terça-feira, 7 de julho de 2026

Brasil agora pode pensar futuro sem Neymar, diz Tim Vickery

O Brasil tem grandes problemas.

Durante parte do jogo contra a Noruega, tive a impressão de que o Brasil vivia um bom momento, estava se encontrando e parecia que venceria novamente.

O lance do pênalti no primeiro tempo surgiu de um aspecto positivo do jogo ofensivo brasileiro: a movimentação constante.

Com Rayan aberto pela direita e Vini, Cunha e Martinelli trocando de posições, o Brasil criou uma ideia interessante e, a partir dela, conquistou o pênalti. No entanto, é preciso dar mérito ao goleiro, que manteve o placar em 0 a 0.

A Noruega chegou a marcar muito cedo, mas o gol foi anulado por impedimento. Ainda assim, ficou evidente um problema: o atacante ganhou as costas de Casemiro.

Com todas as suas virtudes, Casemiro sofre para defender em espaço aberto. Por isso, o Brasil passou a defender com quase todos atrás da linha da bola, tentando proteger esse espaço, enquanto acabava assistindo ao jogo da Noruega.

Também fez falta Lucas Paquetá. Sem ele, o Brasil perdeu capacidade de elaboração. O jogo ficou restrito à verticalidade.

Houve oportunidades, mas, no intervalo, o técnico da Noruega ajustou a equipe, colocou jogadores com mais fôlego para defender esses espaços e dificultou ainda mais o jogo brasileiro.

É impressionante ver uma seleção brasileira trocar aproximadamente metade do número de passes do adversário. O que aconteceu com o meio-campo do Brasil?

A seleção pela qual me apaixonei — era jovem demais para 1970, mas especialmente a de 1982 — tinha justamente no meio-campo o seu setor mais forte. Hoje, embora ainda existam muito talento e grandes jogadores, predominam atletas de características verticais, e não de elaboração.

Isso também leva à conclusão de que talvez a convocação para o meio-campo não tenha sido a melhor. Antes da Copa, quando Wesley, lateral-direito, se machucou, Carlo Ancelotti convocou mais um meio-campista, numa espécie de reconhecimento de que havia errado na composição do setor.

O meio-campo é a alma do time, e o Brasil precisa repensar profundamente a forma como joga nessa faixa do campo.

Há, porém, um aspecto sobre o qual o Brasil não precisa mais pensar: Neymar. Na minha opinião, e digo isso com todo respeito, ele não deveria ter ido para a Copa.

Ancelotti havia estabelecido critérios claros: seria preciso merecer a convocação. Neymar vinha de lesão, entrou contra a Escócia e ficou evidente que estava muito fora de forma.

Era o mesmo jogador que vínhamos vendo ao longo do ano. Não sei se sua convocação teve relação com questões de imagem ou relações públicas. No Brasil, é difícil separar essas forças.

Eu imaginava que não veríamos mais Neymar nessas circunstâncias. Quando ele entrou, porém, o time perdeu suas características.

Neymar já não volta para defender, não tem mais velocidade nem mobilidade. Atuando como centroavante, acabou afastando Vini e Endrick da área, justamente onde eles rendem mais. Com isso, a equipe ficou mais aberta.

Neymar ainda marcou de pênalti no fim. Na minha visão, talvez até devesse ter sido expulso por um lance de descontrole. Digo tudo isso com respeito, porque Neymar foi um jogador de habilidade extraordinária, maravilhoso. Mas essa página está virada. O Brasil pode pensar no futuro sem ele.

Quanto a Ancelotti, continua sendo um técnico magnífico, e sua trajetória comprova isso. Mas o Brasil não precisa mais de um Band-aid, precisa de uma cirurgia. Precisa de um projeto de longo prazo. Ancelotti é o homem certo para conduzir esse processo? Não sei.

Perder para a Noruega, sem sequer chegar às quartas de final, será algo que levará tempo para ser assimilado.

•        Neymar anuncia aposentadoria da seleção

Neymar anunciou sua aposentadoria da Seleção Brasileira neste domingo (5), logo após a eliminação do Brasil para a Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo. Emocionado, o atacante de 34 anos confirmou o encerramento de sua trajetória com a camisa amarelinha ao fim da partida disputada no MetLife Stadium.

