Cardiotórax
suspende atendimento pelo Planserv
A
Cardiotórax — Cooperativa de Cirurgiões Cardiovasculares e Torácicos do Estado
da Bahia — suspendeu, a partir desta quinta-feira (2), o contrato de prestação
de serviços firmado com o Planserv. A decisão, segundo a cooperativa, foi
tomada após tentativas de negociação que não avançaram e diante da ausência de
resposta formal da assistência à saúde dos servidores públicos estaduais aos
pleitos apresentados pela entidade. A medida afeta atendimentos e cirurgias
eletivas realizadas por cirurgiões cardiovasculares e torácicos cooperados,
especialidades de alta complexidade e frequentemente relacionadas a quadros que
exigem planejamento, acompanhamento especializado e estrutura hospitalar.
De
acordo com a Cardiotórax, a suspensão decorre de um desequilíbrio
econômico-financeiro acumulado, provocado pela falta de reajuste dos honorários
médicos há quatro anos e pela necessidade de revisão do teto de faturamento. A
cooperativa informou que notificou formalmente o Planserv em 31 de março de
2026 e voltou a tratar do assunto em reunião presencial realizada no dia 17 de
junho, com representantes da operadora. A pedido do próprio Planserv, um novo
ofício foi encaminhado em 19 de junho, com prazo de resposta até 26 de junho,
mas, segundo a entidade médica, o prazo terminou sem manifestação.
Para a
advogada da Cardiotórax, Marina Basile, a suspensão não é uma medida
precipitada, mas o resultado de um processo conduzido com responsabilidade
institucional. “A Cardiotórax buscou o diálogo até o limite possível. Estamos
falando de uma relação essencial para milhares de beneficiários, mas também de
um modelo que precisa garantir condições mínimas de sustentabilidade para que
médicos altamente especializados continuem prestando assistência com segurança,
qualidade e previsibilidade”, afirma. Segundo ela, a cooperativa entende a
preocupação dos pacientes, mas considera que a ausência de resposta às
solicitações formais inviabilizou a continuidade do contrato nos termos atuais.
A
cooperativa informa que os procedimentos que já possuem autorização emitida
pelo Planserv serão realizados conforme as condições pactuadas anteriormente.
Já os atendimentos e cirurgias eletivas sem autorização prévia, a partir de 2
de julho, não poderão ser faturados pela Cardiotórax ao Planserv durante o
período de suspensão contratual. Na prática, esses casos passarão a depender de
orientação individualizada, especialmente quando houver necessidade de
orçamento particular ou definição de novas alternativas assistenciais.
Nos
casos de urgência e emergência, a Cardiotórax informa que a decisão sobre o
atendimento caberá ao médico, com base na avaliação clínica individual,
considerando o risco e a necessidade de cada paciente. A cooperativa afirma que
envidará esforços para buscar alternativas de cobrança e faturamento dos
procedimentos realizados durante o período de suspensão, mas reforça que o
cenário exige orientação clara aos pacientes, hospitais e equipes
assistenciais. As diretorias hospitalares já foram comunicadas da situação, e o
Conselho Regional de Medicina da Bahia também foi notificado.
“A
prioridade da Cardiotórax continua sendo a segurança do paciente. O que não
podemos é naturalizar um cenário em que procedimentos complexos, que envolvem
responsabilidade técnica elevada, equipes especializadas e risco assistencial,
permaneçam por anos sem atualização adequada dos honorários e sem resposta
concreta às tentativas de negociação”, afirma Marina Basile,. A diretoria da
cooperativa informa que seguirá acompanhando os desdobramentos e poderá rever a
suspensão caso haja avanço efetivo nas tratativas com o Planserv. Beneficiários
que precisarem de orientação da Cardiotórax podem entrar em contato pelo
telefone (71) 3331-1882. A cooperativa também recomenda que os pacientes
consultem o Planserv sobre rede assistencial, autorizações e orientações
administrativas.
Fonte:
Por Carla Santana – assessora de imprensa

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