Jeffrey
Sachs afirma que projeto da Grande Israel está em colapso
O
economista e professor Jeffrey Sachs afirmou que o projeto da “Grande Israel” —
a ideia de manter sob domínio israelense todos os territórios ocupados desde
1967 e impedir a criação de um Estado palestino — está entrando em colapso
diante da resistência regional, da mudança na opinião pública dos Estados
Unidos e do isolamento crescente de Israel. Em entrevista ao programa de Glenn
Diesen, publicada no YouTube, Sachs fez uma dura crítica ao governo de Benjamin
Netanyahu, que classificou como “o mais radical e extremista” da história de
Israel, e afirmou que a atual coalizão israelense transformou uma antiga
corrente ideológica em política de Estado.
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O que é o projeto da Grande Israel
Segundo
Sachs, a expressão "Grande Israel" designa a proposta de manter sob
soberania israelense todos os territórios conquistados na Guerra dos Seis Dias,
em 1967, especialmente Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental, rejeitando a
criação de um Estado palestino. O professor lembrou que, após a guerra de 1967,
Israel passou a controlar toda a Palestina sob mandato britânico e, embora
tenha devolvido a Península do Sinai ao Egito após o acordo de paz entre os
dois países, manteve o controle dos territórios palestinos ocupados. Para
Sachs, o principal problema dessa proposta é demográfico, jurídico e moral. “Há
8 milhões de árabes palestinos e aproximadamente 8 milhões de judeus
israelenses nesse território que foi a Palestina britânica. E, segundo a
ideologia da Grande Israel, os 8 milhões de judeus israelenses governarão os 8
milhões de árabes palestinos, ou os expulsarão, ou farão limpeza étnica da
região, ou os matarão.”
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Netanyahu e a transformação da ideologia em política de Estado
Segundo
Sachs, Benjamin Netanyahu defende esse projeto há décadas. “Netanyahu defende
isso há 30 anos.” Ele explicou que existem duas justificativas centrais
utilizadas pelos defensores da Grande Israel. “Há duas vertentes: uma espécie
de argumento de segurança, segundo o qual Israel só pode estar seguro como
Grande Israel; e uma segunda, religiosa, segundo a qual este seria o propósito
de Deus.” O economista afirmou que o atual governo israelense incorporou ambas
as visões e que partidos religiosos passaram a exercer enorme influência sobre
a política nacional.
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Críticas à extrema direita israelense
Durante
a entrevista, Sachs fez uma das críticas mais contundentes aos atuais ministros
israelenses. “Como judeu americano, acho as posições de pessoas como Smotrich e
Ben-Gvir fascistas, repugnantes e completamente extremistas.” Segundo ele, a
ideologia desses líderes representa uma forma de supremacismo incompatível com
a tradição judaica. “Elas nada têm a ver com o judaísmo rabínico, que ensinou
algo completamente diferente.” O professor afirmou ainda que a lógica
predominante no atual governo israelense trata vidas judaicas como superiores
às vidas árabes, visão que classificou como moralmente inaceitável.
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O papel dos Estados Unidos
Na
avaliação de Sachs, o projeto da Grande Israel só se tornou viável porque
contou durante décadas com apoio político, diplomático e militar dos Estados
Unidos. “Desde 1996, o governo americano basicamente apoiou o projeto da Grande
Israel.” Ele afirmou que essa estratégia inspirou diversas intervenções
militares no Oriente Médio. Segundo Sachs, a invasão do Iraque em 2003 foi
baseada em um falso pretexto e tinha como objetivo eliminar um governo que
apoiava a causa palestina.
Também
citou a guerra na Síria, que atribuiu a uma operação conduzida pela CIA para
derrubar Bashar al-Assad. “Isso tem sido uma guerra perpétua de 30 anos por
algo que não tem justificativa alguma.”
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A influência dos evangélicos americanos
Sachs
também destacou a influência dos cristãos evangélicos sionistas na política
americana. Segundo ele, parte desse movimento apoia a expansão territorial
israelense por acreditar que ela faz parte das profecias bíblicas relacionadas
ao retorno de Jesus Cristo. Ele citou o atual embaixador dos Estados Unidos em
Israel, Mike Huckabee, como um dos principais representantes dessa corrente.
