Flávio
Bolsonaro vê nova onda de repúdio após defender cartões de crédito dos EUA
O
vazamento da íntegra de um calhamaço de 86 páginas enviado pelo senador Flávio
Bolsonaro (PL-RJ) ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos
(USTR) disparou um violento revés sobre a pré-candidatura do extremista, que
agora enfrenta a pior tempestade de sua trajetória pública. No documento
oficial, que ostenta o timbre do Senado Federal, o filho 01 do ex-presidente
Jair Bolsonaro (PL) assumiu uma postura classificada pela maior parte dos
cidadãos e por analistas como de explícita vassalagem internacional: postou-se
como ferrenho defensor dos interesses comerciais de bilionárias bandeiras
norte-americanas de cartão de crédito, como Visa e MasterCard, propondo em
contrapartida o cerceamento da expansão global do PIX, a bem-sucedida e gratuita
ferramenta de pagamentos instantâneos desenvolvida pelo Banco Central do
Brasil.
A
reação nas redes sociais foi imediata e violenta. Rótulos como “traidor da
pátria”, “Judas” e “traíra” espalharam-se de forma viral pelas pelas
plataformas digitais, unindo diferentes setores da sociedade civil indignados
com o uso de um fórum estrangeiro para desidratar um patrimônio tecnológico e
financeiro nacional. Encurralado pelo bombardeio, Flávio Bolsonaro deu sinais
públicos de desespero, cancelando compromissos em agendas tradicionais no
Nordeste para anunciar uma viagem intempestiva a Washington, sob a alegação de
estar “cansado e estressado” com o “nível de cobrança” do eleitorado
brasileiro, quando na verdade seus concidadãos apenas exigem que ele se
comporte como um brasileiro. O episódio desencadeou o que analistas já apontam
como o pior inferno astral de sua pré-candidatura à Presidência da República,
expondo uma profunda desconexão com a realidade econômica do país e as
aspirações de soberania nacional.
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PIX como moeda de troca: A lógica do lucro estrangeiro
O cerne
do documento protocolado por Flávio Bolsonaro junto ao USTR na última
quarta-feira (1º) revela uma inversão de prioridades que chocou o mercado e a
opinião pública. Atendendo a uma investigação abraçada pelo governo
norte-americano (sob a chamada Section 301), que classifica o avanço do PIX
como uma “competição prejudicial” às empresas dos EUA, o senador brasileiro
apressou-se em oferecer garantias políticas a Washington. O parlamentar
argumentou textualmente que o PIX, por ser uma infraestrutura pública e
gratuita, não funciona como uma empresa e, portanto, não gera lucro. Sob essa
justificativa, defendeu a necessidade de salvaguardar as margens de lucro das
operadoras privadas estrangeiras, que dominam o mercado de cartões de crédito e
débito no Brasil.
Para
aplacar as preocupações da gestão de Donald Trump e garantir a hegemonia do
dólar nas transações comerciais globais, Flávio ofereceu o que chamou de
“compromisso legislativo” de remediação: uma trava política para isolar o PIX
do sistema financeiro global. A proposta prevê proibir por lei qualquer
interconexão do arranjo de pagamentos brasileiro a sistemas transfronteiriços
de liquidação considerados “não ocidentais”, uma clara blindagem contra a
aproximação de mercados asiáticos, notadamente a China, e uma tentativa de
minar os esforços de construção de uma ordem financeira multipolar promovida
pelo bloco do BRICS.
Adicionalmente,
o pré-candidato defendeu um alívio tributário e regulatório agressivo para as
empresas norte-americanas de cartão, alegando que tais mecanismos oferecem
serviços que o PIX não seria capaz de suprir, como a contestação de compras e o
financiamento de crédito. O argumento ignora os sucessivos avanços promovidos
pelo Banco Central do Brasil que já mimetizam essas funções em solo nacional a
custos infinitamente menores. A tese de que um presidenciável brasileiro deva
priorizar a rentabilidade de multinacionais sediadas em Nova York, em
detrimento de uma ferramenta pública essencial para pequenos comerciantes,
trabalhadores informais e milhões de cidadãos, consolidou a narrativa de
submissão que agora asfixia sua imagem pública.
