segunda-feira, 6 de julho de 2026

Paulo Nogueira Jr.: “O Brasil não cabe no quintal de ninguém, mas Flávio Bolsonaro cabe no quintal de qualquer um”

O economista Paulo Nogueira Batista Júnior fez duras críticas ao senador Flávio Bolsonaro e ao alinhamento do bolsonarismo ao trumpismo, ao governo de Javier Milei e ao Estado de Israel. Em entrevista à TV 247, ele afirmou que o Brasil “não cabe no quintal de ninguém”, mas ironizou a postura subordinada do parlamentar: “O Flávio cabe no quintal de qualquer um”.

A declaração foi feita durante análise sobre o avanço da extrema direita na América Latina e a tentativa dos Estados Unidos, sob Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, de transformar a região em uma espécie de “Trumplândia”. Para Paulo Nogueira Batista Júnior, a eleição de Flávio Bolsonaro representaria um risco direto à soberania nacional.

“O Brasil é um país tão importante que os Estados Unidos estão inquietos com isso. Eles querem, eles sabem que a obra de transformar a América Latina na Trumplândia não estará completa enquanto o Brasil e o México não estiverem dominados”, afirmou.

<><> “Patriota entreguista”

Paulo Nogueira Batista Júnior disse que o Brasil criou uma figura política peculiar: o “patriota entreguista”. Segundo ele, essa expressão define o bolsonarismo e sua relação de subordinação aos Estados Unidos.

“O Brasil é um país muito criativo, não só no futebol. Nós inventamos uma figura sem precedentes que é o patriota entreguista, que são esses Bolsonaros e seus seguidores”, disse.

O economista criticou especialmente a defesa, por Flávio Bolsonaro, do chamado “modelo Milei” para o Brasil. Para ele, o governo argentino representa subserviência aos Estados Unidos, destruição econômica e alinhamento incondicional a Israel.

“Imagina essa altura do campeonato, depois dos fracassos que o Milei trouxe para a Argentina, pregar um modelo Milei. Que que é o modelo Milei? É a subserviência aos Estados Unidos, total falta de noção, um presidente midiático apatetado, uma lealdade esquisitérrima com o Estado de Israel, que é um Estado genocida, é um Estado pária”, afirmou.

<><> Crítica ao alinhamento com Israel

Paulo Nogueira Batista Júnior também criticou a declaração de Flávio Bolsonaro de que o Brasil voltaria a ser aliado de Israel em eventual governo bolsonarista. Para o economista, esse alinhamento é razão suficiente para rejeitar qualquer candidatura do senador.

“O fato de uma figura como Flávio Bolsonaro se declarar leal a Israel já é suficiente para nunca votar nele para nada, nem mesmo para vereador, quanto mais para presidente da República”, disse.

<><> Brasil como colônia

Na avaliação de Paulo Nogueira Batista Júnior, o projeto representado por Flávio Bolsonaro recolocaria o Brasil em posição colonial diante dos Estados Unidos. Ele citou como exemplo a informação de que o senador teria oferecido uma equipe de transição ao governo norte-americano em caso de vitória eleitoral.

“Aquilo que vazou na carta do Marco Rubio, que o Flávio Bolsonaro ofereceu uma equipe de transição, caso eleito, é um negócio sem precedentes. Eu nunca vi isso na minha vida. Equipe de transição é transição entre dois governos nacionais, não é transição com o governo estrangeiro”, afirmou.

Segundo ele, o episódio revela “o descaminho, a ignorância, a falta de noção do Flávio Bolsonaro”.

E<><> leição crucial para a soberania

Paulo Nogueira Batista Júnior afirmou que a reeleição do presidente Lula impede, no Brasil, o projeto de domínio da América Latina pelo trumpismo. Já uma vitória de Flávio Bolsonaro significaria, em sua visão, a captura do país por um projeto estrangeiro em decadência.

“A reeleição do Lula impede esse projeto no que diz respeito ao Brasil. Já a eleição do Flávio, a gente tem que ter noção do que isso representa. Isso representa o seguinte: o Brasil ser conquistado pelo projeto americano decadente, sem disparar um tiro sequer”, afirmou.

Para o economista, algumas manifestações de Flávio Bolsonaro poderiam até justificar questionamentos jurídicos, por violarem o princípio constitucional da soberania nacional.

“Até certas manifestações do Flávio mereceriam impugnação da candidatura, que violam um princípio básico da Constituição, que é a soberania nacional”, disse.

<><> “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”

Paulo Nogueira Batista Júnior reafirmou uma tese que costuma defender: a de que o Brasil, por sua dimensão territorial, populacional, econômica e geopolítica, não pode ser tratado como satélite de nenhuma potência.

