Estudo
mostra que 25% dos brasileiros não sabem sobre prevenção do câncer
Um novo
estudo nacional, divulgado nesta quarta-feira (3), aponta que um a cada quatro
brasileiros não sabe que o câncer pode ser evitado. A pesquisa, realizada com
6,5 mil adultos em todo o país, mostrou que há muita desinformação sobre a
doença — que registrará 781 mil novos casos por ano no Brasil até 2028.
O
relatório "Mais Dados Mais Saúde", obtido pela CNN Brasil, aponta que
40% dos casos de câncer poderiam ser evitados com algumas mudanças de hábito.
Assim como o hábito de fumar, outras atividades e comportamentos costumam
contribuir para a incidência da doença.
Os
dados mostram que 27% dos brasileiros sequer sabem que o câncer pode se
desenvolver de acordo com a rotina de uma pessoa. O nível de conhecimento varia
e envolve tópicos mais conhecidos, como tabagismo, herança genética e exposição
solar excessiva.
No
entanto, alguns comportamentos acabam ficando de lado no que diz respeito à
conscientização na luta contra o câncer. São menos abordados temas como consumo
de bebidas alcoólicas, de alimentos embutidos, ultraprocessados e carne
vermelha.
A parte
comportamental também não é reconhecida por grande parte da população como
fator de risco. O sedentarismo e o excesso de peso podem contribuir para o
surgimento da doença.
De
acordo com o estudo, o nível de conhecimento dos brasileiros sobre os fatores
de risco se configura da seguinte maneira:
• Tabagismo: 90,5%;
• Herança genética: 89,4%;
• Exposição solar excessiva: 88,3%;
• Bebidas alcoólicas: 71,3%;
• Alimentos embutidos: 70,7%;
• Ultraprocessados: 65,6%;
• Excesso de peso: 54,1%;
• Sedentarismo: 48,3%;
• Carne vermelha: 27,5%.
Um
ponto levantado sobre o estudo sugere que o alto conhecimento sobre herança
genética como fator de risco aponta para uma sensação de
"inevitabilidade" da doença; ou seja, para algumas pessoas, não há
como evitar o câncer.
A
pesquisa também sugere que 61,3% dos entrevistados acreditam que consumir
suplementos vitamínicos pode diminuir drasticamente o risco de ter câncer no
futuro. Já 40% não sabem que o aleitamento materno é um dos grandes aliados
contra o desenvolvimento de câncer de mama.
Mesmo
sem ter conhecimento sobre os fatores de risco, grande parte da população já
evitou ou não consome alimentos e bebidas que podem levar ao câncer.
O
estudo mostra que:
• 45% das pessoas que comem
ultraprocessados já tentaram diminuir o consumo;
• 45% das pessoas que comem carne vermelha
não pensam em diminuir o consumo;
• 86,3% da população afirmam consumir
frutas e verduras;
• Jovens de até 24 anos são o grupo que
está mais em contato com fatores de risco para ter câncer.
• Dois terços das pacientes com câncer de
mama podem evitar quimioterapia
Um
estudo apontou que dois em cada três pacientes com o tipo mais comum de câncer
de mama não obtêm benefício significativo com a quimioterapia e que um teste
genético realizado no próprio tumor é capaz de identificar, com segurança, quem
pode ser poupado desse tratamento.
A
análise internacional OPTIMA, apresentada no congresso da Sociedade Americana
de Oncologia Clínica (ASCO), avaliou mais de 4.400 pacientes em seis países.
A
pesquisa também reuniu evidências para o uso do teste Prosigna em pacientes de
maior risco clínico, incluindo mulheres com até nove linfonodos comprometidos,
tumores em estágio mais avançado e pacientes na pré-menopausa a partir dos 40
anos, grupos que, quase sempre eram encaminhados para a quimioterapia.
O teste
analisa a atividade de 50 genes no tecido retirado durante a cirurgia ou em uma
biópsia e gera uma pontuação de risco. Pacientes com pontuação baixa são
justamente aqueles que, provavelmente, não apresentam benefício clínico
significativo com o tratamento.
