sexta-feira, 3 de julho de 2026

Paulo Figueiredo expõe Flávio Bolsonaro e diz que combinaram fala sobre voto das mulheres

Corre uma teoria pelas redes sociais de que Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo trabalham, na verdade, para implodir a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República com algum objetivo obscuro para 2030.

De pronto, a teoria em torno de Paulo Figueiredo e Eduardo Bolsonaro parece um tanto absurda, mas, após a declaração mais recente do youtuber, ela ganha contornos de veracidade. Em corte que circula pelas redes, Figueiredo afirma que a declaração de Flávio durante evento com mulheres bolsonaristas, de que repudia sua fala sobre o direito ao voto das mulheres, foi combinada com ele, ou seja, tudo seria um jogo de cena para diminuir a rejeição do senador entre o eleitorado feminino.

“Ontem eu sugeri isso a ele [Flávio Bolsonaro]. Falei: ‘Faça do limão uma limonada, me desautorize publicamente. Caso alguém pergunte, não tenha melindre de me desautorizar. Diga que eu não estou na sua campanha. Diga que discorda de mim. Diga o seguinte: que acha que a mulher vota bem e que vota tão bem que vai votar em você. É um ótimo discurso político'”, disparou Paulo Figueiredo.

<><> Paulo Figueiredo esnoba Flávio Bolsonaro: “Não quero fazer parte de sua campanha”

A crise no alto escalão do bolsonarismo acaba de subir mais um grau: Paulo Figueiredo, que foi rejeitado por Flávio Bolsonaro durante evento com mulheres bolsonaristas, respondeu ao pré-candidato do PL à Presidência e o esnobou.

Na manhã desta quarta-feira (1º), durante evento com mulheres bolsonaristas, Flávio Bolsonaro defendeu o voto feminino e declarou repúdio pelas recentes falas de Paulo Figueiredo:

“Quero repudiar veementemente a fala do Paulo Figueiredo sobre as mulheres. Não concordo com o que ele falou. É completamente equivocado. Ele não faz parte da nossa campanha. Óbvio que ele é uma pessoa que ajuda muito dos EUA […] eu não tenho responsabilidade sobre o que ele fala, mas tenho obrigação de falar aqui: eu me senti ofendido […] se as pesquisas mostram que as mulheres não estão votando conosco, é falta de competência minha.”

Em sua resposta, Paulo Figueiredo esnobou Flávio Bolsonaro e afirmou que nunca quis fazer parte de sua campanha: “Meu amigo Flávio Bolsonaro fez muito bem em repudiar a minha fala publicamente. Está correto em fazê-lo (embora errado materialmente no assunto). Também está correto em dizer que não faço — e nem quero fazer — parte da sua campanha. Sou um comentarista que o apoia como eleitor. O que ele fala é problema dele e o que eu falo é problema meu. Se eu algum dia não puder comentar a realidade como a vejo, tenho que abandonar o meu ofício. E agora? Devo parar de apoiá-lo, como fazem alguns? É claro que não. Flávio é a melhor opção para homens e mulheres de bem do Brasil. O que está em jogo é muito maior do que divergências pontuais. Da minha parte, nada muda e o apoio permanece o mais entusiasmado possível.”

<><> Paulo Figueiredo ataca Michelle: “Mulher vota mal, principalmente solteiras”

 O blogueiro bolsonarista Paulo Figueiredo, neto do ditador brasileiro general João Batista Figueiredo, abusou da misoginia, em uma live no YouTube. Na ânsia de criticar Michelle Bolsonaro, depois da divulgação de vídeo contra Flávio Bolsonaro, o fiel escudeiro da família Bolsonaro, atacou todas as mulheres, afirmando que elas “votam mal”.

“Mulher vota, estatisticamente, muito mal. Principalmente mulheres solteiras. Mulheres casadas, em geral, tendem a acompanhar o voto do marido. Mulheres solteiras, não”, disse. Em seguida, baixou ainda mais o nível: “Podem arrancar os pentelhos das calcinhas, fazer o que quiser, principalmente as feministas, que têm mais pentelhos, mas eu quero dizer a vocês: isso é estatística”, afirmou.

