e candidato à Presidência da República Federativa do Brasil, Flávio Bolsonaro.” O uso do canal institucional do governo para identificar Bolsonaro como candidato ao Planalto não é detalhe menor: transforma um encontro político em endosso de Estado.

Flávio Bolsonaro está em Buenos Aires desde o fim de semana para participar da Latin America Chairmen’s Conference. A reunião com Milei ocorreu na manhã desta segunda-feira (29). Ainda nesta segunda, às 19h, o senador participa do evento de encerramento da conferência, cuja palestra de abertura será feita pelo próprio Milei, reforçando a proximidade entre os dois.

<><> Discurso de Flávio Bolsonaro: críticas ao governo Lula e projeções para 2026

No domingo (28), Flávio Bolsonaro discursou na abertura da Latin America Chairmen’s Conference, elogiou Milei e destacou o que chamou de avanço da direita no continente, citando Peru e Colômbia como exemplos. O tom foi de pré-campanha declarada.

“Nós, brasileiros, olhamos para esse mapa hoje com um pouco de inveja. Porque enquanto nossos vizinhos, um a um, escolhem a liberdade e a ordem, o Brasil ainda está preso ao passado. Somos a peça que falta nesse mapa. E estou aqui para dizer, sem rodeios: em outubro, isso muda.”

<><> Milei passa por pior momento na Argentina

Enquanto endossa Flávio, Milei passa por seu pior momento nas pesquisas de opinião. Levantamentos recentes de opinião indicam aumento da rejeição ao governo e crescimento da percepção de que a principal promessa de combate à corrupção não foi cumprida.

Pesquisa da consultoria Zentrix aponta que 66,6% dos argentinos acreditam que a administração Milei passou a integrar a mesma “casta” política que o presidente criticava durante a campanha eleitoral. O resultado reflete uma mudança na avaliação de parte da população sobre um dos principais pilares do discurso adotado pelo governo.

Outro levantamento, realizado pela Atlas Intel e divulgado no fim de abril, registrou os piores índices de popularidade do mandato até o momento. Segundo a pesquisa, 63% dos entrevistados desaprovam a gestão de Milei, enquanto 35% manifestam aprovação.

•        Paulo Figueiredo dirá que TariFlávio ajudará Lula em audiência e confirma “transição” submissa a Trump

iel escudeiro de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), Paulo Figueiredo pedirá ao governo Donald Trump que a aplicação de nova taxação aos produtos brasileiros, que ficou conhecida como TariFlávio, ajudará Lula nas eleições presidenciais e que, por isso, o presidente dos EUA deve deixar o tarifaço para depois das eleições.

A declaração será dada em audiência pública sobre o tema, marcada para o dia 6 de julho. Flávio Bolsonaro (PL) vai falar no dia seguinte.

Segundo informações divulgadas pela Folha de S.Paulo neste sábado (27), que teve acesso ao depoimento preparado para ser lido nos 5 minutos que terá direito na Seção 301 do United States Trade Representative (USTR), órgão responsável por formular e negociar a política comercial dos EUA, Figueiredo pedirá a Trump para deixar o Tariflávio para depois das eleições porque vai beneficiar Lula na disputa presidencial.

Figueiredo deve dizer que o novo tarifaço seria transformado por Lula novamente em um discurso nacionalista em plena campanha eleitoral, fortalecendo a candidatura do atual presidente.

A declaração foi combinada com Flávio Bolsonaro que, um dia depois, vai pedir que o processo seja suspenso até outubro, segundo o coordenador da campanha, Rogério Marinho (PL-RN).

“Vamos pedir que seja suspenso o processo durante o período eleitoral, e depois as partes podem se sentar na mesa de uma forma séria e responsável, sem palavras de ordem, com quem tiver obtido legitimidade política no voto, durante um processo de transição”, afirmou Marinho já contando com a pouco provável vitória do filho “01” de Jair Bolsonaro (PL).

Em encenação para lacração nas redes, Flávio posará de defensor dos interesses do Brasil durante o início de seu discurso. O restante da fala deve ser usada para atacar Lula e gerar cortes para serem usados nas redes sociais.

<><> Submissão aos EUA

Em publicação na rede X na manhã deste sábado, Figueiredo também confirmou que, caso eleito, Flávio Bolsonaro colocará o seu governo à disposição de Trump em uma inédita “colaboração” com os EUA já durante a transição, período em que se dá a formação da futura gestão.

