Paulo
Nogueira Jr.: “O Brasil não cabe no quintal de ninguém, mas Flávio Bolsonaro
cabe no quintal de qualquer um”
O
economista Paulo Nogueira Batista Júnior fez duras críticas ao senador Flávio
Bolsonaro e ao alinhamento do bolsonarismo ao trumpismo, ao governo de Javier
Milei e ao Estado de Israel. Em entrevista à TV 247, ele afirmou que o Brasil
“não cabe no quintal de ninguém”, mas ironizou a postura subordinada do
parlamentar: “O Flávio cabe no quintal de qualquer um”.
A
declaração foi feita durante análise sobre o avanço da extrema direita na
América Latina e a tentativa dos Estados Unidos, sob Donald Trump, atual
presidente dos Estados Unidos, de transformar a região em uma espécie de
“Trumplândia”. Para Paulo Nogueira Batista Júnior, a eleição de Flávio
Bolsonaro representaria um risco direto à soberania nacional.
“O
Brasil é um país tão importante que os Estados Unidos estão inquietos com isso.
Eles querem, eles sabem que a obra de transformar a América Latina na
Trumplândia não estará completa enquanto o Brasil e o México não estiverem
dominados”, afirmou.
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“Patriota entreguista”
Paulo
Nogueira Batista Júnior disse que o Brasil criou uma figura política peculiar:
o “patriota entreguista”. Segundo ele, essa expressão define o bolsonarismo e
sua relação de subordinação aos Estados Unidos.
“O
Brasil é um país muito criativo, não só no futebol. Nós inventamos uma figura
sem precedentes que é o patriota entreguista, que são esses Bolsonaros e seus
seguidores”, disse.
O
economista criticou especialmente a defesa, por Flávio Bolsonaro, do chamado
“modelo Milei” para o Brasil. Para ele, o governo argentino representa
subserviência aos Estados Unidos, destruição econômica e alinhamento
incondicional a Israel.
“Imagina
essa altura do campeonato, depois dos fracassos que o Milei trouxe para a
Argentina, pregar um modelo Milei. Que que é o modelo Milei? É a subserviência
aos Estados Unidos, total falta de noção, um presidente midiático apatetado,
uma lealdade esquisitérrima com o Estado de Israel, que é um Estado genocida, é
um Estado pária”, afirmou.
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Crítica ao alinhamento com Israel
Paulo
Nogueira Batista Júnior também criticou a declaração de Flávio Bolsonaro de que
o Brasil voltaria a ser aliado de Israel em eventual governo bolsonarista. Para
o economista, esse alinhamento é razão suficiente para rejeitar qualquer
candidatura do senador.
“O fato
de uma figura como Flávio Bolsonaro se declarar leal a Israel já é suficiente
para nunca votar nele para nada, nem mesmo para vereador, quanto mais para
presidente da República”, disse.
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Brasil como colônia
Na
avaliação de Paulo Nogueira Batista Júnior, o projeto representado por Flávio
Bolsonaro recolocaria o Brasil em posição colonial diante dos Estados Unidos.
Ele citou como exemplo a informação de que o senador teria oferecido uma equipe
de transição ao governo norte-americano em caso de vitória eleitoral.
“Aquilo
que vazou na carta do Marco Rubio, que o Flávio Bolsonaro ofereceu uma equipe
de transição, caso eleito, é um negócio sem precedentes. Eu nunca vi isso na
minha vida. Equipe de transição é transição entre dois governos nacionais, não
é transição com o governo estrangeiro”, afirmou.
Segundo
ele, o episódio revela “o descaminho, a ignorância, a falta de noção do Flávio
Bolsonaro”.
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leição crucial para a soberania
Paulo
Nogueira Batista Júnior afirmou que a reeleição do presidente Lula impede, no
Brasil, o projeto de domínio da América Latina pelo trumpismo. Já uma vitória
de Flávio Bolsonaro significaria, em sua visão, a captura do país por um
projeto estrangeiro em decadência.
“A
reeleição do Lula impede esse projeto no que diz respeito ao Brasil. Já a
eleição do Flávio, a gente tem que ter noção do que isso representa. Isso
representa o seguinte: o Brasil ser conquistado pelo projeto americano
decadente, sem disparar um tiro sequer”, afirmou.
Para o
economista, algumas manifestações de Flávio Bolsonaro poderiam até justificar
questionamentos jurídicos, por violarem o princípio constitucional da soberania
nacional.
“Até
certas manifestações do Flávio mereceriam impugnação da candidatura, que violam
um princípio básico da Constituição, que é a soberania nacional”, disse.
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“O Brasil não cabe no quintal de ninguém”
Paulo
Nogueira Batista Júnior reafirmou uma tese que costuma defender: a de que o
Brasil, por sua dimensão territorial, populacional, econômica e geopolítica,
não pode ser tratado como satélite de nenhuma potência.
