segunda-feira, 6 de julho de 2026

Infarto ou gases? Saiba diferenciar os sintomas

A dor no peito é um dos sintomas que mais causam preocupação, e com razão. Ela é um dos sinais de alerta pata o infarto, mas também pode ser simplesmente acúmulo de gases. Daí a importância de saber identificar quando o desconforto requer uma atenção a mais.

A dor causada por gases costuma surgir após as refeições, principalmente quando há consumo de alimentos gordurosos, frituras ou bebidas gaseificadas. Também pode aparecer em momentos de ansiedade ou tensão, quando o corpo tende a reter mais ar no sistema digestivo.

Esse tipo de dor geralmente vem acompanhado de uma sensação de inchaço, queimação ou pressão leve, localizada na parte central ou lateral do abdômen e que pode irradiar para o peito. Costuma ser passageira e melhora com a eliminação dos gases, com a movimentação do corpo, mudanças de posição ou o uso de medicamentos simples que auxiliam na digestão.

“Ela melhora quando você anda, quando massageia a região abdominal, quando arrota, que são as erupções, e daí alivia”, explica Anis Mitri, cardiologista e presidente da Associação de Hospitais e Serviços de Saúde do Estado de São Paulo.

Já a dor de origem cardíaca é diferente e exige atenção imediata. Ela costuma ser mais forte e persistente, descrita como um aperto, peso ou pressão intensa no centro do peito. Em muitos casos, irradia para o braço esquerdo, a mandíbula ou as costas.

Nesse caso, o desconforto pode vir acompanhado de falta de ar, suor frio, náusea, tontura ou sensação de desmaio. Ao contrário da dor digestiva, não melhora com a eliminação dos gases nem com mudanças de posição. Quando dura mais de 20 minutos, pode ser sinal de um infarto em andamento.

“A dor de origem cardíaca é uma dor que é deflagrada pelos esforços. É uma sensação de peso, queimação no tórax, principalmente na região do meio ou em cima do peito à esquerda. Pode estar na região ali na boca do estômago, na região epigástrica também, mas ela é deflagrada pelos esforços e melhora com repouso”, acrescenta Fernanda Bento de Oliveira Viana, cardiologista do Grupo Kora Saúde.

Ainda segundo os cardiologistas ouvidos pela reportagem da CNN, nem sempre a dor no peito de origem cardíaca vai ser intensa e súbita. Desconfortos leves também podem indicar um problema cardíaco.

“Às vezes é só uma sensação de aperto ou um desconforto leve. Vale muito observar se é deflagrado por esforços, por uma pequena caminhada ou por subir uma escada. Isso acende muito um alerta para ser de origem cardíaca. Às vezes ela é mais insidiosa, mais leve, mas a gente tem que prestar atenção nesse tipo de dor”, acrescenta Viana.

Por isso, diante de uma dor no peito, o recomendado é nunca ignorar os sintomas. Na dúvida sobre a origem do desconforto, a orientação é procurar atendimento médico o quanto antes, principalmente se a dor for intensa, persistente ou vier acompanhada de outros sintomas.

“Só na consulta, na forma como a gente faz a entrevista com o paciente, a gente já consegue desconfiar se a dor no peito é cardíaca ou não. E se a gente desconfiar que realmente pode ser um problema no coração, a gente vai partir para os exames básicos até os mais complexos. E, se for uma dor no peito não cardíaca, vamos investigar a origem. Os exames mais usados nesse caso são a endoscopia gástrica, a ultrassonografia, a tomografia de abdômen e a tomografia de abdômen-pelve”, detalha Mitri.

•        Coração acelerado é ansiedade ou problema no coração? Saiba diferenciar

Sentir o coração acelerar de repente assusta. Às vezes, acontece antes de uma reunião importante, durante um susto ou até sem motivo aparente. Em segundos, surge a pergunta: será que é ansiedade ou algo no coração?

Diferenciar uma palpitação emocional de uma arritmia cardíaca nem sempre é simples, mas entender o corpo ajuda a lidar melhor com o sintoma e saber quando buscar ajuda médica.

<><> O coração também reage às emoções

Nosso coração é muito sensível ao que sentimos. Situações de estresse, medo, preocupação ou até alegria intensa liberam adrenalina, substância que prepara o corpo para reagir. Esse hormônio faz o coração bater mais rápido, aumenta a respiração e deixa as mãos suadas. É a chamada resposta de luta ou fuga, um mecanismo natural.

Em momentos de ansiedade, essa aceleração costuma começar aos poucos e passar em minutos, especialmente se a pessoa respira fundo, se acalma ou muda o foco. Costuma vir acompanhada de sensação de aperto no peito, tremor, falta de ar leve e um pensamento repetitivo: algo está errado comigo. Na maioria dos casos, o coração está saudável, apenas reagindo ao turbilhão emocional.

<><> Quando pode ser um sinal do coração

Mas nem sempre a palpitação é fruto da mente. Quando o batimento acelera de forma súbita, sem gatilho emocional, ou vem acompanhado de tontura, falta de ar, desmaio, suor frio ou dor no peito, é hora de investigar.

As arritmias cardíacas, como a taquicardia supraventricular ou a fibrilação atrial, fazem o coração perder o ritmo natural. Elas podem durar segundos ou horas e, em alguns casos, exigem tratamento específico. Estima-se que cerca de 2% da população tenha algum tipo de arritmia, segundo dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia, e o risco aumenta com a idade, pressão alta e histórico familiar.

O ponto principal é observar o padrão: se a palpitação surge de repente, sem relação com emoções, esforço ou café, e desaparece tão rápido quanto começou, vale marcar uma consulta com o cardiologista.

<><> Como o médico descobre a causa

O primeiro passo é ouvir o relato do paciente. A descrição dos episódios, quando acontecem, quanto duram e o que a pessoa estava fazendo, já ajuda bastante. Em seguida, exames simples, como o eletrocardiograma (ECG), podem mostrar se há alterações no ritmo. Em alguns casos, é preciso usar o Holter, um monitor portátil que registra o coração por 24 horas ou mais.

Mesmo que o exame não mostre arritmia, a avaliação nunca é perda de tempo. Muitos pacientes descobrem que as palpitações têm origem emocional e aprendem a controlar melhor a ansiedade, o que reduz muito a frequência das crises.

<><> O que você pode fazer

Enquanto aguarda a avaliação, vale adotar hábitos que ajudam tanto o coração quanto a mente:

•        Evite excesso de café, bebidas energéticas e álcool.

•        Durma bem e pratique atividades físicas com regularidade.

•        Mantenha uma alimentação equilibrada e boa hidratação.

•        Aprenda técnicas de respiração e relaxamento, que ajudam a acalmar o ritmo cardíaco.

•        E, principalmente, não ignore sintomas novos ou persistentes, mesmo que a ansiedade pareça a causa mais provável.

<><> Cuidar do corpo e da mente é o caminho

O coração é um espelho das emoções. Ele acelera, desacelera, sente. Saber reconhecer os sinais que ele dá é uma forma de autocuidado. Na dúvida, procure avaliação médica: é melhor descobrir que está tudo bem do que ignorar um sintoma importante. Com o equilíbrio entre saúde mental e cardiovascular, o coração bate mais tranquilo e a vida também.

 

Fonte: CNN Brasil

 

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