Musculação
reprograma genes do fígado e ajuda a combater doença hepática, mostra estudo
Pesquisadores
da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) descobriram que o treinamento de
força pode ir muito além de fortalecer músculos: ele também é capaz de
“reprogramar” o funcionamento genético do fígado, ajudando a combater a doença
hepática esteatótica, o acúmulo de gordura no órgão associado ao diabetes tipo
2. O trabalho foi publicado em novembro na revista científica Life Sciences.
A
equipe, coordenada pelo professor Leandro Pereira de Moura, da Faculdade de
Ciências Aplicadas (FCA-Unicamp), queria entender de que forma um estímulo
criado no músculo poderia repercutir positivamente no fígado. A resposta
encontrada está na epigenética, o campo que estuda como hábitos e fatores
ambientais influenciam a atividade dos genes sem alterar a sequência do DNA.
O
mecanismo investigado foi a metilação do DNA: a fixação de um grupo metil na
região que “liga” um gene, dificultando o acesso das enzimas responsáveis por
ativá-lo.
Em
camundongos obesos submetidos a oito semanas de musculação, os cientistas
identificaram alterações na metilação do gene MTCH2, ligado diretamente ao modo
como o fígado gera e utiliza energia.
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Fígado
Segundo
os pesquisadores, a obesidade transforma o fígado em um ambiente hostil. O
acúmulo de gordura nos hepatócitos provoca inflamação persistente e
comprometimento das mitocôndrias, as estruturas responsáveis pela produção de
energia celular.
Nessa
condição, o órgão tenta se regenerar, mas a falta de energia interrompe o
processo, e o tecido saudável vai sendo progressivamente substituído por
fibrose. É justamente nesse contexto de sobrecarga que o gene MTCH2 passa a
funcionar de forma desregulada, agravando o quadro.
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Efeito do treino
Nos
animais treinados, os cientistas notaram um fenômeno curioso: mesmo com o gene
MTCH2 sendo “acionado” normalmente (por meio do RNA mensageiro), a quantidade
final da proteína associada a ele diminuiu. Para Moura, isso acontece porque a
musculação restabelece o equilíbrio energético do fígado e reduz a inflamação,
sinalizando ao organismo que a situação de emergência passou, o que leva o
próprio corpo a frear as etapas finais de produção dessa proteína.
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Sensibilidade à insulina
O
fígado tem papel central no controle da glicemia: ele armazena açúcar após as
refeições e o libera durante o jejum, seguindo as instruções da insulina.
Quando inflamado, porém, o órgão perde a capacidade de “ouvir” esses sinais,
mantendo a liberação de glicose mesmo quando desnecessário. O estudo mostrou
que, nos camundongos obesos que passaram pelo treinamento de força, essa
sensibilidade à insulina foi recuperada.
Além
disso, o exercício reduziu a atividade de enzimas ligadas à fibrose e ao
crescimento celular desordenado, e aumentou a produção da proteína ATP5,
essencial à geração de energia nas mitocôndrias.
“Com
energia abundante, as células saem do estado de alerta e deixam de ativar o
gene MTCH2, favorecendo a regeneração do tecido”, explica Moura. “Levantar
pesos fortalece não só os músculos, mas também controla como o DNA do fígado
funciona.”
Fonte:
Agencia Brasil

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