Apesar de ter marcado um gol nos minutos finais do confronto, Neymar não conseguiu evitar a derrota brasileira e aproveitou o momento para comunicar sua decisão definitiva sobre o futuro na seleção.

Em declaração após a partida, o camisa 10 resumiu o sentimento de quem perseguiu durante anos o sonho do título mundial com o Brasil.

“Eu tentei, eu tentei. Agora acabou. Comecei aqui e termino aqui”, afirmou o jogador.

A frase faz referência ao MetLife Stadium, palco de sua estreia pela Seleção Brasileira em 2010, em um amistoso contra os Estados Unidos. Dezesseis anos depois, o mesmo estádio se tornou o cenário de sua despedida da equipe nacional.

Neymar encerra sua passagem pela Seleção Brasileira com números expressivos. Ao longo da carreira internacional, disputou 130 partidas, marcou 80 gols e distribuiu 58 assistências, consolidando-se como um dos principais nomes do futebol brasileiro no século XXI.

Sua trajetória pela equipe principal teve como principal conquista a Copa das Confederações de 2013, torneio em que foi protagonista da campanha vitoriosa do Brasil. Além disso, o atacante conquistou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro, um dos momentos mais marcantes de sua carreira com a camisa nacional.

Desde sua estreia em 2010, Neymar participou de diferentes ciclos da Seleção Brasileira e carregou a responsabilidade de liderar a equipe em competições internacionais. Ao longo dos anos, tornou-se referência técnica da equipe e uma das figuras mais populares do futebol mundial.

No entanto, o sonho de conquistar uma Copa do Mundo com o Brasil não se concretizou. A derrota para a Noruega nas oitavas de final marcou o encerramento de uma trajetória que atravessou gerações e que ficará registrada como uma das mais relevantes da história recente da Seleção Brasileira.

Com a aposentadoria anunciada neste domingo, Neymar se despede da equipe nacional deixando um legado construído ao longo de mais de uma década de protagonismo, recordes e momentos marcantes com a camisa verde e amarela.

•        'Seleção brasileira virou uma marca em vez de um time?', questiona jornal britânico

A derrota do Brasil para a Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo 2026 levantou questionamentos sobre o futebol brasileiro em artigos publicados por jornais e sites no exterior. A seleção foi eliminada no domingo (05/07) ao ser derrotada por 2 a 1 pelos noruegueses em Nova Jersey (EUA).

O jornal britânico The Guardian publicou um artigo intitulado: "A eliminação do Brasil na Copa do Mundo levanta uma questão: será que eles são mais uma marca do que um time?"

No texto, o jornalista Leander Schaerlaeckens diz que a Noruega fez por merecer a vaga conquistada nas quartas de final, e que a vitória sobre o Brasil não foi uma zebra.

"Isso deixa sem uma resposta clara — e de forma frustrante — a questão de saber se o Brasil é mais uma marca do que um time", escreve.

"A seleção continua sendo a referência máxima no futebol internacional em termos de alto astral, simpatia global e, claro, história. No entanto, já faz bastante tempo que a equipe não faz jus aos seus próprios padrões elevados."

"O título da Copa América de 2019 — o primeiro em doze anos — foi precedido e sucedido por três fracassos consecutivos em sequer chegar às semifinais da Copa do Mundo. E a última semifinal que disputaram também não foi lá muito brilhante", escreve, em referência ao 7 a 1 sofrido para a Alemanha na Copa de 2014.

O jornalista escreve no Guardian que o conjunto brasileiro era "decididamente mediano" e que teve postura "indecisa" e "reativa" na Copa.

"O Brasil levou uma equipe incompleta para a América do Norte. Endrick, aos 19 anos, não estava pronto para esse palco e, por isso, o Brasil careceu de um centroavante que desse conta do recado. O meio-campo dependia de pernas cansadas e de uma criatividade apenas mediana", escreve o jornal.

Outros veículos de imprensa também repercutiram a derrota brasileira.

O jornal espanhol El País publicou um artigo intitulado: "O martelo viking de Haaland destrói o Brasil de Ancelotti".

"Primeiro vieram as defesas de Nyland, incluindo uma defesa de pênalti contra Bruno Guimarães, e depois o ataque implacável de Haaland liquidou o Brasil de Carlo Ancelotti. Dois chutes, dois gols", escreve o jornal espanhol.