Figueiredo declarou, ainda, que, se apenas mulheres votassem, as eleições nos Estados Unidos seriam vencidas por democratas, com exceção de Ronald Reagan, que, de acordo com ele, teria conseguido apoio feminino em sua reeleição.

O discurso machista e misógino faz parte de um movimento que avança, principalmente nos Estados Unidos, contra o voto feminino. Grupos de influenciadores e líderes religiosos de extrema direita no país defendem a revogação da 19ª Emenda, medida que foi confirmada há mais de um século para assegurar o direito de voto às mulheres.

,.,. Críticas a Michelle

O ataque do bolsonarista às mulheres teve foco em Michelle Bolsonaro, que revelou, em um vídeo bombástico, ter sido “humilhada” pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à presidência, além de ter feito outras críticas veementes.

“Onde o Flávio vai pior? [em pesquisas eleitorais] É justamente no eleitorado feminino. Parabéns! Bela ajuda”, prosseguiu, em referência aos efeitos do vídeo divulgado pela ex-primeira-dama.

•        “Brasil por elas”: Flávio Bolsonaro tem pauta única para atrair mulheres após briga com Michelle

lávio Bolsonaro (PL-RJ) tenta transformar mulheres em vitrine eleitoral depois de entrar em crise pública com Michelle Bolsonaro, ser acusado pela madrasta de humilhação e ver o eleitorado feminino virar um dos principais gargalos de sua pré-campanha ao Palácio do Planalto.

O senador prepara para 15 de julho o lançamento do plano Brasil Por Elas, um pacote com propostas de segurança, renda, crédito, empreendedorismo, economia do cuidado, saúde da mulher e políticas para famílias atípicas. A agenda ganhou força após Michelle deixar a presidência do PL Mulher e se afastar da pré-campanha do enteado.

A operação política tem uma camada evidente de maquiagem: Flávio tenta ocupar, com posts e slogans, o espaço que Michelle ocupava com capilaridade real entre mulheres conservadoras e evangélicas. A ex-primeira-dama era tratada como ativo central para reduzir a rejeição feminina ao bolsonarismo. Depois da ruptura, a campanha passou a vender “escuta” e “acolhimento” justamente no momento em que o próprio senador foi acusado por ela de desrespeito e humilhação.

<><> Flávio Bolsonaro empacota mulheres como solução para crise com Michelle

O plano Brasil Por Elas é coordenado por Daniella Marques (Republicanos), ex-presidente da Caixa Econômica Federal e um dos nomes cotados para a vice na chapa de Flávio. A escolha reforça a tentativa de entregar ao eleitorado uma imagem de campanha com rosto feminino, mesmo depois de a principal mulher do bolsonarismo eleitoral ter rompido com o pré-candidato.

O pacote ainda será incorporado ao programa de governo que deve ser apresentado à Justiça Eleitoral no registro da candidatura. Pelo calendário das Eleições de 2026 aprovado pelo Tribunal Superior Eleitoral, o prazo final para registro de candidaturas é 15 de agosto.

A escolha dos temas não é casual. Segurança pública e violência doméstica aparecem como eixo de sensibilização para mulheres, enquanto renda e crédito tentam dar verniz social a uma candidatura marcada pelo sobrenome Bolsonaro, pela crise com Michelle e pela disputa interna na extrema direita.

<><> Postagens mostram Flávio tentando reescrever a própria imagem

Nas redes, Flávio passou a usar publicações sobre mulheres como peça de reposicionamento. Em uma delas, compartilhou vídeo de Daniella Marques e escreveu que “as mulheres terão um papel fundamental na reconstrução do Brasil”. A frase funciona como senha visual da nova fase: a campanha tenta trocar a imagem do herdeiro do bolsonarismo por uma embalagem de reconstrução feminina.

A publicação é relevante porque não aparece isolada. Ela surge depois de Michelle tornar pública a fratura familiar e política, e no mesmo período em que a pré-campanha de Flávio tenta convencer eleitoras de que o bolsonarismo, historicamente associado a ataques e menosprezo contra mulheres, agora teria uma agenda específica para elas.