“O
Brasil é tão grande, Léo, que ele nunca fica isolado. Ele é um continente em si
mesmo”, afirmou.
Ao
comentar a tentativa de Flávio Bolsonaro de alinhar o país ao projeto de Donald
Trump, ele ironizou: “O Flávio cabe no quintal de qualquer um, né? Mas o Brasil
é um país tão importante que os Estados Unidos estão inquietos com isso”.
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Extrema direita como consequência do neoliberalismo
Na
entrevista, Paulo Nogueira Batista Júnior também afirmou que a extrema direita
é resultado do fracasso neoliberal. Para ele, experiências como a de Javier
Milei na Argentina demonstram o caráter destrutivo desse projeto.
“Acho
que a extrema direita é consequência do fracasso do neoliberalismo”, afirmou.
O
economista disse ainda que, diante da alternativa representada pelo
bolsonarismo, a eleição brasileira assume caráter decisivo. Embora tenha
críticas ao presidente Lula e ao PT, ele afirmou que o risco representado pela
extrema direita é muito maior.
“Você
sabe que eu não sou nenhum seguidor cego do Lula e do PT, tenho minhas
críticas, mas diante da alternativa…”, disse.
• Reimont Otoni: Nova carta de Flávio
Bolsonaro confirma submissão aos Estados Unidos
Há uma
semana escrevi que a correspondência de Flavio Bolsonaro com os Estados Unidos
escancaram subserviência, entreguismo e alta traição ao Brasil e que, assim,
entrarão para a História. Pois a carta mais recente do candidato, dirigida ao
escritório de Comércio dos Estados Unidos, confirma o que escrevi e deixa
evidente que Flávio elege o país norte-americano como principal palco da sua
campanha; é lá que o seu projeto ganha forma e conteúdo.
Em um
texto anunciado por ele como uma negociação sobre as novas tarifas para
produtos brasileiros, Flávio expõe que a verdadeira intenção não é impedir as
taxações, mas pedir (talvez, suplicar) para que sejam adiadas até após as
eleições.
Em um
sincericídio humilhante, ele apela para que o aumento da taxação não ocorra
agora, porque (reproduzo a carta sabuja) “as pesquisas de opinião pública
brasileiras mostram que a posição eleitoral do governo em exercício se
fortaleceu precisamente nos períodos em que a pressão tarifária dos EUA esteve
mais saliente. O levantamento nacional publicado mais recente coloca o atual
governante com 39% contra 29% do comentador (ele, Flávio) em uma simulação de
primeiro turno, com a aprovação do governo subindo desde abril de 2026 e sua
vantagem no segundo turno aumentando (…) um instrumento destinado a pressionar
o governo em exercício está, de forma mensurável, fortalecendo-o”.
Na
carta, o mais velho dos Bolsonaro diz ter tratado do assunto recentemente com
Donald Trump e com o secretário de Estado, Marco Rubio, e afirma que a nova
taxação fortaleceria o presidente Lula e uma campanha em defesa da soberania
nacional, o que o prejudicaria (imaginem, a defesa da nossa soberania é uma
fraquejada pra ele!)
Flavio
ainda argumenta que “os custos recairiam sobre a economia americana e sobre os
brasileiros (e americanos que investem no Brasil) mais comprometidos com um
relacionamento construtivo e mutuamente benéfico com os Estados Unidos”.
Não há
nem uma linha em defesa da economia brasileira, nem um parágrafo em defesa do
nosso país. Ao contrário, ele se compromete a negociar sobre o PIX, regulação
de plataformas digitais, propriedade intelectual e submissão ao dólar como
moeda única de comércio internacional. Sempre de acordo com os interesses
estadunidenses.
A
família Bolsonaro confirma ser, ela própria, uma afronta à Soberania Nacional.
Não podemos esquecer que, no ano passado, quando Trump impôs uma taxa de 50%
sobre as exportações do Brasil, o fugitivo Eduardo agradeceu publicamente ao
norte-americano e comemorou o tarifaço com a frase “Se houver o cenário de
terra arrasada, pelo menos eu estarei vingado.
Esse é
o projeto bolsonarista: entregar o nosso país para salvar a própria família.
Serão derrotados nas urnas, mas precisam ser punidos por traição ao Brasil.
• ‘Em um país menos distópico, Flávio
Bolsonaro sequer seria candidato’, diz Miola
O
analista político Jeferson Miola criticou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ),
nesta semana, em entrevista ao programa Giro das Onze, após o envolvimento do
parlamentar em escândalos financeiros e pela atuação do pré-candidato à
Presidência da República junto ao governo Donald Trump (EUA), com o objetivo de
estimular sanções contra o Brasil por causa da condenação de Jair Bolsonaro
(PL) pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos de prisão no inquérito da
trama golpista.
“Se
fosse uma realidade de um país menos distópico […] ele sequer seria candidato”,
disse Miola na TV 247 durante entrevista em que o analista também comentou os
recentes conflitos entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o parlamentar.
