segunda-feira, 6 de julho de 2026

'Entre as grandes decadentes': como imprensa internacional reagiu à eliminação do Brasil na Copa 2026

Jornais pelo mundo narraram a eliminação da seleção brasileira na Copa do Mundo 2026 lamentando o desaparecimento da magia que o Brasil proporcionava em outras épocas.

O Brasil ficou nas oitavas de final após perder para a Noruega com dois gols da estrela Erling Haaland. Neymar descontou no final. O jogador brasileiro anunciou depois que estava se despedindo da seleção.

O jornal argentino Olé, conhecido pelas provocações ao Brasil, destacou uma análise em que aponta o fim de um estilo tipicamente brasileiro de jogar futebol.

"Vocês se lembram do Brasil que gostava de ter a bola? Daquele time que cultuava a boa técnica? Das associações criativas e cheias de fantasia? Do futebol total como religião? A modernidade levou tudo isso embora, e esta Seleção joga, vence e perde com uma outra fórmula", diz texto de Diego Macias.

"A recompensa da Noruega foi continuar tentando, sem se prender na defesa, trocar passes e trocar passes. Exatamente como manda a tradição do... Brasil."

A Gazzetta dello Sport, da Itália, disse que nem mesmo Carlo Ancelotti "conseguiu fazer o milagre — o que já diz muito, tratando-se do técnico mais vencedor que existe".

"A era de Ronaldo e Ronaldinho acabou: existe apenas Vinicius."

O jornal disse que "as três maiores seleções históricas são também as grandes decadentes do momento: Brasil, Alemanha e Itália".

Os alemães caíram nas fase 16 Avos para o Paraguai e também foram eliminados nas primeiras fases nas duas Copas anteriores.

O caso da Itália é mais dramático: a tetracampeã não consegue se classificar nas eliminatórias por três Copas consecutivas.

O português A Bola destacou "Schjelderup e Haaland deixam o Brasil lavado em lágrimas", em referência ao reserva que ajudou na classificação norueguesa ao lado do atacante famoso.

O jornal lembra que a seleção estabeleceu um recorde negativo: pela primeira vez na história, Brasil fica seis edições de Copa sem ganhar um título (2006, 2010, 2014, 2018, 2022 e 2026).

O Athletic, o site de esportes do New York Times, perguntou no título da reportagem: "O que deu errado para o Brasil?".

O site esportivo lembra que essa é a pior campanha do Brasil desde a Copa de 1990 na Itália, quando a seleção caiu nas oitavas de final.

O espanhol Marca disse que foi um "triste adeus dos brasileiros à Copa do Mundo. Glória aos surpreendentes vikings de Erling "o Brutal" Haaland. Um atacante destinado a dominar o mundo".

¨      Eliminado pela Noruega de Haaland, Brasil vê futuro de Ancelotti como incerto

Dois gols de Erling Haaland no segundo tempo ajudaram a Noruega a surpreender o Brasil, pentacampeão mundial, e garantir pela primeira vez uma vaga nas quartas de final da Copa do Mundo neste domingo (5/7).

O Brasil lamentou o pênalti desperdiçado por Bruno Guimarães no primeiro tempo. Haaland, que havia tido uma atuação discreta até então, se antecipou ao zagueiro Gabriel para completar um cruzamento de Andreas Schjelderup e colocar a Noruega em vantagem aos 79 minutos.

O atacante do Manchester City confirmou a classificação norueguesa aos 90 minutos, com um belo chute rasteiro de fora da área.

O Brasil ainda conseguiu um segundo pênalti nos acréscimos, após o árbitro Ismail Elfath entender que Leo Ostigard atingiu Casemiro com uma cotovelada. Neymar converteu a cobrança.

Mas o gol foi apenas um momento simbólico. Pouco tempo depois, o árbitro encerrou a partida e o Brasil foi eliminado antes das quartas de final pela primeira vez desde 1990.

Em uma partida movimentada em Nova Jersey, o meio-campista norueguês Patrick Berg balançou as redes logo aos quatro minutos, mas a comemoração foi interrompida quando Alexander Sørloth foi flagrado em posição de impedimento.

Após escapar desse susto inicial, o Brasil teve a chance de abrir o placar quando Kristoffer Ajer derrubou Matheus Cunha com um carrinho dentro da área.

No entanto, aos 15 minutos, o pênalti cobrado por Bruno Guimarães, do Newcastle, foi defendido pelo goleiro norueguês Orjan Nyland, tão decisivo para a vitória quanto Haaland. O goleiro de 35 anos também evitou um gol de Vinicius Jr., após o atacante brasileiro roubar a bola do capitão da Noruega, Martin Ødegaard.

Endrick substituiu Cunha aos 58 minutos e poderia ter aberto o placar em seu primeiro toque na bola, após receber um passe de Vinicius Jr. em profundidade. Porém, o atacante de 19 anos não acertou o alvo mesmo ficando cara a cara com Nyland.

Carlo Ancelotti lançou Neymar em campo dez minutos depois, mas a Noruega criou as melhores oportunidades no último quarto de jogo. Alisson fez uma defesa em chute de Schjelderup antes de o ponta do Benfica cruzar para Haaland marcar de cabeça.

Nyland voltou a ser exigido aos 86 minutos, desviando para a trave uma tentativa despretensiosa que encobria o goleiro. Pouco depois, Haaland marcou seu segundo gol da partida e chegou a sete gols, igualando Kylian Mbappé, da França, e Lionel Messi, da Argentina, na disputa pela Chuteira de Ouro.

<><> Análise: debate sobre permanência do técnico deve ser antecipado

Todos os olhares estavam voltados para Haaland e para o zagueiro do Arsenal, Gabriel, à medida que eles renovavam uma rivalidade já bastante conhecida pelos fãs da Premier League.

A dupla protagonizou vários confrontos intensos defendendo seus clubes, e esse reencontro no cenário internacional carregava grande expectativa.

Mas o duelo demorou a ganhar intensidade.

O primeiro embate entre os dois só aconteceu após a marca dos 30 minutos e terminou com Gabriel caído no gramado, enquanto o único toque de Haaland dentro da área durante um discreto primeiro tempo resultou apenas em uma finalização fraca, defendida sem dificuldades por Alisson.

À medida que a partida avançava, também crescia a ameaça representada por Haaland.

Aos 67 minutos, o atacante de 25 anos se antecipou a Douglas Santos e quase chegou para completar na segunda trave um cruzamento de Kristoffer Ajer. Doze minutos depois veio o momento decisivo: ele venceu Gabriel na disputa pelo cabeceio que abriu o placar.

E, em um aviso para um possível próximo adversário, a Inglaterra, Haaland marcou o segundo gol praticamente por conta própria, chegando a sete gols em apenas quatro partidas no torneio.

Já para o Brasil, a derrota deve colocar em dúvida o futuro do técnico Carlo Ancelotti.

A seleção brasileira teve apenas 33,5% de posse de bola e ameaçou principalmente em contra-ataques, mas desperdiçou as poucas oportunidades que criou.

O Brasil finalizou 14 vezes durante a partida, com apenas quatro chutes na direção do gol, produzindo um índice de gols esperados (xG) de 2,73. A Noruega, por sua vez, registrou um xG de apenas 0,84.

O italiano Ancelotti assumiu o comando da seleção em maio de 2025, após sua saída do Real Madrid, e ajudou o Brasil a garantir a classificação para a Copa do Mundo.

Seu contrato vai até 2030, mas a forma como aconteceu esta eliminação fará com que o debate sobre seu futuro comece muito antes do que qualquer pessoa no Brasil imaginava.

 

Fonte: BBC News Brasil

 

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