China
acelera na ciência e mira liderança no espaço
A China
acelera cada vez mais em ciência, com avanço em pesquisas, estação espacial
própria e planos para a Lua, ampliando a disputa tecnológica com os Estados
Unidos e consolidando uma estratégia que combina investimento público, inovação
industrial e ambição geopolítica, relata reportagem da Deutsche Welle.
A
ascensão chinesa já não se limita à economia ou à indústria. Ela aparece com
força no espaço, nos laboratórios de ponta, nas universidades e em áreas
estratégicas como inteligência artificial, tecnologia quântica, biotecnologia,
energia de fusão, ciências da vida e exploração do chamado espaço profundo.
Um dos
símbolos mais visíveis dessa nova fase está a cerca de 390 quilômetros da
Terra. A comissária-chefe da polícia de Hong Kong, Lai Kai-ying, de 43 anos,
integra a tripulação chinesa que orbita o planeta na estação espacial Tiangong,
o “Palácio celestial”. Ao lado de dois colegas astronautas da República Popular
da China, ela dá 16 voltas ao redor da Terra por dia em uma estrutura que
funciona como laboratório de microgravidade para experimentos científicos.
A
Tiangong está em operação há quase cinco anos e se tornou uma peça central da
estratégia espacial chinesa. A estação simboliza não apenas capacidade técnica,
mas também poder econômico e projeção internacional. Assim como ocorreu na
corrida espacial das décadas de 1950 e 1960, a disputa atual carrega forte
componente ideológico. A diferença é que, no século XXI, o principal competidor
dos Estados Unidos não é mais a União Soviética, mas a China.
A
tendência é que essa posição ganhe ainda mais peso nos próximos anos. Com a
desativação prevista da Estação Espacial Internacional em 2032, Pequim poderá
se tornar o único governo a manter uma estação orbital permanentemente ocupada.
O
avanço espacial, porém, é apenas uma parte de um movimento mais amplo. O
ranking mais recente do Nature Index, elaborado pela revista científica Nature,
colocou a China no topo da produção científica mundial em 2025, à frente dos
Estados Unidos e da Alemanha. O levantamento também apontou que nove das dez
principais instituições de pesquisa do mundo são chinesas. A única exceção foi
a Universidade Harvard, dos Estados Unidos, na terceira posição.
A
Sociedade Max Planck, da Alemanha, referência internacional em pesquisa básica,
aparece apenas na 13ª colocação. Para Christina Beck, porta-voz da instituição,
a mudança é estrutural. “Hoje em dia, é quase irrelevante qual ranking de
instituições científicas internacionais você queira consultar. Universidades e
instituições de pesquisa na China são líderes em muitas áreas”, afirmou.
O
levantamento mostra a força chinesa especialmente nas ciências naturais, como
biologia, química e física, além de áreas aplicadas. As instituições dos
Estados Unidos ainda mantêm vantagem em ciências da saúde e ciências sociais,
mas a distância diminuiu no conjunto da produção científica global.
Especialistas
apontam que a ascensão não ocorreu de forma repentina. Richard Heidler, diretor
de Gestão da Informação da Fundação Alemã de Pesquisa, destacou que o
crescimento vem sendo construído há pelo menos duas décadas. “No início dos
anos 2000, houve sobretudo um aumento significativo no volume de publicações,
enquanto, há cerca de dez anos, análises bibliométricas passaram a mostrar
também um crescimento em indicadores de impacto, como a proporção e o número de
publicações altamente citadas”, explicou.
Na
prática, a China deixou de apenas publicar muito e passou a influenciar de
forma crescente o debate científico internacional. A produção chinesa se tornou
mais citada, mais visível e mais relevante em áreas consideradas essenciais
para a economia do futuro.
Christina
Beck atribui esse salto a uma política de Estado de longo prazo. “O fator
decisivo foi o apoio financeiro sistemático e de longo prazo às instituições
científicas e universidades na China, particularmente por meio da formação
internacional de pesquisadores e investimentos substanciais em infraestruturas
de pesquisa de grande escala”, disse.
Pequim
trata a tecnologia como eixo central de sua estratégia de desenvolvimento. O
15º Plano Quinquenal, que orienta o crescimento econômico até 2030, prevê um
aumento da eficiência do sistema de inovação e busca integrar de forma mais
intensa a pesquisa científica à indústria. O conceito oficial usado pelo
governo chinês para essa nova etapa é o de “novas forças produtivas”.
Entre
as prioridades definidas no planejamento estão inteligência artificial,
tecnologia quântica, energia de fusão controlável, ciências da vida,
biotecnologia, pesquisa cerebral, prevenção de doenças graves, indústria
farmacêutica, exploração de águas profundas e polares e investigação do espaço
profundo.
