Para
os negros nos EUA, o aniversário é de 250 anos de pesadelo, não de “liberdade”
A
partir do conceito de “mito fundador”, da professora Marilena Chauí, em
seu Mito fundador e sociedade autoritária, é possível realizar uma
leitura materialista da história estadunidense. Do ponto de vista da célebre
filósofa, “mito fundador” se refere ao primeiro contato que os colonizadores
tiveram com o local a ser colonizado. Chauí pensa esse conceito a partir da
chegada dos portugueses ao território dos nativos, definindo nosso mito
fundador como o “paraíso perdido”. Interpretando esse conceito na história dos
EUA, em O X de Malcolm e a questão racial norte-americana (Edunesp),
defendi que a fundação das 13 colônias, realizada no início do século XVII por
ingleses que fugiam das perseguições religiosas, representou, no plano da
mitologia que se formava, alcançar a “terra da liberdade”, convertendo, ao
longo da história, a liberdade no ethos nacional daquele
país.
Para
Chauí, o mito vai se desenrolando na formação histórica do país, sempre sendo
invocado como definição do ethos de um povo, de uma nação.
Exemplo disso mostra-se na adoração dos estadunidenses por bradar a sua
“liberdade”, seja na luta contra os impostos autoritários, criados pela
Inglaterra, os quais resultaram na vitoriosa Guerra de Independência, iniciada
no 4 de Julho de 1776, ou então em tantos outros momentos, como durante a 2ª
Guerra Mundial e a liderança do suposto “mundo livre” capitalista, durante a
Guerra Fria, ou hoje no suposto direito de falar o que quiser e adquirir
armamentos.
Entretanto,
se vivemos em um desencantamento do mundo e os mitos morreram com o
esclarecimento, o caráter ideológico do mito precisa ser desmascarado a
qualquer custo. A percepção materialista dialética, científica, está aí para
cumprir o seu papel, na destruição de todas essas falsas ideias, afinal, o mito
se converte, de maneira evidente, em uma ideologia. E como sabemos pela longa
tradição de Marx e Engels, desde A ideologia alemã, a ideologia
sempre atua no sentido de ocultar a realidade.
As
contradições inerentes à formação histórica dos Estados Unidos são evidentes,
as quais expõem as “falsas ideias” da fundação daquele país. No centro do
desenvolvimento do capitalismo mercantilista e na sua forma de acumulação
originária de capital, a dita civilização inglesa fez da escravidão naquelas
terras a mola propulsora do seu enriquecimento. E como o mito da “liberdade”
ainda insiste em pairar sobre aquele Estado norte-americano constituído sobre
práticas genocidas, símbolo do horror que varreu do mapa incontáveis povos
originários e subjugou milhões de africanos e seus descendentes. Uma terra que
se diz da “liberdade”, mas que, cinicamente, declarou sua independência em
1776, mantendo a escravidão por mais quase um século. A liberdade, se existiu
naquele país, ela teve cor e classe, branca e burguesa. Na leitura da
“Revolução Americana”, percebe-se que a burguesia foi de classe revolucionária
à classe reacionária, não aceitando qualquer tipo de ruptura que pudesse
retirar os seus privilégios.
E é
aqui que o destino de muitos negros e negras que sofreram com o terrorismo de
Estado, como George Floyd e tantos outros, foram traçados. Veio a 13ª Emenda,
em 1865, junto à vitória do Norte sobre o Sul escravista, que defendia a
liberdade individual como direito de continuidade da escravidão, desde que, é
evidente, eles, brancos, não fossem escravizados. Assim, a isonomia prometida
pela lei federal promoveu, na verdade, a conversão dos ex-escravizados em mão
de obra barata, enquanto o ranço supremacista sulista tratou de, a partir de
seu federalismo, evitar que negros e negras fossem cidadãos por meio das Leis
Jim Crow e das execuções da KKK que, até hoje, não é vista como terrorista
pelos cidadãos de bem estadunidenses. Os negros trocaram as senzalas pelos
guetos e presídios que os encarceravam em massa, além de balançarem nas árvores
sulistas como o “fruto estranho” da sociedade norte-americana doente, cantado
melancolicamente no clássico de Billie Holliday, “Strange fruit”. Cornel West,
em Questão de raça, afirmou sobre esse cenário:
“A
combinação única de terrorismo estadunidense (as leis Jim Crow e o linchamento)
com a barbárie estadinidense (comércio e trabalho de escravizados) prova o
distinto ataque estadunidense à humanidade do povo negro”.
