quarta-feira, 1 de julho de 2026

China é a grande vencedora da nova aventura imperialista americana no Oriente Médio

Enquanto a geopolítica ocidental queima recursos e vidas no Oriente Médio, a China consolida uma liderança global de longo prazo baseada na soberania produtiva e na transição energética. A reconfiguração das cadeias de valor globais demonstra que o verdadeiro poder na era pós-industrial não se mede pelo número de porta-aviões, mas pela capacidade industrial e tecnológica de moldar o futuro verde do planeta.

Os dados aduaneiros detalhados comprovam essa tendência soberana. No fechamento de maio de 2026, a China contraiu em expressivos 29,01% o volume físico de suas importações de petróleo bruto, reduzindo a exposição a rotas instáveis e a choques inflacionários mundiais, ao mesmo tempo em que direcionou seu capital para a massificação interna e externa de energias renováveis.

Esse recuo na dependência dos combustíveis fósseis se contrapõe à liderança absoluta da potência asiática na cadeia solar. A China detém atualmente mais de 80% da capacidade global de produção de placas fotovoltaicas (e até 95% em etapas fundamentais como wafers e células), tendo a União Europeia como maior comprador de módulos (quase 50%), seguida pelo Brasil, o líder absoluto nas compras da América Latina.

Gigantes da indústria chinesa como JinkoSolar, LONGi Green Energy Technology, Trina Solar, JA Solar e Canadian Solar lideram essa revolução de escala, inundando o mercado global com tecnologia eficiente e barata. O resultado prático é que a transição verde de qualquer nação hoje passa inevitavelmente pela engrenagem manufatureira de Pequim, esmagando as tentativas de isolamento geopolítico e tarifas protecionistas promovidas por Washington.

Essa estrutura torna a China a grande vencedora estratégica no xadrez geopolítico decorrente das guerras do petróleo promovidas pelos EUA no Oriente Médio. Enquanto a máquina militar de Washington dilapida dezenas de bilhões de dólares financiando frotas e hostilidades de desgaste, a China protege suas indústrias contra as flutuações fósseis e lucra exportando gigawatts em tecnologia descarbonizada para o resto do planeta.

A evolução das exportações de tecnologia solar da China na última década revela um aspecto notável sobre esse mercado. Como demonstra o gráfico abaixo, o valor total em dólares das exportações solares atingiu seu pico histórico em 2023, chegando a US$ 46,2 bilhões, e registrou um recuo nominal para US$ 36,5 bilhões no acumulado de 12 meses encerrado em maio de 2026. No entanto, os especialistas explicam que a capacidade física exportada (medida em gigawatts – GW) continuou quebrando recordes sucessivos. Essa aparente divergência decorre da impressionante queda nos custos industriais e nos preços finais dos módulos promovida pelo avanço tecnológico chinês, barateando o watt-pico solar em mais de 50%. Em vez de buscar o lucro monopolista, o ecossistema produtivo de Pequim barateou e democratizou a transição energética para todo o Sul Global, deixando para trás o protecionismo de Washington.

¨      Xi Jinping e a arte de vencer sem fazer nada

Durante décadas, a cartilha imperialista de Washington sustentou que a hegemonia global só poderia ser mantida através de intervenções militares diretas e do controle monopolista do sistema financeiro. No entanto, enquanto dados oficiais enviados pelo próprio Departamento de Defesa (Pentágono) ao Congresso indicam que os Estados Unidos queimaram US$ 11,3 bilhões em apenas seis dias de hostilidades contra o Irã em 2026 — um montante sabidamente subestimado por excluir o custo total do complexo aparato de inteligência e logística —, Pequim demonstra que a verdadeira liderança mundial se consolida por caminhos pacíficos. A potência norte-americana especializou-se historicamente na destruição sistemática da infraestrutura de nações soberanas, ao passo que a China investe no sentido oposto, financiando e erguendo ferrovias, portos e redes de energia pelo mundo; essa estratégia reflete uma visão geopolítica infinitamente mais generosa, segundo a qual sociedades com amplo acesso a bens públicos essenciais tornam-se estruturalmente afeitas à paz e à cooperação.

Os dados inéditos de comércio exterior de maio de 2026 comprovam a solidez dessa estratégia pacífica, com as exportações chinesas atingindo expressivos US$ 376,80 bilhões, um avanço de 19,20% em base anual. Esse fluxo mercantil robusto gerou um superávit mensal de US$ 105,40 bilhões, acumulando um saldo comercial de US$ 1,168 trilhão nos doze meses encerrados em maio.

