Ricardo
Amaral: Lula risca o chão - disputa será entre quem fez e quem destruiu
O
presidente Lula transformou esta sexta-feira, último dia antes do chamado
“defeso eleitoral”, que proíbe sua presença em inaugurações até o fim da
campanha presidencial, em uma supercerimônia de entregas nas áreas de educação,
saúde e habitação.
Lula
recordou o cenário de destruição em que se encontrava o país quando assumiu
novamente o governo, em 2023, destacou a retomada de investimentos,
especialmente naqueles três setores, e antecipou um dos eixos fortes de sua
campanha: a comparação entre quem fez e quem destruiu o país.
Diante
de um telão no Palácio do Planalto, Lula comandou à distância a abertura de dez
novos campi de Institutos Federais, a entrega de 1.619 unidades do Minha Casa
Minha Vida, a inauguração de um hospital regional em Pernambuco, de
equipamentos de oncologia no Rio de Janeiro e em São Paulo e de dezenas de
ambulâncias em diversas regiões do país.
Ele
lembrou os cortes de orçamentos no governo passado e o abandono de programas
como a Farmácia Popular e o Minha Casa Minha Vida, em contraste com sua
retomada e com a criação do Pé de Meia e do Aqui Tem Especialistas, para ficar
em poucos exemplos.
“Chegamos
na hora da verdade”, disse Lula. “Nessa campanha cada um vai ser medido pelo
que fez e pelo que deixou de fazer”.
Ficou
claro que a campanha da reeleição não vai se limitar ao destaque dos feitos de
Lula no governo. Vai reviver os pesadelos do desgoverno Bolsonaro, como a fila
do osso, o desemprego, a destruição de programas sociais e, certamente, as 700
mil mortes na pandemia.
No
discurso desta sexta, Lula afirmou que pelo menos metade dessas vidas poderiam
ter sido poupadas se o governo anterior não tivesse “negado a vacina e negado a
ciência”.
Apontar
para o futuro é sempre necessário numa campanha eleitoral; é o que dizem os
manuais da política. No caso brasileiro, recordar o pesadelo também é
essencial. Para que não se repita.
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Alexandre Silveira diz que Zema e Paulo Guedes ‘não conhecem a realidade do
povo brasileiro’
O
ministro de Minas e Energia (MME), Alexandre Silveira, assinou, na sexta-feira
(3), um acordo com a Polícia Federal para viabilizar investimentos de R$ 20,3
milhões no combate à mineração ilegal. Além disso, os recursos do “Novo Acordo
do Rio Doce” fortalecerão a prevenção, a fiscalização e a repressão aos
ilícitos minerários na Bacia do Rio Doce. A assinatura ocorreu na sede da
Polícia Federal em Belo Horizonte (MG).
Por
meio do acordo, segundo o MME, os recursos serão utilizados na aquisição de 37
viaturas, nove drones, sistemas de comunicação criptografada, equipamentos
periciais e tecnologias de inteligência. Os investimentos ampliarão a
capacidade operacional da Polícia Federal para atuar em áreas de difícil
acesso, fortalecer o monitoramento geoespacial e aprimorar asinvestigações
relacionadas à mineração ilegal, à usurpação de bens minerais da União, às
fraudes em títulos minerários e à lavagem de dinheiro ligada à atividade
mineral.
A
jornalistas, Silveira relembrou o que classificou como um “crime” os desastres
de rompimentos de barragens em Mariana e Brumadinho. Segundo ele, as medidas
anunciadas integram um pacote mais amplo de recursos que foram direcionados ao
fortalecimento da segurança da mineração no país.
“Temos
o Brasil da Faria Lima e o Brasil dos rincões”, destacou Silveira.
Ele
também classificou a mineração como uma atividade “estratégica” para o país, em
especial na obtenção de fertilizantes para o agronegócio. “O que nós precisamos
é ter uma mineração legal e sustentável”, disse.
Ao
destacar os resultados do recém-criado Conselho Nacional de Política Mineral
(CNPM), ele criticou a Agência Nacional de Mineração (ANM) como um “órgão ainda
muito aquém”.
Por
fim, também direcionou críticas a falas recentes do ex-governador de Minas
Gerais e pré-candidato a presidente da República pelo Novo, Romeu Zema, bem
como o ex-ministro de Jair Bolsonaro Paulo Guedes.
