China
é a grande vencedora da nova aventura imperialista americana no Oriente Médio
Enquanto
a geopolítica ocidental queima recursos e vidas no Oriente Médio, a China
consolida uma liderança global de longo prazo baseada na soberania produtiva e
na transição energética. A reconfiguração das cadeias de valor globais
demonstra que o verdadeiro poder na era pós-industrial não se mede pelo número
de porta-aviões, mas pela capacidade industrial e tecnológica de moldar o
futuro verde do planeta.
Os
dados aduaneiros detalhados comprovam essa tendência soberana. No fechamento de
maio de 2026, a China contraiu em expressivos 29,01% o volume físico de suas
importações de petróleo bruto, reduzindo a exposição a rotas instáveis e a
choques inflacionários mundiais, ao mesmo tempo em que direcionou seu capital
para a massificação interna e externa de energias renováveis.
Esse
recuo na dependência dos combustíveis fósseis se contrapõe à liderança absoluta
da potência asiática na cadeia solar. A China detém atualmente mais de 80% da
capacidade global de produção de placas fotovoltaicas (e até 95% em etapas
fundamentais como wafers e células), tendo a União Europeia como maior
comprador de módulos (quase 50%), seguida pelo Brasil, o líder absoluto nas
compras da América Latina.
Gigantes
da indústria chinesa como JinkoSolar, LONGi Green Energy Technology, Trina
Solar, JA Solar e Canadian Solar lideram essa revolução de escala, inundando o
mercado global com tecnologia eficiente e barata. O resultado prático é que a
transição verde de qualquer nação hoje passa inevitavelmente pela engrenagem
manufatureira de Pequim, esmagando as tentativas de isolamento geopolítico e
tarifas protecionistas promovidas por Washington.
Essa
estrutura torna a China a grande vencedora estratégica no xadrez geopolítico
decorrente das guerras do petróleo promovidas pelos EUA no Oriente Médio.
Enquanto a máquina militar de Washington dilapida dezenas de bilhões de dólares
financiando frotas e hostilidades de desgaste, a China protege suas indústrias
contra as flutuações fósseis e lucra exportando gigawatts em tecnologia
descarbonizada para o resto do planeta.
A
evolução das exportações de tecnologia solar da China na última década revela
um aspecto notável sobre esse mercado. Como demonstra o gráfico abaixo, o valor
total em dólares das exportações solares atingiu seu pico histórico em 2023,
chegando a US$ 46,2 bilhões, e registrou um recuo nominal para US$ 36,5 bilhões
no acumulado de 12 meses encerrado em maio de 2026. No entanto, os
especialistas explicam que a capacidade física exportada (medida em gigawatts –
GW) continuou quebrando recordes sucessivos. Essa aparente divergência decorre
da impressionante queda nos custos industriais e nos preços finais dos módulos
promovida pelo avanço tecnológico chinês, barateando o watt-pico solar em mais
de 50%. Em vez de buscar o lucro monopolista, o ecossistema produtivo de Pequim
barateou e democratizou a transição energética para todo o Sul Global, deixando
para trás o protecionismo de Washington.
¨
Xi Jinping e a arte de vencer sem fazer nada
Durante
décadas, a cartilha imperialista de Washington sustentou que a hegemonia global
só poderia ser mantida através de intervenções militares diretas e do controle
monopolista do sistema financeiro. No entanto, enquanto dados oficiais enviados
pelo próprio Departamento de Defesa (Pentágono) ao Congresso indicam que os
Estados Unidos queimaram US$ 11,3 bilhões em apenas seis dias de hostilidades
contra o Irã em 2026 — um montante sabidamente subestimado por excluir o custo
total do complexo aparato de inteligência e logística —, Pequim demonstra que a
verdadeira liderança mundial se consolida por caminhos pacíficos. A potência
norte-americana especializou-se historicamente na destruição sistemática da
infraestrutura de nações soberanas, ao passo que a China investe no sentido
oposto, financiando e erguendo ferrovias, portos e redes de energia pelo mundo;
essa estratégia reflete uma visão geopolítica infinitamente mais generosa,
segundo a qual sociedades com amplo acesso a bens públicos essenciais tornam-se
estruturalmente afeitas à paz e à cooperação.
Os
dados inéditos de comércio exterior de maio de 2026 comprovam a solidez dessa
estratégia pacífica, com as exportações chinesas atingindo expressivos US$
376,80 bilhões, um avanço de 19,20% em base anual. Esse fluxo mercantil robusto
gerou um superávit mensal de US$ 105,40 bilhões, acumulando um saldo comercial
de US$ 1,168 trilhão nos doze meses encerrados em maio.