No
setor espacial, a competição com os Estados Unidos se concentra especialmente
na Lua. A China pretende estar pronta para uma missão tripulada lunar até 2030.
Já a Nasa trabalha para cumprir o cronograma do programa Artemis, previsto para
2028, mas enfrenta atrasos no módulo lunar e em novos trajes espaciais.
Pequim
também planeja estabelecer uma presença permanente na superfície lunar e usar a
Lua como plataforma para futuras expedições ao espaço profundo. A médio prazo,
astronautas chineses poderão ser alocados de forma contínua em instalações
lunares.
A China
já obteve um feito inédito: coletou amostras de rochas do lado oculto da Lua
por meio de um módulo lunar. Esse material deverá ser usado em pesquisas para a
produção de estruturas semelhantes às rochas lunares, com potencial aplicação
em futuras construções fora da Terra.
A
expansão tecnológica chinesa, no entanto, vai além da ciência. Para analistas,
ela também serve como instrumento de influência internacional. Daniel Voelsen,
pesquisador do Instituto Alemão para Assuntos Internacionais e de Segurança,
escreveu que “a tecnologia pode ser usada como uma ferramenta para criar
esferas de influência transfronteiriças”.
Segundo
ele, a disputa tecnológica também envolve domínio de mercados, vantagens
econômicas e interesses militares. “O objetivo é exportar o máximo possível
graças ao domínio do mercado internacional e explorar os efeitos econômicos de
escala associadas, sem abrir mão de uma vantagem militar ou econômica decisiva.
Para países como os EUA e a China, isso está associado ao desejo de também
influenciar as políticas de outras nações por meio do domínio tecnológico”,
afirmou.
Essa
dimensão política tem impacto direto na cooperação científica. Nos Estados
Unidos, a Nasa está proibida por lei federal, por meio da chamada Emenda Wolf
de 2011, de cooperar diretamente com a agência espacial chinesa. A Agência
Espacial Europeia também evita aprofundar parcerias com Pequim, em razão da
aliança transatlântica, embora astronautas europeus já tenham realizado
treinamentos conjuntos com taikonautas chineses e aprendido vocabulário em
chinês.
Na
Alemanha, o Ministério Federal da Pesquisa, Tecnologia e Espaço afirma que a
cooperação com a China deve respeitar limites políticos e estratégicos.
“Limites claros são estabelecidos em áreas sensíveis”, declarou o ministério.
“Isso se aplica, por exemplo, a colaborações em temas que também podem servir a
fins militares (uso duplo) ou a colaborações na área de inteligência
artificial, que podem ser mal utilizadas para fins de vigilância e violações de
direitos humanos.”
A
percepção na Europa é que a China se tornou simultaneamente parceira,
concorrente e rival sistêmica. Por isso, instituições científicas passaram a
avaliar com mais cautela os riscos e benefícios de projetos conjuntos.
“Queremos
manter a cooperação em áreas de pesquisa onde não haja problema de uso duplo”,
afirmou Christina Beck. Um exemplo citado por ela é o radiotelescópio FAST,
localizado na província de Guizhou, no sudoeste da China. Com 500 metros de
diâmetro, o equipamento é considerado o maior radiotelescópio do mundo. “Essa
colaboração nos dá acesso a uma infraestrutura única”, disse.
Ingrid
Krüßmann, do Centro Sino-Alemão de Fomento à Pesquisa da Fundação Alemã de
Pesquisa, defende posição semelhante. “A DFG está comprometida em criar a maior
segurança jurídica possível para os pesquisadores na Alemanha, para que
projetos de colaboração de excelência com parceiros chineses continuem, em
princípio, sendo viáveis”, afirmou.
Ao
mesmo tempo, a aproximação entre pesquisa civil e militar na China, somada ao
endurecimento geopolítico e à situação política interna do país, impõe novos
desafios às instituições estrangeiras. A Sociedade Max Planck afirma que
pretende conduzir parcerias com instituições chinesas de forma “informada,
responsável e estratégica”.
Enquanto
isso, Pequim avança no uso da ciência e do espaço como instrumentos de política
externa. Depois da presença de Lai Kai-ying na estação Tiangong, a China
prepara a ida de um astronauta estrangeiro para uma missão de seis meses em sua
estação espacial. Dois paquistaneses treinam para a missão Shenzhou 24,
prevista para outubro.
O gesto
tem forte significado diplomático. O Paquistão é um dos aliados mais próximos
de Pequim, e a presença de seus astronautas na estação chinesa reforça a ideia
de que a disputa por influência também ocorre fora da atmosfera terrestre. No
vácuo do espaço, a formação de blocos políticos segue acompanhando a corrida
tecnológica na Terra.
