Brasil
eliminado: o que o maior jejum em Copas desde 1958 diz sobre nosso futebol — e
o futuro da amarelinha
A
percepção é de que a amarelinha encolheu, como aquela roupa que foi para a
lavanderia e voltou apertada. Com a eliminação na Copa do Mundo
de 2026, depois da amarga derrota para a Noruega, a seleção
brasileira enfileira o maior jejum de títulos desde que Pelé e companhia
espantaram o "complexo de vira-latas" e mostraram ao mundo que a taça
do mundo, enfim, era nossa.
De lá
para cá, o maior hiato sem campeonato para o escrete nacional havia sido os 24
anos que separaram o tricampeonato, em 1970 — que consagraria o Brasil como o
primeiro tricampeão, o detentor definitivo da Jules Rimet — e o memorável tetra
de 1994, com aquele time montado pelo técnico Carlos Alberto Parreira que tinha
no ataque o estrelismo de Romário e Bebeto.
Esses
24 anos sem taça se repetiram neste ano, já que o último capitão brasileiro a
celebrar o cobiçado título erguendo o troféu foi Cafu, em 2002.
Não deu
de novo.
Em
2030, quando a bola rolar em uma nova Copa do Mundo, já serão 28 anos sem que o
selecionado nacional mande bordar uma nova estrela na camisa.
Afinal,
o que explica esse cenário? É uma longa má-fase ou o Brasil perdeu a hegemonia
no esporte bretão? O manto amarelo não bota mais medo? Especialistas ouvidos
pela BBC News Brasil elencam alguns motivos que ajudam a compreender a questão.
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Sem espaço para improviso
Dentre
as inúmeras anedotas sem comprovação atribuídas ao craque Garrincha
(1933-1983), está uma história supostamente ocorrida na Copa de 1958 em que,
após a detalhada e preocupada preleção do técnico Vicente Feola (1909-1975)
antes do jogo contra a União Soviética, o jogador teria debochado dizendo:
"Já combinaram com os russos?".
Lenda
ou não, a verdade é que essa narrativa revela um pouco do espírito que acabaria
se tornando inerente ao sucesso do futebol brasileiro: o improviso. A marca
mais brilhante do time nacional, afinal, sempre esteve na criatividade, no
talento individual — muito mais do que nos esquemas táticos complexos, na
disciplina, nas teorias comuns ao futebol europeu.
É como
se o jeitinho brasileiro também tivesse cavado seu espaço no futebol.
Só que
o planeta também é uma bola que gira. E esse jogo virou.
"Mudou
o mundo, o futebol passou a ser o grande negócio de entretenimento do século 21
e é natural que o jeito de praticá-lo também tenha mudado", avalia o
jornalista e pesquisador Celso Unzelte, comentarista da ESPN, consultor do
Museu do Futebol, membro da Academia Brasileira de Letras do Futebol e
professor na Faculdade Cásper Líbero.
"Essa
questão de ver o futebol brasileiro como potência hegemônica e única no mundo
precisa ser revista. Tem um pouco de aura, de romantização nisso",
argumenta o jornalista Anderson Gurgel, professor de jornalismo esportivo na
Universidade Presbiteriana Mackenzie.
Para
Unzelte, com o futebol mais globalizado, acabou o espaço para o acaso.
"Está mais tático, mais físico. E menos no improviso, que era o forte do
Brasil", afirma. "O improviso com o qual o Brasil surpreendia o mundo
tem menos espaço e o Brasil perdeu a hegemonia."
Nesse
sentido, não é à toa que, desde a última conquista brasileira, quatro dos cinco
títulos tenham sido obtidos por potências europeias — onde estão os clubes com
orçamentos quase ilimitados não só para contratar os melhores jogadores e
estafes técnicos como também para investir em tecnologia, capacitação teórica e
medicina esportiva.
"O
futebol internacional evoluiu muito. Hoje, apenas o talento individual não
resolve. As seleções estão mais organizadas, mais físicas e mais
preparadas", afirma o especialista em marketing esportivo Marcelo Paganini
de Toledo, professor na Escola Superior de Propaganda e Marketing de São Paulo
(ESPM-SP).
Se não
há mais espaço para o improviso, ao que parece o Brasil ainda não se encontrou
no modelo contemporâneo. "Há uma crise de modelo, mas ela não é inédita.
Em 1994 havia a discussão se importava mais jogar bonito ou jogar pelo
resultado, o futebol pragmático", recorda Gurgel. "Agora, para
ganhar, tem de jogar muito e ter planejamento maior. A lógica é mais complexa
do que no passado."
"Essa
discussão chega agora: qual é o futebol, como o Brasil tem de colocar? Futebol
alegre, futebol-arte? Ou está na hora de outro futebol?", completa o
professor.
Autor
de inúmeros artigos sobre o futebol brasileiro, o sociólogo Rogério Baptistini,
professor na Universidade Presbiteriana Mackenzie, vê esse endurecimento da
ginga esportiva brasileira como um processo que se desenvolveu a partir dos
anos 1990. "Penso que o fracasso na Copa daquele ano marcou a virada no
futebol brasileiro", comenta ele, acrescentando que no final daquela
década "o futebol brasileiro deixou, definitivamente, de ser um espaço no
qual a alegria e a criatividade popular se expressavam".
Para o
sociólogo, há um fator mercadológico responsável pelo fim do improviso: a
profissionalização exacerbada que, deixando o esporte em segundo plano e o
negócio em primeiro, acabou buscando uma eficiência que não podia ficar refém
do acaso. "O ecossistema que formava craques como Leônidas da Silva, Didi,
Pelé, Garrincha, Zico e tantos outros a partir das várzeas, praias e clubes de
fábricas foi substituído por incubadoras privadas, que moldam o atleta
commodity para venda", analisa ele.
"De
certa forma, isso matou a identidade do futebol brasileiro, marcada pela
técnica e pelo improviso. Jogadores criados em academias privadas, moldados
para um negócio globalizado, sob métodos e treinamento padronizados e táticas
definidas desde fora, para agradar o consumidor de entretenimento, sobretudo o
europeu, não exprimem a sua origem, senão como exotismo."
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Não tem mais bobo no futebol
Outro
aspecto relevante é que, sim, ficou mais difícil ganhar uma Copa do Mundo. Não
só pelo inchaço do número de participantes — em 1958, quando a seleção
brasileira ganhou o primeiro título, eram apenas 16 times os que foram para a
Suécia; neste ano, 48 seleções entraram na disputa da taça, na maior competição
do tipo já realizada. Mas também pela alta qualidade técnica de muitos
selecionados antes vistos como azarões.
"Mudou
completamente. É outra Copa, com outras regras e muito mais time. Times que não
eram muito competitivos mas começam a despontar e encantar o mundo",
salienta Gurgel.
"O
futebol se globalizou, os métodos de treinamento evoluíram e hoje praticamente
todas as grandes seleções contam com atletas que jogam nas principais ligas do
mundo. A vantagem técnica que o Brasil tinha diminuiu muito", avalia
Toledo.
O Japão
é um exemplo. Os Estados Unidos também. São locais onde até pouco tempo o
futebol era um esporte sem importância — mas, nos últimos anos, seja porque o
negócio em si é imensamente lucrativo, seja porque a globalização faz com que
seus maiores craques joguem em ligas tradicionais europeias, assim como os
brasileiros, esses times chegaram a um patamar técnico eficiente e competitivo.
"Claro
que um país com cinco títulos sempre entra como favorito e existe uma cobrança
enorme. Mas hoje vencer uma Copa é muito mais difícil do que era décadas
atrás", argumenta Toledo.
"As
seleções estão mais equilibradas, existe muito mais investimento, ciência do
esporte, tecnologia e análise de desempenho", acrescenta o professor.
"Além disso, os principais jogadores do mundo se enfrentam durante toda a
temporada nos clubes europeus. A distância entre as seleções diminuiu
bastante."
"Tem
mais seleções competitivas e os conceitos táticos se espalharam entre as
seleções do mundo", avalia o jornalista Rodrigo Capelo, autor do
livro O Futebol Como Ele É e especializado em negócios do
esporte.
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Falta de identificação
Este
problema não é privilégio brasileiro. Antes de finalmente se sagrar campeão em
uma Copa do Mundo, em 2022, o próprio Lionel Messi, incontestavelmente um dos
maiores craques da história do futebol mundial, era alvo de comentários
críticos, sobretudo feito por torcedores argentinos, que alegavam o fato de o
camisa 10 nunca ter jogado tão bem na seleção quanto jogava em seu clube, na
época o Barcelona, da Espanha.
"Futebol
é jogo de equipe e as seleções jogam muito menos do que os clubes", pontua
Unzelte. "O Raphinha, por exemplo, joga muito mais com seus companheiros
de Barcelona do que com os da seleção brasileira. É natural que não haja
conjunto."
"O
desempenho de um atleta depende muito do contexto. No clube, ele treina
praticamente todos os dias, conhece o modelo de jogo, os companheiros e a
cultura da equipe, já na seleção, o tempo de preparação é muito curto",
lembra Toledo.
"Além
disso, muitos desses jogadores são protagonistas em seus clubes, mas precisam
dividir esse protagonismo na seleção. Criar uma equipe vencedora é muito
diferente de reunir grandes jogadores. Futebol continua sendo um esporte
coletivo, e nem sempre a soma dos melhores talentos resulta no melhor
time."
Este
fenômeno tem sua raiz no fato em uma mudança de modelo do mercado de
transferências. Os grandes clubes do planeta contratam os mais brilhantes
jogadores quando estes ainda são extremamente jovens. Eles acabam construindo
suas carreiras em um modo de jogo que não tem nada a ver com o estilo da
seleção que defendem.
"Nossos
jogadores vão embora mais cedo, ainda meninos, para jogar no exterior. O foco
do futebol deixou de ser as seleções nacionais e agora são os clubes. Clubes
poderosos contratam os melhores jogadores e hoje são mais fortes do que as
seleções, são verdadeiras seleções multinacionais", comenta Unzelte.
Isso
também tem o desdobramento prático: cada vez menos os torcedores sentem uma
conexão com esses jogadores. "Perdemos parte da nossa identidade. Durante
muito tempo o mundo sabia exatamente o que esperar da seleção brasileira",
diz Toledo.
Capelo
acredita que a grande mudança, o "ponto-chave" para entender o
cenário seja a mudança do mercado de transferências. "Antes, os jogadores
brasileiros ficavam em seus clubes até os 22, 23, 24 anos e, em dado momento,
eram comprados pelos principais clubes da Europa para jogar lá", compara.
Na
última década, contudo, o paradigma se tornou outro. "Perceberam que
comprar jogador pronto ficava caro e ele vinha sem a metodologia de treinamento
que se pretendia", comenta Capelo. "Passou-se a comprar jogador muito
cedo, com 17 anos, para que se apresentasse tão logo fizesse 18."
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Negociou com o Real Madrid
Foi o
caso do Vini Jr. O atacante não tinha nem completado 17 anos quando o Flamengo
o negociou com o Real Madrid pela espantosa cifra de 45 milhões de euros. Em
2018, quando completou 18, o craque se apresentou ao time espanhol. O resto é
história e consagração.
"Ele
virou exemplo de como os europeus passaram a olhar para o jogador
brasileiro", diz Capelo. "Com isso, os grandes talentos saem muito
cedo e, nesse processo, a gente foi se distanciando da seleção
brasileira."
"Ele
já nem ganha uma identidade de jogador brasileiro", diz Gurgel. Como é
transferido ainda em fase de formação, segundo o jornalista, o atleta acaba
"incutindo valores" que não são próprios do futebol canarinho.
"Cada vez menos há identificação", salienta.
Até
então, mesmo com uma seleção formada majoritariamente por nomes que jogavam no
exterior, como era a pentacampeã de 2002, havia uma memória afetiva porque
aqueles craques que atuavam na Europa haviam marcado época em seus clubes
nacionais. Por exemplo, o Cafu, com passagens vitoriosas pelo São Paulo e pelo
Palmeiras. E o Roberto Carlos, que também havia brilhado no Palmeiras. "O
brasileiro deixou de conhecer os atletas da seleção", diz Capelo.
Há
ainda um fator correlato nessa questão, que explica porque um Messi ou um
Raphinha pareçam mais aguerridos e talentosos nos clubes do que na seleção: a
pouca sinergia. "Nos clubes europeus, esses jogadores atuam em ambientes
muito estruturados, treinam diariamente com os mesmos companheiros e têm
funções bem definidas. Na seleção, o tempo é curto, há mudanças constantes e,
muitas vezes, eles precisam exercer papéis diferentes", aponta Toledo.
"O
desafio é construir uma identidade clara de jogo, dar continuidade ao trabalho
e fazer com que o coletivo potencialize os talentos individuais",
diagnostica o especialista.
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O jogo virou
É
difícil cravar um momento específico como o turning point que fez com que a
seleção brasileira perdesse a imagem de imbatível. Numericamente falando, a
questão nem é tão catastrófica assim: no famoso ranking FIFA, que a entidade
máxima do futebol começou a divulgar em 1993 com a seleção brasileira ponteando
— posição ocupada assim por anos —, o time nacional estava na 6ª posição na
véspera do início dos jogos deste ano. Nada mal, dado o longo jejum.
Há quem
diga que a virada de jogo tenha ocorrido com a tragédia do Sarriá, a queda da
seleção de Zico e companhia frente ao time italiano na Copa de 1982. De lá para
cá veio o tetra e o penta, é verdade. Mas ficou o recado de que era preciso
jogar pelo resultado e não pela arte do esporte, pela beleza de cada lance.
"Há
momentos brilhantes nas conquistas, mas também momentos trágicos como o
Maracanaço [quando o Brasil perdeu para o Uruguai e ficou com o vice em 1950] e
Sarriá", cita Gurgel. "Foram momentos que marcaram o fim de uma visão
romântica e ingênua de que somente um futebol bonito iria resolver tudo."
Na
memória recente, contudo, a memória que ecoa é a dos 7 a 1, a vexatória derrota
para a Alemanha na semifinal da Copa de 2014. Um episódio impossível de
esquecer. "O 7 a 1 foi um marco simbólico, mas ele foi muito mais uma
consequência desse processo do que a sua causa", comenta Toledo.
"Temos
uma percepção de fracasso porque faz tempo desde o último título. Mas a seleção
brasileira é competitiva", acredita Capelo. "Não tem os mesmos
craques que tinha em 2002, mas traz resultados."
Ele
acha que a questão revela um jeito meio arrogante com que o brasileiro olha
para o futebol. "Achamos que perder para uma Croácia ou uma Bélgica é
vergonhoso. Vergonha mesmo foi o 7 a 1 contra a Alemanha, isso não fazia parte
de um roteiro aceitável."
"A
percepção de uma má fase do Brasil tem a ver com a nossa arrogância de achar
que a gente é o país do futebol e tem de ganhar tudo o tempo todo. Não é assim
que se analisa o futebol tecnicamente", afirma Capelo.
Gurgel
afirma que há "uma narrativa muito típica" da imprensa esportiva
brasileira que sedimenta a imagem "da seleção brasileira" de forma
"dramática, barroca, intensa". "Ora muito ufanista, ora muito
pessimista", explica. Depois da eliminação, portanto, vem o pessimismo.
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Mais entretenimento, menos esporte
Para
especialistas, contudo, vale agora usar a camisa amarela para enxugar as
lágrimas porque a derrota não significa o fim da linha. No atual cenário,
afinal, o futebol é entendido pelo mercado muito mais como entretenimento do
que como esporte. "Ainda que haja uma crise em campo a gente não percebe
uma crise nos negócios. Porque futebol é essa potência para engajar",
afirma Gurgel.
O
professor ressalta que no contexto atual há um distanciamento entre esporte e
espetáculo — isso foi assunto de seu estudo de doutorado, inclusive.
"Então vemos que a crise que se percebe em campo não se reflete nos
negócios", analisa. "O negócio vai ficando mais bilionário, com mais
dinheiro envolvido."
"O
impacto direto é nos negócios da CBF. Ela depende do sucesso da seleção para
vender patrocínio, direitos de transmissão e mesmo para ter boas bilheterias
dos jogos", diz Capelo. "Quanto maior o cartaz da seleção brasileira,
mas ela rende [aos cofres da instituição]."
Só que
se o futebol é uma caixinha de surpresas, o mercado do esporte está mais para
um cofrinho bem parrudo. "Mesmo com essa suposta má fase, esse derrotismo
todo, a CBF nunca faturou tanto", diz Capelo.
Parece
que nas finanças a seleção brasileira tem cadeira-cativa.
"A
seleção brasileira continua sendo uma das marcas esportivas mais valiosas do
mundo, mas resultados fazem diferença", reconhece Toledo. "Quando o
time vence, cresce o interesse do público, aumentam as audiências, o
engajamento nas redes sociais, a venda de produtos licenciados e o retorno para
patrocinadores."
Mas não
deixa de ser um cartão amarelo. "Eliminações frequentes reduzem esse
entusiasmo. O torcedor continua apaixonado pelo futebol, mas passa a se
conectar mais com os clubes e com seus ídolos do que com a seleção",
acredita o especialista Toledo.
Evidentemente
que logo ali está a volta do Brasileirão e aquele espírito de que, para o fã do
esporte, tudo será com o antes — o hexa deixa de importar. "Para o dia a
dia do futebol, não ganhar a Copa não influencia tanto. É um tema que aparece a
cada quatro anos. O futebol no Brasil acontece todo domingo, toda
quarta-feira", acredita Unzelte. "Acaba a Copa e voltamos ao mercado
interno, com o marketing esportivo e os negócios do futebol brasileiro."
Com o
gosto da derrota a incomodar os pensamentos, fica a reflexão sobre os paralelos
entre futebol e sociedade, posto que o Brasil é conhecido como a pátria em
chuteiras. "A seleção já foi o símbolo do que poderíamos ser, mas hoje é a
expressão das mazelas da mercantilização de todos os aspectos da vida",
reflete o sociólogo Baptistini. "Só há interesses de curto prazo. Não há
planejamento para o futuro, nem visão coletiva. Vivemos na dependência da
exploração dos talentos e dos esforços individuais."
"Um
negócio que forma para vender nos aproxima do passado agroexportador, mas
agora, além das commodities tradicionais, em nossa pauta entra gente que sonha
enriquecer correndo atrás da bola", acrescenta ele. "Morre o futebol
da geral do Maracanã e dos pretos e mestiços de pés descalços. Morre a
nação."
Fonte: BBC
Sport

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