sexta-feira, 3 de julho de 2026

PF mira pessoas ligadas a Sóstenes em nova fase de operação sobre desvio de cota parlamentar

A Polícia Federal cumpriu nesta quarta-feira (1º) uma operação que tem como principais alvos o entorno do deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), líder do PL na Câmara dos Deputados, sob autorização do ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal). O parlamentar não é alvo da medida.

É a terceira fase da Operação Rent a Car, que chegou a fazer buscas contra o deputado no fim do ano passado para investigar suspeitas de desvios de recursos públicos de cotas parlamentares.

Em dezembro, em um endereço ligado a Sóstenes, a PF apreendeu mais de R$ 460 mil mil em espécie. À época, Sóstenes afirmou à imprensa que sofre perseguição por ser de direita e que o dinheiro vivo encontrado em seu endereço se deve à venda de um imóvel na semana anterior.

A fase desta quarta tem como principais alvos as pessoas que fizeram os saques em espécie desse dinheiro e um advogado de Minas Gerais que apresentou versão sobre a aquisição desse imóvel.

Procurado por meio da assessoria de imprensa às 7h, o deputado ainda não se manifestou.

A PF afirma que a atual fase tem o objetivo de aprofundar as apurações sobre a movimentação e destinação dos recursos relacionados ao desvio de cota parlamentar.

São apuradas suspeitas de eventuais crimes de peculato, lavagem de dinheiro, fraude processual e organização criminosa. São cumpridos cinco mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, em Goiás e em Minas Gerais.

De acordo com a corporação, “as investigações apontam indícios de possível esquema envolvendo agentes públicos, particulares e pessoas jurídicas supostamente utilizadas para dar aparência de legalidade à movimentação de recursos públicos”.

“Há também indícios de possíveis tentativas de ocultação ou alteração de provas, o que pode caracterizar fraude processual.”

A cota parlamentar é um valor mensal que o deputado recebe para custear despesas do exercício do mandato, como aluguel de escritório no estado, passagens aéreas e aluguel de carro, entre outras.

A suspeita da polícia na operação do ano passado era de que uma empresa de locação de carros contratada pelos deputados e paga por meio da cota parlamentar continuou recebendo dinheiro mesmo depois de ser dissolvida irregularmente.

Sóstenes disse que o comprador quis lhe pagar o apartamento em dinheiro e que não depositou a verba ainda por causa “dessa correria de trabalho”.

“Acabei não fazendo depósito, mas faria. Inclusive, parte dele, eu tenho pensando em fazer outros negócios e tudo, acabei não fazendo o depósito”, respondeu.

Na fase anterior, o deputado Carlos Jordy (PL-RJ) também foi alvo de buscas e reagiu com a publicação nas redes sociais de um vídeo que chamava a ação de “covarde”.

Ele dizia que ajustificativa da busca e apreensão é a de que ele teria desviado recursos da cota parlamentar para uma empresa de fechada para aluguel de carros, que seria a mesma empresa que ele aluga carros desde o início do seu primeiro mandato.

•        PF vê indícios de que filha de Sóstenes usava carro pago com verba parlamentar

A Polícia Federal (PF) identificou indícios de que um veículo utilizado pela filha do líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), pode ter sido custeado com recursos da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (CEAP).

A informação consta da Petição 16.072, relatada pelo ministro Flávio Dino no Supremo Tribunal Federal, que autorizou novas medidas cautelares no âmbito do inquérito que investiga suspeitas de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Segundo a investigação, o automóvel era utilizado por Jenifer Fani Cavalcante, filha do parlamentar, e há elementos que indicam que a locação do veículo pode ter sido custeada com recursos públicos destinados à atividade parlamentar.

A suspeita surgiu a partir da análise do material apreendido durante as investigações envolvendo a empresa Harue Locação de Veículos e pessoas ligadas ao gabinete do deputado.

De acordo com a Polícia Federal, as mensagens analisadas apontam para uma utilização de contratos de locação de veículos em contexto distinto da atividade parlamentar.

A decisão afirma que “os diálogos entre ADAILTON e o Deputado Federal SÓSTENES CAVALCANTE revelaram indícios consistentes de utilização de recursos públicos e de contratos de locação de veículos em contexto alheio ao interesse estritamente funcional.”

Segundo a PF, em março de 2024 Adailton Oliveira dos Santos ofereceu ao deputado um Corolla Cross blindado pelo valor mensal de R$ 8 mil.

O relatório registra que “ADAILTON ofereceu ao parlamentar um veículo Corolla Cross blindado, placa RIR5E75, pelo valor mensal de R$ 8.000,00, cuja entrega ocorreu na residência do Deputado.”

Ainda segundo os investigadores afirmam que o automóvel era utilizado pela filha do líder do PL.

“Os registros analisados indicam, ainda, que o automóvel era utilizado por Jenifer Fani Cavalcante, filha do parlamentar, tendo o próprio investigado se referido ao bem como o ‘carro da Jenifer’.”

A Polícia Federal identificou ainda que o veículo estava registrado em nome da Amazon Serviços e Construções Ltda, empresa cuja atividade principal é a construção de edifícios.

Segundo a decisão, “o veículo utilizado pela filha de SÓSTENES CAVALCANTE encontrava-se registrado em nome da empresa AMAZON SERVIÇOS E CONSTRUÇÕES LTDA, pessoa jurídica com atividade principal de construção de edifícios.”