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O cálculo eleitoral do adiamento e a contradição tarifária
O
pânico eleitoral é o fio condutor que costura as dezenas de páginas da petição
enviada por Flávio Bolsonaro. Ao se apresentar formalmente ao USTR como o
principal nome da oposição para a disputa presidencial, o senador implorou para
que o governo norte-americano adie por 180 dias (com possibilidade de extensão
por mais 90) a aplicação da barreira alfandegária de 25% proposta contra as
exportações do Brasil. A justificativa apresentada pelo parlamentar a uma
potência estrangeira carrega o peso de uma confissão explícita: ele admite que
o tarifaço está destruindo suas chances eleitorais e inflando sua rejeição
junto ao eleitorado produtivo.
Essa
postura expõe uma contradição flagrante na retórica do clã Bolsonaro. Durante
meses, Flávio e seu irmão, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), aplaudiram
publicamente e incentivaram o endurecimento da política comercial
norte-americana contra o Brasil, utilizando as sanções econômicas como arma de
desgaste político contra a gestão do presidente Lula (PT). Em episódios
anteriores, Eduardo chegou a comemorar nas redes sociais a imposição de
sobretaxas ao setor exportador brasileiro, agradecendo nominalmente a Donald
Trump e referindo-se ao mandatário estrangeiro com reverência devida a um chefe
de Estado próprio.
Agora,
diante de pesquisas internas que apontam o colapso de sua popularidade, Flávio
recorre ao pragmatismo cosmético. Na carta, ele adverte as autoridades
norte-americanas de que a pressão tarifária imediata surtiu o efeito oposto ao
desejado, fortalecendo a retórica de soberania nacional do presidente Lula e
empurrando a opinião pública brasileira para o apoio ao atual governo. “As
tarifas propostas dariam ao atual governo brasileiro exatamente a vitória
política que ele vem buscando”, confessa no documento. A solução proposta pelo
senador não visa proteger os produtores agrícolas ou a indústria nacional do
prejuízo bilionário, mas tão somente empurrar o início do desastre econômico
para depois do pleito eleitoral, numa manobra que coloca o interesse de sua
facção partidária acima da estabilidade financeira do país.
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Dossiê Master: Omissões de R$ 61 milhões e uso político das instituições
Na
tentativa de robustecer sua interlocução com Washington e desviar o foco de sua
agenda entreguista, Flávio Bolsonaro transformou a petição de comércio
internacional em uma peça de acusação política interna. O senador anexou ao
documento enviado ao USTR un detalhado dossiê sobre as investigações que cercam
o Banco Master, classificando o episódio aos norte-americanos como a “maior
fraude bancária da história do Brasil”, apropriando-se, ironicamente, de uma
expressão cunhada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, meses antes.
No
texto enviado a Washington, o parlamentar desenhou uma narrativa que vincula o
escândalo financeiro à cúpula do governo federal e ao Judiciário brasileiro.
Flávio citou nominalmente ex-ministros como Guido Mantega e Ricardo
Lewandowski, além do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), e do
próprio presidente Lula, acusando-os de manter uma rede de proximidade com o
controlador da instituição financeira. O senador também atacou o Supremo
Tribunal Federal, mencionando contratos do escritório de advocacia de Viviane
Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, com a banca
investigada, numa clara tentativa de capitalizar as pautas da extrema direita
norte-americana sobre supostos abusos e censura institucional no Brasil.
O que
confere ao documento o caráter de profunda dissimulação, no entanto, são as
omissões cirúrgicas praticadas pelo senador. Enquanto utilizava uma repartição
estrangeira como balcão de queixas partidárias para alvejar o governo e o STF,
Flávio Bolsonaro sonegou das autoridades dos EUA suas próprias e profundas
conexões financeiras com o pivô do escândalo: o banqueiro Daniel Vorcaro, preso
no âmbito da Operação Compliance Zero.