Esse avanço avassalador das exportações ocorre em paralelo à redução do volume físico de importações de matérias-primas críticas como o petróleo bruto, que recuou 29,01% no mês, apontando para uma maior eficiência energética e para a liderança chinesa na transição tecnológica global. O descolamento da economia asiática frente às tentativas ocidentais de “desacoplamento” fica evidente no histórico da última década.

A solidez dessa musculatura mercantil serve de base para uma profunda transformação na percepção pública mundial, tema central de debate no programa The Point, apresentado pela jornalista Liu Xin na rede estatal CGTN. O debate partiu de dados reveladores: a pesquisa da Gallup de 2025 registrou que a aprovação global da liderança da China atingiu 36%, ultrapassando a dos EUA (31%), a maior vantagem chinesa em duas décadas. Esse avanço foi corroborado pelo índice de soft power da Brand Finance de 2026, no qual a China se destacou como a única grande potência mundial a registrar alta, contrastando com o derretimento de 4,6 pontos na pontuação norte-americana.

Durante a mesa-redonda, o pesquisador brasileiro Renato Penelope, diretor do Conselho de Cidadãos Brasileiros em Pequim, analisou a repercussão dessas mudanças na América Latina. Ele apontou uma contradição de interesses no Ocidente: embora elites midiáticas e forças locais tentem impor governos conservadores alinhados à retórica norte-americana, a estabilidade das relações com Pequim permanece inabalável. Penelope citou o exemplo do Brasil, cuja parceria vai além da exportação de commodities agrícolas e minerais e se estende para iniciativas de financiamento sustentável (como os títulos públicos Panda Bonds em moeda chinesa) e intercâmbio de alta cultura, que vão desde a divulgação de clássicos da sociologia brasileira de Darcy Ribeiro até grandes exposições de Cândido Portinari no Museu Nacional de Pequim.

Em termos de governança política, o jurista e analista italiano Ivan Cardilo desmistificou o jargão ocidental que rotula a China como uma “ditadura de partido único”. Cardilo asseverou que o público global está se tornando mais pragmático ao avaliar a democracia por seus resultados efetivos. Enquanto a alternância partidária ocidental muitas vezes esconde governos paralisados e submetidos a pressões fiscais idênticas, a governança chinesa se estrutura na accountability direta de servir ao povo, assumindo responsabilidade direta pelos projetos e permitindo o planejamento estratégico previsível de longo prazo. Essa aproximação factual é estimulada pela política de isenção de vistos (visa-free) da China para dezenas de nações, abrindo espaço para que cidadãos estrangeiros observem a realidade de perto, superando o filtro das agências de comunicação hegemônicas.

Por fim, a professora Zhang Xiaoyu, da Universidade de Comunicação da China, destacou que a consolidação da imagem internacional do país se sustenta também em uma nova indústria cultural descentralizada e conectada com a juventude digital. Em vez de imitar a distribuição imperialista de Hollywood, Pequim exporta novos formatos criativos e tecnológicos, como a febre de literatura online (webnovels), produtos de design colecionáveis como a marca Labubu, e conteúdos dinâmicos com a estética China cool amplamente disseminada no TikTok. Para Xiaoyu, a própria concepção de democracia para o cidadão chinês baseia-se em pilares palpáveis, como o acesso facilitado a refeições baratas, educação pública acessível e saúde de qualidade, oferecendo ao Sul Global uma alternativa soberana e sustentável à modernidade endividante norte-americana, onde até antigos presidentes levaram mais de duas décadas para liquidar suas dívidas estudantis.

¨      Martin Wolf aponta a queda da hegemonia dos EUA às vésperas dos 250 anos do país

 Às vésperas do 250º aniversário da independência dos Estados Unidos, a maior potência do século XX enfrenta uma crise histórica de hegemonia, legitimidade e liderança global. A avaliação é de Martin Wolf, principal comentarista econômico do Financial Times, em artigo publicado pelo Valor Econômico, no qual analisa a ascensão e a queda do poder norte-americano.

