quarta-feira, 1 de julho de 2026

Jeffrey Sachs afirma que projeto da Grande Israel está em colapso

O economista e professor Jeffrey Sachs afirmou que o projeto da “Grande Israel” — a ideia de manter sob domínio israelense todos os territórios ocupados desde 1967 e impedir a criação de um Estado palestino — está entrando em colapso diante da resistência regional, da mudança na opinião pública dos Estados Unidos e do isolamento crescente de Israel. Em entrevista ao programa de Glenn Diesen, publicada no YouTube, Sachs fez uma dura crítica ao governo de Benjamin Netanyahu, que classificou como “o mais radical e extremista” da história de Israel, e afirmou que a atual coalizão israelense transformou uma antiga corrente ideológica em política de Estado.

<><> O que é o projeto da Grande Israel

Segundo Sachs, a expressão "Grande Israel" designa a proposta de manter sob soberania israelense todos os territórios conquistados na Guerra dos Seis Dias, em 1967, especialmente Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental, rejeitando a criação de um Estado palestino. O professor lembrou que, após a guerra de 1967, Israel passou a controlar toda a Palestina sob mandato britânico e, embora tenha devolvido a Península do Sinai ao Egito após o acordo de paz entre os dois países, manteve o controle dos territórios palestinos ocupados. Para Sachs, o principal problema dessa proposta é demográfico, jurídico e moral. “Há 8 milhões de árabes palestinos e aproximadamente 8 milhões de judeus israelenses nesse território que foi a Palestina britânica. E, segundo a ideologia da Grande Israel, os 8 milhões de judeus israelenses governarão os 8 milhões de árabes palestinos, ou os expulsarão, ou farão limpeza étnica da região, ou os matarão.”

<><> Netanyahu e a transformação da ideologia em política de Estado

Segundo Sachs, Benjamin Netanyahu defende esse projeto há décadas. “Netanyahu defende isso há 30 anos.” Ele explicou que existem duas justificativas centrais utilizadas pelos defensores da Grande Israel. “Há duas vertentes: uma espécie de argumento de segurança, segundo o qual Israel só pode estar seguro como Grande Israel; e uma segunda, religiosa, segundo a qual este seria o propósito de Deus.” O economista afirmou que o atual governo israelense incorporou ambas as visões e que partidos religiosos passaram a exercer enorme influência sobre a política nacional.

<><> Críticas à extrema direita israelense

Durante a entrevista, Sachs fez uma das críticas mais contundentes aos atuais ministros israelenses. “Como judeu americano, acho as posições de pessoas como Smotrich e Ben-Gvir fascistas, repugnantes e completamente extremistas.” Segundo ele, a ideologia desses líderes representa uma forma de supremacismo incompatível com a tradição judaica. “Elas nada têm a ver com o judaísmo rabínico, que ensinou algo completamente diferente.” O professor afirmou ainda que a lógica predominante no atual governo israelense trata vidas judaicas como superiores às vidas árabes, visão que classificou como moralmente inaceitável.

<><> O papel dos Estados Unidos

Na avaliação de Sachs, o projeto da Grande Israel só se tornou viável porque contou durante décadas com apoio político, diplomático e militar dos Estados Unidos. “Desde 1996, o governo americano basicamente apoiou o projeto da Grande Israel.” Ele afirmou que essa estratégia inspirou diversas intervenções militares no Oriente Médio. Segundo Sachs, a invasão do Iraque em 2003 foi baseada em um falso pretexto e tinha como objetivo eliminar um governo que apoiava a causa palestina.

Também citou a guerra na Síria, que atribuiu a uma operação conduzida pela CIA para derrubar Bashar al-Assad. “Isso tem sido uma guerra perpétua de 30 anos por algo que não tem justificativa alguma.”

<><> A influência dos evangélicos americanos

Sachs também destacou a influência dos cristãos evangélicos sionistas na política americana. Segundo ele, parte desse movimento apoia a expansão territorial israelense por acreditar que ela faz parte das profecias bíblicas relacionadas ao retorno de Jesus Cristo. Ele citou o atual embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, como um dos principais representantes dessa corrente.

