Americana
se emociona com SUS: “Me trataram como ser humano, não como cliente”
Viralizou
nesta sexta-feira (3) um vídeo com uma cidadã estadunidense, chamada Jessika
Martin, também conhecida como “Gringa do Alaska”, em que ela faz um relato
emocionante de como foi tratada em um hospital do Sistema Único de Saúde (SUS),
no Rio de Janeiro.
De
acordo com o relato de Jessika Martin, ela teve um problema de saúde e, como
está grávida, precisou ficar internada 12 dias. Na publicação, ela revela a
surpresa que teve com o atendimento e, diferente dos EUA, onde pacientes são
tratados “como clientes e de maneira fria”, ela conta que foi tratada “como
humana”.
“Esta é
minha primeira real experiência no SUS e mudou completamente minha perspectiva.
Sou do Alasca e atualmente estou grávida no Rio e eu tive um problema de saúde
que me fez permanecer no hospital pelos últimos 12 dias.
Em
seguida, ela compara o SUS com o sistema de saúde dos EUA, que é totalmente
privado:
“Eu
estava um pouco ansiosa sobre estar em um hospital em um país estrangeiro
porque a minha experiência com hospitais nos Estados Unidos não é das melhores.
Nos Estados Unidos, eu sinto que você é tratado como um ‘cliente’. A relação
entre o hospital e o paciente é extremamente fria. Eu sabia que a cultura
brasileira é muito acolhedora, mas estar no hospital me surpreendeu ao ver como
sou bem tratada. Toda a equipe do hospital me trata como se eu fosse ‘humana’,
como se eu fosse uma pessoa e não um cliente. E, como americana, é uma loucura
pensar que, depois de ficar no hospital por duas, três semanas, eu vou pra casa
e não tenho que pagar nada. É completamente gratuito! Isso não é louco? É
incrível! SUS e Brasil, eu te amo!”
Precisamos
falar do SUS. Por Carlos Michaellis
alar em
saúde pública no Brasil é, invariavelmente, evocar a presença do Sistema Único
de Saúde, o SUS. Entre o calor dos elogios e o peso das críticas, ele se
consolidou como uma das estruturas sanitárias mais robustas e complexas do
planeta, operando em uma escala que poucos países ousam tentar. E tem dado
conta do recado.
Embora
tenha sido batizado oficialmente pela Constituição Federal de 1988, o SUS não
surgiu de um vácuo legislativo: sua existência é o ápice de décadas de
mobilização social e debates intensos sobre a necessidade de uma reforma que
retirasse a saúde da esfera do privilégio e a entregasse ao campo da cidadania.
O ponto
de mutação fundamental ocorreu em 1986, durante a 8ª Conferência Nacional de
Saúde. Foi naquele momento que a sociedade civil e especialistas convergiram
para a conclusão que viria a ser o alicerce de nossa Carta Magna: a saúde
passaria a ser, por definição constitucional, um direito de todos e um dever
inarredável do Estado.
Esse
pacto social rompeu com o modelo anterior, em que apenas trabalhadores com
carteira assinada tinham assistência garantida, e abriu as portas para uma
gigantesca rede que acolhe brasileiros, residentes estrangeiros e até mesmo
quem está apenas de passagem pelo território nacional.
A
engrenagem que move esse impressionante sistema é alimentada pelos princípios
da universalidade, integralidade e equidade. Mais do que termos técnicos, esses
pilares representam o entendimento de que a assistência deve ser total, mas
também sensível às diferenças. Atender a todos de forma gratuita é apenas o
primeiro passo. O desafio real reside em compreender que cada ser humano possui
necessidades distintas e que a justiça social se faz tratando com respeito e
eficiência os desiguais para que todos alcancem o mesmo patamar de dignidade.
Do
atendimento básico em uma unidade de saúde local até os procedimentos de
altíssima complexidade e transplantes de órgãos, o SUS se faz presente no
cotidiano do brasileiro desde o primeiro suspiro.
Os
números do SUS são impactantes e altamente positivos: 76% da população
brasileira, algo como 213 milhões de pessoas, são atendidos; mais de 150
milhões de brasileiros recorrem exclusivamente ao sistema; 2 bilhões e 800
milhões de atendimentos anuais, em média, são realizados, por quase 4 milhões
de profissionais da saúde; a satisfação dos usuários para com o SUS chega a
expressivos 82,6%.
Para
além de divisões ideológicas ou debates políticos, reconhecer a importância
desse vitorioso sistema é compreender a infraestrutura que sustenta a vida de
uma nação. Não há nenhum outro país que tenha um sistema minimamente semelhante
ao Sistema Único de Saúde. Em um país de proporções continentais, o SUS é a
garantia de que o direito à vida não será interrompido pela distância
geográfica ou pela condição financeira, estendendo seu manto protetor do
Oiapoque ao Chuí.
Fonte:
Fórum

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