sábado, 4 de julho de 2026

Americana se emociona com SUS: “Me trataram como ser humano, não como cliente”

Viralizou nesta sexta-feira (3) um vídeo com uma cidadã estadunidense, chamada Jessika Martin, também conhecida como “Gringa do Alaska”, em que ela faz um relato emocionante de como foi tratada em um hospital do Sistema Único de Saúde (SUS), no Rio de Janeiro.

De acordo com o relato de Jessika Martin, ela teve um problema de saúde e, como está grávida, precisou ficar internada 12 dias. Na publicação, ela revela a surpresa que teve com o atendimento e, diferente dos EUA, onde pacientes são tratados “como clientes e de maneira fria”, ela conta que foi tratada “como humana”.

“Esta é minha primeira real experiência no SUS e mudou completamente minha perspectiva. Sou do Alasca e atualmente estou grávida no Rio e eu tive um problema de saúde que me fez permanecer no hospital pelos últimos 12 dias.

Em seguida, ela compara o SUS com o sistema de saúde dos EUA, que é totalmente privado:

“Eu estava um pouco ansiosa sobre estar em um hospital em um país estrangeiro porque a minha experiência com hospitais nos Estados Unidos não é das melhores. Nos Estados Unidos, eu sinto que você é tratado como um ‘cliente’. A relação entre o hospital e o paciente é extremamente fria. Eu sabia que a cultura brasileira é muito acolhedora, mas estar no hospital me surpreendeu ao ver como sou bem tratada. Toda a equipe do hospital me trata como se eu fosse ‘humana’, como se eu fosse uma pessoa e não um cliente. E, como americana, é uma loucura pensar que, depois de ficar no hospital por duas, três semanas, eu vou pra casa e não tenho que pagar nada. É completamente gratuito! Isso não é louco? É incrível! SUS e Brasil, eu te amo!”

Precisamos falar do SUS. Por Carlos Michaellis

alar em saúde pública no Brasil é, invariavelmente, evocar a presença do Sistema Único de Saúde, o SUS. Entre o calor dos elogios e o peso das críticas, ele se consolidou como uma das estruturas sanitárias mais robustas e complexas do planeta, operando em uma escala que poucos países ousam tentar. E tem dado conta do recado.

Embora tenha sido batizado oficialmente pela Constituição Federal de 1988, o SUS não surgiu de um vácuo legislativo: sua existência é o ápice de décadas de mobilização social e debates intensos sobre a necessidade de uma reforma que retirasse a saúde da esfera do privilégio e a entregasse ao campo da cidadania.

O ponto de mutação fundamental ocorreu em 1986, durante a 8ª Conferência Nacional de Saúde. Foi naquele momento que a sociedade civil e especialistas convergiram para a conclusão que viria a ser o alicerce de nossa Carta Magna: a saúde passaria a ser, por definição constitucional, um direito de todos e um dever inarredável do Estado.

Esse pacto social rompeu com o modelo anterior, em que apenas trabalhadores com carteira assinada tinham assistência garantida, e abriu as portas para uma gigantesca rede que acolhe brasileiros, residentes estrangeiros e até mesmo quem está apenas de passagem pelo território nacional.

A engrenagem que move esse impressionante sistema é alimentada pelos princípios da universalidade, integralidade e equidade. Mais do que termos técnicos, esses pilares representam o entendimento de que a assistência deve ser total, mas também sensível às diferenças. Atender a todos de forma gratuita é apenas o primeiro passo. O desafio real reside em compreender que cada ser humano possui necessidades distintas e que a justiça social se faz tratando com respeito e eficiência os desiguais para que todos alcancem o mesmo patamar de dignidade.

Do atendimento básico em uma unidade de saúde local até os procedimentos de altíssima complexidade e transplantes de órgãos, o SUS se faz presente no cotidiano do brasileiro desde o primeiro suspiro.

Os números do SUS são impactantes e altamente positivos: 76% da população brasileira, algo como 213 milhões de pessoas, são atendidos; mais de 150 milhões de brasileiros recorrem exclusivamente ao sistema; 2 bilhões e 800 milhões de atendimentos anuais, em média, são realizados, por quase 4 milhões de profissionais da saúde; a satisfação dos usuários para com o SUS chega a expressivos 82,6%.

Para além de divisões ideológicas ou debates políticos, reconhecer a importância desse vitorioso sistema é compreender a infraestrutura que sustenta a vida de uma nação. Não há nenhum outro país que tenha um sistema minimamente semelhante ao Sistema Único de Saúde. Em um país de proporções continentais, o SUS é a garantia de que o direito à vida não será interrompido pela distância geográfica ou pela condição financeira, estendendo seu manto protetor do Oiapoque ao Chuí.

 

Fonte: Fórum

 

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