<><> A guerra contra o Irã mudou o cenário

Na avaliação de Sachs, a guerra iniciada em 2026 contra o Irã demonstrou os limites do projeto da Grande Israel. Segundo ele, Israel e Estados Unidos acreditavam que poderiam derrubar rapidamente o governo iraniano, mas encontraram um país com grande capacidade militar. “Eles pensaram que estavam perto. Tudo o que precisavam fazer era derrubar o regime iraniano. Isso se revelou uma ilusão.” Sachs afirmou que a capacidade de dissuasão demonstrada pelo Irã levou Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, a interromper o conflito. “Concordo com Trump em encerrar a guerra. Claro que discordo dele por ter começado essa guerra, que foi absurda, mas concordo com ele por encerrá-la.”

<><> A opinião pública americana mudou

Outro elemento decisivo, segundo o economista, é a transformação da opinião pública dos Estados Unidos após a guerra em Gaza. Segundo Sachs, a percepção sobre Israel deteriorou-se profundamente. Ele destacou eleições recentes em Nova York como um exemplo dessa mudança, afirmando que candidatos críticos ao governo israelense obtiveram vitórias expressivas. “Israel está perdendo seu único apoio por causa de seu extremismo.” Para Sachs, há uma distinção importante. “Os americanos apoiariam Israel, mas não apoiam a Grande Israel.”

<><> A solução passa pelo reconhecimento dos palestinos

Sachs defendeu que o futuro da região exige abandonar definitivamente a lógica da supremacia territorial. Segundo ele, ainda existem duas alternativas politicamente viáveis: a solução de dois Estados, tradicionalmente defendida pela ONU, ou a criação de um Estado binacional democrático, no qual israelenses e palestinos compartilhem instituições comuns. “O que não é possível, na minha visão, é um Estado de apartheid ou a continuidade dos assassinatos irresponsáveis promovidos por Israel, seja em Gaza, seja na Cisjordânia.” Ao encerrar a entrevista, Sachs advertiu que Israel corre o risco de comprometer sua própria sobrevivência caso continue seguindo a estratégia atual. “Se Israel continuar sendo um Estado fora da lei, como tem sido, não encontrará apoio em lugar nenhum. Israel colocará em risco sua própria sobrevivência, não por causa do resto do mundo, mas por causa do seu próprio comportamento.”

¨      Guerra contra o Irã foi um fracasso e acusa EUA e Israel de ampliarem instabilidade global

O economista Jeffrey Sachs, professor da Universidade Columbia e ex-conselheiro das Nações Unidas, afirmou que a estratégia dos Estados Unidos em relação ao Irã fracassou completamente e que a única saída racional para Washington seria encerrar sua intervenção militar na região. As declarações foram feitas durante entrevista ao programa Judging Freedom, apresentado pelo ex-juiz Andrew Napolitano. Segundo Sachs, a recente decisão do Irã de abandonar as negociações com os Estados Unidos é consequência direta da política adotada por Washington e do apoio incondicional dado a Israel. Para ele, a guerra contra Teerã foi construída sobre premissas equivocadas desde o início. “O governo dos Estados Unidos cometeu um erro terrível ao iniciar essa guerra. A ideia de que seria possível derrubar rapidamente a liderança iraniana e substituí-la por um governo alinhado a Washington era completamente ilusória”, afirmou.

Na avaliação do economista, a Casa Branca acreditou que conseguiria impor suas condições ao Irã em poucos dias, mas acabou presa em um impasse que ameaça ampliar ainda mais a instabilidade no Oriente Médio. Sachs argumenta que os Estados Unidos enfrentam apenas duas alternativas: aprofundar a escalada militar, com consequências potencialmente devastadoras para toda a região, ou reconhecer o fracasso da estratégia adotada e se retirar. “Dobrar a aposta em um erro é cometer um erro ainda maior. É hora de ir para casa”, declarou.

Para ele, uma retirada americana teria efeitos imediatos sobre a economia mundial. Sachs sustenta que, sem a pressão militar exercida por Washington, o Estreito de Hormuz voltaria a operar normalmente, permitindo a estabilização dos mercados globais de energia. Segundo o economista, essa solução interessa não apenas ao Irã, mas também a seus parceiros estratégicos, como China e Rússia, além dos países do Golfo Pérsico. Ao comentar o papel de Donald Trump na crise, Sachs foi especialmente crítico. Ele afirmou que o presidente americano se recusa a admitir o fracasso da operação e continua apresentando exigências que o governo iraniano não tem motivos para aceitar.