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A guerra contra o Irã mudou o cenário
Na
avaliação de Sachs, a guerra iniciada em 2026 contra o Irã demonstrou os
limites do projeto da Grande Israel. Segundo ele, Israel e Estados Unidos
acreditavam que poderiam derrubar rapidamente o governo iraniano, mas
encontraram um país com grande capacidade militar. “Eles pensaram que estavam
perto. Tudo o que precisavam fazer era derrubar o regime iraniano. Isso se
revelou uma ilusão.” Sachs afirmou que a capacidade de dissuasão demonstrada
pelo Irã levou Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, a interromper
o conflito. “Concordo com Trump em encerrar a guerra. Claro que discordo dele
por ter começado essa guerra, que foi absurda, mas concordo com ele por
encerrá-la.”
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A opinião pública americana mudou
Outro
elemento decisivo, segundo o economista, é a transformação da opinião pública
dos Estados Unidos após a guerra em Gaza. Segundo Sachs, a percepção sobre
Israel deteriorou-se profundamente. Ele destacou eleições recentes em Nova York
como um exemplo dessa mudança, afirmando que candidatos críticos ao governo
israelense obtiveram vitórias expressivas. “Israel está perdendo seu único
apoio por causa de seu extremismo.” Para Sachs, há uma distinção importante. “Os
americanos apoiariam Israel, mas não apoiam a Grande Israel.”
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A solução passa pelo reconhecimento dos palestinos
Sachs
defendeu que o futuro da região exige abandonar definitivamente a lógica da
supremacia territorial. Segundo ele, ainda existem duas alternativas
politicamente viáveis: a solução de dois Estados, tradicionalmente defendida
pela ONU, ou a criação de um Estado binacional democrático, no qual israelenses
e palestinos compartilhem instituições comuns. “O que não é possível, na minha
visão, é um Estado de apartheid ou a continuidade dos assassinatos
irresponsáveis promovidos por Israel, seja em Gaza, seja na Cisjordânia.” Ao
encerrar a entrevista, Sachs advertiu que Israel corre o risco de comprometer
sua própria sobrevivência caso continue seguindo a estratégia atual. “Se Israel
continuar sendo um Estado fora da lei, como tem sido, não encontrará apoio em
lugar nenhum. Israel colocará em risco sua própria sobrevivência, não por causa
do resto do mundo, mas por causa do seu próprio comportamento.”
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Guerra contra o Irã foi um fracasso e acusa EUA e Israel
de ampliarem instabilidade global
O
economista Jeffrey Sachs, professor da Universidade Columbia e ex-conselheiro
das Nações Unidas, afirmou que a estratégia dos Estados Unidos em relação ao
Irã fracassou completamente e que a única saída racional para Washington seria
encerrar sua intervenção militar na região. As declarações foram feitas durante
entrevista ao programa Judging Freedom, apresentado pelo ex-juiz
Andrew Napolitano. Segundo Sachs, a recente decisão do Irã de abandonar as
negociações com os Estados Unidos é consequência direta da política adotada por
Washington e do apoio incondicional dado a Israel. Para ele, a guerra contra
Teerã foi construída sobre premissas equivocadas desde o início. “O governo dos
Estados Unidos cometeu um erro terrível ao iniciar essa guerra. A ideia de que
seria possível derrubar rapidamente a liderança iraniana e substituí-la por um
governo alinhado a Washington era completamente ilusória”, afirmou.
Na
avaliação do economista, a Casa Branca acreditou que conseguiria impor suas
condições ao Irã em poucos dias, mas acabou presa em um impasse que ameaça
ampliar ainda mais a instabilidade no Oriente Médio. Sachs argumenta que os
Estados Unidos enfrentam apenas duas alternativas: aprofundar a escalada
militar, com consequências potencialmente devastadoras para toda a região, ou
reconhecer o fracasso da estratégia adotada e se retirar. “Dobrar a aposta em
um erro é cometer um erro ainda maior. É hora de ir para casa”, declarou.
Para
ele, uma retirada americana teria efeitos imediatos sobre a economia mundial.
Sachs sustenta que, sem a pressão militar exercida por Washington, o Estreito
de Hormuz voltaria a operar normalmente, permitindo a estabilização dos
mercados globais de energia. Segundo o economista, essa solução interessa não
apenas ao Irã, mas também a seus parceiros estratégicos, como China e Rússia,
além dos países do Golfo Pérsico. Ao comentar o papel de Donald Trump na crise,
Sachs foi especialmente crítico. Ele afirmou que o presidente americano se
recusa a admitir o fracasso da operação e continua apresentando exigências que
o governo iraniano não tem motivos para aceitar.