"O norueguês foi um monstro na área, com a cabeça e com os pés. Dois chutes e dois gols históricos."

"O plano do italiano de construir um time competitivo no contra-ataque terminou nas oitavas de final. A eficiência e o pragmatismo que ele buscava foram personificados por Haaland em vez de Vinicius."

O jornal diz que o pênalti de Neymar no último minuto do jogo foi o ato final de "uma seleção brasileira com o menor número de estrelas em sua história".

O jornal francês Le Monde destacou que "um Brasil em declínio" foi eliminado "por uma Noruega pragmática".

"O Brasil foi eliminado da Copa do Mundo no domingo, em Nova Jersey, e não foi uma façanha da Noruega, que se mostrou mais pragmática do que brilhante, mas simplesmente o resultado lógico do declínio da seleção mais vitoriosa da história, que não chegará às quartas de final pela primeira vez desde 1990", escreveu o jornal.

Segundo o Le Monde, o gol de consolação de Neymar "pareceu quase um detalhe", já que "este Brasil não demonstrou condições de ir mais longe".

A revista alemã Der Spiegel escreveu um artigo intitulado: "Uma era está chegando ao fim no Brasil. E isso é algo bom".

"O Brasil foi eliminado da Copa do Mundo mais cedo do que em qualquer outro momento nos últimos 36 anos. Neymar chorou amargamente e deixou a seleção. Essa é uma boa notícia para a Seleção", escreveu a revista, em um artigo que analisa a renovação que o Brasil terá de fazer após a Copa.

O tabloide britânico The Sun destacou um gesto de Vini Jr, que interrompeu uma entrevista do atacante norueguês Haaland para parabenizá-lo.

"Foi um gesto de muita classe, vindo de alguém que certamente estava sofrendo após a eliminação de seu país da Copa do Mundo", escreveu o jornal.

<><> 'Vocês se lembram do Brasil que gostava de ter a bola?'

Logo após a partida, diversos sites pelo mundo noticiaram a eliminação da seleção brasileira lamentando o desaparecimento da magia que o Brasil proporcionava em outras épocas.

O jornal argentino Olé, conhecido pelas provocações ao Brasil, destacou uma análise em que aponta o fim de um estilo tipicamente brasileiro de jogar futebol.

"Vocês se lembram do Brasil que gostava de ter a bola? Daquele time que cultuava a boa técnica? Das associações criativas e cheias de fantasia? Do futebol total como religião? A modernidade levou tudo isso embora, e esta Seleção joga, vence e perde com uma outra fórmula", diz texto de Diego Macias.

"A recompensa da Noruega foi continuar tentando, sem se prender na defesa, trocar passes e trocar passes. Exatamente como manda a tradição do... Brasil."

A Gazzetta dello Sport, da Itália, disse que nem mesmo Carlo Ancelotti "conseguiu fazer o milagre — o que já diz muito, tratando-se do técnico mais vencedor que existe".

"A era de Ronaldo e Ronaldinho acabou: existe apenas Vinicius."

O jornal disse que "as três maiores seleções históricas são também as grandes decadentes do momento: Brasil, Alemanha e Itália".

Os alemães caíram nas fase 16 Avos para o Paraguai e também foram eliminados nas primeiras fases nas duas Copas anteriores.

O caso da Itália é mais dramático: a tetracampeã não consegue se classificar nas eliminatórias por três Copas consecutivas.

O português A Bola destacou "Schjelderup e Haaland deixam o Brasil lavado em lágrimas", em referência ao reserva que ajudou na classificação norueguesa ao lado do atacante famoso.

O jornal lembra que a seleção estabeleceu um recorde negativo: pela primeira vez na história, Brasil fica seis edições de Copa sem ganhar um título (2006, 2010, 2014, 2018, 2022 e 2026).

O Athletic, o site de esportes do New York Times, perguntou no título da reportagem: "O que deu errado para o Brasil?".

O site esportivo lembra que essa é a pior campanha do Brasil desde a Copa de 1990 na Itália, quando a seleção caiu nas oitavas de final.

O espanhol Marca disse que foi um "triste adeus dos brasileiros à Copa do Mundo. Glória aos surpreendentes vikings de Erling "o Brutal" Haaland. Um atacante destinado a dominar o mundo".

 

Fonte: BBC News Brasil

 

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