Questionado sobre a possibilidade de Trump reconhecer um erro, respondeu com ironia: “Ele pode dizer que conquistou a maior vitória da história do universo e depois ir embora. Não me importo com o que ele diga. O importante é encerrar isso.” Sachs também sugeriu que as frequentes declarações da Casa Branca sobre supostos avanços diplomáticos servem para conter pressões econômicas, especialmente sobre o mercado de petróleo. Segundo ele, a atual estabilidade dos preços pode ser temporária e mascarar um problema muito maior. “Os estoques estão sendo reduzidos. Se continuarmos nesse ritmo sem uma solução real, veremos um salto enorme nos preços do petróleo”, alertou.

O economista acredita que uma interrupção prolongada dos fluxos energéticos na região pode provocar escassez de combustível e elevar significativamente os custos para consumidores em todo o mundo. As críticas de Sachs também atingiram diretamente o governo israelense e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Segundo ele, Israel vem conduzindo uma política expansionista baseada no controle permanente dos territórios palestinos e em intervenções militares contínuas nos países vizinhos. “Israel está tentando construir aquilo que chama de Grande Israel, controlando toda a Palestina, Gaza, Cisjordânia, Jerusalém Oriental e partes da Síria e do Líbano”, afirmou.

Na visão do economista, o governo israelense só consegue sustentar essa estratégia graças ao apoio político, militar e financeiro dos Estados Unidos. Por isso, argumenta que Washington teria condições de interromper imediatamente as operações israelenses caso suspendesse esse respaldo. “Não mais dinheiro, não mais munição e não mais cobertura diplomática. Israel não teria condições de continuar sem o apoio americano.” Sachs também acusou a política externa americana de ser movida por ressentimentos históricos. Segundo ele, parte da elite política dos Estados Unidos jamais aceitou a Revolução Islâmica de 1979, que encerrou décadas de influência direta de Washington sobre o Irã após o golpe apoiado pela CIA em 1953. “Os impérios odeiam quando um país se liberta de sua influência. A visão predominante em Washington é que o Irã escapou do controle americano em 1979 e precisa ser punido por isso.”

Ao longo da entrevista, o economista argumentou que as autoridades americanas possuem uma compreensão extremamente limitada da sociedade iraniana. Para ele, a política de sanções, ameaças e ataques militares revela desconhecimento sobre a história e a cultura do país. “Eles não entendem o Irã. Enxergam o país como um Estado medieval que pode ser esmagado por exigências e ameaças.”

Outro alvo das críticas foi o aparato militar e de segurança dos Estados Unidos. Sachs comentou a decisão do Pentágono de restringir o acesso de jornalistas a determinadas áreas das instalações militares americanas e afirmou que a medida demonstra receio em relação à divulgação de informações sobre as guerras conduzidas por Washington. “Eles têm medo da verdade”, afirmou.

O economista comparou a situação atual ao período que antecedeu a invasão do Iraque, em 2003, quando o governo americano justificou a guerra com alegações sobre armas de destruição em massa que nunca foram encontradas. Segundo ele, a repetição desse tipo de narrativa ocorre porque a população americana não apoia novos conflitos militares nem os gastos bilionários associados a eles. “Os americanos não querem essas guerras. Não querem trilhões de dólares sendo gastos com contratantes militares e nem milhares de pessoas sendo mortas em seu nome.”

Nos momentos finais da entrevista, Sachs voltou sua atenção para a guerra na Ucrânia e demonstrou preocupação com o risco de ampliação do conflito para outros países europeus. Ele criticou a postura adotada por lideranças da União Europeia, que considera excessivamente hostil à Rússia, e revelou ter enviado uma carta aberta ao chanceler alemão Friedrich Merz pedindo maior empenho diplomático. “O dever da Alemanha hoje é impedir uma guerra europeia. Antes que tudo saia do controle, é preciso ao menos telefonar para o outro lado e conversar.”

Para Sachs, tanto no Oriente Médio quanto na Europa, o caminho para evitar uma escalada de consequências imprevisíveis passa pelo abandono da lógica militar e pela retomada de negociações políticas efetivas. Em sua avaliação, insistir em estratégias de confronto apenas aumenta os riscos para a segurança internacional e para a economia global.