Esse
avanço avassalador das exportações ocorre em paralelo à redução do volume
físico de importações de matérias-primas críticas como o petróleo bruto, que
recuou 29,01% no mês, apontando para uma maior eficiência energética e para a
liderança chinesa na transição tecnológica global. O descolamento da economia
asiática frente às tentativas ocidentais de “desacoplamento” fica evidente no
histórico da última década.
A
solidez dessa musculatura mercantil serve de base para uma profunda
transformação na percepção pública mundial, tema central de debate no
programa The Point, apresentado pela jornalista Liu Xin na rede
estatal CGTN. O debate partiu de dados reveladores: a pesquisa da Gallup de
2025 registrou que a aprovação global da liderança da China atingiu 36%,
ultrapassando a dos EUA (31%), a maior vantagem chinesa em duas décadas. Esse
avanço foi corroborado pelo índice de soft power da Brand
Finance de 2026, no qual a China se destacou como a única grande potência
mundial a registrar alta, contrastando com o derretimento de 4,6 pontos na
pontuação norte-americana.
Durante
a mesa-redonda, o pesquisador brasileiro Renato Penelope, diretor do Conselho
de Cidadãos Brasileiros em Pequim, analisou a repercussão dessas mudanças na
América Latina. Ele apontou uma contradição de interesses no Ocidente: embora
elites midiáticas e forças locais tentem impor governos conservadores alinhados
à retórica norte-americana, a estabilidade das relações com Pequim permanece
inabalável. Penelope citou o exemplo do Brasil, cuja parceria vai além da
exportação de commodities agrícolas e minerais e se estende para iniciativas de
financiamento sustentável (como os títulos públicos Panda Bonds em
moeda chinesa) e intercâmbio de alta cultura, que vão desde a divulgação de
clássicos da sociologia brasileira de Darcy Ribeiro até grandes exposições de
Cândido Portinari no Museu Nacional de Pequim.
Em
termos de governança política, o jurista e analista italiano Ivan Cardilo
desmistificou o jargão ocidental que rotula a China como uma “ditadura de
partido único”. Cardilo asseverou que o público global está se tornando mais
pragmático ao avaliar a democracia por seus resultados efetivos. Enquanto a
alternância partidária ocidental muitas vezes esconde governos paralisados e
submetidos a pressões fiscais idênticas, a governança chinesa se estrutura
na accountability direta de servir ao povo, assumindo responsabilidade
direta pelos projetos e permitindo o planejamento estratégico previsível de
longo prazo. Essa aproximação factual é estimulada pela política de isenção de
vistos (visa-free) da China para dezenas de nações, abrindo espaço para que
cidadãos estrangeiros observem a realidade de perto, superando o filtro das
agências de comunicação hegemônicas.
Por
fim, a professora Zhang Xiaoyu, da Universidade de Comunicação da China,
destacou que a consolidação da imagem internacional do país se sustenta também
em uma nova indústria cultural descentralizada e conectada com a juventude
digital. Em vez de imitar a distribuição imperialista de Hollywood, Pequim
exporta novos formatos criativos e tecnológicos, como a febre de literatura
online (webnovels), produtos de design colecionáveis
como a marca Labubu, e conteúdos dinâmicos com a estética China
cool amplamente disseminada no TikTok. Para Xiaoyu, a própria
concepção de democracia para o cidadão chinês baseia-se em pilares palpáveis,
como o acesso facilitado a refeições baratas, educação pública acessível e
saúde de qualidade, oferecendo ao Sul Global uma alternativa soberana e
sustentável à modernidade endividante norte-americana, onde até antigos
presidentes levaram mais de duas décadas para liquidar suas dívidas estudantis.
¨
Martin Wolf aponta a queda da hegemonia dos EUA às
vésperas dos 250 anos do país
Às
vésperas do 250º aniversário da independência dos Estados Unidos, a maior potência
do século XX enfrenta uma crise histórica de hegemonia, legitimidade e
liderança global. A avaliação é de Martin Wolf, principal comentarista
econômico do Financial Times, em artigo publicado
pelo Valor Econômico,
no qual analisa a ascensão e a queda do poder norte-americano.
Segundo
Wolf, os EUA chegaram ao fim da Guerra Fria como vencedores absolutos do século
XX. Com o colapso da União Soviética, em 1991, Washington não apenas
concentrava poder econômico, político e militar sem paralelo, como também
parecia representar valores admirados em todo o mundo, como liberdade, governo
constitucional e democracia liberal. “Isso não durou”, resume o autor.
