Avanço
promissor na detecção do câncer
Um
exame de sangue de alta sensibilidade pode ser o novo aliado do tratamento do
câncer de pâncreas ao identificar vestígios que escapam dos métodos usados
atualmente. A tecnologia foi capaz de detectar DNA tumoral circulante em um
número muito maior de pacientes do que o sequenciamento de nova geração (NGS),
técnica amplamente utilizada para monitorar esse tipo de neoplasia. Os
resultados indicam que muitos doentes podem apresentar câncer residual mesmo
quando os exames de imagem sugerem ausência de alterações, permitindo um
acompanhamento mais preciso e intervenções mais precoces.
As
conclusões são de um estudo realizado por pesquisadores da Northwestern
Medicine, nos Estados Unidos e publicado nesta terça-feira (30/06), na revista
Clinical Cancer Research. Para o trabalho a equipe acompanhou 106 pessoas com
câncer pancreático localizado desde o diagnóstico até a conclusão do
tratamento. Durante esse período, amostras de sangue foram coletadas para
avaliar a presença de DNA liberado pelas células malignas, conhecido como
ctDNA.
Os
cientistas compararam duas abordagens para identificar essas alterações
genéticas. A primeira foi o sequenciamento de nova geração, método que analisa
simultaneamente diversos genes relacionados ao desenvolvimento de tumores. A
segunda utilizou a reação em cadeia da polimerase digital em gotas (ddPCR),
técnica direcionada para mutações específicas e reconhecida por oferecer maior
sensibilidade em situações nas quais a quantidade de material genético é
extremamente baixa. O foco da análise foi o gene KRAS, responsável por mais de
90% dos casos de câncer de pâncreas.
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Nova abordagem
Os
resultados mostraram grandes diferenças entre os dois testes. No momento do
diagnóstico, a ddPCR identificou DNA tumoral em 65% dos participantes, enquanto
o NGS encontrou o mesmo marcador em apenas 17% dos voluntários. Após a
quimioterapia, a superioridade da técnica permaneceu evidente: o exame mais
sensível detectou sinais da doença em 60% dos pacientes, contra apenas 5% do
método convencional. Depois da cirurgia, os índices foram de 56% e 9%,
respectivamente.
Para o
cirurgião oncológico Akhil Chawla, autor sênior do trabalho e professor
associado da Universidade Northwestern, "a combinação pode mudar
fundamentalmente a forma como identificamos pacientes de alto risco,
monitoramos a doença microscópica e, potencialmente, intervirmos mais cedo,
antes que a recorrência se torne clinicamente visível, resultando, em última
análise, na cura de mais pacientes".
De
acordo com os autores, essas informações sugerem que uma parcela significativa
dos pacientes continua apresentando a doença mesmo após completar o tratamento.
Em muitos casos, esse quadro não é percebido pelos exames de imagem nem pelos
testes moleculares, o que pode atrasar terapias adicionais.
Além da
maior capacidade para detectar o ctDNA, o estudo demonstrou que os resultados
do exame também foram associados ao prognóstico. Os pacientes com testes
positivos, tanto na ddPCR quanto no NGS, apresentaram sobrevida média de 11
meses após o diagnóstico. Em contrapartida, aqueles com exames negativos
viveram, em média, 41 meses.
Outro
achado chamou a atenção dos pesquisadores. Um grupo de participantes teve
resultado negativo pelo NGS, mas positivo pela ddPCR. Essas pessoas
apresentaram sobrevida média de 27 meses, desempenho inferior ao observado
entre os pacientes sem nenhuma detecção de DNA tumoral. Segundo os autores,
esse conjunto representa indivíduos de maior risco que poderiam permanecer sem
identificação caso apenas o teste convencional fosse utilizado.
Para
Caio Neves, coordenador da oncologia do Hospital Anchieta Taguatinga, a ddPCR
representa um avanço muito promissor porque aumenta significativamente a
sensibilidade na detecção de doença residual mínima. "O grande desafio no
câncer de pâncreas é que muitos pacientes apresentam exames de imagem
aparentemente normais após a quimioterapia e a cirurgia, mas ainda possuem
doença microscópica que acaba levando à recidiva. Este estudo mostrou que a
ddPCR foi capaz de identificar DNA tumoral circulante em um número muito maior
de pacientes do que o NGS convencional, inclusive após o tratamento, sugerindo
que podemos identificar precocemente aqueles com maior risco de
recorrência."
