Infarto
ou gases? Saiba diferenciar os sintomas
A dor
no peito é um dos sintomas que mais causam preocupação, e com razão. Ela é um
dos sinais de alerta pata o infarto, mas também pode ser simplesmente acúmulo
de gases. Daí a importância de saber identificar quando o desconforto requer
uma atenção a mais.
A dor
causada por gases costuma surgir após as refeições, principalmente quando há
consumo de alimentos gordurosos, frituras ou bebidas gaseificadas. Também pode
aparecer em momentos de ansiedade ou tensão, quando o corpo tende a reter mais
ar no sistema digestivo.
Esse
tipo de dor geralmente vem acompanhado de uma sensação de inchaço, queimação ou
pressão leve, localizada na parte central ou lateral do abdômen e que pode
irradiar para o peito. Costuma ser passageira e melhora com a eliminação dos
gases, com a movimentação do corpo, mudanças de posição ou o uso de
medicamentos simples que auxiliam na digestão.
“Ela
melhora quando você anda, quando massageia a região abdominal, quando arrota,
que são as erupções, e daí alivia”, explica Anis Mitri, cardiologista e
presidente da Associação de Hospitais e Serviços de Saúde do Estado de São
Paulo.
Já a
dor de origem cardíaca é diferente e exige atenção imediata. Ela costuma ser
mais forte e persistente, descrita como um aperto, peso ou pressão intensa no
centro do peito. Em muitos casos, irradia para o braço esquerdo, a mandíbula ou
as costas.
Nesse
caso, o desconforto pode vir acompanhado de falta de ar, suor frio, náusea,
tontura ou sensação de desmaio. Ao contrário da dor digestiva, não melhora com
a eliminação dos gases nem com mudanças de posição. Quando dura mais de 20
minutos, pode ser sinal de um infarto em andamento.
“A dor
de origem cardíaca é uma dor que é deflagrada pelos esforços. É uma sensação de
peso, queimação no tórax, principalmente na região do meio ou em cima do peito
à esquerda. Pode estar na região ali na boca do estômago, na região epigástrica
também, mas ela é deflagrada pelos esforços e melhora com repouso”, acrescenta
Fernanda Bento de Oliveira Viana, cardiologista do Grupo Kora Saúde.
Ainda
segundo os cardiologistas ouvidos pela reportagem da CNN, nem sempre a dor no
peito de origem cardíaca vai ser intensa e súbita. Desconfortos leves também
podem indicar um problema cardíaco.
“Às
vezes é só uma sensação de aperto ou um desconforto leve. Vale muito observar
se é deflagrado por esforços, por uma pequena caminhada ou por subir uma
escada. Isso acende muito um alerta para ser de origem cardíaca. Às vezes ela é
mais insidiosa, mais leve, mas a gente tem que prestar atenção nesse tipo de
dor”, acrescenta Viana.
Por
isso, diante de uma dor no peito, o recomendado é nunca ignorar os sintomas. Na
dúvida sobre a origem do desconforto, a orientação é procurar atendimento
médico o quanto antes, principalmente se a dor for intensa, persistente ou vier
acompanhada de outros sintomas.
“Só na
consulta, na forma como a gente faz a entrevista com o paciente, a gente já
consegue desconfiar se a dor no peito é cardíaca ou não. E se a gente
desconfiar que realmente pode ser um problema no coração, a gente vai partir
para os exames básicos até os mais complexos. E, se for uma dor no peito não
cardíaca, vamos investigar a origem. Os exames mais usados nesse caso são a
endoscopia gástrica, a ultrassonografia, a tomografia de abdômen e a tomografia
de abdômen-pelve”, detalha Mitri.
• Coração acelerado é ansiedade ou
problema no coração? Saiba diferenciar
Sentir
o coração acelerar de repente assusta. Às vezes, acontece antes de uma reunião
importante, durante um susto ou até sem motivo aparente. Em segundos, surge a
pergunta: será que é ansiedade ou algo no coração?
Diferenciar
uma palpitação emocional de uma arritmia cardíaca nem sempre é simples, mas
entender o corpo ajuda a lidar melhor com o sintoma e saber quando buscar ajuda
médica.
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O coração também reage às emoções
Nosso
coração é muito sensível ao que sentimos. Situações de estresse, medo,
preocupação ou até alegria intensa liberam adrenalina, substância que prepara o
corpo para reagir. Esse hormônio faz o coração bater mais rápido, aumenta a
respiração e deixa as mãos suadas. É a chamada resposta de luta ou fuga, um
mecanismo natural.
Em
momentos de ansiedade, essa aceleração costuma começar aos poucos e passar em
minutos, especialmente se a pessoa respira fundo, se acalma ou muda o foco.
Costuma vir acompanhada de sensação de aperto no peito, tremor, falta de ar
leve e um pensamento repetitivo: algo está errado comigo. Na maioria dos casos,
o coração está saudável, apenas reagindo ao turbilhão emocional.
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Quando pode ser um sinal do coração
Mas nem
sempre a palpitação é fruto da mente. Quando o batimento acelera de forma
súbita, sem gatilho emocional, ou vem acompanhado de tontura, falta de ar,
desmaio, suor frio ou dor no peito, é hora de investigar.
As
arritmias cardíacas, como a taquicardia supraventricular ou a fibrilação
atrial, fazem o coração perder o ritmo natural. Elas podem durar segundos ou
horas e, em alguns casos, exigem tratamento específico. Estima-se que cerca de
2% da população tenha algum tipo de arritmia, segundo dados da Sociedade
Brasileira de Cardiologia, e o risco aumenta com a idade, pressão alta e
histórico familiar.
O ponto
principal é observar o padrão: se a palpitação surge de repente, sem relação
com emoções, esforço ou café, e desaparece tão rápido quanto começou, vale
marcar uma consulta com o cardiologista.
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Como o médico descobre a causa
O
primeiro passo é ouvir o relato do paciente. A descrição dos episódios, quando
acontecem, quanto duram e o que a pessoa estava fazendo, já ajuda bastante. Em
seguida, exames simples, como o eletrocardiograma (ECG), podem mostrar se há
alterações no ritmo. Em alguns casos, é preciso usar o Holter, um monitor
portátil que registra o coração por 24 horas ou mais.
Mesmo
que o exame não mostre arritmia, a avaliação nunca é perda de tempo. Muitos
pacientes descobrem que as palpitações têm origem emocional e aprendem a
controlar melhor a ansiedade, o que reduz muito a frequência das crises.
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O que você pode fazer
Enquanto
aguarda a avaliação, vale adotar hábitos que ajudam tanto o coração quanto a
mente:
• Evite excesso de café, bebidas
energéticas e álcool.
• Durma bem e pratique atividades físicas
com regularidade.
• Mantenha uma alimentação equilibrada e
boa hidratação.
• Aprenda técnicas de respiração e
relaxamento, que ajudam a acalmar o ritmo cardíaco.
• E, principalmente, não ignore sintomas
novos ou persistentes, mesmo que a ansiedade pareça a causa mais provável.
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Cuidar do corpo e da mente é o caminho
O
coração é um espelho das emoções. Ele acelera, desacelera, sente. Saber
reconhecer os sinais que ele dá é uma forma de autocuidado. Na dúvida, procure
avaliação médica: é melhor descobrir que está tudo bem do que ignorar um
sintoma importante. Com o equilíbrio entre saúde mental e cardiovascular, o
coração bate mais tranquilo e a vida também.
Fonte:
CNN Brasil

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