<><>
A potência que venceu o século XX
Wolf
reconstrói a trajetória da ascensão norte-americana desde o século XIX, quando
as potências europeias, sobretudo o Reino Unido, dominavam o planeta. A segunda
revolução industrial, impulsionada por eletricidade, telefonia, motores de
combustão, produtos químicos, farmacêuticos, rádio e aviação, deslocou
progressivamente o centro do poder mundial para os Estados Unidos.
Em
1914, antes mesmo da Primeira Guerra Mundial, os EUA já haviam se tornado a
maior economia do mundo. Para Wolf, a disputa europeia entre Alemanha, Reino
Unido, França e Rússia escondia a questão central do século: quando os Estados
Unidos se tornariam a potência dominante.
Após a
Primeira Guerra Mundial, Washington já era decisivo para o destino da Europa,
mas sua retirada da cena internacional contribuiu para uma paz instável, para
as convulsões econômicas e políticas dos anos 1920 e para a tragédia da Segunda
Guerra Mundial.
<><>
Guerra Fria consolidou a liderança americana
Depois
de 1945, os Estados Unidos não repetiram o isolamento anterior. A disputa com a
União Soviética manteve o país no centro da ordem internacional. A Europa
Ocidental passou a depender da proteção norte-americana, os impérios europeus
ruíram e emergiu um capitalismo administrado, com forte presença do Estado e
compromisso social-democrata.
Mesmo
com a revolução neoliberal dos anos 1980, afirma Wolf, a estrutura básica dessa
ordem permaneceu. O grande ponto de virada veio entre 1989 e 1991, com a queda
do Muro de Berlim, o fim do império soviético e o chamado “momento unipolar”
dos Estados Unidos.
Mas a
história, escreve o autor, “deu risadas”. Em menos de 35 anos, o papel dos EUA
como potência hegemônica estabilizadora começou a desaparecer, assim como havia
ocorrido com o Reino Unido por volta de 1900.
<><>
China, tecnologia e extrema direita mudam o tabuleiro
Para
Wolf, três forças principais explicam a transição da ordem para a desordem: a
ascensão da China, a revolução digital e o avanço do populismo de direita.
A
China, afastada gradualmente da aliança com a União Soviética nos anos 1970,
entrou em uma nova etapa com a política de “reforma e abertura” de Deng
Xiaoping. Nas décadas seguintes, tornou-se uma superpotência e, pela primeira
vez em mais de um século, os Estados Unidos passaram a enfrentar um concorrente
de porte equivalente.
Ao
mesmo tempo, a globalização liderada por Washington foi acelerada pelas
tecnologias da informação e da comunicação, produzindo ganhos econômicos, mas
também rupturas sociais, crises financeiras, ondas migratórias e polarização
política.
<><>
Trump é apontado como fator de corrosão interna
No
diagnóstico de Wolf, Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos,
aprofunda a crise da hegemonia americana ao corroer as bases institucionais e
simbólicas do poder dos EUA.
O autor
afirma que Trump vem minando as fontes essenciais da força norte-americana: o
Estado de direito, a liderança mundial em ciência, a confiabilidade das
alianças e a confiança na estabilidade econômica e política do país.
“Donald
Trump almeja ser um tirano”, escreve Wolf, ao lembrar que a Declaração de
Independência dos EUA proclamou a libertação contra tiranos. Para ele, um
governo baseado em leis vem sendo substituído por um governo baseado em
caprichos.
A crise
não é apenas doméstica. Wolf observa que a democracia liberal recua no mundo há
duas décadas e cita o instituto V-Dem, segundo o qual apenas 7% da população
mundial vive hoje em democracias liberais. Nesse cenário, afirma o
comentarista, Xi Jinping “já pode abrir um sorriso”.
<><>
Um mundo parecido com o de antes de 1914
O
artigo compara o momento atual ao período anterior à Primeira Guerra Mundial.
Assim como no início do século XX, grandes transformações econômicas,
tecnológicas e políticas estão redesenhando a disputa global.
A boa
notícia, segundo Wolf, é que as armas nucleares reduzem de forma significativa
o risco de uma guerra direta entre grandes potências. Além disso, nenhuma
potência atual estaria tomada pelo militarismo extremo que marcou o início do
século XX e os anos 1930 e 1940.
