segunda-feira, 6 de julho de 2026

Operação da PF prende secretária sancionada pelos EUA por elo com PCC

A Polícia Federal prendeu nesta sexta-feira (3) Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, apontada pelo governo dos Estados Unidos como secretária do empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, também alvo de sanções norte-americanas por suspeita de ligação com uma rede internacional de lavagem de dinheiro atribuída ao PCC. Ao todo, sete pessoas foram presas na operação, segundo o G1.

Os detidos seriam levados para a sede da Polícia Federal em São Paulo. Já Victor Shimada, empresário sancionado pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, é considerado foragido pelas autoridades brasileiras.

Shimada é sócio da Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda. e da Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda., sediada em Portugal. As duas empresas também foram incluídas na lista de sanções anunciada pelo governo norte-americano em 1º de julho de 2026.

Segundo o Departamento do Tesouro dos EUA, Shimada seria um “elo-chave” entre integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) na Flórida e traficantes internacionais. As autoridades norte-americanas afirmam que ele teria lavado mais de US$ 30 milhões, cerca de R$ 156 milhões, em recursos ilícitos gerados em cidades dos Estados Unidos, com uso de criptomoedas para enviar valores de volta ao Brasil em nome da facção.

O governo dos EUA também atribui ao empresário envolvimento em outros crimes financeiros. Ao anunciar as sanções, Washington afirmou que a Victory Trading teria sido usada para lavar dinheiro desviado de um clube de futebol brasileiro, sem citar o nome da equipe.

Relatório da Polícia Civil de São Paulo citado na investigação aponta que Victor Shimada aparece em uma cadeia financeira envolvendo a Victory Trading, a Wave Intermediações e a UJ Football Talent. A UJ foi mencionada na delação premiada de Antonio Vinicius Lopes Gritzbach como empresa supostamente ligada a Danilo Lima de Oliveira, conhecido como “Tripa”, apontado pelo delator como integrante do PCC.

A investigação, no entanto, não afirma que Shimada seja integrante da facção. O relatório sustenta que o empresário estaria inserido em um fluxo financeiro que se cruza com pessoas e empresas citadas em apurações sobre o crime organizado.

Além das suspeitas relacionadas à lavagem de dinheiro, Victor Shimada responde a outros quatro processos, sem ligação direta com organização criminosa. As ações envolvem acusações de ameaça, violência doméstica e familiar, injúria e lesão corporal dolosa.

Em nota, o advogado Yuri Cruz, que representa Shimada, afirmou que a defesa tomou conhecimento das sanções anunciadas pelos Estados Unidos na quarta-feira (1º), mas ainda não teve acesso aos documentos oficiais que embasaram a medida. “Até o presente momento, não tivemos acesso aos documentos oficiais e aos elementos que fundamentaram a medida, o que impede qualquer manifestação específica sobre seu conteúdo. Não obstante, Victor Shimada nega veementemente qualquer envolvimento com organização criminosa ou com a prática de lavagem de dinheiro”, declarou.

A defesa disse ainda que analisará o caso depois de obter acesso integral aos documentos. “A situação será analisada com a cautela e a profundidade que o caso exige, após o efetivo acesso aos documentos que embasaram a medida e em conjunto com os profissionais que atuarão perante as autoridades competentes. Por ora, qualquer conclusão seria precipitada. A defesa reafirma sua absoluta confiança de que os fatos serão devidamente esclarecidos pelos meios legais adequados”, acrescentou o advogado.

Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, presa na operação da PF, foi descrita pelas autoridades norte-americanas como parente de Shimada e sua secretária. Segundo os Estados Unidos, ela atuaria como intermediária na coleta de grandes quantias em dinheiro e prestaria apoio logístico às supostas operações de lavagem da rede. Conforme as informações fornecidas, ela não tem antecedentes criminais nem responde a processos.

A apuração também se conecta à investigação do caso VaideBet, que envolve movimentações financeiras relacionadas ao Corinthians. De acordo com denúncia apresentada pelo Ministério Público e aceita pela Justiça, a Victory Trading teria mantido intensa movimentação financeira com a Wave Intermediações e Tecnologias Ltda., apontada pelos investigadores como uma das empresas usadas para movimentar valores sob suspeita.

Os autos indicam que parte do dinheiro investigado teria seguido uma cadeia envolvendo Corinthians, Rede Social Media Design, Neoway, Wave e UJ Football Talent. Em paralelo, investigadores identificaram transferências da Victory Trading para a UJ Football Talent, empresa citada em outras apurações policiais.

Segundo a denúncia, Shimada teria atuado como operador financeiro de uma empresa usada, ao menos em parte, para ocultar e dissimular a origem dos recursos. Ele foi denunciado pelo Ministério Público por lavagem de dinheiro.

Em janeiro de 2025, Shimada chegou a ficar brevemente em prisão domiciliar no Brasil em um processo relacionado ao BV, antigo Banco Votorantim. Em nota, o banco informou que identificou movimentações irregulares em agosto de 2024 no âmbito de seus serviços de Banking as a Service (BaaS) e comunicou o caso às autoridades.