“O Brasil é tão grande, Léo, que ele nunca fica isolado. Ele é um continente em si mesmo”, afirmou.

Ao comentar a tentativa de Flávio Bolsonaro de alinhar o país ao projeto de Donald Trump, ele ironizou: “O Flávio cabe no quintal de qualquer um, né? Mas o Brasil é um país tão importante que os Estados Unidos estão inquietos com isso”.

<><> Extrema direita como consequência do neoliberalismo

Na entrevista, Paulo Nogueira Batista Júnior também afirmou que a extrema direita é resultado do fracasso neoliberal. Para ele, experiências como a de Javier Milei na Argentina demonstram o caráter destrutivo desse projeto.

“Acho que a extrema direita é consequência do fracasso do neoliberalismo”, afirmou.

O economista disse ainda que, diante da alternativa representada pelo bolsonarismo, a eleição brasileira assume caráter decisivo. Embora tenha críticas ao presidente Lula e ao PT, ele afirmou que o risco representado pela extrema direita é muito maior.

“Você sabe que eu não sou nenhum seguidor cego do Lula e do PT, tenho minhas críticas, mas diante da alternativa…”, disse.

•        Reimont Otoni: Nova carta de Flávio Bolsonaro confirma submissão aos Estados Unidos

Há uma semana escrevi que a correspondência de Flavio Bolsonaro com os Estados Unidos escancaram subserviência, entreguismo e alta traição ao Brasil e que, assim, entrarão para a História. Pois a carta mais recente do candidato, dirigida ao escritório de Comércio dos Estados Unidos, confirma o que escrevi e deixa evidente que Flávio elege o país norte-americano como principal palco da sua campanha; é lá que o seu projeto ganha forma e conteúdo.

Em um texto anunciado por ele como uma negociação sobre as novas tarifas para produtos brasileiros, Flávio expõe que a verdadeira intenção não é impedir as taxações, mas pedir (talvez, suplicar) para que sejam adiadas até após as eleições.

Em um sincericídio humilhante, ele apela para que o aumento da taxação não ocorra agora, porque (reproduzo a carta sabuja) “as pesquisas de opinião pública brasileiras mostram que a posição eleitoral do governo em exercício se fortaleceu precisamente nos períodos em que a pressão tarifária dos EUA esteve mais saliente. O levantamento nacional publicado mais recente coloca o atual governante com 39% contra 29% do comentador (ele, Flávio) em uma simulação de primeiro turno, com a aprovação do governo subindo desde abril de 2026 e sua vantagem no segundo turno aumentando (…) um instrumento destinado a pressionar o governo em exercício está, de forma mensurável, fortalecendo-o”.

Na carta, o mais velho dos Bolsonaro diz ter tratado do assunto recentemente com Donald Trump e com o secretário de Estado, Marco Rubio, e afirma que a nova taxação fortaleceria o presidente Lula e uma campanha em defesa da soberania nacional, o que o prejudicaria (imaginem, a defesa da nossa soberania é uma fraquejada pra ele!)

Flavio ainda argumenta que “os custos recairiam sobre a economia americana e sobre os brasileiros (e americanos que investem no Brasil) mais comprometidos com um relacionamento construtivo e mutuamente benéfico com os Estados Unidos”.

Não há nem uma linha em defesa da economia brasileira, nem um parágrafo em defesa do nosso país. Ao contrário, ele se compromete a negociar sobre o PIX, regulação de plataformas digitais, propriedade intelectual e submissão ao dólar como moeda única de comércio internacional. Sempre de acordo com os interesses estadunidenses.

A família Bolsonaro confirma ser, ela própria, uma afronta à Soberania Nacional. Não podemos esquecer que, no ano passado, quando Trump impôs uma taxa de 50% sobre as exportações do Brasil, o fugitivo Eduardo agradeceu publicamente ao norte-americano e comemorou o tarifaço com a frase “Se houver o cenário de terra arrasada, pelo menos eu estarei vingado.

Esse é o projeto bolsonarista: entregar o nosso país para salvar a própria família. Serão derrotados nas urnas, mas precisam ser punidos por traição ao Brasil.

•        ‘Em um país menos distópico, Flávio Bolsonaro sequer seria candidato’, diz Miola

O analista político Jeferson Miola criticou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), nesta semana, em entrevista ao programa Giro das Onze, após o envolvimento do parlamentar em escândalos financeiros e pela atuação do pré-candidato à Presidência da República junto ao governo Donald Trump (EUA), com o objetivo de estimular sanções contra o Brasil por causa da condenação de Jair Bolsonaro (PL) pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos de prisão no inquérito da trama golpista.