Questionado
sobre a possibilidade de Trump reconhecer um erro, respondeu com ironia: “Ele
pode dizer que conquistou a maior vitória da história do universo e depois ir
embora. Não me importo com o que ele diga. O importante é encerrar isso.” Sachs
também sugeriu que as frequentes declarações da Casa Branca sobre supostos
avanços diplomáticos servem para conter pressões econômicas, especialmente
sobre o mercado de petróleo. Segundo ele, a atual estabilidade dos preços pode
ser temporária e mascarar um problema muito maior. “Os estoques estão sendo
reduzidos. Se continuarmos nesse ritmo sem uma solução real, veremos um salto
enorme nos preços do petróleo”, alertou.
O
economista acredita que uma interrupção prolongada dos fluxos energéticos na
região pode provocar escassez de combustível e elevar significativamente os
custos para consumidores em todo o mundo. As críticas de Sachs também atingiram
diretamente o governo israelense e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
Segundo ele, Israel vem conduzindo uma política expansionista baseada no
controle permanente dos territórios palestinos e em intervenções militares
contínuas nos países vizinhos. “Israel está tentando construir aquilo que chama
de Grande Israel, controlando toda a Palestina, Gaza, Cisjordânia, Jerusalém
Oriental e partes da Síria e do Líbano”, afirmou.
Na
visão do economista, o governo israelense só consegue sustentar essa estratégia
graças ao apoio político, militar e financeiro dos Estados Unidos. Por isso,
argumenta que Washington teria condições de interromper imediatamente as
operações israelenses caso suspendesse esse respaldo. “Não mais dinheiro, não
mais munição e não mais cobertura diplomática. Israel não teria condições de
continuar sem o apoio americano.” Sachs também acusou a política externa
americana de ser movida por ressentimentos históricos. Segundo ele, parte da
elite política dos Estados Unidos jamais aceitou a Revolução Islâmica de 1979,
que encerrou décadas de influência direta de Washington sobre o Irã após o
golpe apoiado pela CIA em 1953. “Os impérios odeiam quando um país se liberta
de sua influência. A visão predominante em Washington é que o Irã escapou do
controle americano em 1979 e precisa ser punido por isso.”
Ao
longo da entrevista, o economista argumentou que as autoridades americanas
possuem uma compreensão extremamente limitada da sociedade iraniana. Para ele,
a política de sanções, ameaças e ataques militares revela desconhecimento sobre
a história e a cultura do país. “Eles não entendem o Irã. Enxergam o país como
um Estado medieval que pode ser esmagado por exigências e ameaças.”
Outro
alvo das críticas foi o aparato militar e de segurança dos Estados Unidos.
Sachs comentou a decisão do Pentágono de restringir o acesso de jornalistas a
determinadas áreas das instalações militares americanas e afirmou que a medida
demonstra receio em relação à divulgação de informações sobre as guerras
conduzidas por Washington. “Eles têm medo da verdade”, afirmou.
O
economista comparou a situação atual ao período que antecedeu a invasão do
Iraque, em 2003, quando o governo americano justificou a guerra com alegações
sobre armas de destruição em massa que nunca foram encontradas. Segundo ele, a
repetição desse tipo de narrativa ocorre porque a população americana não apoia
novos conflitos militares nem os gastos bilionários associados a eles. “Os
americanos não querem essas guerras. Não querem trilhões de dólares sendo
gastos com contratantes militares e nem milhares de pessoas sendo mortas em seu
nome.”
Nos
momentos finais da entrevista, Sachs voltou sua atenção para a guerra na
Ucrânia e demonstrou preocupação com o risco de ampliação do conflito para
outros países europeus. Ele criticou a postura adotada por lideranças da União
Europeia, que considera excessivamente hostil à Rússia, e revelou ter enviado
uma carta aberta ao chanceler alemão Friedrich Merz pedindo maior empenho
diplomático. “O dever da Alemanha hoje é impedir uma guerra europeia. Antes que
tudo saia do controle, é preciso ao menos telefonar para o outro lado e
conversar.”
Para
Sachs, tanto no Oriente Médio quanto na Europa, o caminho para evitar uma
escalada de consequências imprevisíveis passa pelo abandono da lógica militar e
pela retomada de negociações políticas efetivas. Em sua avaliação, insistir em
estratégias de confronto apenas aumenta os riscos para a segurança
internacional e para a economia global.
