sexta-feira, 3 de julho de 2026

Sóstenes e os R$ 430 mil: entenda a nova fase da PF

Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do PL na Câmara dos Deputados, voltou ao centro da Operação Rent a Car nesta quarta-feira (1º/7), quando a Polícia Federal deflagrou a Galho Fraco II contra pessoas ligadas ao parlamentar. O novo desdobramento reacende o episódio dos R$ 430 mil em dinheiro vivo apreendidos pela PF, em dezembro de 2025, em um flat usado pelo deputado em Brasília.

A Polícia Federal informou que a nova fase, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), apura suspeitas de peculato, lavagem de dinheiro, fraude processual e organização criminosa. Os alvos incluem um advogado e pessoas ligadas a Sóstenes que teriam participado do saque do dinheiro e da tentativa de criar uma versão para justificar a origem dos valores.

<><> Sóstenes Cavalcante e os R$ 430 mil no flat

O dinheiro foi apreendido na fase anterior da operação, deflagrada em 19 de dezembro de 2025. Na ocasião, Sóstenes Cavalcante foi alvo de busca e apreensão em investigação sobre suspeita de desvio de recursos públicos da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (CEAP), verba usada para custear despesas do mandato.

A apreensão dos R$ 430 mil em espécie se tornou o ponto mais forte da operação contra o líder do PL. O valor foi encontrado em um endereço usado pelo parlamentar na capital federal, no contexto de uma investigação sobre locação de veículos, cota parlamentar e possível ocultação de verba pública.

À época, a Fórum mostrou que Sóstenes afirmou que o dinheiro tinha origem na venda de um imóvel. O parlamentar disse que os documentos seriam apresentados por seus advogados e por seu contador.

<><> PF apura possível versão falsa sobre dinheiro vivo

O novo elemento da Galho Fraco II é a suspeita de fraude processual. A PF agora investiga se houve uma tentativa de montar uma explicação falsa para a origem dos R$ 430 mil encontrados no flat de Sóstenes.

A PF apurou que o contrato apresentado para justificar o dinheiro não seria verdadeiro. A suspeita é tratada dentro da frente que investiga possível ocultação ou alteração de provas.

Em nota oficial, a PF afirmou que as investigações apontam indícios de um possível esquema envolvendo agentes públicos, particulares e pessoas jurídicas supostamente usadas para dar aparência de legalidade à movimentação de recursos públicos. A corporação também citou possíveis tentativas de ocultação ou alteração de provas.

<><> Galho Fraco II aprofunda apuração sobre cota parlamentar

A Galho Fraco II é a terceira fase da Operação Rent a Car. As medidas judiciais são cumpridas no Distrito Federal, em Goiás e em Minas Gerais, com objetivo de coletar e preservar novos elementos de prova.

Nas fases anteriores, a PF identificou supostas irregularidades na contratação de empresa de locação de veículos com recursos da cota parlamentar. A apuração mira a movimentação e a destinação final desses valores.

A Operação Galho Fraco, deflagrada em dezembro, já havia apontado que agentes políticos, servidores comissionados e particulares teriam atuado de forma coordenada para desviar e ocultar verba pública. Naquele momento, a PF cumpriu sete mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e no Rio de Janeiro.

Sóstenes nega irregularidades e já afirmou ser alvo de perseguição política. Até aqui, a investigação trata de suspeitas e indícios, sem decisão judicial definitiva sobre responsabilidade penal do deputado.

•        A rota dos R$ 430 mil: comprador de casa de Sóstenes soma flagrante armado e clã punido por fraude

ara tentar justificar os R$ 430 mil em dinheiro vivo encontrados pela Polícia Federal, o deputado federal e pastor Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) apresentou a venda de uma casa no interior de Minas Gerais. O comprador do imóvel, o advogado Thiago Ferreira de Paula, carrega um histórico que puxa o parlamentar para um enredo muito mais complexo. Documentos públicos revelam uma teia familiar marcada por autuação em megaoperação contra lavagem de dinheiro, cargos em clube de tiro e punições por simulação contábil.

