Paulo
Figueiredo expõe Flávio Bolsonaro e diz que combinaram fala sobre voto das
mulheres
Corre
uma teoria pelas redes sociais de que Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo
trabalham, na verdade, para implodir a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à
Presidência da República com algum objetivo obscuro para 2030.
De
pronto, a teoria em torno de Paulo Figueiredo e Eduardo Bolsonaro parece um
tanto absurda, mas, após a declaração mais recente do youtuber, ela ganha
contornos de veracidade. Em corte que circula pelas redes, Figueiredo afirma
que a declaração de Flávio durante evento com mulheres bolsonaristas, de que
repudia sua fala sobre o direito ao voto das mulheres, foi combinada com ele,
ou seja, tudo seria um jogo de cena para diminuir a rejeição do senador entre o
eleitorado feminino.
“Ontem
eu sugeri isso a ele [Flávio Bolsonaro]. Falei: ‘Faça do limão uma limonada, me
desautorize publicamente. Caso alguém pergunte, não tenha melindre de me
desautorizar. Diga que eu não estou na sua campanha. Diga que discorda de mim.
Diga o seguinte: que acha que a mulher vota bem e que vota tão bem que vai
votar em você. É um ótimo discurso político'”, disparou Paulo Figueiredo.
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Paulo Figueiredo esnoba Flávio Bolsonaro: “Não quero fazer parte de sua
campanha”
A crise
no alto escalão do bolsonarismo acaba de subir mais um grau: Paulo Figueiredo,
que foi rejeitado por Flávio Bolsonaro durante evento com mulheres
bolsonaristas, respondeu ao pré-candidato do PL à Presidência e o esnobou.
Na
manhã desta quarta-feira (1º), durante evento com mulheres bolsonaristas,
Flávio Bolsonaro defendeu o voto feminino e declarou repúdio pelas recentes
falas de Paulo Figueiredo:
“Quero
repudiar veementemente a fala do Paulo Figueiredo sobre as mulheres. Não
concordo com o que ele falou. É completamente equivocado. Ele não faz parte da
nossa campanha. Óbvio que ele é uma pessoa que ajuda muito dos EUA […] eu não
tenho responsabilidade sobre o que ele fala, mas tenho obrigação de falar aqui:
eu me senti ofendido […] se as pesquisas mostram que as mulheres não estão
votando conosco, é falta de competência minha.”
Em sua
resposta, Paulo Figueiredo esnobou Flávio Bolsonaro e afirmou que nunca quis
fazer parte de sua campanha: “Meu amigo Flávio Bolsonaro fez muito bem em
repudiar a minha fala publicamente. Está correto em fazê-lo (embora errado
materialmente no assunto). Também está correto em dizer que não faço — e nem
quero fazer — parte da sua campanha. Sou um comentarista que o apoia como
eleitor. O que ele fala é problema dele e o que eu falo é problema meu. Se eu
algum dia não puder comentar a realidade como a vejo, tenho que abandonar o meu
ofício. E agora? Devo parar de apoiá-lo, como fazem alguns? É claro que não.
Flávio é a melhor opção para homens e mulheres de bem do Brasil. O que está em
jogo é muito maior do que divergências pontuais. Da minha parte, nada muda e o
apoio permanece o mais entusiasmado possível.”
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Paulo Figueiredo ataca Michelle: “Mulher vota mal, principalmente solteiras”
O blogueiro bolsonarista Paulo Figueiredo,
neto do ditador brasileiro general João Batista Figueiredo, abusou da
misoginia, em uma live no YouTube. Na ânsia de criticar Michelle Bolsonaro,
depois da divulgação de vídeo contra Flávio Bolsonaro, o fiel escudeiro da
família Bolsonaro, atacou todas as mulheres, afirmando que elas “votam mal”.
“Mulher
vota, estatisticamente, muito mal. Principalmente mulheres solteiras. Mulheres
casadas, em geral, tendem a acompanhar o voto do marido. Mulheres solteiras,
não”, disse. Em seguida, baixou ainda mais o nível: “Podem arrancar os
pentelhos das calcinhas, fazer o que quiser, principalmente as feministas, que
têm mais pentelhos, mas eu quero dizer a vocês: isso é estatística”, afirmou.
Figueiredo
declarou, ainda, que, se apenas mulheres votassem, as eleições nos Estados
Unidos seriam vencidas por democratas, com exceção de Ronald Reagan, que, de
acordo com ele, teria conseguido apoio feminino em sua reeleição.