“Faltava
a ele a sensibilidade de conhecer a realidade do Brasil”, disse Silveira sobre
Guedes. “O ex-governador que disse isso também não conhece de perto a história
dessas pessoas”, acrescentou.
Sobre a
tramitação do projeto de lei que estabelece a política nacional de minerais
críticos, disse confiar no Senado e nas instituições, ao defender a aprovação
do texto que já passou pela Câmara dos Deputados.
“É
fundamental. Está no Senado. Tenho confiança nas instituições”, afirmou. “Os
minerais críticos hoje são inclusive motivo hoje de uma guerra comercial enorme
entre China e Estados Unidos”, acrescentou, ao ressaltar que a China dominou a
cadeia de separação dos 17 elementos de terras raras.
“Isso
foi dito ao presidente Trump no encontro com o Lula, temos que trazer a cadeia
produtiva para o Brasil. Talvez a China não seja interessada, porque tem custos
menores e a cadeia completa, mas os EUA se quiserem produzir com custos
melhores, vai produzir em solo brasileiro”, finalizou.
• Mutretas de aliados afundam mais a
candidatura de Flávio Bolsonaro. Por João Filho
Faltando
poucos meses para o início da eleição, a pré-candidatura à presidência da
República do senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, não para de
rolar ladeira abaixo. Além da Vaza Flávio e das pendengas familiares com a
esposa do seu pai, Michelle, o filho mais velho de Jair não para de ver gente
do seu entorno envolvida com mutretas de todo tipo. Dia sim, dia não, aparece o
nome de algum bolsonarista nas páginas policiais.
Depois
de trabalhar para o governo americano classificar o Comando Vermelho, o CV,
como grupo terrorista, Flávio vê agora parte do seu grupo político rodando em
investigações contra o mesmo Comando Vermelho.
A nova
fase da Operação Unha e Carne da Polícia Federal, a PF, deflagrada em 2 de
julho, pegou muita gente ligada ao bolsonarismo. Esta etapa da investigação
apura uma suspeita de lavagem de dinheiro praticada pela cúpula do jogo do
bicho e a ramificação do esquema entre integrantes do Executivo e do
Legislativo do Rio de Janeiro. A PF encontrou nas planilhas em poder do
bicheiro Adilsinho, que também foi um dos alvos da operação, registros de
pagamentos indevidos, doações eleitorais, repasse a agentes políticos e uma
contabilidade paralela usada para ocultar movimentações de dinheiro ilícito.
A máfia
tomou conta do Rio de Janeiro e todas as suspeitas indicam que o bolsonarismo é
o seu braço político. Rodrigo Bacellar, que foi presidente da Assembleia
Legislativa do Rio de Janeiro, a Alerj, e chegou a ser governador interino do
estado, é um dos principais aliados políticos do pré-candidato Flávio Bolsonaro
no Rio. Bacellar, que já estava preso, foi alvo de novo pedido de prisão. Ele e
o ex-governador Cláudio Castro, outro aliado do senador, apareceram nas
planilhas do bicheiro como possíveis beneficiários do esquema. Agora o
ex-presidente da Alerj será mandado para um presídio de segurança máxima, já
que a Polícia Federal o considera um “criminoso de alta periculosidade”.
Outro
bolsonarista que foi preso nesta semana foi o pastor e empresário do ramo do
tabaco Márcio Poncio. Ele é suspeito de lavagem de dinheiro e envolvimento com
esquemas criminosos da “máfia dos cigarros” e do jogo do bicho, comandados por
Adilsinho. Conhecido como “pastor do cigarro”, Poncio é bolsonarista convicto e
já citou a Bíblia para defender a anistia para os criminosos do 8 de Janeiro.
O
candidato presidencial representante dessa esculhambação que virou o Rio de
Janeiro é inequivocamente Flávio Bolsonaro. As evidências são fartas. Já
podemos até começar a fazer um bolão para adivinhar qual bolsonarista será
punido pelo governo americano por associação ao Comando Vermelho.
Outro
pastor bolsonarista que tem desfilado nas manchetes policiais é o deputado
Sóstenes Cavalcante, que é líder do partido de Flávio na Câmara. Ele rodou
bonito em outra operação da Polícia Federal, a Galho Fraco II, que apura a
existência de um esquema de desvio de verbas da cota parlamentar com o aluguel
de veículos.
Segundo
a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República, há “fundamentadas
razões” para acreditar que Sóstenes utilizou empresas de fachada para lavar
dinheiro desviado de verbas do Congresso.