O primeiro sinal de alerta para os investigadores repousa na cronologia do negócio. A escritura atesta a venda da casa em Ituiutaba por R$ 500 mil, quitados integralmente em espécie. O imóvel havia sido comprado por Sóstenes em 2023 por R$ 310 mil. O registro em cartório, no entanto, ocorreu apenas no dia 30 de dezembro de 2025, exatos 11 dias após a operação da PF bater à porta de um endereço ligado ao mandato do parlamentar. O episódio foi amplamente repercutido pela Revista Fórum.

<><> O cruzamento com a Operação Zebu

Para entender quem assumiu o pagamento em dinheiro vivo para o líder da bancada evangélica, é preciso voltar a agosto de 2007. Naquele mês, o Triângulo Mineiro foi alvo da Operação Zebu. A força-tarefa mobilizou Ministério Público, Polícia Federal e Receita Estadual contra uma robusta organização criminosa focada em lavagem de dinheiro e sonegação fiscal no setor de frigoríficos.

A investigação mapeou o uso de laranjas, empresas de fachada e falsificação de carimbos de inspeção. Toda a engenharia financeira contava com o suporte de escritórios de advocacia e contabilidade locais. Foi exatamente durante o cumprimento de mandados de busca nesses escritórios que Thiago Ferreira de Paula cruzou com a polícia.

Filho de Saul Ferreira de Paula, advogado e dono de um dos escritórios de contabilidade vasculhados, Thiago foi autuado em flagrante por porte ilegal de arma de fogo. Ele portava uma pistola Bereta calibre 6.35 mm durante a operação. Mesmo sem registros públicos atuais de condenação criminal por lavagem, a autuação insere o comprador da casa de Sóstenes no epicentro de uma das maiores ações contra a ocultação de patrimônio na região.

<><> Clube de tiro e negócios agropecuários

O envolvimento com armas não se restringiu ao flagrante da Operação Zebu. A documentação oficial de Ituiutaba expõe uma atuação direta nesse setor. Um documento da Câmara Municipal, anexado ao Projeto de Lei CM nº 71/2010, formaliza o advogado no cargo de 2º secretário, em 2010, do Águia Clube de Tiro de Ar Comprimido de Ituiutaba,  e sede na rodovia BR-365.

Fora do estande de tiros, os negócios se expandem para a agropecuária, setor conhecido pelos desafios de rastreabilidade financeira. Em novembro de 2024, a prefeitura emitiu o Certificado de Licenciamento Ambiental Simplificado para a Fazenda Gafanhoto. A licença está em nome de Thiago e autoriza a criação extensiva de bovinos e equinos em mais de 14 hectares, com validade até 2034.

<><> Punição por “simulação contábil” na Fazenda estadual

As suspeitas que recaíram sobre o escritório da família em 2007 não encerraram os atritos com o Fisco. O pai de Thiago, o contabilista Saul Ferreira de Paula, sofreu um duro revés administrativo uma década depois.

Um acórdão julgado em 2017 pelo Conselho de Contribuintes de Minas Gerais incluiu Saul como coobrigado em uma multa milionária contra a empresa Frig’ West Frigorífico Eireli. Os auditores detalharam um esquema de saída de mercadorias sem nota fiscal, acompanhado da injeção de recursos de origem desconhecida no caixa da empresa.

A decisão cravou a ocorrência de “simulação de registros contábeis” arquitetada para burlar o ICMS. O conselho atestou a participação direta do contabilista nas fraudes, decisão que foi mantida integralmente pela Câmara Especial do órgão no ano seguinte.

A mãe do advogado também possui forte trânsito na máquina pública. Servidora municipal e advogada, Abgail Maria da Silva de Paula tentou uma vaga na Câmara de Ituiutaba nas eleições de 2024. Concorrendo pelo MDB como Abgail Paula, obteve 26 votos e terminou como suplente. Em 2020, o Diário Oficial do Ministério Público estadual registrou o arquivamento de um inquérito civil que investigava possíveis irregularidades nos proventos da servidora e o uso da estrutura funcional para advocacia privada, caso encerrado após uma recomendação corretiva.

<><> O cerco da Operação Galho Fraco II

O peso desse histórico documental coloca em xeque a narrativa de Sóstenes na capital federal. A justificativa de que o dinheiro vivo é fruto exclusivo de uma transação lícita colide de frente com os desdobramentos da nova Operação Galho Fraco II.