Paralelamente
a isso, em nível federal, o mito fundador convertido em ideologia liberal
dominava a cena econômica do país. Liberdade sem acesso aos meios de produção
não é liberdade, como é sabido pela ótica marxista-leninista. O american
way of life prometia consumo, “frango na panela e um carro na
garagem”, como falava o presidente Hoover às vésperas da crise de 1929.
Enquanto a maioria da população branca comia, a maioria negra a servia em um
racismo institucionalizado. Nada como uma pirotecnia ideológica para ocultar a
miséria e opressão em que vivia a massa populacional negra e pobre do país.
Veio a 2ª Guerra Mundial e, enquanto a KKK com a coragem de seus encapuzados
queimava cruzes e corpos negros no Sul, o governo estadunidense declarava
guerra contra os nazifascistas na Europa. Não estaria o próprio nazismo nas
terras sulistas?
Os
Aliados venceram a Guerra e o governo dos EUA comemorava e gritava freedom,
enquanto, no Alabama, os negros não podiam ir às universidades devido às leis
segregacionistas e, em parte dos estados, tinham o seu direito do voto
cerceado. Nessa época, década de 1950, em Minnesota, quando os pais de George
Floyd estavam vivos, mesmo distante do epicentro racista do sul, as leis
racistas impunham nas escrituras de imóveis dos bairros mais ricos, perto de
onde George Floyd foi executado, que negros e negras não poderiam comprar
casas. Se o objetivo da democracia é garantir direitos básicos a todos, nos
Estados Unidos, sobretudo até 1965, a “democracia foi um fracasso colossal”,
como pensou Cornel West em Questão de raça.
Em
1964, as lutas do Dr. Martin Luther King Jr., de Malcolm X e tantas outras
lideranças conquistaram a Lei dos Direitos Civis, acabando, na teoria, com as
leis segregacionistas. Foram criadas as ações afirmativas, liberais, para
promover a ascensão da comunidade negra em meio à sociedade de classes, com
destaque para a política de cotas raciais nas universidades. A promessa da
liberdade burguesa chegava, enfim, à população negra, free at last,
free at last, como nos spirituals entoados nas igrejas
batistas? A lei de Minnesota foi retirada. O segregacionismo da lei, explícita,
acabou. Mas as imobiliárias criaram outras maneiras de discriminar. O sistema
mudou para continuar o mesmo: os imóveis nos bairros mais desejados passaram a
valer mais, impedindo a maioria esmagadora da população negra de ter acesso a
esses bens. Só se aprofundou a ótica do racismo: da lei para os salários.
A
década de 1970 viu o law and order de Nixon e sua guerra às
drogas destruir o movimento negro, incriminando falsamente lideranças, como
Angela Davis, as quais, junto à população dos guetos, foi jogada em um número
ainda maior nos presídios do país (ainda hoje os afro-estadunidenses são cerca
de 15% da população total, mas 40% dos encarcerados, mero acaso?). Some-se a
isso a crise econômica que apareceu após os choques do petróleo, provocando um
desaparecimento do pouco que havia de bem-estar social no país. Resultado, sem
qualquer auxílio governamental, as periferias das grandes cidades dos Estados
Unidos, da Califórnia a Nova York, repletas de afro-estadunidenses como uma
consequência histórica de um racismo institucionalizado, foram atingidas
duramente por uma verdadeira epidemia de drogas e violência policial, as quais
refletiram na arte com o rap de resistência de N.W.A. na Costa Oeste e do
Public Enemy na Costa Leste e o grafite de Basquiat, entre outros. Foi nesse
contexto que nasceram e cresceram George Floyd e tantos outros. Com a explosão
da violência urbana, os programas policiais cresceram nos anos 1980 por meio da
espetacularização das cenas de perseguição à população negra dos guetos,
estigmatizando-a. Nesse meio de profunda ausência e de confusão das reais
causas do problema, um Malcolm X, em Malcolm X fala, entendendo que
as ideias dominantes são as das classes dominantes, afirmaria:
“Se
você não cuidar, os jornais farão você odiar as pessoas que
estão sendo oprimidas, e amar as pessoas que estão oprimindo”.
