Ayoub
Khan: A gazaficação do Líbano
Desde
que Israel retomou seu ataque ao Líbano em 2 de março, mais de 1,2 milhão de
pessoas foram deslocadas e mais de 2.500 acabaram mortas. Comunidades inteiras
foram expulsas de suas casas. Vilarejos foram arrasados. Famílias ficaram sem
nada, sem ter para onde voltar. Ao longo da chamada “linha amarela” — a zona
militarizada que corta o sul do Líbano — moradores descrevem-se como
abandonados, presos entre bombardeios contínuos e sem qualquer proteção
significativa. Enquanto isso, os perpetradores documentam tudo para o mundo
ver.
O que
estamos testemunhando agora é a “gazificação” do Líbano: destruição em larga
escala da infraestrutura civil, deslocamento em massa e operações militares
contínuas em áreas povoadas, juntamente com o uso indiscriminado de fósforo
branco. As Nações Unidas alertaram que os ataques de Israel no Líbano podem já
constituir graves violações do direito internacional humanitário. No entanto,
até o momento, não houve nenhum esforço internacional sério para deter essa
onda de destruição, assim como não houve nenhuma tentativa coordenada
significativa para impedir o genocídio em Gaza. O governo do Reino Unido não
fez nada para acabar com o delírio de Israel de que pode agir impunemente.
Este é
precisamente o tipo de situação que a Carta da ONU foi concebida para evitar —
impondo limites ao uso da força e tornando a proteção da paz e da segurança
internacionais uma obrigação fundamental. O direito internacional humanitário
existe para garantir que, mesmo em tempos de guerra, haja certos limites que
não podem ser ultrapassados. É impossível observar o que está acontecendo no
sul do Líbano e concluir que esses princípios estão sendo respeitados.
O Reino
Unido é signatário das Convenções de Genebra e está vinculado pelo Artigo 1º
Comum, que exige não apenas que os Estados cumpram o direito internacional, mas
também que tomem medidas para garantir que outras nações o façam. O direito
internacional não se impõe sozinho. Ele depende da disposição dos Estados em
defendê-lo quando suas normas estão ameaçadas. No entanto, em vez de tomar
medidas significativas, o governo trabalhista se limita a emitir declarações
tímidas de “preocupação”, apelos à “moderação” e pedidos de “desescalada”, como
se tudo isso fosse uma questão de imagem, e não de direito — ou mesmo de
princípios morais básicos.
Uma
resposta juridicamente coerente ao ataque de Israel ao Líbano exigiria uma
abordagem completamente diferente: a imposição de sanções eficazes; a suspensão
das exportações de armas; o apoio a investigações internacionais sobre
potenciais crimes de guerra; e a tomada de medidas concretas para garantir um
cessar-fogo real, em oposição a um cessar-fogo ilusório que permite aos
israelenses continuarem seus bombardeios e o deslocamento em massa de civis.
Exigiria também o cumprimento das fronteiras internacionalmente reconhecidas,
que as Forças de Defesa de Israel (IDF) transgridem repetidamente.
O
Líbano não pode ser tratado como uma crise isolada. Reflete um colapso mais
amplo nas estruturas do direito internacional. Os princípios jurídicos são
agora invocados retoricamente, mesmo quando os Estados devastam populações
civis sem qualquer responsabilização. Se isso continuar, as consequências irão
muito além do Líbano, corroendo as proteções legais das quais os civis em todo
o mundo dependem em tempos de guerra.
O
governo do Reino Unido não sofre de falta de conhecimento. Sabe perfeitamente o
que está acontecendo. Sua falha reside na falta de coragem política básica.
¨ A guerra contra o Irã
deixou os ricos ainda mais ricos. Por Ben Balint-Kurti
recente
guerra no Irã desencadeou um enorme choque global no preço do petróleo.
Praticamente todos no planeta dependem do petróleo, ou de produtos que o
requerem, o que significa que praticamente todos estão pagando mais pelos itens
básicos da vida cotidiana. Parece ser uma daquelas raras crises que afetam a
todos igualmente.
Mas
não. Uma nova pesquisa dos economistas Gregor Semieniuk, Isabella Weber e seus
colegas utiliza análises financeiras para mostrar exatamente como os choques de
oferta canalizam o dinheiro para o andar de cima: mais de 50% dos lucros
provenientes dos choques de oferta relacionados à COVID e à Ucrânia em 2021 e
2022 foram para o 1% mais rico da população dos EUA. Os 50% mais pobres
receberam apenas 1%. Há todos os motivos para acreditar que o mesmo padrão está
se repetindo agora.
O
mecanismo é simples. Suponha que uma guerra destrua os estoques de petróleo de
alguma empresa — mas não os seus. O preço global do petróleo sobe porque a
oferta total diminuiu, mesmo que sua empresa não tenha sofrido nenhuma perda.