Autorizada pelo Supremo Tribunal Federal, a investigação da Polícia Federal busca rastrear justamente o fluxo financeiro oculto de agentes políticos. O foco é o desvio de recursos da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar e o uso sistemático de laranjas e contratos de fachada para lavar o dinheiro desviado.

Sóstenes, listado como líder partidário do PL, nega irregularidades. Contudo, a versão do “dinheiro guardado por lapso” agora precisa sobreviver ao escrutínio público sobre as verdadeiras intenções e a capacidade financeira de um comprador umbilicalmente ligado a armas, fazendas e sentenças por fraudes contábeis.

•        Dinheiro de Sóstenes: comprador de imóvel tem histórico com armas e fraude fiscal

óstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do PL na Câmara, voltou ao centro da Operação Rent a Car nesta quarta-feira (1º), depois que a Polícia Federal encontrou maços de dinheiro escondidos em caixas com capas de livros jurídicos na casa do advogado Thiago Ferreira de Paula, apontado como comprador do imóvel usado pelo deputado para justificar R$ 430 mil apreendidos em espécie em dezembro.

As imagens foram divulgadas no site oficial da Polícia Federal na terceira fase da operação, batizada de Galho Fraco II. Segundo a PF, as medidas foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal e cumpridas no Distrito Federal, em Goiás e em Minas Gerais para coletar e preservar provas sobre possível peculato, lavagem de dinheiro, fraude processual e organização criminosa.

Segundo apuração, a etapa desta quarta mira um advogado e pessoas ligadas a Sóstenes que teriam sido responsáveis por sacar valores e tentar fraudar a investigação ao criar uma versão para a origem do dinheiro. A PF, no comunicado oficial, afirma haver indícios de possíveis tentativas de ocultação ou alteração de provas, o que pode caracterizar fraude processual.

<><> Sóstenes Cavalcante e a versão do imóvel em dinheiro vivo

A conexão com Thiago Ferreira de Paula vem da explicação apresentada por Sóstenes após a operação de dezembro, quando agentes apreenderam R$ 430 mil em espécie em endereço ligado ao deputado em Brasília. O líder do PL afirmou na ocasião que o dinheiro vinha da venda de uma casa em Ituiutaba, no Triângulo Mineiro.

A venda entrou na mira porque a escritura foi lavrada em cartório no dia 30 de dezembro, 11 dias depois da busca da PF. Segundo reportagens da época, o imóvel foi negociado por R$ 500 mil em dinheiro vivo, e o comprador era o advogado Thiago Ferreira de Paula, que atua em Minas Gerais.

A Fórum já havia mostrado que Sóstenes registrou a venda do imóvel após a ação da PF, embora o deputado afirmasse ter recebido o valor antes da operação. A nova fase aprofunda justamente a apuração sobre a movimentação e a destinação dos recursos investigados.

<><> PF mostra livro-caixa, maços de dinheiro e relógio

O material visual publicado pela PF é o principal elemento novo da operação. Em uma das fotos, uma capa de livro com a palavra “Direito” aparece aberta sobre uma caixa com cédulas. Em outra, o dinheiro aparece acomodado em caixas brancas, com notas de R$ 50, R$ 100 e R$ 200.

A PF também publicou uma imagem de um relógio em caixa da marca Patek Philippe. O comunicado oficial, porém, não informa se o item foi apreendido, avaliado ou vinculado a algum investigado específico.

<><> Operação Rent a Car apura cota parlamentar e fraude processual

A Operação Rent a Car nasceu de suspeitas sobre contratos de locação de veículos pagos com a Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar, verba pública da Câmara destinada a custear despesas do mandato. Segundo a PF, fases anteriores identificaram supostas irregularidades na contratação de empresa de aluguel de veículos com recursos da CEAP.

Na etapa desta quarta, a PF afirma que aprofunda a apuração sobre a movimentação e a destinação desses valores. O órgão diz haver indícios de um possível esquema envolvendo agentes públicos, particulares e pessoas jurídicas supostamente usadas para dar aparência de legalidade à movimentação de recursos públicos.

A corporação também aponta possíveis tentativas de ocultação ou alteração de provas. As medidas seguem em curso, e o comunicado oficial da PF não informa denúncia, condenação ou conclusão sobre responsabilidade penal dos citados.

 

Fonte: Fórum

 

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