A má
notícia é que os grandes desafios contemporâneos só podem ser enfrentados de
forma cooperativa. Entre eles estão a crise ambiental, as consequências da
inteligência artificial e a disputa entre democracia e despotismo arbitrário.
<><>
A ordem criada pelos EUA está desaparecendo
A
conclusão de Wolf é dura: o mundo imaginado há 35 anos, após o colapso do
despotismo soviético, está desaparecendo. E, com ele, desaparece também a
versão dos Estados Unidos que liderou a construção da ordem internacional do
pós-guerra.
“Nós
aprendemos, sim, com a história. Mas, depois, esquecemos”, conclui o
comentarista do Financial Times.
¨
Trump ameaça impor tarifas de 100% a países que tributem
big techs
O
presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou impor uma tarifa de
importação de 100% sobre todos os produtos provenientes de países que adotarem
impostos sobre serviços digitais de empresas norte-americanas.
“Que
esta declaração sirva para deixar claro que qualquer país que impuser tal
imposto será imediatamente punido com uma TARIFA de 100% sobre todos os
produtos enviados aos Estados Unidos da América. “, escreveu Trump, em sua
Truth Social, na sexta-feira (26/06).
Segundo
ele, “essa tarifa prevalecerá sobre quaisquer acordos comerciais firmados com o
país, sejam eles implementados, assinados ou não”.
A
ameaça ocorre um dia após o Conselho da União Europeia aprovar a legislação que
implementa o acordo comercial com Washington, que limita a 15% a maior parte
das tarifas cobradas sobre os produtos europeus. Os impostos sobre serviços
digitais, no entanto, não fizeram parte das negociações.
Após as
ameaças de Trump, a Comissão Europeia reagiu. “Medidas unilaterais que visam
políticas tão legítimas são injustificadas. Caso sejam adotadas, a UE
responderá de forma rápida e decisiva para defender seus direitos e sua
autonomia regulatória”, afirmou Olof Gill, porta-voz do bloco.
<><>
Impostos europeus
Atualmente,
informa o The Guardian, França, Itália e Espanha cobram um imposto
de 3% sobre determinados serviços digitais. O Reino Unido aplica uma alíquota
de 2% sobre grandes mecanismos de busca, plataformas de mídia social e
marketplaces online. Já a Áustria cobra 5% sobre receitas de publicidade
digital, enquanto a Turquia impõe um imposto de 7,5% sobre serviços digitais.
Segundo
o Tesouro britânico, o imposto sobre serviços digitais arrecadou mais de 800
milhões de libras entre 2024 e 2025. Em abril, Trump advertiu o Reino Unido
sobre “uma alta tarifa” por manter esse tipo de tributação. “Eles acham que vão
ganhar dinheiro fácil, por isso se aproveitaram do nosso país”, declarou.
Além da
tributação, Washington também mantém divergências com a União Europeia em torno
de duas leis: a Lei dos Mercados Digitais (DMA) e a Lei dos Serviços Digitais
(DSA), que estabelecem regras de concorrência, transparência e moderação de
conteúdo para as grandes plataformas digitais.
Washington
sustenta que essas normas e os impostos europeus afetam desproporcionalmente as
big techs norte-americanas, como Google, Apple, Amazon, Microsoft e Meta.
<><>
Soberania digital
As
tensões também envolvem estratégias nacionais voltadas ao fortalecimento da
soberania digital. Na França, o governo vem ampliando o uso de tecnologias
desenvolvidas no país na administração pública.
Neste
mês, o premiê francês Sébastien Lecornu anunciou a substituição gradual do
software da Palantir, utilizado pela agência de inteligência francesa (DGSI),
por uma solução desenvolvida pela ChapsVision, que é nacional. Em abril, o país
anunciou a transferência da hospedagem dos dados do sistema público de saúde da
Microsoft para a francesa Scaleway.
No
Reino Unido, o governo revisa um contrato de £ 330 milhões (cerca de R$ 2,25
bilhões) firmado entre a Palantir e o Serviço Nacional de Saúde (NHS). Também
foi vetado um contrato de £ 50 milhões (R$ 320 bilhões) entre a empresa e a
Polícia Metropolitana de Londres.
Na
Alemanha, por sua vez, o chefe da área de ciberdefesa das Forças Armadas,
Thomas Daum, afirmou que a Bundeswehr não pretende conceder contratos à
Palantir neste momento, alegando ser inseguro permitir que uma empresa
estrangeira tenha acesso aos bancos de dados militares do país.
Fonte:
O Cafezinho/Brasil 247

Nenhum comentário:
Postar um comentário