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Jeffrey Sachs vê ruptura entre Trump e Netanyahu e acusa
Israel de agir como “Estado pária”
O
economista Jeffrey Sachs afirmou que a relação entre o presidente dos Estados
Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu,
atravessa um momento de ruptura diante das negociações para conter a escalada
militar no Oriente Médio. Em entrevista ao programa Judging Freedom,
conduzido pelo juiz Andrew Napolitano e publicada no YouTube, Sachs disse ver
sinais de que Washington pode estar tentando recuperar o controle de sua
política externa após décadas de alinhamento automático com Israel. Na
conversa, intitulada “Netanyahu vs. Trump”, Sachs criticou duramente a guerra
contra o Irã, denunciou o uso de sanções econômicas pelos Estados Unidos e
classificou Israel como um “Estado pária”. Segundo ele, o conflito “nunca
deveria ter acontecido” e foi baseado em premissas “absolutamente delirantes”.
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“Esta guerra nunca deveria ter acontecido”
Ao
comentar a possibilidade de um novo acordo entre Estados Unidos e Irã, Sachs
afirmou que o que está em discussão é, em grande medida, uma volta ao cenário
anterior ao início da guerra. Segundo ele, a reabertura do Estreito de Hormuz
seria um dos pontos centrais do entendimento em negociação. “O que está na mesa
agora é a reabertura do Estreito de Hormuz, que estava aberto antes de os EUA e
Israel entrarem em guerra contra o Irã em 28 de fevereiro”, disse Sachs.
Para o
economista, o acordo nuclear de 2015, conhecido como JCPOA, já havia
estabelecido mecanismos para impedir que o Irã desenvolvesse armas nucleares.
Sachs lembrou que o próprio Irã afirma há décadas não desejar uma bomba nuclear
e responsabilizou Trump por ter rompido o pacto em 2018, durante seu mandato
anterior. “Nós já tínhamos esse tratado, como você está apontando, acordado 11
anos atrás, e Trump o rasgou três anos depois, em 2018”, afirmou. “Isso não
trouxe nada além de sofrimento.” Segundo Sachs, a guerra foi vendida por seus
defensores como uma operação rápida, capaz de eliminar lideranças iranianas e
permitir que Washington escolhesse um novo governo em Teerã. Ele classificou
essa avaliação como “farsesca” e “trágica”. “Ela foi baseada em premissas
absolutamente delirantes de que isso seria uma operação de um dia. Matar a
liderança e Trump escolheria o próximo líder. Isso foi absolutamente farsesco”,
declarou.
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Netanyahu queria a guerra, diz Sachs
Sachs
atribuiu a Netanyahu a pressão histórica por uma guerra contra o Irã. Segundo
ele, o primeiro-ministro israelense buscava há décadas derrubar o governo
iraniano e viu no conflito a realização de uma ambição antiga. “Israel queria
esta guerra. Netanyahu disse no primeiro dia que esse era o sonho dele havia 40
anos”, afirmou Sachs. O economista também disse considerar significativo que
políticos extremistas de direita em Israel estejam reagindo com indignação às
tratativas conduzidas por Trump. Para ele, a irritação de aliados de Netanyahu
indica que a divergência entre Washington e Tel Aviv pode ser real. “Os
políticos extremistas de direita em Israel estão tendo um ataque absoluto sobre
isso. E os aliados de Netanyahu estão atacando Trump. Isso me sinaliza que há
algo real”, disse.
Sachs
afirmou ainda que Trump usou, nos últimos dias, linguagem dura contra
Netanyahu, o que interpretou como sinal de possível distanciamento. “Talvez
seja um pouco de amadurecimento do sistema político americano, que talvez
esteja retomando o controle das mãos do lobby sionista, o que eu espero muito
que seja o caso”, declarou.
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Sanções e dinheiro iraniano bloqueado
Outro
ponto central da entrevista foi a crítica de Sachs ao uso de sanções econômicas
pelos Estados Unidos. Segundo ele, o governo norte-americano age de forma “sem
lei” ao congelar recursos de países considerados adversários. “O governo dos
Estados Unidos, como negócio, confisca o dinheiro de países dos quais não
gosta. Fez isso com a Rússia. Fez isso com a Venezuela. Fez isso com o Irã. Fez
isso com a Coreia do Norte. Fez isso com o Afeganistão. É comportamento
totalmente sem lei”, afirmou.
Sachs
disse que o Irã tem dezenas de bilhões de dólares bloqueados em diferentes
partes do mundo por causa das sanções norte-americanas. Segundo ele, há relatos
de que parte desse dinheiro poderia ser liberada em etapas no âmbito de um novo
acordo. “O que parece ter sido acordado é que algo na ordem de US$ 242 bilhões
do próprio dinheiro do Irã será liberado em etapas. Os primeiros US$ 12
bilhões, se entendo pelos relatos da mídia, serão liberados nos próximos 30
dias”, afirmou. Para Sachs, a pressão econômica dos Estados Unidos teve impacto
profundo sobre o Irã, ainda que não tenha sido decisiva no campo militar. Ele
afirmou que Washington opera um regime econômico de coerção contra países como
Venezuela, Cuba e Irã.