Em
dezembro, a Polícia Federal encontrou em um imóvel do deputado R$ 468,7 mil
embalados em saco plástico e escondidos em um guarda-roupa. À época, Sóstenes
alegou que a grana era proveniente de uma venda de imóvel em Minas Gerais. Mas
o pastor mentiu. A tal negociação imobiliária só foi oficializada em cartório
11 dias após a Polícia Federal apreender a grana na casa dele. É claro que a
polícia não caiu nessa conversinha. Segundo os investigadores, essa manobra foi
“uma possível tentativa de fabricar um lastro retroativo para conferir
aparência de licitude ao montante localizado”.
Para o
azar do pastor, a grana encontrada na casa dele tinha identificadores de
origem. Ao analisar a origem do dinheiro, a polícia identificou uma rede de
empresas localizadas no mesmo endereço. Algumas delas não têm nem funcionários
registrados, o que é incompatível com a alta movimentação de recursos, com
saques que somaram mais de R$ 15 milhões nos últimos anos.
Na ação
da última quarta-feira, 1º de julho, a PF encontrou mais dinheiro vivo em
endereços de pessoas ligadas ao bolsonarista. Foram apreendidos aproximadamente
R$ 160 mil e 502 dólares em espécie. Parte da grana foi encontrada escondida em
livros falsos.
Todo o
modus operandi cheira à bandidagem. Mesmo sob tantas suspeitas, o pastor
continua prestigiado junto ao candidato Flávio Bolsonaro. A primeira investida
da PF contra ele foi há sete meses, mas o deputado continua firme na liderança
do PL na Câmara. Para efeito de comparação, Jaques Wagner, que era líder do
governo no Senado, foi forçado a sair do cargo seis dias — o que já é uma
eternidade — após a busca e apreensão contra ele.
A
candidatura de Flávio Bolsonaro está chegando ao ponto de se tornar inviável.
Está ficando cada vez mais difícil encontrar gente do seu núcleo político que
não tem uma nuvem de suspeita sobre si. Além do histórico de envolvimento com
milicianos, Flávio agora tem mais uma série de razões para se preocupar. Tem
“Dark Horse”, Vaza Flávio, Tariflávio, Michelle, Comando Vermelho e pastor
líder do partido suspeito de roubar dinheiro público. São muitas as marcas com
as quais Flávio terá que lidar durante a campanha. E, com tantas investigações
rolando, tudo indica que há muito mais por vir. Aguardemos as cenas do próximo
capítulo.
• Ulisses Guimarães teria nojo de Flávio
Bolsonaro. Por Jorge Folena
O
deputado Ulisses Guimarães, presidente da Assembleia Nacional Constituinte de
1987/1988, ao promulgar a Constituição brasileiro, em 05 de outubro de 1988,
declarou: Traidor da Constituição é traidor da pátria. (…). Temos ódio à
ditadura. Ódio e nojo. Amaldiçoamos a tirania onde quer que ela desgrace homens
e nações. Principalmente na América Latina.
Quando
li a notícia de que o senador Flávio Bolsonaro encaminhou correspondência
oficial, com papel timbrado do Senado Federal e a bandeira do Estado do Rio de
Janeiro (cujos interesses ele deveria defender), pedindo às autoridades
estadunidense a imposição de sanções tarifárias contra a República Federativa
do Brasil, mas que fossem aplicadas somente depois das eleições, para não
prejudicar a sua candidatura à eleição presidencial deste ano, lembrei-me do
deputado Ulisses Guimarães, que, se vivo estivesse, sentiria – sem nenhuma
dúvida – ódio e nojo do traidor da Constituição e da pátria.
A
referida correspondência, passada e firmada pelo senador, é a prova documental
de que ele quebrou o decoro parlamentar e, por conseguinte, deveria ser
submetido ao Conselho de Ética do Senado Federal para perda do seu mandato
parlamentar, por alta traição à Constituição e à pátria. Porém, no atual
estágio da política nacional, o presidente do Senado Federal nada fará e
continuará quieto, como esteve até agora, a respeito de um fato que envolve
diretamente o poder que chefia, pois foi um senador que, empregando a estrutura
e o símbolo do Senado, se contrapôs diretamente à Constituição e ao seu país.