Agora você vende a mesma quantidade de petróleo de antes a preços
dramaticamente mais altos, sem ter feito nada para melhorar seu produto ou sua
eficiência. É um lucro inesperado.
Quando
isso aconteceu durante as crises de 2021 e 2022, empresas como a ExxonMobil e a
Chevron registraram lucros recordes. Houve, compreensivelmente, apelos para
tributar esses lucros e devolver parte do dinheiro ao público que arcou com o
custo dos preços mais altos nos postos de gasolina.
Como
observou Darren Woods, CEO da ExxonMobil: “Nos Estados Unidos, tem havido
discussões sobre a nossa indústria devolver parte dos lucros diretamente ao
povo estadunidense. Na verdade, é exatamente isso que estamos fazendo — na
forma de dividendos trimestrais.”
É
evidente que, provavelmente, não é você quem vai receber esse dividendo.
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Quem fica com o dinheiro?
Para
rastrear o destino real dos lucros dos combustíveis fósseis, os pesquisadores
acompanharam a cadeia de propriedade desde as empresas petrolíferas até os
acionistas individuais — incluindo pessoas que possuem ações de empresas
petrolíferas indiretamente por meio de fundos de hedge, fundos de investimento
ou outras empresas. A descoberta é surpreendente.
O 1%
mais rico da população concentrou mais da metade de todos os lucros dos
combustíveis fósseis durante os choques de oferta de 2021-2022. A metade mais
pobre da população estadunidense recebeu apenas 1%. Isso muda fundamentalmente
a forma como entendemos a inflação impulsionada por choques de oferta. Se
considerarmos apenas o aumento dos preços ao consumidor, essa inflação afeta a
todos de forma praticamente igual — cerca de 6,5% em 2022, em todas as faixas
de renda. Mas, ao levarmos em conta os lucros que retornam aos acionistas,
surge um cenário bem diferente.
Para o
1% mais rico, a inflação efetiva em 2022 foi de cerca de 3%, porque seus
dividendos e rendimentos de ações compensaram grande parte dos aumentos de
preços. Para os 50% mais pobres, não houve essa compensação. Eles foram
obrigados a absorver o impacto total.
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O que está acontecendo agora?
As
empresas já divulgaram individualmente os resultados. A Shell e a BP anunciaram
aumentos expressivos nos lucros. Os spreads de refino nos EUA — a medida padrão
das margens de lucro das refinarias — mostram que grande parte do aumento nos
custos de combustível reflete margens de lucro maiores, e não custos de insumos
mais elevados. E como as principais companhias petrolíferas são verticalmente
integradas, elas lucram em ambas as pontas: com o aumento dos preços pelos
quais vendem seu excedente de petróleo bruto e com o aumento de suas próprias
margens de refino.
Os
mercados, ao que parece, anteciparam-se ao público. As ações de empresas de
combustíveis fósseis começaram a subir em janeiro e fevereiro deste ano, quando
as tensões com o Irã aumentaram e a invasão da Venezuela pelos EUA gerou
temores (ou, para os acionistas, talvez esperanças) de novas interrupções no
fornecimento.
Choques
de oferta não geram desigualdade espontaneamente, mas sim amplificam a
desigualdade já existente. A guerra no Irã não escolheu seus vencedores e
perdedores no âmbito econômico; a estrutura de propriedade da indústria global
de combustíveis fósseis fez isso. Quando descrevemos o que se segue
simplesmente como “inflação” ou “dinâmica de mercado”, estamos usando uma
linguagem neutra para descrever algo que é, em sua essência, uma transferência
de recursos de pessoas que estão sofrendo para pessoas que não estão.
¨
EUA temiam que Israel possa atacar negociadores iranianos
para sabotar acordo de paz, diz mídia
O
governo dos Estados Unidos acreditava que Israel poderia matar os principais
negociadores iranianos para comprometer as negociações de paz entre Washington
e Teerã, informou nesta quinta-feira (2) o jornal The New York Times, citando
autoridades e ex-autoridades norte-americanas.
Segundo
a publicação, a preocupação se concentrava especialmente no ministro das
Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, e no presidente do Parlamento
iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf.
De
acordo com o jornal, Washington pediu a diversos
países da região que alertassem Teerã sobre a possibilidade de Israel
atacar essas duas autoridades.
O
jornal revelou ainda que os temores envolviam outras figuras de alto escalão do
governo iraniano, entre elas o secretário do Conselho Supremo de Segurança
Nacional, Ali Larijani, e Kamal Kharazi, assessor do então líder supremo
do Irã, aiatolá Ali Khamenei. Os dois, no entanto, acabaram mortos em
ataques israelenses.
Impactos
da guerra no Irã
Mais
cedo, a mídia britânica publicou uma pesquisa que aponta que seis em cada dez
norte-americanos acreditam que os Estados Unidos serão menos influentes até
2050, refletindo o crescente pessimismo de que o poder global do país está
diminuindo.