A
continuidade desse processo permanece evidente na contemporaneidade. Reagan,
Bushes, Clinton, Obama, Trump, democratas e republicanos, todos só deram
sequência ao racismo histórico, com alguma exceção do primeiro presidente negro
da história, o qual pouco teve de condições de mudar a cena racista do país,
pois representatividade sem mudança estrutural é mais do mesmo, converte o
identitarismo em mero instrumento do capitalismo, que converte uma causa em
mercadoria, com camiseta, bonés e pingentes. Obama é muito mais um símbolo de
esperança e superação para os negros e negras dos Estados Unidos, presentes na
ideologia liberal, do que uma possibilidade de ruptura histórica. As políticas
públicas estadunidenses nas últimas décadas, das quais Obama fez parte,
funcionaram, em geral, para o desenvolvimento de um capitalismo ultraliberal, o
qual, pelas contradições inerentes ao próprio sistema, não dá qualquer garantia
de que as pessoas de baixa renda e a maioria delas é negra e latina, tenha
acesso à educação pública a nível superior, saúde pública e moradia digna. Por
que afro-estadunidenses registraram taxas desproporcionalmente altas de
infecção e mortalidade durante a Covid-19? Além de gritarem “parem de nos
matar”, essa população que participou dos protestos do Black Lives Matter está
cansada de não ter garantia de direitos sociais básicos. Cornel West percebeu
isso e ressaltou a herança da supremacia branca na realidade contemporânea,
destacando que:
“As
condenações relacionadas às drogas (os negros consomem 12% das drogas ilegais,
mas sofrem quase 70% das condenações!), e as execuções de pena de morte. E os
exemplos menos explícitos são os níveis de desemprego, as taxas de mortalidade
infantil, o acesso à educação especial e os tratamentos para depressão”.
A
ideologia diz, “basta que se esforce, este é um país livre, de oportunidades
iguais para todos”. Mérito eles dizem. Mesmo com três empregos, nenhum com
qualquer garantia, como o inesquecível personagem Julius, interpretado por
Terry Crews, de Everybody hates Chris, a maior parte da população
não consegue e não vai conseguir jamais ascender, pois o sistema não permite. É
a uberização capitalista do século XXI. No fim das contas de 250 anos passados
daquele 4 de Julho de 1776, no 2º Congresso da Filadélfia, feito por homens
brancos burgueses para homens brancos burgueses, a situação está aí, de horror
repetido para a população negra e pobre que não aguenta mais não ter a garantia
do seu simples direito de existir. O que a sociedade e as instituições governamentais
ao redor do mundo, mas especialmente as estadunidenses precisam refletir e
responder é: “de que maneira vamos alcançar a máxima de Martin Luther King
Jr.?”, que afirmou:
“Aprendemos
a nadar como peixes, a voar como pássaros, mas não aprendemos a viver como
irmãos”.
O
entendimento de Du Bois, “o problema do século XX é o problema da barreira de
cor” ainda vai continuar, pois se trata de uma questão de classe, moldada pelo
próprio capitalismo, cujas práticas, historicamente, brutalizaram a vida de
negros, nativos e imigrantes. Como garantir uma vida material digna para essa
população? Se a resposta passar pela manutenção da lógica neoliberal, o país
continuará entorpecido no sonho profundo do “mito fundador”.