Segundo Wolf, os EUA chegaram ao fim da Guerra Fria como vencedores absolutos do século XX. Com o colapso da União Soviética, em 1991, Washington não apenas concentrava poder econômico, político e militar sem paralelo, como também parecia representar valores admirados em todo o mundo, como liberdade, governo constitucional e democracia liberal. “Isso não durou”, resume o autor.

<><> A potência que venceu o século XX

Wolf reconstrói a trajetória da ascensão norte-americana desde o século XIX, quando as potências europeias, sobretudo o Reino Unido, dominavam o planeta. A segunda revolução industrial, impulsionada por eletricidade, telefonia, motores de combustão, produtos químicos, farmacêuticos, rádio e aviação, deslocou progressivamente o centro do poder mundial para os Estados Unidos.

Em 1914, antes mesmo da Primeira Guerra Mundial, os EUA já haviam se tornado a maior economia do mundo. Para Wolf, a disputa europeia entre Alemanha, Reino Unido, França e Rússia escondia a questão central do século: quando os Estados Unidos se tornariam a potência dominante.

Após a Primeira Guerra Mundial, Washington já era decisivo para o destino da Europa, mas sua retirada da cena internacional contribuiu para uma paz instável, para as convulsões econômicas e políticas dos anos 1920 e para a tragédia da Segunda Guerra Mundial.

<><> Guerra Fria consolidou a liderança americana

Depois de 1945, os Estados Unidos não repetiram o isolamento anterior. A disputa com a União Soviética manteve o país no centro da ordem internacional. A Europa Ocidental passou a depender da proteção norte-americana, os impérios europeus ruíram e emergiu um capitalismo administrado, com forte presença do Estado e compromisso social-democrata.

Mesmo com a revolução neoliberal dos anos 1980, afirma Wolf, a estrutura básica dessa ordem permaneceu. O grande ponto de virada veio entre 1989 e 1991, com a queda do Muro de Berlim, o fim do império soviético e o chamado “momento unipolar” dos Estados Unidos.

Mas a história, escreve o autor, “deu risadas”. Em menos de 35 anos, o papel dos EUA como potência hegemônica estabilizadora começou a desaparecer, assim como havia ocorrido com o Reino Unido por volta de 1900.

<><> China, tecnologia e extrema direita mudam o tabuleiro

Para Wolf, três forças principais explicam a transição da ordem para a desordem: a ascensão da China, a revolução digital e o avanço do populismo de direita.

A China, afastada gradualmente da aliança com a União Soviética nos anos 1970, entrou em uma nova etapa com a política de “reforma e abertura” de Deng Xiaoping. Nas décadas seguintes, tornou-se uma superpotência e, pela primeira vez em mais de um século, os Estados Unidos passaram a enfrentar um concorrente de porte equivalente.

Ao mesmo tempo, a globalização liderada por Washington foi acelerada pelas tecnologias da informação e da comunicação, produzindo ganhos econômicos, mas também rupturas sociais, crises financeiras, ondas migratórias e polarização política.

<><> Trump é apontado como fator de corrosão interna

No diagnóstico de Wolf, Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, aprofunda a crise da hegemonia americana ao corroer as bases institucionais e simbólicas do poder dos EUA.

O autor afirma que Trump vem minando as fontes essenciais da força norte-americana: o Estado de direito, a liderança mundial em ciência, a confiabilidade das alianças e a confiança na estabilidade econômica e política do país.

“Donald Trump almeja ser um tirano”, escreve Wolf, ao lembrar que a Declaração de Independência dos EUA proclamou a libertação contra tiranos. Para ele, um governo baseado em leis vem sendo substituído por um governo baseado em caprichos.

A crise não é apenas doméstica. Wolf observa que a democracia liberal recua no mundo há duas décadas e cita o instituto V-Dem, segundo o qual apenas 7% da população mundial vive hoje em democracias liberais. Nesse cenário, afirma o comentarista, Xi Jinping “já pode abrir um sorriso”.

<><> Um mundo parecido com o de antes de 1914

O artigo compara o momento atual ao período anterior à Primeira Guerra Mundial. Assim como no início do século XX, grandes transformações econômicas, tecnológicas e políticas estão redesenhando a disputa global.

A boa notícia, segundo Wolf, é que as armas nucleares reduzem de forma significativa o risco de uma guerra direta entre grandes potências. Além disso, nenhuma potência atual estaria tomada pelo militarismo extremo que marcou o início do século XX e os anos 1930 e 1940.