O
discurso machista e misógino faz parte de um movimento que avança,
principalmente nos Estados Unidos, contra o voto feminino. Grupos de
influenciadores e líderes religiosos de extrema direita no país defendem a
revogação da 19ª Emenda, medida que foi confirmada há mais de um século para
assegurar o direito de voto às mulheres.
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Críticas a Michelle
O
ataque do bolsonarista às mulheres teve foco em Michelle Bolsonaro, que
revelou, em um vídeo bombástico, ter sido “humilhada” pelo senador Flávio
Bolsonaro (PL), pré-candidato à presidência, além de ter feito outras críticas
veementes.
“Onde o
Flávio vai pior? [em pesquisas eleitorais] É justamente no eleitorado feminino.
Parabéns! Bela ajuda”, prosseguiu, em referência aos efeitos do vídeo divulgado
pela ex-primeira-dama.
• “Brasil por elas”: Flávio Bolsonaro tem
pauta única para atrair mulheres após briga com Michelle
lávio
Bolsonaro (PL-RJ) tenta transformar mulheres em vitrine eleitoral depois de
entrar em crise pública com Michelle Bolsonaro, ser acusado pela madrasta de
humilhação e ver o eleitorado feminino virar um dos principais gargalos de sua
pré-campanha ao Palácio do Planalto.
O
senador prepara para 15 de julho o lançamento do plano Brasil Por Elas, um
pacote com propostas de segurança, renda, crédito, empreendedorismo, economia
do cuidado, saúde da mulher e políticas para famílias atípicas. A agenda ganhou
força após Michelle deixar a presidência do PL Mulher e se afastar da
pré-campanha do enteado.
A
operação política tem uma camada evidente de maquiagem: Flávio tenta ocupar,
com posts e slogans, o espaço que Michelle ocupava com capilaridade real entre
mulheres conservadoras e evangélicas. A ex-primeira-dama era tratada como ativo
central para reduzir a rejeição feminina ao bolsonarismo. Depois da ruptura, a
campanha passou a vender “escuta” e “acolhimento” justamente no momento em que
o próprio senador foi acusado por ela de desrespeito e humilhação.
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Flávio Bolsonaro empacota mulheres como solução para crise com Michelle
O plano
Brasil Por Elas é coordenado por Daniella Marques (Republicanos), ex-presidente
da Caixa Econômica Federal e um dos nomes cotados para a vice na chapa de
Flávio. A escolha reforça a tentativa de entregar ao eleitorado uma imagem de
campanha com rosto feminino, mesmo depois de a principal mulher do bolsonarismo
eleitoral ter rompido com o pré-candidato.
O
pacote ainda será incorporado ao programa de governo que deve ser apresentado à
Justiça Eleitoral no registro da candidatura. Pelo calendário das Eleições de
2026 aprovado pelo Tribunal Superior Eleitoral, o prazo final para registro de
candidaturas é 15 de agosto.
A
escolha dos temas não é casual. Segurança pública e violência doméstica
aparecem como eixo de sensibilização para mulheres, enquanto renda e crédito
tentam dar verniz social a uma candidatura marcada pelo sobrenome Bolsonaro,
pela crise com Michelle e pela disputa interna na extrema direita.
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Postagens mostram Flávio tentando reescrever a própria imagem
Nas
redes, Flávio passou a usar publicações sobre mulheres como peça de
reposicionamento. Em uma delas, compartilhou vídeo de Daniella Marques e
escreveu que “as mulheres terão um papel fundamental na reconstrução do
Brasil”. A frase funciona como senha visual da nova fase: a campanha tenta
trocar a imagem do herdeiro do bolsonarismo por uma embalagem de reconstrução
feminina.
A
publicação é relevante porque não aparece isolada. Ela surge depois de Michelle
tornar pública a fratura familiar e política, e no mesmo período em que a
pré-campanha de Flávio tenta convencer eleitoras de que o bolsonarismo,
historicamente associado a ataques e menosprezo contra mulheres, agora teria
uma agenda específica para elas.
Em
outra postagem, o senador afirmou que cabe a quem disputa cargo eletivo
convencer as mulheres e “quebrar preconceitos”. A construção é típica da
defensiva bolsonarista: desloca o problema da prática política para a percepção
das eleitoras, como se a rejeição feminina fosse fruto de preconceito contra a
direita, e não consequência de falas, ataques e conflitos produzidos pelo
próprio campo.