Outro
ponto dessa correspondência do senador Flávio Bolsonaro que está sendo pouco
comentado é a sua afirmação de que, numa eventual vitória do seu campo político
nas eleições deste ano e formando maioria no Senado Federal, poderão ser
destravados os pedidos de impeachment contra ministros do STF, que estão
paralisados no Senado. Flávio afirmou que o legislativo seria caminho
institucional para rever o que classifica como abusos da Corte.
Ou
seja, Flávio Bolsonaro trama com autoridades estrangeiras para afastar
ministros do STF de suas funções, mesmo sem comprovação de prática de crimes de
responsabilidade. Vale lembrar que no final de 2025 o ministro Gilmar Mendes
manteve, em parte, sua decisão de que será necessária a maioria qualificada de ⅔
(dois terço) dos senadores (54 votos) para que seja aceito e
aprovado o pedido de impeachment contra ministros do STF, ao contrário
do que dispõe a lei 1.079/1950, que prevê
maioria simples.
É
importante ressaltar que propor o emprego do impeachment contra autoridades,
para afastá-las de suas funções, como defende abertamente a família Bolsonaro,
é a manifestação escancarada do sentimento antidemocrático que move os
componentes da ala moralista, bem como os fascistas, cujo interesse é promover
desestabilizações institucionais e golpes políticos.
A
Constituição de 1946 previa a possibilidade do impeachment de autoridades do
Poder Executivo e do Judiciário, sendo proposta a sua regulamentação pelo
Projeto de Lei 1.384, de 1949, por uma comissão de parlamentares liderados pela
UDN (União Democrática Nacional). Ao ser debatido na Comissão de Constituição
da Câmara dos Deputados, foi saudado como um projeto de lei que, à época,
´´chegava tarde“ ao Brasil. A lei sancionada no final do governo Dutra mirava o
futuro governo de Getúlio Vargas.
Com
apoio do imperialismo estadunidense, a UDN empregou a lei do impeachment contra
o presidente Vargas em 1953, depois da CPI do Jornal Última Hora, quando o
presidente foi acusado de beneficiar o jornalista Samuel Wainer, proprietário
do jornal, com empréstimos do Banco do Brasil. Porém, a verdade dos fatos é que
a UDN era abertamente contrária ao aumento de 100% do salário mínimo, concedido
pelo governo de Vargas, e também queria impedir a tentativa de aliança entre o
Brasil, Argentina e Chile contra a influência dos Estados Unidos da América do
Norte na região.
O
pedido de impeachment, subscrito pelo deputado Wilson Passos Leite, da UDN, não
prosperou e foi rejeitado pela maioria na Câmara dos Deputados, porém abriu
caminho para a sanha golpista que levou ao suicídio do presidente Getúlio
Vargas.
Infelizmente,
em 2016, a mesma trama golpista foi utilizada por moralistas de fachada e
entreguistas contra a Presidenta Dilma Rousseff, que foi impedida de suas
funções sem ter cometido nenhum delito, seja de natureza política ou jurídica.
Contudo,
a prática daquele impeachment inconstitucional, que foi ratificado pelo STF,
que se omitiu de analisar se houve descumprimento da Constituição na decisão do
afastamento (sob o argumento de que se tratava de uma opção política), abriu as
portas para que prossigam, ainda hoje, as aventuras golpistas que têm por
objetivo afastar dos cargos autoridades que atuem em desacordo com os
interesses dos grupos políticos, representantes da classe dominante brasileira.
Expressar,
como fez Flávio Bolsonaro e muitos outros próximos a ele, que é possível
realizar impeachment sem comprovar crime algum, somente pela força de uma
suposta maioria, constitui enorme violência à Constituição e grave desvio de
finalidade do emprego do referido instituto constitucional.
Não
podemos aceitar nem normalizar tais manifestações, que defendem o impedimento e
afastamento de ministros do STF, sem a comprovação da prática de qualquer crime
de responsabilidade, pois são atos que afrontam a Constituição e têm por
finalidade a desestabilização do país e da ordem política e institucional,
fundada no Texto Maior, que é o guia para a manutenção da ordem democrática.
E
também sob este aspecto a correspondência de Flávio causaria nojo ao deputado
Ulisses Guimarães, por se tratar da declaração de um traidor da Constituição e
da pátria, que ele visa desestabilizar e entregar a uma potência estrangeira,
caso tenha êxito no seu objetivo político.
Fonte:
Brasil 247/The Intercept

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