¨
Eu reverenciava o grande experimento que são os Estados
Unidos. Depois de Trump, já não tenho certeza.. Por Jonathan Freedland
O
aniversário de 250 anos dos Estados Unidos chega em um momento ruim. No sábado,
a nação estará dividida e celebrará a declaração de independência de 13
colônias norte-americanas da Grã-Bretanha de Jorge III. Muitos temem que a
república que estabeleceram naquele dia seja frágil – principalmente por causa
do aspirante a imperador na Casa Branca.
Alguns
se consolarão com o fato de que a esperança e a angústia sempre estiveram
entrelaçadas na história americana. Desde o início, a confiança em um futuro
brilhante e excepcional para os EUA se misturou com o pressentimento e a
dúvida. Ao final da convenção constitucional de 1787, uma mulher abordou um dos
pais fundadores, Benjamin Franklin, para perguntar se os delegados haviam
estabelecido uma monarquia ou uma república. A resposta de Franklin: “ Uma república, se vocês conseguirem
mantê-la. ”
Espera-se
que parte desse desconforto tenha resultado de uma compreensão tácita de que a
nova nação havia surgido com um defeito intrínseco, na forma de uma terrível
contradição. A declaração proclamava que “todos os homens são criados iguais”,
o que excluía as mulheres e não se coadunava com o fato de que essa nova
entidade fora fundada na escravidão. O principal autor desse texto, Thomas
Jefferson, era ele próprio proprietário de escravos, e a consciência de sua
hipocrisia o atormentava. “Tremo por meu país quando reflito que Deus é justo:
que sua justiça não pode dormir para sempre”, escreveu ele .
Mas
esse medo do futuro também se devia, em parte, à enorme ambição dos fundadores.
Como afirma Tom Holland,
historiador do mundo antigo , os EUA foram “fundados como uma simulação da
antiga república romana. E a lição da história romana é que, em algum momento,
uma república se tornará uma autocracia”. A tinta mal havia secado na
declaração de 4 de julho, diz Holland, quando os americanos começaram a “temer
o surgimento de um César”.
Tudo
isso pode encorajar os americanos de hoje a serem otimistas, tranquilizados
pela ideia de que seus antecessores também temiam, apenas para que seus receios
se provassem infundados. Considere a determinação de Donald Trump em concentrar
cada vez mais poderes em suas mãos. Em uma perspectiva, isso não é inédito.
Franklin Roosevelt foi duramente criticado por construir uma presidência
imperial, enquanto até mesmo o santo secular que é Abraham Lincoln submeteu
manifestantes à lei marcial e suspendeu o direito ao
habeas corpus (embora
tivesse a desculpa de uma guerra civil). Em sua sede de poder, Trump poderia
dizer que está em ótima companhia.
Assim,
o americano com sua visão otimista pôde desfrutar dos churrascos e queimas de
fogos de artifício de sábado, insistindo que isso também passará. Sim, um
fanfarrão grosseiro e venal está no Salão Oval – alguém que, descobrimos esta
semana, embolsou pessoalmente US$ 2,2 bilhões em seu primeiro ano
de volta ao cargo ;
sim, ele lançou uma guerra desastrosa que fortaleceu um dos inimigos declarados
dos Estados Unidos, o Irã, e enfraqueceu os EUA; sim, ele começou a desmantelar
uma ordem internacional baseada em regras, pós-1945, da qual os EUA só se
beneficiaram, tornando-se mais fortes e mais ricos; e sim, ele e seu
vice-presidente parecem determinados a substituir a concepção “creedal” que
anima o país sobre a identidade nacional, na qual a cidadania é aberta a
qualquer um que subscreva aos ideais centrais da América, por uma definição
que, em vez disso, exige herança étnica de sangue e solo – mas tudo isso
passará. Nessa perspectiva, uma América que sobreviveu a uma guerra civil, à
segregação racial de Jim Crow e à caça às bruxas do macartismo nas décadas de
1940 e 1950, pode sobreviver a Trump e ao trumpismo.
Some a
isso o poderio fenomenal das forças armadas e da economia dos EUA, que deverão
receber uma vantagem ainda maior sobre seus rivais graças à vantagem inicial
dos EUA em IA, e a perspectiva é extremamente otimista.
