PF
mira pessoas ligadas a Sóstenes em nova fase de operação sobre desvio de cota
parlamentar
A
Polícia Federal cumpriu nesta quarta-feira (1º) uma operação que tem como
principais alvos o entorno do deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), líder do PL na
Câmara dos Deputados, sob autorização do ministro Flávio Dino, do STF (Supremo
Tribunal Federal). O parlamentar não é alvo da medida.
É a
terceira fase da Operação Rent a Car, que chegou a fazer buscas contra o
deputado no fim do ano passado para investigar suspeitas de desvios de recursos
públicos de cotas parlamentares.
Em
dezembro, em um endereço ligado a Sóstenes, a PF apreendeu mais de R$ 460 mil
mil em espécie. À época, Sóstenes afirmou à imprensa que sofre perseguição por
ser de direita e que o dinheiro vivo encontrado em seu endereço se deve à venda
de um imóvel na semana anterior.
A fase
desta quarta tem como principais alvos as pessoas que fizeram os saques em
espécie desse dinheiro e um advogado de Minas Gerais que apresentou versão
sobre a aquisição desse imóvel.
Procurado
por meio da assessoria de imprensa às 7h, o deputado ainda não se manifestou.
A PF
afirma que a atual fase tem o objetivo de aprofundar as apurações sobre a
movimentação e destinação dos recursos relacionados ao desvio de cota
parlamentar.
São
apuradas suspeitas de eventuais crimes de peculato, lavagem de dinheiro, fraude
processual e organização criminosa. São cumpridos cinco mandados de busca e
apreensão no Distrito Federal, em Goiás e em Minas Gerais.
De
acordo com a corporação, “as investigações apontam indícios de possível esquema
envolvendo agentes públicos, particulares e pessoas jurídicas supostamente
utilizadas para dar aparência de legalidade à movimentação de recursos
públicos”.
“Há
também indícios de possíveis tentativas de ocultação ou alteração de provas, o
que pode caracterizar fraude processual.”
A cota
parlamentar é um valor mensal que o deputado recebe para custear despesas do
exercício do mandato, como aluguel de escritório no estado, passagens aéreas e
aluguel de carro, entre outras.
A
suspeita da polícia na operação do ano passado era de que uma empresa de
locação de carros contratada pelos deputados e paga por meio da cota
parlamentar continuou recebendo dinheiro mesmo depois de ser dissolvida
irregularmente.
Sóstenes
disse que o comprador quis lhe pagar o apartamento em dinheiro e que não
depositou a verba ainda por causa “dessa correria de trabalho”.
“Acabei
não fazendo depósito, mas faria. Inclusive, parte dele, eu tenho pensando em
fazer outros negócios e tudo, acabei não fazendo o depósito”, respondeu.
Na fase
anterior, o deputado Carlos Jordy (PL-RJ) também foi alvo de buscas e reagiu
com a publicação nas redes sociais de um vídeo que chamava a ação de “covarde”.
Ele
dizia que ajustificativa da busca e apreensão é a de que ele teria desviado
recursos da cota parlamentar para uma empresa de fechada para aluguel de
carros, que seria a mesma empresa que ele aluga carros desde o início do seu
primeiro mandato.
• PF vê indícios de que filha de Sóstenes
usava carro pago com verba parlamentar
A
Polícia Federal (PF) identificou indícios de que um veículo utilizado pela
filha do líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), pode ter
sido custeado com recursos da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar
(CEAP).
A
informação consta da Petição 16.072, relatada pelo ministro Flávio Dino no
Supremo Tribunal Federal, que autorizou novas medidas cautelares no âmbito do
inquérito que investiga suspeitas de peculato, lavagem de dinheiro e
organização criminosa.
Segundo
a investigação, o automóvel era utilizado por Jenifer Fani Cavalcante, filha do
parlamentar, e há elementos que indicam que a locação do veículo pode ter sido
custeada com recursos públicos destinados à atividade parlamentar.
A
suspeita surgiu a partir da análise do material apreendido durante as
investigações envolvendo a empresa Harue Locação de Veículos e pessoas ligadas
ao gabinete do deputado.
De
acordo com a Polícia Federal, as mensagens analisadas apontam para uma
utilização de contratos de locação de veículos em contexto distinto da
atividade parlamentar.
A
decisão afirma que “os diálogos entre ADAILTON e o Deputado Federal SÓSTENES
CAVALCANTE revelaram indícios consistentes de utilização de recursos públicos e
de contratos de locação de veículos em contexto alheio ao interesse
estritamente funcional.”
Segundo
a PF, em março de 2024 Adailton Oliveira dos Santos ofereceu ao deputado um
Corolla Cross blindado pelo valor mensal de R$ 8 mil.
O
relatório registra que “ADAILTON ofereceu ao parlamentar um veículo Corolla
Cross blindado, placa RIR5E75, pelo valor mensal de R$ 8.000,00, cuja entrega
ocorreu na residência do Deputado.”
Ainda
segundo os investigadores afirmam que o automóvel era utilizado pela filha do
líder do PL.
“Os
registros analisados indicam, ainda, que o automóvel era utilizado por Jenifer
Fani Cavalcante, filha do parlamentar, tendo o próprio investigado se referido
ao bem como o ‘carro da Jenifer’.”
A
Polícia Federal identificou ainda que o veículo estava registrado em nome da
Amazon Serviços e Construções Ltda, empresa cuja atividade principal é a
construção de edifícios.
Segundo
a decisão, “o veículo utilizado pela filha de SÓSTENES CAVALCANTE encontrava-se
registrado em nome da empresa AMAZON SERVIÇOS E CONSTRUÇÕES LTDA, pessoa
jurídica com atividade principal de construção de edifícios.”