Em carta ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, com o objetivo aparente de pedir o adiamento do tarifaço, Flávio se compromete a colocar “à disposição dos EUA” sua equipe de transição.

“Como já afirmei, estou confiante de que serei eleito presidente do Brasil em outubro. Caso essa seja a vontade do meu povo, estou preparado para colocar imediatamente minha equipe de transição à disposição de seu governo, para que possamos concluir, o mais rapidamente possível, um amplo acordo de comércio e investimentos benéfico para ambas as nações –baseado em livre mercado, respeito mútuo e na aliança estratégica que nossos povos merecem”, escreveu Flávio.

Na rede X, Figueiredo respondeu ironicamente à informação, mas confirmou que, caso Flávio vença, haverá uma “equipe de negociação” que, segundo ele, vai negociar o TariFlávio com Trump.

“Gente, qual é a dificuldade de entender que se o Flávio Bolsonaro for eleito será necessário, já na transição, estabelecer uma equipe de negociação para que os EUA não tarifem o Brasil? Tem certos ‘debates’ acontecendo que denotam um problema que vai além da ideologia”, ironizou.

O que Figueiredo não conta é que nunca houve algo parecido durante um governo de transição no Brasil e que a negociação é justamente para reverter algo que foi trabalhado junto ao governo Trump por ele, Flávio e Eduardo Bolsonaro.

•        Flávio Bolsonaro perde força e Faria Lima aposta na reeleição de Lula

Os tropeços na pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passaram a alimentar, entre executivos do topo da Faria Lima, a percepção de que o presidente Lula (PT) é hoje o favorito para vencer a eleição de outubro. A avaliação ganhou força após novas pesquisas eleitorais e depois da crise pública entre o senador e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, informa Lauro Jardim, do jornal O Globo.

Ainda há muita campanha pela frente, mas o ambiente entre parte relevante do mercado financeiro mudou. A expectativa de uma arrancada de um nome de terceira via, como o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD), perdeu força, assim como arrefeceu o entusiasmo em torno da candidatura de Flávio Bolsonaro.

O movimento ocorre em meio a uma sequência de desgastes para o senador. O episódio mais recente foi a exposição da divergência com Michelle Bolsonaro sobre os rumos do PL no Ceará. O conflito envolveu a articulação do partido com Ciro Gomes (PSDB) e a disputa por uma vaga ao Senado, com Michelle defendendo a vereadora Priscila Costa e Flávio apoiando o deputado estadual Alcides Fernandes.

A crise ganhou contornos públicos quando Michelle afirmou ter sido desrespeitada e diminuída politicamente pelo enteado. Mesmo após pedidos de desculpas e tentativas de reduzir o desgaste, o episódio abriu fissuras no campo bolsonarista e atingiu uma área sensível da pré-campanha de Flávio: a relação com o eleitorado feminino, segmento no qual Michelle tem influência relevante por sua atuação à frente do PL Mulher.

Além do ruído familiar e partidário, Flávio Bolsonaro já vinha enfrentando dificuldades desde a repercussão do caso envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg mostrou queda do senador em cenários de primeiro e segundo turno após a divulgação de áudios e mensagens relacionados ao caso.

O desgaste também apareceu em levantamento Meio/Ideia, no qual 57% dos entrevistados avaliaram que o caso do áudio de Flávio Bolsonaro para Vorcaro prejudicaria sua campanha presidencial. A leitura, dentro e fora do campo bolsonarista, é que o episódio dificultou a construção de uma imagem de renovação e ampliou a resistência de setores moderados.

Na Faria Lima, esse acúmulo de reveses passou a produzir um ajuste de expectativas. Executivos que antes buscavam alternativas a Lula e ao bolsonarismo agora começam a se debruçar sobre um cenário de um quarto mandato. A preocupação central deixou de ser apenas quem poderia derrotá-lo e passou a incluir outra pergunta: como seria uma nova gestão Lula e quais nomes ocupariam postos-chave no governo.

A mudança de humor não significa adesão política ao presidente, mas reconhecimento pragmático de que a candidatura governista atravessa o momento com mais estabilidade do que a de seu principal adversário na direita. Enquanto Flávio tenta conter danos internos, recompor pontes com Michelle e reorganizar sua pré-campanha, Lula se beneficia da fragmentação no campo oposicionista e da ausência, até agora, de uma alternativa competitiva de centro ou terceira via.

 

Fonte: Fórum/Brasil 247

 

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