“Se fosse uma realidade de um país menos distópico […] ele sequer seria candidato”, disse Miola na TV 247 durante entrevista em que o analista também comentou os recentes conflitos entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o parlamentar.

Segundo o colunista, existe uma fragmentação no campo conservador que muda o ambiente eleitoral, mas não garante vantagem definitiva ao campo progressista. “É evidente que as condições se alteraram e o favoritismo eleitoral do Lula foi recuperado”, disse. “Mas ele não nos autoriza a ter salto alto e imaginar que tá tudo resolvido”.

Conforme o analista, a base conservadora mantém influência relevante no eleitorado. “Apesar desses megaescândalos e dos efeitos devastadores que eles possam produzir, a perda do Flávio Bolsonaro foi mínima”, afirmou.

Outro ponto destacado foi a mudança ideológica dentro do bolsonarismo, com maior aproximação de setores religiosos. “Ela adiciona a esse movimento dois componentes, que é o do fundamentalismo religioso”, afirmou. Na visão do analista, isso pode redefinir o perfil político da direita brasileira.

Miola concluiu que o cenário segue aberto e competitivo. “Salto alto é um veneno”, afirmou.

<><. Atuações de Jair e Michelle Bolsonaro

Na entrevista ao 247, o analista apontou limitações na atuação política de Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar. “Ele já está com limitações consideráveis para operar politicamente”, declarou.

Na avaliação feita pelo comentarista, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro assumiu papel central na reorganização do grupo. “Quem está tomando isso é quem tem mais proximidade com ele, que é a Michele”, disse. Miola acrescentou que ela antecipa movimentos estratégicos: “ela antecipou o cenário”.

Em 24 de junho, Michelle Bolsonaro publicou um vídeo nas redes sociais, afirmando ter sido “apunhalada” e humilhada por Flávio Bolsonaro em meio a divergências políticas dentro do PL. O episódio expôs a crise na extrema direita em pleno ano eleitoral.

<><> Novos escândalos envolvendo Flávio Bolsonaro

•        Mansões

Novos escândalos envolvendo o senador repercutiram esta semana. Um deles envolve a compra de uma mansão de R$ 14,5 milhões no Lago Sul, bairro nobre de Brasília (DF). O imóvel teria sido registrado em nome de José Vicente Santini, advogado e coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Planalto.

A negociação teria incluído uma entrada de R$ 4 milhões e um financiamento de R$ 10,5 milhões pelo Banco de Brasília (BRB). A instituição bancária foi alvo da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que apura um esquema de fraudes financeiras com participação do Banco Master e movimentação estimada em ao menos R$ 12 bilhões.

Outro escândalo envolvendo o nome de Flávio Bolsonaro se refere a um imóvel avaliado em R$ 10 milhões, na Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ). O caso também ganhou repercussão após manifestação do atacante Richarlison nas redes sociais. Atualmente, o esportista joga no Tottenham, da Inglaterra, e também atuou pela seleção brasileira na Copa do Mundo de 2022.

Ao comentar um vídeo sobre o imóvel, o atacante disse ter gasto “em torno de 10 milhões de reais” na propriedade e afirmou que “simplesmente me tomaram”. Na sequência, Richarlison marcou o senador Flávio Bolsonaro em sua publicação.

O processo judicial não coloca Richarlison e Flávio Bolsonaro em lados opostos, formalmente. A disputa envolve a Sport 70, empresa ligada ao jogador e ao seu então empresário, Renato Rocha Velasco, contra a WT Administração, empresa do advogado Willer Tomaz, amigo do parlamentar. O episódio veio a público em setembro de 2022, em reportagem do Metrópoles assinada pelo colunista Guilherme Amado.

•        Dark Horse

O senador já vinha enfrentando dificuldades de apoio político devido aos escândalos envolvendo o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, pois Flávio Bolsonaro negociou com o empresário um financiamento de R$ 134 milhões para investir no filme Dark Horse, retrato biográfico de Jair Bolsonaro. Do valor total, R$ 61 milhões teriam sido repassados.

O próprio presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, confirmou que o senador teve um encontro com o ex-banqueiro. Atualmente, Vorcaro está preso após ser alvo da Operação Compliance Zero.

•        Agressões à soberania brasileira

Outra polêmica que gerou indignação contra Flávio Bolsonaro foi o documento enviado pelo senador ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). O parlamentar defendeu mais espaço para empresas estrangeiras, especialmente dos Estados Unidos, no mercado de cartões de crédito.

Em sua manifestação, o senador também se posicionou a favor de acordos comerciais fora do Mercosul e sugeriu que o Pix não seja integrado aos sistemas de pagamento dos BRICS, bloco sediado na China e visto como uma das principais articulações internacionais de contestação à hegemonia dos EUA.

 

Fonte: Brasil 247

 

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