Interceptações
telefônicas e documentos revelados pelo veículo The Intercept Brasil provam que
o senador articulou diretamente com Vorcaro o repasse de cifras milionárias.
Entre fevereiro e maio de 2025, empresas parceiras do banqueiro criminoso
transferiram pelo menos R$ 61 milhões, de um montante total negociado de R$ 134
milhões, para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas e gerido
por operadores ligados a Eduardo Bolsonaro. O destino do dinheiro era o
financiamento do projeto político-midiático Dark Horse, um filme biográfico
grotesco destinado a exaltar a figura de Jair Bolsonaro. Em áudios gravados em
setembro do ano passado, o próprio Flávio aparece cobrando Vorcaro de forma
incisiva por atrasos nos repasses, alegando que a produção estava em “momento
muito decisivo” e que “está todo mundo tenso”.
O
silêncio do senador sobre os R$ 61 milhões que irrigaram os negócios de sua
própria família, somado à ocultação de buscas e apreensões sofridas por aliados
íntimos de seu grupo político, como o senador Ciro Nogueira (PP-PI), despiu a
carta de qualquer verniz de denúncia legítima. A peça foi convertida, aos olhos
da opinião pública nacional, em uma operação de imagem seletiva e desesperada.
Ao tentar entregar o patrimônio do PIX em troca de uma trégua eleitoral e usar
o Banco Master como cortina de fumaça, Flávio Bolsonaro acabou por carimbar na
própria testa a insensatez política, selando o isolamento que agora amarga
diante do eleitorado brasileiro.
• Rejeição a Flávio Bolsonaro dispara e
chega a 60%, diz Atlas
A
imagem negativa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegou a 60%, segundo
levantamento Latam Pulse Brasil, da AtlasIntel/Bloomberg, divulgado nesta
semana. O índice coloca o filho de Jair Bolsonaro em situação de forte
desgaste: apenas 38% dos entrevistados dizem ter imagem positiva dele, enquanto
2% não souberam responder.
Na
prática, Flávio aparece com saldo negativo de 22 pontos percentuais entre
imagem positiva e negativa. O dado reforça o derretimento político do senador
em um momento em que vê seu nome desidratar nas pesquisas eleitorais para a
presidência, ao passo que observa o crescimento do presidente Luiz Inácio Lula
da Silva, pré-candidato à reeleição.
A
pesquisa ouviu 4.999 pessoas entre os dias 26 e 30 de junho de 2026, com margem
de erro de 1 ponto percentual e nível de confiança de 95%. O levantamento está
registrado no TSE sob o número BR-04582/2026.
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Bolsonaristas acumulam alta rejeição
Flávio
não está sozinho no bloco de lideranças da extrema direita com imagem
majoritariamente negativa. O levantamento mostra que vários nomes associados ao
bolsonarismo aparecem com rejeição elevada.
O pior
desempenho entre os bolsonaristas listados é de Eduardo Bolsonaro, que tem 62%
de imagem negativa e apenas 33% de imagem positiva, com saldo de -29 pontos.
Na
sequência aparecem:
• Flávio Bolsonaro: 38% positiva, 60%
negativa, saldo de -22 pontos;
• Nikolas Ferreira: 39% positiva, 59%
negativa, saldo de -20 pontos;
• Michelle Bolsonaro: 35% positiva, 59%
negativa, saldo de -24 pontos;
• Jair Bolsonaro: 42% positiva, 58%
negativa, saldo de -16 pontos;
• Romeu Zema: 32% positiva, 59% negativa,
saldo de -27 pontos;
• Ronaldo Caiado: 32% positiva, 54%
negativa, saldo de -22 pontos.
O dado
mais incômodo para o bolsonarismo é que nem mesmo Jair Bolsonaro, principal
liderança da extrema direita, consegue inverter a curva de rejeição: sua imagem
negativa é de 58%, contra 42% de imagem positiva.