Segundo
o colunista, existe uma fragmentação no campo conservador que muda o ambiente
eleitoral, mas não garante vantagem definitiva ao campo progressista. “É
evidente que as condições se alteraram e o favoritismo eleitoral do Lula foi
recuperado”, disse. “Mas ele não nos autoriza a ter salto alto e imaginar que
tá tudo resolvido”.
Conforme
o analista, a base conservadora mantém influência relevante no eleitorado.
“Apesar desses megaescândalos e dos efeitos devastadores que eles possam
produzir, a perda do Flávio Bolsonaro foi mínima”, afirmou.
Outro
ponto destacado foi a mudança ideológica dentro do bolsonarismo, com maior
aproximação de setores religiosos. “Ela adiciona a esse movimento dois
componentes, que é o do fundamentalismo religioso”, afirmou. Na visão do
analista, isso pode redefinir o perfil político da direita brasileira.
Miola
concluiu que o cenário segue aberto e competitivo. “Salto alto é um veneno”,
afirmou.
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Atuações de Jair e Michelle Bolsonaro
Na
entrevista ao 247, o analista apontou limitações na atuação política de Jair
Bolsonaro, em prisão domiciliar. “Ele já está com limitações consideráveis para
operar politicamente”, declarou.
Na
avaliação feita pelo comentarista, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro
assumiu papel central na reorganização do grupo. “Quem está tomando isso é quem
tem mais proximidade com ele, que é a Michele”, disse. Miola acrescentou que
ela antecipa movimentos estratégicos: “ela antecipou o cenário”.
Em 24
de junho, Michelle Bolsonaro publicou um vídeo nas redes sociais, afirmando ter
sido “apunhalada” e humilhada por Flávio Bolsonaro em meio a divergências
políticas dentro do PL. O episódio expôs a crise na extrema direita em pleno
ano eleitoral.
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Novos escândalos envolvendo Flávio Bolsonaro
• Mansões
Novos
escândalos envolvendo o senador repercutiram esta semana. Um deles envolve a
compra de uma mansão de R$ 14,5 milhões no Lago Sul, bairro nobre de Brasília
(DF). O imóvel teria sido registrado em nome de José Vicente Santini, advogado
e coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Planalto.
A
negociação teria incluído uma entrada de R$ 4 milhões e um financiamento de R$
10,5 milhões pelo Banco de Brasília (BRB). A instituição bancária foi alvo da
Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que apura um esquema de fraudes
financeiras com participação do Banco Master e movimentação estimada em ao
menos R$ 12 bilhões.
Outro
escândalo envolvendo o nome de Flávio Bolsonaro se refere a um imóvel avaliado
em R$ 10 milhões, na Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ). O caso também
ganhou repercussão após manifestação do atacante Richarlison nas redes sociais.
Atualmente, o esportista joga no Tottenham, da Inglaterra, e também atuou pela
seleção brasileira na Copa do Mundo de 2022.
Ao
comentar um vídeo sobre o imóvel, o atacante disse ter gasto “em torno de 10
milhões de reais” na propriedade e afirmou que “simplesmente me tomaram”. Na
sequência, Richarlison marcou o senador Flávio Bolsonaro em sua publicação.
O
processo judicial não coloca Richarlison e Flávio Bolsonaro em lados opostos,
formalmente. A disputa envolve a Sport 70, empresa ligada ao jogador e ao seu
então empresário, Renato Rocha Velasco, contra a WT Administração, empresa do
advogado Willer Tomaz, amigo do parlamentar. O episódio veio a público em
setembro de 2022, em reportagem do Metrópoles assinada pelo colunista Guilherme
Amado.
• Dark Horse
O
senador já vinha enfrentando dificuldades de apoio político devido aos
escândalos envolvendo o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, pois Flávio
Bolsonaro negociou com o empresário um financiamento de R$ 134 milhões para
investir no filme Dark Horse, retrato biográfico de Jair Bolsonaro. Do valor
total, R$ 61 milhões teriam sido repassados.
O
próprio presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, confirmou que o senador
teve um encontro com o ex-banqueiro. Atualmente, Vorcaro está preso após ser
alvo da Operação Compliance Zero.
• Agressões à soberania brasileira
Outra
polêmica que gerou indignação contra Flávio Bolsonaro foi o documento enviado
pelo senador ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos
(USTR). O parlamentar defendeu mais espaço para empresas estrangeiras,
especialmente dos Estados Unidos, no mercado de cartões de crédito.
Em sua
manifestação, o senador também se posicionou a favor de acordos comerciais fora
do Mercosul e sugeriu que o Pix não seja integrado aos sistemas de pagamento
dos BRICS, bloco sediado na China e visto como uma das principais articulações
internacionais de contestação à hegemonia dos EUA.
Fonte:
Brasil 247

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