A
tentativa de reposicionamento fica ainda mais explícita quando Flávio fala
sobre feminicídio. Em publicação anterior, escreveu que “o feminicídio não
começa no disparo” e associou o crime a sinais ignorados. O tema é grave e tem
política pública própria, como o Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio,
mas aparece na comunicação do senador como parte de uma sequência de conteúdos
voltados a suavizar a imagem da pré-campanha.
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Michelle Bolsonaro virou o problema que Flávio tenta esconder
A crise
com Michelle não é lateral. A Fórum mostrou que Michelle abandonou o PL Mulher
e agravou a crise na pré-campanha de Flávio. Sem ela no comando do núcleo
feminino do partido, o senador perdeu a principal ponte simbólica com eleitoras
evangélicas e conservadoras.
A
ruptura começou depois de Michelle divulgar um vídeo em que relatou ter sido
“humilhada”, “desrespeitada” e “maltratada” por Flávio. A Fórum também mostrou
que o vídeo de Michelle implodiu Flávio nas redes e expôs a guerra pela herança
política de Jair Bolsonaro.
O
efeito já aparece em leitura de opinião pública. Em pesquisa AtlasIntel
encomendada pela Bloomberg, a maioria dos entrevistados avaliou que Michelle
foi “humilhada” por Flávio Bolsonaro, embora o resultado se inverta entre
eleitores bolsonaristas. O dado ajuda a explicar por que a pré-campanha agora
tenta correr atrás do eleitorado feminino com slogan, evento e promessa de
programa.
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Bolsonarismo fala de mulheres enquanto aliado diz que elas votam mal
A
contradição ficou ainda mais exposta com Paulo Figueiredo, aliado de Eduardo
Bolsonaro nos Estados Unidos. Em transmissão, ele afirmou que “mulheres votam
mal”, principalmente as solteiras. A frase misógina atingiu Flávio no momento
em que o senador tentava vender respeito ao voto feminino.
A Fórum
registrou o ataque de Paulo Figueiredo contra Michelle e contra o voto das
mulheres. Depois da repercussão, Flávio tentou se afastar do aliado e disse
repudiar “veementemente” a declaração.
A
resposta, porém, veio sob pressão. A Fórum mostrou que Flávio disse “respeitar
muito” Michelle e repudiou Paulo Figueiredo durante encontro com mulheres
bolsonaristas. Na prática, o senador precisou defender publicamente o
eleitorado feminino depois de uma fala misógina vinda do próprio ecossistema
político que sustenta sua candidatura.
O
desgaste continuou. Em novo movimento, a Fórum mostrou que Paulo Figueiredo
voltou a expor Flávio Bolsonaro ao relatar bastidores de uma declaração feita
pelo senador no evento com mulheres.
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Brasil Por Elas tenta virar cortina de fumaça eleitoral
O
encontro de Flávio com lideranças femininas em Brasília não teve Michelle
Bolsonaro nem Damares Alves (Republicanos-DF), duas figuras que poderiam dar
lastro político ao gesto. A ausência reforçou a natureza defensiva da agenda: o
senador reuniu apoiadoras para demonstrar força justamente porque a mulher mais
importante do bolsonarismo partidário decidiu não aparecer.
Durante
o evento, Flávio elogiou Michelle, disse que as portas seguem abertas e, ao
mesmo tempo, voltou a criticá-la por ter compartilhado vídeo do ex-governador
Anthony Garotinho (Republicanos-RJ) sobre uma suposta festa ligada a Daniel
Vorcaro, dono do Banco Master. O senador afirmou que Michelle estava
“completamente desinformada” e negou relação com Vorcaro além do financiamento
de um filme sobre Jair Bolsonaro.
O
resultado é um contraste difícil de esconder. Nas postagens, Flávio fala em
reconstrução, proteção e protagonismo feminino. Na crise real, briga com
Michelle, reage a ela em público, tenta conter uma fala misógina de aliado e
corre para montar um plano de campanha voltado às mulheres. O Brasil Por Elas,
nesse contexto, nasce menos como programa consolidado e mais como operação de
contenção de danos de um bolsonarismo que percebeu tarde demais o tamanho do
buraco entre as eleitoras.
Fonte:
Fórum

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