¨      Jeffrey Sachs vê ruptura entre Trump e Netanyahu e acusa Israel de agir como “Estado pária”

O economista Jeffrey Sachs afirmou que a relação entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, atravessa um momento de ruptura diante das negociações para conter a escalada militar no Oriente Médio. Em entrevista ao programa Judging Freedom, conduzido pelo juiz Andrew Napolitano e publicada no YouTube, Sachs disse ver sinais de que Washington pode estar tentando recuperar o controle de sua política externa após décadas de alinhamento automático com Israel. Na conversa, intitulada “Netanyahu vs. Trump”, Sachs criticou duramente a guerra contra o Irã, denunciou o uso de sanções econômicas pelos Estados Unidos e classificou Israel como um “Estado pária”. Segundo ele, o conflito “nunca deveria ter acontecido” e foi baseado em premissas “absolutamente delirantes”.

<><> “Esta guerra nunca deveria ter acontecido”

Ao comentar a possibilidade de um novo acordo entre Estados Unidos e Irã, Sachs afirmou que o que está em discussão é, em grande medida, uma volta ao cenário anterior ao início da guerra. Segundo ele, a reabertura do Estreito de Hormuz seria um dos pontos centrais do entendimento em negociação. “O que está na mesa agora é a reabertura do Estreito de Hormuz, que estava aberto antes de os EUA e Israel entrarem em guerra contra o Irã em 28 de fevereiro”, disse Sachs.

Para o economista, o acordo nuclear de 2015, conhecido como JCPOA, já havia estabelecido mecanismos para impedir que o Irã desenvolvesse armas nucleares. Sachs lembrou que o próprio Irã afirma há décadas não desejar uma bomba nuclear e responsabilizou Trump por ter rompido o pacto em 2018, durante seu mandato anterior. “Nós já tínhamos esse tratado, como você está apontando, acordado 11 anos atrás, e Trump o rasgou três anos depois, em 2018”, afirmou. “Isso não trouxe nada além de sofrimento.” Segundo Sachs, a guerra foi vendida por seus defensores como uma operação rápida, capaz de eliminar lideranças iranianas e permitir que Washington escolhesse um novo governo em Teerã. Ele classificou essa avaliação como “farsesca” e “trágica”. “Ela foi baseada em premissas absolutamente delirantes de que isso seria uma operação de um dia. Matar a liderança e Trump escolheria o próximo líder. Isso foi absolutamente farsesco”, declarou.

<><> Netanyahu queria a guerra, diz Sachs

Sachs atribuiu a Netanyahu a pressão histórica por uma guerra contra o Irã. Segundo ele, o primeiro-ministro israelense buscava há décadas derrubar o governo iraniano e viu no conflito a realização de uma ambição antiga. “Israel queria esta guerra. Netanyahu disse no primeiro dia que esse era o sonho dele havia 40 anos”, afirmou Sachs. O economista também disse considerar significativo que políticos extremistas de direita em Israel estejam reagindo com indignação às tratativas conduzidas por Trump. Para ele, a irritação de aliados de Netanyahu indica que a divergência entre Washington e Tel Aviv pode ser real. “Os políticos extremistas de direita em Israel estão tendo um ataque absoluto sobre isso. E os aliados de Netanyahu estão atacando Trump. Isso me sinaliza que há algo real”, disse.

Sachs afirmou ainda que Trump usou, nos últimos dias, linguagem dura contra Netanyahu, o que interpretou como sinal de possível distanciamento. “Talvez seja um pouco de amadurecimento do sistema político americano, que talvez esteja retomando o controle das mãos do lobby sionista, o que eu espero muito que seja o caso”, declarou.

<><> Sanções e dinheiro iraniano bloqueado

Outro ponto central da entrevista foi a crítica de Sachs ao uso de sanções econômicas pelos Estados Unidos. Segundo ele, o governo norte-americano age de forma “sem lei” ao congelar recursos de países considerados adversários. “O governo dos Estados Unidos, como negócio, confisca o dinheiro de países dos quais não gosta. Fez isso com a Rússia. Fez isso com a Venezuela. Fez isso com o Irã. Fez isso com a Coreia do Norte. Fez isso com o Afeganistão. É comportamento totalmente sem lei”, afirmou.

Sachs disse que o Irã tem dezenas de bilhões de dólares bloqueados em diferentes partes do mundo por causa das sanções norte-americanas. Segundo ele, há relatos de que parte desse dinheiro poderia ser liberada em etapas no âmbito de um novo acordo. “O que parece ter sido acordado é que algo na ordem de US$ 242 bilhões do próprio dinheiro do Irã será liberado em etapas. Os primeiros US$ 12 bilhões, se entendo pelos relatos da mídia, serão liberados nos próximos 30 dias”, afirmou. Para Sachs, a pressão econômica dos Estados Unidos teve impacto profundo sobre o Irã, ainda que não tenha sido decisiva no campo militar. Ele afirmou que Washington opera um regime econômico de coerção contra países como Venezuela, Cuba e Irã.