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Identificação precoce
"Sem
dúvida, essa tecnologia tem potencial para ser utilizada em diversos outros
tumores. Já existem estudos bastante avançados em câncer colorretal, mama,
pulmão e melanoma, entre outros. Sempre que houver uma mutação bem definida e
passível de monitoramento, a ddPCR pode desempenhar um papel importante na
detecção de doença residual mínima, monitoramento da resposta ao tratamento e
identificação precoce de recaídas", finalizou o especialista.
A
principal vantagem da biópsia líquida é permitir o monitoramento da doença por
meio de uma simples coleta de sangue, dispensando procedimentos invasivos. Como
o exame pode ser repetido em diferentes fases do tratamento, é possível
acompanhar a resposta à quimioterapia, avaliar a eficácia da cirurgia e
identificar precocemente sinais de recorrência antes mesmo que apareçam
alterações detectáveis em exames radiológicos.
Apesar
dos resultados promissores, os pesquisadores ressaltam que a ddPCR ainda
precisa ser validada em estudos com um número maior de participantes antes de
ser incorporada à prática clínica. A expectativa é de que novos trabalhos
confirmem o benefício da estratégia.
• Pesquisa global aponta vacinas de mRNA
como seguras e eficazes
Revisão
global, liderada por pesquisadores da Universidade da Colúmbia Britânica, no
Canadá, concluiu que as vacinas de mRNA, administradas diariamente ao redor do
planeta, são seguras e altamente eficazes na prevenção de doenças infecciosas
como a covid-19, e têm aplicações potenciais para uma série de outras doenças,
incluindo gripe, vírus sincicial respiratório, câncer e doenças autoimunes.
Publicado,
ontem, na revista The Lancet, o trabalho se baseia em ciência laboratorial,
ensaios clínicos e dados de eficácia no mundo real para fornecer uma das
avaliações mais abrangentes de vacinas de mRNA, até o momento. Ela abrange todo
o ciclo de vida da vacina, desde o desenvolvimento e a fabricação, até o
desempenho e o monitoramento no mundo real.
Segundo
a revisão, as vacinas de mRNA são cerca de 87% eficazes contra qualquer
infecção documentada por SARS-CoV-2, o vírus da covid-19. Além de funcionarem
em 93% dos casos contra hospitalização e serem 94% eficientes na prevenção de
morte pela doença.
"Após
bilhões de doses, agora temos uma quantidade extraordinária de evidências
científicas", disse a autora principal, Anna Blakney, professora da
Universidade da Colúmbia Britânica. "Essa revisão confirma que as vacinas
de mRNA são uma plataforma segura e altamente eficaz, apoiada por testes
rigorosos e monitoramento no mundo real. Ela fornece uma base sólida em
evidências à medida que essa tecnologia continua a se expandir para novas áreas
da medicina", completou.
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Combater equívocos
Os
resultados confirmam que as vacinas de mRNA oferecem forte proteção contra
doenças infecciosas, incluindo a covid-19 grave, em uma ampla gama de grupos:
crianças, gestantes e pessoas imunocomprometidas. Doses de reforço demonstraram
prolongar e fortalecer com eficiência essa ação ao longo do tempo, e
atualizações regulares na formulação da vacina mantiveram sua eficácia à medida
que novas variantes surgiram.
"Com
qualquer nova vacina ou medicamento, é importante que comuniquemos, de forma
clara e transparente, os dados de segurança e os testes rigorosos que comprovam
sua eficácia", disse o coautor Manish Sadarangani, professor de pediatria
da universidade e diretor do Centro de Avaliação de Vacinas do Instituto de
Pesquisa do Hospital Infantil da Colúmbia Britânica. "Isso é essencial
para construir a confiança do público, combater a desinformação e apoiar
decisões informadas sobre a vacinação."
A
revisão aborda equívocos persistentes sobre o funcionamento das vacinas de
mRNA, esclarecendo que elas não alteram o DNA de uma pessoa. Em vez disso, o
mRNA fornece instruções temporárias que permitem que as células humanas
produzam um fragmento inofensivo do vírus, treinando o sistema imunológico para
reagir. Tanto o mRNA quanto as nanopartículas lipídicas são rapidamente
degradados e eliminados do corpo.
Fonte:
Correio Braziliense

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