Em outra postagem, o senador afirmou que cabe a quem disputa cargo eletivo convencer as mulheres e “quebrar preconceitos”. A construção é típica da defensiva bolsonarista: desloca o problema da prática política para a percepção das eleitoras, como se a rejeição feminina fosse fruto de preconceito contra a direita, e não consequência de falas, ataques e conflitos produzidos pelo próprio campo.

A tentativa de reposicionamento fica ainda mais explícita quando Flávio fala sobre feminicídio. Em publicação anterior, escreveu que “o feminicídio não começa no disparo” e associou o crime a sinais ignorados. O tema é grave e tem política pública própria, como o Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio, mas aparece na comunicação do senador como parte de uma sequência de conteúdos voltados a suavizar a imagem da pré-campanha.

<><> Michelle Bolsonaro virou o problema que Flávio tenta esconder

A crise com Michelle não é lateral. A Fórum mostrou que Michelle abandonou o PL Mulher e agravou a crise na pré-campanha de Flávio. Sem ela no comando do núcleo feminino do partido, o senador perdeu a principal ponte simbólica com eleitoras evangélicas e conservadoras.

A ruptura começou depois de Michelle divulgar um vídeo em que relatou ter sido “humilhada”, “desrespeitada” e “maltratada” por Flávio. A Fórum também mostrou que o vídeo de Michelle implodiu Flávio nas redes e expôs a guerra pela herança política de Jair Bolsonaro.

O efeito já aparece em leitura de opinião pública. Em pesquisa AtlasIntel encomendada pela Bloomberg, a maioria dos entrevistados avaliou que Michelle foi “humilhada” por Flávio Bolsonaro, embora o resultado se inverta entre eleitores bolsonaristas. O dado ajuda a explicar por que a pré-campanha agora tenta correr atrás do eleitorado feminino com slogan, evento e promessa de programa.

<><> Bolsonarismo fala de mulheres enquanto aliado diz que elas votam mal

A contradição ficou ainda mais exposta com Paulo Figueiredo, aliado de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Em transmissão, ele afirmou que “mulheres votam mal”, principalmente as solteiras. A frase misógina atingiu Flávio no momento em que o senador tentava vender respeito ao voto feminino.

A Fórum registrou o ataque de Paulo Figueiredo contra Michelle e contra o voto das mulheres. Depois da repercussão, Flávio tentou se afastar do aliado e disse repudiar “veementemente” a declaração.

A resposta, porém, veio sob pressão. A Fórum mostrou que Flávio disse “respeitar muito” Michelle e repudiou Paulo Figueiredo durante encontro com mulheres bolsonaristas. Na prática, o senador precisou defender publicamente o eleitorado feminino depois de uma fala misógina vinda do próprio ecossistema político que sustenta sua candidatura.

O desgaste continuou. Em novo movimento, a Fórum mostrou que Paulo Figueiredo voltou a expor Flávio Bolsonaro ao relatar bastidores de uma declaração feita pelo senador no evento com mulheres.

<><> Brasil Por Elas tenta virar cortina de fumaça eleitoral

O encontro de Flávio com lideranças femininas em Brasília não teve Michelle Bolsonaro nem Damares Alves (Republicanos-DF), duas figuras que poderiam dar lastro político ao gesto. A ausência reforçou a natureza defensiva da agenda: o senador reuniu apoiadoras para demonstrar força justamente porque a mulher mais importante do bolsonarismo partidário decidiu não aparecer.

Durante o evento, Flávio elogiou Michelle, disse que as portas seguem abertas e, ao mesmo tempo, voltou a criticá-la por ter compartilhado vídeo do ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos-RJ) sobre uma suposta festa ligada a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O senador afirmou que Michelle estava “completamente desinformada” e negou relação com Vorcaro além do financiamento de um filme sobre Jair Bolsonaro.

O resultado é um contraste difícil de esconder. Nas postagens, Flávio fala em reconstrução, proteção e protagonismo feminino. Na crise real, briga com Michelle, reage a ela em público, tenta conter uma fala misógina de aliado e corre para montar um plano de campanha voltado às mulheres. O Brasil Por Elas, nesse contexto, nasce menos como programa consolidado e mais como operação de contenção de danos de um bolsonarismo que percebeu tarde demais o tamanho do buraco entre as eleitoras.

 

Fonte: Fórum

 

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