“Os EUA ainda têm o poder, não a lei, não o direito, mas o poder de causar grave dano econômico”, declarou. “A isso eu chamo de gangsterismo.”

<><> Israel como “Estado pária”

Sachs também fez uma das críticas mais duras da entrevista ao comportamento de Israel em Gaza, na Cisjordânia e no Líbano. Ao comentar a possibilidade de o Líbano integrar o acordo regional em discussão, ele acusou Israel de ter invadido o país e de manter uma política de expansão territorial. “Israel cometeu um genocídio em Gaza. Israel está anexando a Cisjordânia diante dos nossos olhos e Israel invadiu o Líbano. Não é um quadro bonito. Israel é um Estado pária”, afirmou. O economista citou ainda mandados de prisão emitidos pelo Tribunal Penal Internacional contra líderes israelenses e disse esperar que Trump leve adiante a tentativa de conter Netanyahu. Segundo Sachs, Trump teria dito a Netanyahu que “todo mundo odeia você” e que “todo mundo odeia Israel”. Sachs atribuiu a rejeição internacional a Israel não ao antissemitismo, mas às ações do governo israelense. “Isso é demonstravelmente verdadeiro, segundo as pesquisas de opinião Pew feitas em todo o mundo e divulgadas no mês passado, que mostraram que Israel é desprezado pelo que está fazendo, não por antissemitismo, isso é absurdo, mas pelo que Israel está fazendo”, afirmou.

<><> O projeto da “Grande Israel”

Sachs disse que o núcleo da política de Netanyahu, há cerca de 30 anos, é o projeto da chamada “Grande Israel”. Segundo ele, essa estratégia busca impedir os direitos palestinos, bloquear a criação de um Estado palestino, ocupar Jerusalém Oriental e intervir em países vizinhos. “O núcleo da governança de Netanyahu por 30 anos tem sido o que se chama de Grande Israel. Isso significa bloquear os direitos palestinos, bloquear um Estado da Palestina ao lado do Estado de Israel, ocupar e massacrar os habitantes de Gaza, ocupar e matar os palestinos na Cisjordânia, ocupar Jerusalém Oriental e invadir países vizinhos”, afirmou. Para Sachs, esse projeto foi um desastre para todas as partes envolvidas. “Foi um completo desastre para todos. Desastre para o Oriente Médio, desastre para Israel, desastre para os Estados Unidos, que foram cúmplices de tudo isso”, disse.

O economista afirmou que Israel não conseguiria manter sua atual política sem apoio norte-americano. Segundo ele, esse apoio ocorre em três frentes: militar, financeira e diplomática. “Tudo o que Israel fez depende dos Estados Unidos. Depende dos Estados Unidos militarmente. Depende dos Estados Unidos financeiramente. E depende dos Estados Unidos diplomaticamente, porque os EUA deram cobertura diplomática a Israel o tempo todo”, declarou.

<><> Mossad, espionagem e influência em Washington

Na parte final da entrevista, Sachs comentou relatos sobre espionagem israelense contra autoridades e instituições norte-americanas. Para ele, esse tipo de prática não causa surpresa e estaria relacionado ao esforço de Israel para manter influência sobre a política externa dos Estados Unidos. “Não há nada surpreendente. E eles fazem isso para manter seu domínio sobre a política externa americana”, afirmou. Sachs disse que Israel precisa se transformar em um país “normal” se quiser sobreviver politicamente. Ele defendeu que o país respeite leis, regras e princípios internacionais, além de abandonar práticas como espionagem, suborno e interferência na política norte-americana. “Israel absolutamente, se vai sobreviver, e isso é uma interrogação, precisa se tornar um país normal. Precisa se comportar. Precisa entender que há leis, regras e princípios. Precisa ficar fora da política americana dessa maneira, espionando, subornando e fazendo qualquer outra coisa”, disse.Apesar do tom crítico, Sachs afirmou ver uma possível mudança em curso na postura dos Estados Unidos em relação a Israel. “Talvez haja um lampejo de luz dizendo que os Estados Unidos estão se libertando desse domínio nestes dias. Meu Deus, eu espero que sim”, concluiu.

 

Fonte: Brasil 247

 

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