Para
avaliar a eficácia do Prosigna, um grupo recebeu o tratamento padrão, enquanto
outro teve a decisão terapêutica guiada pelo teste. Os resultados mostraram que
dois terços dos participantes obtiveram pontuação baixa e, nesse grupo, o
tratamento foi realizado apenas com hormonioterapia.
"Estamos
falando de poupar milhares de mulheres de um tratamento agressivo que, para
elas, traria muito mais efeitos colaterais do que benefício real. O grande
avanço é tomar essa decisão a partir da biologia do próprio tumor, e não apenas
das características clínicas, oferecendo mais tratamento a quem precisa e menos
a quem não precisa", afirma o Dr. Raphael Parmeggiani, vice-presidente
LATAM de Assuntos Científicos em Oncologia da Centogene.
Outra
conclusão foi que, após um acompanhamento médio de quatro anos, os resultados
foram praticamente iguais entre os grupos.
Em
cinco anos, a sobrevida livre de câncer de mama invasivo ficou em torno de 94%
em ambos. Na prática, entre os pacientes com pontuação baixa, no máximo dois em
cada 100 teriam a recorrência do câncer evitada pela quimioterapia.
A
Centogene, empresa responsável por trazer o teste Prosigna ao Brasil, é uma das
líderes globais em diagnóstico genético e medicina de precisão, com a missão de
transformar dados em respostas para pacientes, médicos e sistemas de saúde.
• Câncer de mama assusta, mas chance de
cura é alta, diz médico
O
diagnóstico de câncer de mama ainda provoca forte impacto emocional nas
pacientes, frequentemente associado ao medo da morte. Durante o programa CNN
Sinais Vitais, especialistas destacam que, quando detectada precocemente, a
doença apresenta altas chances de cura e tratamentos cada vez mais eficazes.
"O
paciente vem absurdamente ansioso e a gente fala: essa é uma doença
potencialmente curável", diz Antonio Buzaid, oncologista do Hospital Nove
de Julho e Samaritano.
Buzaid
reforça a importância da detecção precoce do câncer de mamam para aumentar as
chances de cura. Ele enfatiza que tumores pequenos, principalmente aqueles que
não têm linfonodos envolvidos, apresentam taxas de cura muito elevadas.
"Quanto menor o tumor, a cura é muito elevada. Para cada milímetro, 1%.
Para cada linfonodo afetado, aumenta a mortalidade em 6%, se não tratar com
alguma coisa a mais", explica.
O
oncologista ressalta que o objetivo do tratamento em casos localizados é sempre
a erradicação completa da doença. "Quando um paciente tem câncer de mama,
vamos fazer de tudo para curar. O objetivo e missão de erradicar a doença.
Querendo matar todo o câncer do paciente", afirma Buzaid.
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Avanços na reconstrução mamária
Fabrício
Brenelli, mastologista do Hospital Beneficência Portuguesa, destacou os avanços
na reconstrução mamária no Brasil, principalmente no sistema público de saúde.
Ele participou de um estudo que modificou o acesso à reconstrução mamária no
país, treinando mastologistas para realizar também esse procedimento.
"Nós
conseguimos aumentar em quatro vezes o número de reconstrução mamária no SUS em
menos de cinco anos", pontua Brenelli.
Ele
enfatiza que a reconstrução não é apenas uma questão estética, mas parte
fundamental do tratamento integral. "Reconstruir a mama é tão importante
quanto o tratamento. A paciente tem que ficar curada, tanto da doença, quanto
da sua imagem corporal", destaca.
Nos
casos de câncer metastático, quando a doença já se espalhou para outros órgãos,
o tratamento busca controlar a progressão e garantir qualidade de vida às
pacientes. Buzaid explica que em alguns tipos específicos, como o HER2, já
existem casos de pacientes que ficaram livres da doença por longos períodos.
"Temos pacientes 8 anos, 10 anos, bem sem doença nenhuma nos exames",
relata.
Os
especialistas ressaltam que o diálogo aberto com as pacientes sobre as
possibilidades de tratamento e cura é essencial para enfrentar o impacto
emocional do diagnóstico.
Fonte:
CNN Brasil

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