A má notícia é que os grandes desafios contemporâneos só podem ser enfrentados de forma cooperativa. Entre eles estão a crise ambiental, as consequências da inteligência artificial e a disputa entre democracia e despotismo arbitrário.

<><> A ordem criada pelos EUA está desaparecendo

A conclusão de Wolf é dura: o mundo imaginado há 35 anos, após o colapso do despotismo soviético, está desaparecendo. E, com ele, desaparece também a versão dos Estados Unidos que liderou a construção da ordem internacional do pós-guerra.

“Nós aprendemos, sim, com a história. Mas, depois, esquecemos”, conclui o comentarista do Financial Times.

¨      Trump ameaça impor tarifas de 100% a países que tributem big techs

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou impor uma tarifa de importação de 100% sobre todos os produtos provenientes de países que adotarem impostos sobre serviços digitais de empresas norte-americanas.

“Que esta declaração sirva para deixar claro que qualquer país que impuser tal imposto será imediatamente punido com uma TARIFA de 100% sobre todos os produtos enviados aos Estados Unidos da América. “, escreveu Trump, em sua Truth Social, na sexta-feira (26/06).

Segundo ele, “essa tarifa prevalecerá sobre quaisquer acordos comerciais firmados com o país, sejam eles implementados, assinados ou não”.

A ameaça ocorre um dia após o Conselho da União Europeia aprovar a legislação que implementa o acordo comercial com Washington, que limita a 15% a maior parte das tarifas cobradas sobre os produtos europeus. Os impostos sobre serviços digitais, no entanto, não fizeram parte das negociações.

Após as ameaças de Trump, a Comissão Europeia reagiu. “Medidas unilaterais que visam políticas tão legítimas são injustificadas. Caso sejam adotadas, a UE responderá de forma rápida e decisiva para defender seus direitos e sua autonomia regulatória”, afirmou Olof Gill, porta-voz do bloco.

<><> Impostos europeus

Atualmente, informa o The Guardian, França, Itália e Espanha cobram um imposto de 3% sobre determinados serviços digitais. O Reino Unido aplica uma alíquota de 2% sobre grandes mecanismos de busca, plataformas de mídia social e marketplaces online. Já a Áustria cobra 5% sobre receitas de publicidade digital, enquanto a Turquia impõe um imposto de 7,5% sobre serviços digitais.

Segundo o Tesouro britânico, o imposto sobre serviços digitais arrecadou mais de 800 milhões de libras entre 2024 e 2025. Em abril, Trump advertiu o Reino Unido sobre “uma alta tarifa” por manter esse tipo de tributação. “Eles acham que vão ganhar dinheiro fácil, por isso se aproveitaram do nosso país”, declarou.

Além da tributação, Washington também mantém divergências com a União Europeia em torno de duas leis: a Lei dos Mercados Digitais (DMA) e a Lei dos Serviços Digitais (DSA), que estabelecem regras de concorrência, transparência e moderação de conteúdo para as grandes plataformas digitais.

Washington sustenta que essas normas e os impostos europeus afetam desproporcionalmente as big techs norte-americanas, como Google, Apple, Amazon, Microsoft e Meta.

<><> Soberania digital

As tensões também envolvem estratégias nacionais voltadas ao fortalecimento da soberania digital. Na França, o governo vem ampliando o uso de tecnologias desenvolvidas no país na administração pública.

Neste mês, o premiê francês Sébastien Lecornu anunciou a substituição gradual do software da Palantir, utilizado pela agência de inteligência francesa (DGSI), por uma solução desenvolvida pela ChapsVision, que é nacional. Em abril, o país anunciou a transferência da hospedagem dos dados do sistema público de saúde da Microsoft para a francesa Scaleway.

No Reino Unido, o governo revisa um contrato de £ 330 milhões (cerca de R$ 2,25 bilhões) firmado entre a Palantir e o Serviço Nacional de Saúde (NHS). Também foi vetado um contrato de £ 50 milhões (R$ 320 bilhões) entre a empresa e a Polícia Metropolitana de Londres.

Na Alemanha, por sua vez, o chefe da área de ciberdefesa das Forças Armadas, Thomas Daum, afirmou que a Bundeswehr não pretende conceder contratos à Palantir neste momento, alegando ser inseguro permitir que uma empresa estrangeira tenha acesso aos bancos de dados militares do país.

 

Fonte: O Cafezinho/Brasil 247

 

 

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