“Os EUA
ainda têm o poder, não a lei, não o direito, mas o poder de causar grave dano
econômico”, declarou. “A isso eu chamo de gangsterismo.”
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Israel como “Estado pária”
Sachs
também fez uma das críticas mais duras da entrevista ao comportamento de Israel
em Gaza, na Cisjordânia e no Líbano. Ao comentar a possibilidade de o Líbano
integrar o acordo regional em discussão, ele acusou Israel de ter invadido o
país e de manter uma política de expansão territorial. “Israel cometeu um
genocídio em Gaza. Israel está anexando a Cisjordânia diante dos nossos olhos e
Israel invadiu o Líbano. Não é um quadro bonito. Israel é um Estado pária”,
afirmou. O economista citou ainda mandados de prisão emitidos pelo Tribunal
Penal Internacional contra líderes israelenses e disse esperar que Trump leve
adiante a tentativa de conter Netanyahu. Segundo Sachs, Trump teria dito a
Netanyahu que “todo mundo odeia você” e que “todo mundo odeia Israel”. Sachs
atribuiu a rejeição internacional a Israel não ao antissemitismo, mas às ações
do governo israelense. “Isso é demonstravelmente verdadeiro, segundo as
pesquisas de opinião Pew feitas em todo o mundo e divulgadas no mês passado,
que mostraram que Israel é desprezado pelo que está fazendo, não por
antissemitismo, isso é absurdo, mas pelo que Israel está fazendo”, afirmou.
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O projeto da “Grande Israel”
Sachs
disse que o núcleo da política de Netanyahu, há cerca de 30 anos, é o projeto
da chamada “Grande Israel”. Segundo ele, essa estratégia busca impedir os
direitos palestinos, bloquear a criação de um Estado palestino, ocupar
Jerusalém Oriental e intervir em países vizinhos. “O núcleo da governança de
Netanyahu por 30 anos tem sido o que se chama de Grande Israel. Isso significa
bloquear os direitos palestinos, bloquear um Estado da Palestina ao lado do
Estado de Israel, ocupar e massacrar os habitantes de Gaza, ocupar e matar os
palestinos na Cisjordânia, ocupar Jerusalém Oriental e invadir países
vizinhos”, afirmou. Para Sachs, esse projeto foi um desastre para todas as
partes envolvidas. “Foi um completo desastre para todos. Desastre para o
Oriente Médio, desastre para Israel, desastre para os Estados Unidos, que foram
cúmplices de tudo isso”, disse.
O
economista afirmou que Israel não conseguiria manter sua atual política sem
apoio norte-americano. Segundo ele, esse apoio ocorre em três frentes: militar,
financeira e diplomática. “Tudo o que Israel fez depende dos Estados Unidos.
Depende dos Estados Unidos militarmente. Depende dos Estados Unidos
financeiramente. E depende dos Estados Unidos diplomaticamente, porque os EUA
deram cobertura diplomática a Israel o tempo todo”, declarou.
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Mossad, espionagem e influência em Washington
Na
parte final da entrevista, Sachs comentou relatos sobre espionagem israelense
contra autoridades e instituições norte-americanas. Para ele, esse tipo de
prática não causa surpresa e estaria relacionado ao esforço de Israel para
manter influência sobre a política externa dos Estados Unidos. “Não há nada
surpreendente. E eles fazem isso para manter seu domínio sobre a política
externa americana”, afirmou. Sachs disse que Israel precisa se transformar em
um país “normal” se quiser sobreviver politicamente. Ele defendeu que o país
respeite leis, regras e princípios internacionais, além de abandonar práticas
como espionagem, suborno e interferência na política norte-americana. “Israel
absolutamente, se vai sobreviver, e isso é uma interrogação, precisa se tornar
um país normal. Precisa se comportar. Precisa entender que há leis, regras e
princípios. Precisa ficar fora da política americana dessa maneira, espionando,
subornando e fazendo qualquer outra coisa”, disse.Apesar do tom crítico, Sachs
afirmou ver uma possível mudança em curso na postura dos Estados Unidos em
relação a Israel. “Talvez haja um lampejo de luz dizendo que os Estados Unidos
estão se libertando desse domínio nestes dias. Meu Deus, eu espero que sim”,
concluiu.
Fonte:
Brasil 247

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