¨
Ben Norton denuncia campanha do Vale do Silício contra a
China na corrida da inteligência artificial
O
jornalista Ben Norton, editor-chefe do Geopolitical Economy Report, afirma
que as maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos estão conduzindo uma
ampla campanha política, econômica e midiática para preservar sua supremacia
global na inteligência artificial e conter o avanço da China. Em vídeo
publicado em seu canal, Norton sustenta que corporações do Vale do Silício
atuam em estreita parceria com o governo norte-americano para promover uma nova
Guerra Fria tecnológica.
Com
base em reportagens publicadas por veículos como Wired, The
Guardian, Axios e Politico, Norton argumenta que empresas como
OpenAI, Palantir, Google, Microsoft, Oracle, Nvidia, Amazon Web Services e
SpaceX estariam articulando campanhas de influência, pressionando por subsídios
públicos, colaborando com projetos militares e utilizando a narrativa da
segurança nacional para justificar políticas destinadas a preservar seus
monopólios tecnológicos.
Influenciadores
seriam pagos para disseminar propaganda
Segundo
Norton, reportagem da revista Wired revelou que empresas do Vale do
Silício estão financiando influenciadores digitais para divulgar mensagens
favoráveis à indústria norte-americana de inteligência artificial e contrárias
à China.
Ele
afirma que grupos como o super PAC Leading the Future e a
organização Build American AI oferecem pagamentos a criadores de
conteúdo, inclusive influenciadores sem atuação política, para publicar vídeos
reforçando a ideia de que a China representa uma ameaça aos Estados Unidos.
Norton
reproduz literalmente um dos roteiros distribuídos aos influenciadores:
"Acabei
de saber que a China está tentando muito vencer os Estados Unidos em
inteligência artificial. Se isso acontecer, pode significar que a China obtenha
dados pessoais meus e dos meus filhos e tire empregos que deveriam estar aqui
nos Estados Unidos na corrida da inovação em IA. Eu sou time EUA."
Segundo
ele, influenciadores receberiam milhares de dólares por um único vídeo com esse
conteúdo.
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Protestos contra data centers seriam tratados como ameaça nacional
Para
Norton, a campanha vai além das redes sociais.
Ele
cita reportagem do Axios segundo a qual grupos financiados
pelas grandes empresas de tecnologia procuram associar manifestações populares
contra data centers a uma suposta estratégia chinesa para enfraquecer os
Estados Unidos.
Na
avaliação do jornalista, cria-se uma narrativa segundo a qual qualquer crítica
aos impactos ambientais da inteligência artificial ou à concentração econômica
das big techs favoreceria Pequim.
"O
argumento deles é simples: se você critica esses monopólios corporativos, então
está ajudando a China."
<><>Caso
envolvendo Elon Musk
Outro
exemplo citado por Norton envolve a empresa xAI, de Elon Musk.
Segundo
reportagem mencionada pelo jornalista, a empresa foi alvo de ação judicial
apresentada pela NAACP, que acusa a instalação de dezenas de turbinas movidas a
gás metano sem licença ambiental para abastecer um centro de dados localizado
em uma comunidade pobre e majoritariamente negra do Mississippi.
Norton
destaca que o Departamento de Justiça do governo de Donald Trump,
atual presidente dos Estados Unidos, interveio em defesa da empresa.
Segundo
ele, o governo argumentou que os data centers utilizados para treinamento de
inteligência artificial são estratégicos para a economia e para o Departamento
de Defesa, razão pela qual ações ambientais não deveriam comprometer esses
projetos.
Para
Norton, isso demonstra que Washington estaria priorizando os interesses das
gigantes da tecnologia em detrimento das populações mais vulneráveis.
<><>
Uma nova Guerra Fria baseada na inteligência artificial
Ao
longo da análise, Norton sustenta que Washington passou a enquadrar a disputa
tecnológica com Pequim como uma verdadeira corrida armamentista.
Segundo
ele, parlamentares norte-americanos e representantes do setor tecnológico
descrevem a inteligência artificial como o equivalente contemporâneo da corrida
nuclear travada durante a Guerra Fria.
Nesse
contexto, afirma o jornalista, a principal preocupação do Vale do Silício é
impedir que empresas chinesas ampliem sua presença internacional.
<><>
Eric Schmidt critica modelos abertos da China
Norton
cita declarações do ex-presidente-executivo do Google, Eric Schmidt,
segundo as quais a China estaria promovendo uma ampla difusão global de
tecnologias abertas de inteligência artificial.
Schmidt
afirmou:
"O
que eu não gosto é que a China está muito focada na ampla difusão dessa
tecnologia globalmente e tudo é código aberto, o que significa que ela não é
controlada e certamente não é controlada por nós."
Para
Norton, essa declaração evidencia que o objetivo das empresas norte-americanas
é preservar o controle sobre as tecnologias mais avançadas do setor.