"O
domínio [de Washington] parece estar se desgastando, com decisões sendo tomadas
que podem aumentar algumas formas de poder e privar outras", ressalta
a publicação.
Segundo
o jornal, a guerra contra o Irã mostrou que, apesar de seu
poderio militar,
os Estados Unidos não conseguem assegurar vantagem estratégica apenas com
plataformas militares de alto custo e estratégias de pressão econômica.
Em
fevereiro, Estados Unidos e Israel iniciaram uma campanha conjunta de
ataques contra alvos iranianos, incluindo instalações em Teerã. Em resposta, o
país persa lançou ataques contra o território israelense e alvos militares
norte-americanos no Oriente Médio.
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Israelenses vão às ruas protestar no marco de 1.000 dias do ataque de 7 de
outubro
Centenas
de pessoas foram às ruas de Tel Aviv participar de uma marcha de protesto nesta
quinta-feira (2), marcando os mil dias do ataque do Hamas em 7 de outubro de
2023, informou um correspondente da Sputnik.
Conforme
relatou o correspondente, os manifestantes entoaram gritos contra o
governo do
primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e marcharam de uma estação ferroviária
central até a Praça dos Reféns, no centro de Tel Aviv. Os ativistas agitaram
bandeiras, tocaram tambores e exigiram que o governo criasse uma comissão
estatal para investigar a falha em prevenir o ataque.
Protestos
semelhantes ocorreram
em diversas cidades israelenses na quinta-feira. Além dos
protestos, homenagens às vítimas foram prestadas durante o ato.
A
manifestação marcou o ataque de 7 de outubro de 2023 contra Israel, disparado
da Faixa de Gaza em 7 de outubro de 2023. Ao todo, 250 foram feitos reféns
e cerca de 1.200 pessoas foram mortas naquele dia.
O
ataque desencadeou uma operação terrestre israelense em Gaza, que deixou o
enclave quase totalmente destruído. Mais de 70 mil palestinos foram
mortos, segundo autoridades de saúde locais. A escalada do conflito se transformou
em um confronto regional com ataques também implementados por Tel Aviv contra o
movimento libanês Hezbollah, os houthis do Iêmen e o Irã.
¨
Israel integra laser à Cúpula de Ferro em meio à tensão
com Hezbollah, revela mídia
Israel
concluiu testes de uma versão atualizada da Cúpula de Ferro, validando sua
integração operacional com o Feixe de Ferro, sistema a laser que passa a atuar
de forma coordenada com os interceptores tradicionais.
De acordo com um portal
especializado em equipamentos
militares,
o Ministério da Defesa de Israel divulgou a mais recente integração
tecnológica de sua Cúpula de Ferro, sem, no entanto, detalhar tais
modificações, mas afirmou que elas ampliam a capacidade de enfrentar salvas de
saturação com maior volume e ritmo de disparos.
Segundo
a publicação, a integração permite que comandantes alternem, em tempo
real, entre interceptações por mísseis ou laser, conforme o tipo de
ameaça, disponibilidade dos sistemas e custo operacional. Os testes incluíram
cenários conjuntos geridos diretamente pelo centro de batalha da Cúpula de
Ferro, etapa considerada essencial para futuros
desdobramentos.
O
anúncio ocorre em meio ao cessar‑fogo entre EUA e Irã, um contexto que mantém
Israel em alerta na fronteira com o Líbano, onde ataques de drones do
Hezbollah surgem
em resposta à agressão israelense. A modernização busca reforçar a
rede de defesa antiaérea diante desse ambiente de tensão.
Operacional
desde 2011, a Cúpula de Ferro é a espinha dorsal da defesa multicamadas israelense, com
baterias compostas por radar, centro de comando e lançadores de interceptores
Tamir, capazes de neutralizar ameaças entre quatro e 70 quilômetros.
A
Rafael, desenvolvedora da
Cúpula de Ferro,
também lidera o desenvolvimento do Feixe de Ferro, projetado para destruir
alvos em até cinco segundos e em alcances de cerca de dez quilômetros,
oferecendo uma alternativa de baixo custo por disparo.
Enquanto
um míssil Tamir custa cerca de US$ 50.000 (R$ 258.000), cada pulso de
laser do Feixe de Ferro custa apenas alguns dólares, tornando a combinação dos
dois sistemas estratégica para enfrentar ataques intensos sem elevar
drasticamente os gastos.
A
atualização, segundo o governo israelense, prepara o país para um cenário em
que defesas mais flexíveis, rápidas e economicamente sustentáveis serão
decisivas diante de ameaças aéreas cada vez mais numerosas e diversificadas.
Fonte: Tradução
Pedro Silva, em Jacobin Brasil/Sputnik Brasil

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