E, no
entanto, não estou convencido. Durante anos, mantive exatamente a posição que
acabei de esboçar: que, sim, os EUA tinham falhas e problemas gritantes, mas
nada que o próprio sistema americano não pudesse superar. Meu primeiro livro,
publicado no final da década de 1990, era uma espécie de carta de amor ao ideal
americano, argumentando que ele era fruto de uma rebelião contra um sistema de
governo britânico antiquado, sob o qual nós, deste lado do Atlântico, ainda
trabalhávamos. O livro se chamava "Bring Home the Revolution" (Tragam
a Revolução para Casa), mas o subtítulo original era: "How Britain Can
Live the American Dream" (Como a Grã-Bretanha Pode Viver o Sonho
Americano). Quando um entrevistador, respondendo ao processo de impeachment que
acabara de começar contra Bill Clinton, brincou dizendo: "É tudo um
pesadelo agora, não é?", eu rebati, insistindo que, quaisquer que fossem
as falhas em sua realização, o ideal americano em si permanecia nobre. Não
importava qual problema afligisse os EUA, a solução estava naquela maravilha de
documento fundador, a Constituição americana.
A
última década mudou minha perspectiva. Em Trump, a Constituição se deparou
exatamente com o tipo de figura que os fundadores temiam: um presidente que
busca governar como um monarca, enriquecendo a si mesmo e à sua família no
processo. Os fundadores ergueram diversas barreiras contra essa pessoa, sejam
cláusulas de emolumentos, para evitar o recebimento de presentes estrangeiros e
a busca por ganhos fora do exercício de suas funções como presidente, ou uma
elaborada série de freios e contrapesos para garantir que os poderes fossem
separados, em vez de concentrados em uma única pessoa. O resultado é uma obra
delicada e complexa de engenharia civil, uma complexa engrenagem política na
qual um peso ou pressão em um ponto é compensado por um contrapeso ou contrapressão
em outro.
No
papel, a Constituição dos EUA é uma obra de arte. Mas Trump revelou sua grande
fragilidade: a incapacidade de se fazer cumprir sozinha. Apesar de seu status
sagrado — e é reverenciada como um texto sagrado nos EUA —, ela depende de
pessoas, meros mortais de carne e osso, para fazer sua vontade. E o que
aprendemos nesta última década é que as pessoas encarregadas pela Constituição
de fazê-la cumprir, por vezes, se recusam a fazê-lo.
A prova
concreta veio após a tentativa de insurreição de 6 de janeiro de 2021. Trump
sofreu impeachment, como exigia a Constituição, mas os senadores republicanos
se esquivaram da obrigação de condená-lo e destituí-lo do cargo. Neste segundo
mandato, o Congresso assistiu enquanto o presidente acumulava cada vez mais
poder para si, usurpando-o, e não se moveu. Permaneceu inerte.
Entretanto,
os juízes da Suprema Corte, que os idealizadores da Constituição previram como
os protetores do país, desempenharam seu próprio papel ao permitir a tomada de
poder por Trump. Eles o desafiaram aqui e ali, mas lhe concederam muito mais do
que lhe negaram. Não contentes em garantir ao presidente uma imunidade legal
quase total, esta semana lhe deram a autoridade para demitir os chefes de agências
federais supostamente independentes , removendo assim mais uma possível
restrição ao poder presidencial.
Este é,
portanto, o defeito fatal da Constituição dos EUA e, consequentemente, da
própria república. Como Franklin percebeu, a república não se sustentaria
sozinha; somente seres humanos, comprometidos com os princípios essenciais da
democracia liberal, poderiam fazê-lo. E na era Trump, aqueles a quem foi
atribuída essa tarefa se esquivaram dela.
Poucos
apostariam contra a recuperação dos EUA após a saída de Trump; o país já se
recuperou, se renovou e se reconstruiu antes. Mas o homem que completou 80 anos
no mês passado expôs uma fragilidade na nação que completa 250 anos neste
sábado. Agora que a vislumbramos, não podemos mais ignorá-la.
Fonte: Por Vladimir
Miguel Rodrigues, em Jacobin Brasil/The Guardian

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