Ele
também lembra que Schmidt exerceu forte influência sobre a política científica
durante o governo de Joe Biden, demonstrando, segundo sua avaliação, que essa
estratégia transcende diferenças partidárias entre democratas e republicanos.
<><>
Peter Thiel: "a concorrência é para perdedores"
O
jornalista também destaca a influência do investidor Peter Thiel, um dos
principais financiadores de Donald Trump e mentor político do vice-presidente
JD Vance.
Norton
recorda um artigo publicado por Thiel em 2014 no Wall Street Journal,
intitulado Competition is for Losers, e uma palestra ministrada na
Universidade Stanford.
Na
ocasião, Thiel declarou:
"Se
você está criando uma empresa, sempre deve buscar o monopólio e evitar a
concorrência. A concorrência é para perdedores."
Segundo
Norton, essa filosofia representa a lógica predominante entre os grandes
investidores do Vale do Silício.
<><>
OpenAI pede ajuda ao governo
Outro
ponto destacado é a situação financeira da OpenAI.
Segundo
Norton, embora a empresa tenha registrado perdas bilionárias, continua
anunciando investimentos gigantescos e busca apoio financeiro do governo
norte-americano.
Ele
afirma que a OpenAI enviou carta ao Escritório de Política Científica e
Tecnológica da Casa Branca defendendo maiores subsídios públicos para enfrentar
a concorrência chinesa.
Também
cita declarações do diretor financeiro da empresa defendendo uma espécie de
garantia federal para investimentos em inteligência artificial.
Segundo
Norton, documentos obtidos pelo jornalista Ed Zitron indicariam prejuízo de
aproximadamente US$ 5 bilhões em 2024, apesar de planos de investimentos muito
superiores.
<><>
Inteligência artificial e indústria militar
Norton
dedica parte significativa da análise à crescente integração entre empresas de
tecnologia e o Pentágono.
Segundo
ele, o Departamento de Defesa anunciou contratos envolvendo OpenAI, Google,
Microsoft, Nvidia, Oracle, Amazon Web Services, SpaceX e outras empresas para
projetos militares classificados.
O
objetivo declarado, segundo documento citado pelo jornalista, seria transformar
as Forças Armadas dos Estados Unidos em uma força militar orientada por
inteligência artificial.
Norton
afirma que o Pentágono também solicitou US$ 54 bilhões para o desenvolvimento
de armas autônomas.
Na
avaliação do jornalista, isso demonstra que as grandes empresas de IA
participam diretamente do complexo militar-industrial norte-americano.
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Palantir e o avanço da vigilância
Entre
todas as empresas citadas, Norton dedica atenção especial à Palantir.
Segundo
ele, a companhia vem recebendo contratos bilionários para integrar bancos de
dados do governo norte-americano e desenvolver sistemas de vigilância em massa.
O
jornalista também critica projetos de policiamento preditivo, que, segundo ele,
podem permitir que algoritmos apontem indivíduos como potenciais criminosos
antes mesmo da prática de qualquer delito.
Além
disso, Norton cita trechos de documentos públicos da Palantir defendendo maior
mobilização militar da sociedade norte-americana e o fortalecimento da
capacidade bélica dos Estados Unidos.
<><>
O conceito de "Surveillance Valley"
Para
sustentar sua análise, Norton recorre ao livro Surveillance Valley,
do jornalista Yasha Levine.
Segundo
Levine, a internet nunca foi uma ferramenta neutra, mas nasceu profundamente
integrada aos interesses militares e de inteligência dos Estados Unidos.
Norton
lembra que o autor documenta a colaboração histórica de empresas como Google,
Amazon e Facebook com o Pentágono, a CIA, a NSA e outras agências
governamentais.
Na
avaliação do editor do Geopolitical Economy Report, muitas dessas
conclusões, antes tratadas como exageradas por parte da imprensa tradicional,
passaram a ser corroboradas pelos próprios anúncios oficiais feitos pelo
governo norte-americano e pelas empresas de tecnologia.
<><>
A disputa tecnológica como eixo da geopolítica
Ao
concluir sua análise, Ben Norton afirma que os Estados Unidos utilizam a China
como principal justificativa para ampliar sistemas de vigilância, fortalecer o
complexo militar-industrial e consolidar o poder das grandes empresas de
tecnologia.
Segundo
ele, a narrativa da competição estratégica serviria para legitimar políticas
destinadas a preservar a liderança tecnológica norte-americana, restringir
concorrentes estrangeiros e ampliar a influência das corporações do Vale do
Silício sobre o Estado.
Para
Norton, a atual disputa pela inteligência artificial representa não apenas uma
competição econômica, mas uma reconfiguração da geopolítica mundial, marcada
pela crescente convergência entre governo, indústria militar e gigantes da
tecnologia dos Estados Unidos.
Fonte:
Brasil 247

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