Com
base nesses elementos, a investigação levantou a hipótese de que a locação do
veículo foi paga com recursos da cota parlamentar. A PF afirma que “havia
elementos para inferir que sua locação foi custeada com recursos da Cota para o
Exercício da Atividade Parlamentar – CEAP.”
O
relatório sustenta ainda que a dinâmica investigada não se restringiria à
empresa Harue Locação de Veículos.
Segundo
o relatório: “a dinâmica delitiva, ao menos em tese, não se restringia à HARUE,
mas abrangia outras pessoas jurídicas utilizadas para mascarar a real
destinação dos recursos públicos, inclusive em proveito pessoal ou familiar”.
Os
elementos reunidos pela Polícia Federal embasaram o pedido de novas medidas
cautelares no inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal e sustenta
suspeitas de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
• PF aponta contradições em versão de
Sóstenes sobre R$ 468 mil em dinheiro vivo
A
Polícia Federal apontou ao Supremo Tribunal Federal inconsistências na versão
apresentada pelo líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), para
justificar os R$ 468,7 mil encontrados em espécie durante uma operação
autorizada pelo STF. Segundo documentos da investigação, a justificativa
apresentada pelo parlamentar somente passou a ser formalizada após a apreensão
do dinheiro e não encontrou respaldo nas movimentações bancárias analisadas
pelos investigadores.
As
conclusões constam da Petição 16.072, relatada pelo ministro Flávio Dino, no
âmbito do Inquérito 4937, que apura suspeitas de peculato, lavagem de dinheiro
e organização criminosa.
O
dinheiro foi encontrado durante buscas realizadas pela Polícia Federal em
dezembro de 2025 no quarto 806 do Complexo Brasil 21, em Brasília. Ainda
segundo os investigadores, o deputado teria negado ter valores em espécie no
momento da operação.
Segundo
o relatório:
“a
equipe policial localizou e apreendeu a quantia de R$ 468.700,00 (…) em cédulas
de R$ 100,00, acondicionadas em saco plástico e guardadas no interior de
guarda-roupa, não obstante o investigado houvesse afirmado, em entrevista
preliminar, inexistirem valores em espécie no local.”
A
apreensão do dinheiro abriu uma nova frente investigativa dentro do inquérito.
Após a operação, Sóstenes sustentou que os recursos seriam provenientes da
venda de um imóvel localizado em Ituiutaba (MG) ao advogado Thiago Ferreira de
Paula.
A
própria decisão registra que a investigação envolvendo o suposto comprador
surgiu da explicação apresentada pelo parlamentar.
“A
apuração relativa a THIAGO DE PAULA não surgiu de notícia autônoma, mas de
versão apresentada pelo próprio parlamentar federal para explicar fato revelado
no cumprimento da medida cautelar.”
Escritura
foi feita após a operação
Um dos
principais elementos apontados pela Polícia Federal envolve a cronologia da
documentação apresentada para justificar a origem do dinheiro.
Segundo
os investigadores, a escritura pública da venda do imóvel foi lavrada em 30 de
dezembro de 2025, onze dias após a operação realizada em 19 de dezembro.
A
decisão afirma que:
“a
escritura pública foi lavrada em 30/12/2025, isto é, após o cumprimento das
medidas cautelares de 19/12/2025.”
Para a
PF, a formalização posterior da escritura representa um elemento relevante da
investigação.
O
documento afirma que:
“os
interessados somente levaram a registro cartorário, após a apreensão do
numerário, uma narrativa documental destinada a conferir lastro formal a uma
alegada transação pretérita.”
Outro
ponto destacado pela investigação é a ausência de movimentações financeiras
compatíveis com a suposta operação imobiliária.
Segundo
a PF:
“não
foi identificado saque de valores contemporâneos à data da compra, por parte de
THIAGO DE PAULA.”
A
informação foi dada com antecedência pelo ICL Notícias ainda em março.
Dino
fala em “sombra de inverossimilhança”
Ao
analisar os elementos reunidos pela Polícia Federal, Flávio Dino afirmou que as
informações levantadas pela investigação colocam em dúvida a justificativa
apresentada para a posse dos recursos.
Na
decisão, o ministro afirma que existem:
“fatos
que implicam sombra de inverossimilhança sobre as justificativas apresentadas
para a posse de quase meio milhão de reais, em espécie, apreendidos com o
Deputado Federal SÓSTENES CAVALCANTE.”
A
Procuradoria-Geral da República também concordou com parte das medidas
solicitadas pela Polícia Federal.
Segundo
a manifestação reproduzida na decisão, o dinheiro encontrado “carece de lastro
documental idôneo que justifique sua posse e origem lícita”.
Dinheiro
levou a novo núcleo investigado
As
etiquetas bancárias encontradas junto ao dinheiro permitiram que a PF
identificasse contas ligadas às empresas EJUS Empreendimentos Imobiliários e
Foco Engenharia e Incorporações.
A
investigação passou a mirar os empresários Jonas Keslley Gonçalves Umbelino e
Jecy Kenne Gonçalves Umbelino, apontados em relatórios do Coaf por
movimentações em espécie.
Segundo
a decisão, apenas as empresas EJUS e Foco realizaram 22 saques que somam R$ 4,7
milhões. Considerando o grupo empresarial mais amplo, os investigadores
identificaram 81 saques em espécie que totalizam R$ 15,5 milhões.
Diante
dos elementos apresentados pela Polícia Federal, Flávio Dino autorizou novas
buscas e apreensões e determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos
investigados.
Fonte:
ICL Notícias

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