“O banco adotou imediatamente as medidas cabíveis, comunicando os fatos às autoridades competentes e colaborando ativamente com as investigações que culminaram com a condenação de um dos sancionados pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos conforme lista divulgada hoje. Vale destacar que, na colaboração com as autoridades competentes, o BV atuou como assistente de acusação na ação penal”, afirmou a instituição.

As sanções contra Victor Shimada, Stella Stefanie e três empresas brasileiras foram formalizadas pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos. Segundo Washington, os alvos integrariam uma rede internacional de lavagem de dinheiro do PCC investigada na Flórida. Outros seis suspeitos de participar do esquema foram presos em janeiro nos Estados Unidos, de acordo com o comunicado norte-americano.

O caso ocorre em meio ao endurecimento da política dos Estados Unidos contra facções brasileiras. Em junho, o Departamento de Estado classificou o PCC e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, medida que amplia a possibilidade de sanções contra cidadãos e empresas apontados como vinculados a esses grupos.

No comunicado sobre as sanções, o subsecretário norte-americano para Terrorismo e Inteligência Financeira, Gene Lange, afirmou que o governo Trump está enfrentando a “crescente presença da geração de receitas ilícitas do Primeiro Comando da Capital dentro dos EUA”.

•        Nome do ex-deputado Alexandre Ramagem aparece em lista de supostos pagamentos de bicheiro

A Polícia Federal (PF) encontrou uma lista com nomes de pelo menos 25 políticos em um dos endereços do bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o “Adilsinho”, apontado como chefe da máfia do cigarro no Rio. O nome do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL) constava na lista apreendida durante a 5ª fase da Operação Unha e Carne, deflagrada na última quinta-feira (02).

Os documentos foram encontrados em uma mala na cabeceira da cama do contraventor, durante buscas em operações passadas nos imóvel ligados a ele. A lista reúne supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e contabilidade vinculada à lavagem de dinheiro e nomes de agentes políticos do Rio. As investigações iniciais indicam que os políticos listados recebiam uma espécie de “mesada” de Adilsinho — alvo de um mandado de prisão na operação, ainda que já esteja preso.

Segundo apuração do blog de Octavio Guedes, no g1, a PF localizou os documentos em um dos endereços do contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, guardados dentro de uma mala de couro na cabeceira de sua cama.

De acordo com a corporação, as planilhas indicam registros ligados a supostos pagamentos irregulares, doações eleitorais e movimentações financeiras associadas à lavagem de dinheiro, com possíveis repasses diretos a agentes políticos do estado do Rio de Janeiro.

Apesar da citação nos materiais apreendidos, o ex-deputado não foi alvo da ação realizada pela PF, mas é investigado, junto com outros nomes que aparecem na lista.

<><> Políticos com nome na lista de Adilsinho recebiam uma espécie de ‘mesada’

De acordo com as primeiras informações da PF, no arquivo nomeador como “planilha 2” aparecem quatro depósitos para o “cliente” identificado na lista pelo nome “DEP RAMAGEM” e “DEP ALEXANDRE RAMAGEM”.

Nas planilhas não há menção ao ano dos depósitos, mas há o registro de mês e dia dos pagamentos, além dos valores:

•        02/09: DEP RAMAGEM – R$ 39.708,00

•        06/09: DEP RAMAGEM – R$ 30.000,00

•        21/09: DEP ALEXANDRE RAGEM – R$ 18.100,00

•        29/09: DEP ALEXANDRE RAMAGEM – R$ 22.080,00

O ex-deputado foi diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no governo de Jair Bolsonaro (PL) e depois foi eleito deputado federal pelo Rio, mas perdeu o mandato e foi demitido do posto de delegado da PF após ter sido condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.

Ele fugiu para os EUA no mês em que foi condenado e é alvo de um pedido de extradição encaminhado pelo governo brasileiro. Ele entrou com pedido de asilo político, que está sendo analisado pelo governo norte-americano.

<><> Nome do ex-governador Cláudio Castro constava na lista

Na lista de Adilsinho, com nomes de pelo menos 25 políticos, também constava o do ex-governador Cláudio Castro (PL).

A PF ainda apura a relação entre os políticos e a máfia dos cigarros. A instituição não identificou oficialmente os nomes encontrados; o nome de Castro foi confirmado pelo portal “G1”, mas ele não foi alvo de mandados na operação da última quinta.

Além de um novo mandado de prisão contra Adilsinho — que já está preso desde fevereiro —, a ação mirou o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, também preso, e o empresário do ramo do tabaco, pastor Márcio Poncio, pai da deputada Sarah Poncio (SDD). Ele foi detido num apart-hotel da Barra da Tijuca sob suspeita de ligação com o grupo criminoso.

Conforme a reportagem, a defesa de Ramagem foi procurada, mas não se manifestou até a publicação. Já a defesa de Adilsinho nega qualquer pagamento de vantagens indevidas a políticos ou agentes públicos e diz confiar no andamento do processo judicial.

O ex-deputado Alexandre Ramagem, também ex-diretor da Abin no governo Bolsonaro, foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado, perdendo o mandato de deputado. Atualmente, ele está foragido nos Estados Unidos e o governo brasileiro pede sua extradição.

 

Fonte: Brasil 247/Sputnik Brasil/ICL Notícias

 

Nenhum comentário: