segunda-feira, 6 de julho de 2026

Estudo mostra que 25% dos brasileiros não sabem sobre prevenção do câncer

Um novo estudo nacional, divulgado nesta quarta-feira (3), aponta que um a cada quatro brasileiros não sabe que o câncer pode ser evitado. A pesquisa, realizada com 6,5 mil adultos em todo o país, mostrou que há muita desinformação sobre a doença — que registrará 781 mil novos casos por ano no Brasil até 2028.

O relatório "Mais Dados Mais Saúde", obtido pela CNN Brasil, aponta que 40% dos casos de câncer poderiam ser evitados com algumas mudanças de hábito. Assim como o hábito de fumar, outras atividades e comportamentos costumam contribuir para a incidência da doença.

Os dados mostram que 27% dos brasileiros sequer sabem que o câncer pode se desenvolver de acordo com a rotina de uma pessoa. O nível de conhecimento varia e envolve tópicos mais conhecidos, como tabagismo, herança genética e exposição solar excessiva.

No entanto, alguns comportamentos acabam ficando de lado no que diz respeito à conscientização na luta contra o câncer. São menos abordados temas como consumo de bebidas alcoólicas, de alimentos embutidos, ultraprocessados e carne vermelha.

A parte comportamental também não é reconhecida por grande parte da população como fator de risco. O sedentarismo e o excesso de peso podem contribuir para o surgimento da doença.

De acordo com o estudo, o nível de conhecimento dos brasileiros sobre os fatores de risco se configura da seguinte maneira:

•        Tabagismo: 90,5%;

•        Herança genética: 89,4%;

•        Exposição solar excessiva: 88,3%;

•        Bebidas alcoólicas: 71,3%;

•        Alimentos embutidos: 70,7%;

•        Ultraprocessados: 65,6%;

•        Excesso de peso: 54,1%;

•        Sedentarismo: 48,3%;

•        Carne vermelha: 27,5%.

Um ponto levantado sobre o estudo sugere que o alto conhecimento sobre herança genética como fator de risco aponta para uma sensação de "inevitabilidade" da doença; ou seja, para algumas pessoas, não há como evitar o câncer.

A pesquisa também sugere que 61,3% dos entrevistados acreditam que consumir suplementos vitamínicos pode diminuir drasticamente o risco de ter câncer no futuro. Já 40% não sabem que o aleitamento materno é um dos grandes aliados contra o desenvolvimento de câncer de mama.

Mesmo sem ter conhecimento sobre os fatores de risco, grande parte da população já evitou ou não consome alimentos e bebidas que podem levar ao câncer.

O estudo mostra que:

•        45% das pessoas que comem ultraprocessados já tentaram diminuir o consumo;

•        45% das pessoas que comem carne vermelha não pensam em diminuir o consumo;

•        86,3% da população afirmam consumir frutas e verduras;

•        Jovens de até 24 anos são o grupo que está mais em contato com fatores de risco para ter câncer.

•        Dois terços das pacientes com câncer de mama podem evitar quimioterapia

Um estudo apontou que dois em cada três pacientes com o tipo mais comum de câncer de mama não obtêm benefício significativo com a quimioterapia e que um teste genético realizado no próprio tumor é capaz de identificar, com segurança, quem pode ser poupado desse tratamento.

A análise internacional OPTIMA, apresentada no congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), avaliou mais de 4.400 pacientes em seis países.

A pesquisa também reuniu evidências para o uso do teste Prosigna em pacientes de maior risco clínico, incluindo mulheres com até nove linfonodos comprometidos, tumores em estágio mais avançado e pacientes na pré-menopausa a partir dos 40 anos, grupos que, quase sempre eram encaminhados para a quimioterapia.

O teste analisa a atividade de 50 genes no tecido retirado durante a cirurgia ou em uma biópsia e gera uma pontuação de risco. Pacientes com pontuação baixa são justamente aqueles que, provavelmente, não apresentam benefício clínico significativo com o tratamento.

Para avaliar a eficácia do Prosigna, um grupo recebeu o tratamento padrão, enquanto outro teve a decisão terapêutica guiada pelo teste. Os resultados mostraram que dois terços dos participantes obtiveram pontuação baixa e, nesse grupo, o tratamento foi realizado apenas com hormonioterapia.

"Estamos falando de poupar milhares de mulheres de um tratamento agressivo que, para elas, traria muito mais efeitos colaterais do que benefício real. O grande avanço é tomar essa decisão a partir da biologia do próprio tumor, e não apenas das características clínicas, oferecendo mais tratamento a quem precisa e menos a quem não precisa", afirma o Dr. Raphael Parmeggiani, vice-presidente LATAM de Assuntos Científicos em Oncologia da Centogene.

Outra conclusão foi que, após um acompanhamento médio de quatro anos, os resultados foram praticamente iguais entre os grupos.

Em cinco anos, a sobrevida livre de câncer de mama invasivo ficou em torno de 94% em ambos. Na prática, entre os pacientes com pontuação baixa, no máximo dois em cada 100 teriam a recorrência do câncer evitada pela quimioterapia.

A Centogene, empresa responsável por trazer o teste Prosigna ao Brasil, é uma das líderes globais em diagnóstico genético e medicina de precisão, com a missão de transformar dados em respostas para pacientes, médicos e sistemas de saúde.

•        Câncer de mama assusta, mas chance de cura é alta, diz médico

O diagnóstico de câncer de mama ainda provoca forte impacto emocional nas pacientes, frequentemente associado ao medo da morte. Durante o programa CNN Sinais Vitais, especialistas destacam que, quando detectada precocemente, a doença apresenta altas chances de cura e tratamentos cada vez mais eficazes.

"O paciente vem absurdamente ansioso e a gente fala: essa é uma doença potencialmente curável", diz Antonio Buzaid, oncologista do Hospital Nove de Julho e Samaritano.

Buzaid reforça a importância da detecção precoce do câncer de mamam para aumentar as chances de cura. Ele enfatiza que tumores pequenos, principalmente aqueles que não têm linfonodos envolvidos, apresentam taxas de cura muito elevadas. "Quanto menor o tumor, a cura é muito elevada. Para cada milímetro, 1%. Para cada linfonodo afetado, aumenta a mortalidade em 6%, se não tratar com alguma coisa a mais", explica.

O oncologista ressalta que o objetivo do tratamento em casos localizados é sempre a erradicação completa da doença. "Quando um paciente tem câncer de mama, vamos fazer de tudo para curar. O objetivo e missão de erradicar a doença. Querendo matar todo o câncer do paciente", afirma Buzaid.

<><> Avanços na reconstrução mamária

Fabrício Brenelli, mastologista do Hospital Beneficência Portuguesa, destacou os avanços na reconstrução mamária no Brasil, principalmente no sistema público de saúde. Ele participou de um estudo que modificou o acesso à reconstrução mamária no país, treinando mastologistas para realizar também esse procedimento.

"Nós conseguimos aumentar em quatro vezes o número de reconstrução mamária no SUS em menos de cinco anos", pontua Brenelli.

Ele enfatiza que a reconstrução não é apenas uma questão estética, mas parte fundamental do tratamento integral. "Reconstruir a mama é tão importante quanto o tratamento. A paciente tem que ficar curada, tanto da doença, quanto da sua imagem corporal", destaca.

Nos casos de câncer metastático, quando a doença já se espalhou para outros órgãos, o tratamento busca controlar a progressão e garantir qualidade de vida às pacientes. Buzaid explica que em alguns tipos específicos, como o HER2, já existem casos de pacientes que ficaram livres da doença por longos períodos. "Temos pacientes 8 anos, 10 anos, bem sem doença nenhuma nos exames", relata.

Os especialistas ressaltam que o diálogo aberto com as pacientes sobre as possibilidades de tratamento e cura é essencial para enfrentar o impacto emocional do diagnóstico.

 

Fonte: CNN Brasil

 

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