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Lula lidera em imagem positiva entre os nomes testados
Na
outra ponta, Lula aparece com a maior imagem positiva entre todos os líderes
políticos avaliados: 46%. O presidente tem 54% de imagem negativa, com saldo de
-8 pontos, desempenho melhor que o de todos os bolsonaristas citados no
levantamento.
O
vice-presidente Geraldo Alckmin aparece logo atrás, com 45% de imagem positiva
e 50% de imagem negativa, saldo de -5 pontos, o melhor resultado líquido entre
os nomes listados.
Também
aparecem à frente dos principais nomes bolsonaristas em imagem positiva:
• Tarcísio de Freitas: 44% positiva, 48%
negativa;
• Fernando Haddad: 43% positiva, 54%
negativa;
• Jair Bolsonaro: 42% positiva, 58%
negativa.
No caso
de Haddad, o índice positivo de 43% supera o de Jair Bolsonaro, Flávio
Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, Michelle Bolsonaro, Nikolas Ferreira, Romeu Zema
e Ronaldo Caiado.
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Hugo Motta, Alcolumbre e Aécio têm os piores saldos
Além
dos bolsonaristas, a pesquisa aponta rejeição altíssima a lideranças do
Congresso e a nomes tradicionais da direita.
O
presidente do Senado, Davi Alcolumbre, tem o pior saldo do levantamento: apenas
2% de imagem positiva, 90% de imagem negativa e 8% de “não sei”. O saldo é de
-88 pontos.
O
presidente da Câmara, Hugo Motta, também aparece em situação crítica: 3% de
imagem positiva, 88% de imagem negativa e 10% de “não sei”, saldo de -85
pontos.
Aécio
Neves registra o mesmo saldo negativo de Hugo Motta: 3% de imagem positiva, 88%
de imagem negativa e 9%de “não sei”.
Entre
os demais nomes avaliados, Renan Santos tem 18% de imagem positiva, 54%
negativa e 28% de “não sei”. Já Joaquim Barbosa aparece com 30% de imagem
positiva, 41% negativa e 29% de “não sei”.
Medidas
do governo Lula têm aprovação majoritária
A
pesquisa também mediu a percepção sobre decisões do governo Lula. As medidas
mais bem avaliadas são de forte apelo social e econômico.
A
gratuidade para todos os medicamentos e itens do Farmácia Popular é considerada
acerto por 84% dos entrevistados, contra 11% que veem erro. A isenção de
Imposto de Renda para pessoas com renda mensal abaixo de R$ 5 mil aparece com
80% de aprovação e 16% de reprovação.
Também
são vistas como acertos:
• Revogação da “taxa das blusinhas”: 65%
consideram acerto;
• Fim da obrigatoriedade de aulas em
autoescola para tirar CNH: 65%;
• Acordo de livre comércio entre Mercosul
e União Europeia: 63%;
• Desenrola: 58%;
• Pé-de-Meia: 56%;
• Gás do Povo: 55%;
• Reforma Tributária: 51%.
As duas
medidas com avaliação negativa no levantamento são a retirada de empresas
públicas, como os Correios, do programa de privatização, vista como erro por
48%, e a adoção do arcabouço fiscal, considerada erro por 46%.
Criminalidade
e corrupção lideram preocupações
Entre
os maiores problemas do Brasil, a pesquisa aponta criminalidade e tráfico de
drogas em primeiro lugar, com 66,8% das menções. Em seguida aparece corrupção,
com 57,9%.
A
economia e inflação aparecem em terceiro lugar, com 22,5%. Depois vêm
extremismo e polarização política e situação da educação, ambas com 15,5%.
A
pesquisa Latam Pulse Brasil é uma iniciativa conjunta da AtlasIntel e da
Bloomberg e acompanha indicadores políticos, sociais e econômicos em países da
América Latina.
Fonte:
Fórum

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