Com base nesses elementos, a investigação levantou a hipótese de que a locação do veículo foi paga com recursos da cota parlamentar. A PF afirma que “havia elementos para inferir que sua locação foi custeada com recursos da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar – CEAP.”

O relatório sustenta ainda que a dinâmica investigada não se restringiria à empresa Harue Locação de Veículos.

Segundo o relatório: “a dinâmica delitiva, ao menos em tese, não se restringia à HARUE, mas abrangia outras pessoas jurídicas utilizadas para mascarar a real destinação dos recursos públicos, inclusive em proveito pessoal ou familiar”.

Os elementos reunidos pela Polícia Federal embasaram o pedido de novas medidas cautelares no inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal e sustenta suspeitas de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

•        PF aponta contradições em versão de Sóstenes sobre R$ 468 mil em dinheiro vivo

A Polícia Federal apontou ao Supremo Tribunal Federal inconsistências na versão apresentada pelo líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), para justificar os R$ 468,7 mil encontrados em espécie durante uma operação autorizada pelo STF. Segundo documentos da investigação, a justificativa apresentada pelo parlamentar somente passou a ser formalizada após a apreensão do dinheiro e não encontrou respaldo nas movimentações bancárias analisadas pelos investigadores.

As conclusões constam da Petição 16.072, relatada pelo ministro Flávio Dino, no âmbito do Inquérito 4937, que apura suspeitas de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

O dinheiro foi encontrado durante buscas realizadas pela Polícia Federal em dezembro de 2025 no quarto 806 do Complexo Brasil 21, em Brasília. Ainda segundo os investigadores, o deputado teria negado ter valores em espécie no momento da operação.

Segundo o relatório:

“a equipe policial localizou e apreendeu a quantia de R$ 468.700,00 (…) em cédulas de R$ 100,00, acondicionadas em saco plástico e guardadas no interior de guarda-roupa, não obstante o investigado houvesse afirmado, em entrevista preliminar, inexistirem valores em espécie no local.”

A apreensão do dinheiro abriu uma nova frente investigativa dentro do inquérito. Após a operação, Sóstenes sustentou que os recursos seriam provenientes da venda de um imóvel localizado em Ituiutaba (MG) ao advogado Thiago Ferreira de Paula.

A própria decisão registra que a investigação envolvendo o suposto comprador surgiu da explicação apresentada pelo parlamentar.

“A apuração relativa a THIAGO DE PAULA não surgiu de notícia autônoma, mas de versão apresentada pelo próprio parlamentar federal para explicar fato revelado no cumprimento da medida cautelar.”

Escritura foi feita após a operação

Um dos principais elementos apontados pela Polícia Federal envolve a cronologia da documentação apresentada para justificar a origem do dinheiro.

Segundo os investigadores, a escritura pública da venda do imóvel foi lavrada em 30 de dezembro de 2025, onze dias após a operação realizada em 19 de dezembro.

A decisão afirma que:

“a escritura pública foi lavrada em 30/12/2025, isto é, após o cumprimento das medidas cautelares de 19/12/2025.”

Para a PF, a formalização posterior da escritura representa um elemento relevante da investigação.

O documento afirma que:

“os interessados somente levaram a registro cartorário, após a apreensão do numerário, uma narrativa documental destinada a conferir lastro formal a uma alegada transação pretérita.”

Outro ponto destacado pela investigação é a ausência de movimentações financeiras compatíveis com a suposta operação imobiliária.

Segundo a PF:

“não foi identificado saque de valores contemporâneos à data da compra, por parte de THIAGO DE PAULA.”

A informação foi dada com antecedência pelo ICL Notícias ainda em março.

Dino fala em “sombra de inverossimilhança”

Ao analisar os elementos reunidos pela Polícia Federal, Flávio Dino afirmou que as informações levantadas pela investigação colocam em dúvida a justificativa apresentada para a posse dos recursos.

Na decisão, o ministro afirma que existem:

“fatos que implicam sombra de inverossimilhança sobre as justificativas apresentadas para a posse de quase meio milhão de reais, em espécie, apreendidos com o Deputado Federal SÓSTENES CAVALCANTE.”

A Procuradoria-Geral da República também concordou com parte das medidas solicitadas pela Polícia Federal.

Segundo a manifestação reproduzida na decisão, o dinheiro encontrado “carece de lastro documental idôneo que justifique sua posse e origem lícita”.

Dinheiro levou a novo núcleo investigado

As etiquetas bancárias encontradas junto ao dinheiro permitiram que a PF identificasse contas ligadas às empresas EJUS Empreendimentos Imobiliários e Foco Engenharia e Incorporações.

A investigação passou a mirar os empresários Jonas Keslley Gonçalves Umbelino e Jecy Kenne Gonçalves Umbelino, apontados em relatórios do Coaf por movimentações em espécie.

Segundo a decisão, apenas as empresas EJUS e Foco realizaram 22 saques que somam R$ 4,7 milhões. Considerando o grupo empresarial mais amplo, os investigadores identificaram 81 saques em espécie que totalizam R$ 15,5 milhões.

Diante dos elementos apresentados pela Polícia Federal, Flávio Dino autorizou novas buscas e apreensões e determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados.

 

Fonte: ICL Notícias

 

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