Brasil
agora pode pensar futuro sem Neymar, diz Tim Vickery
O
Brasil tem grandes problemas.
Durante
parte do jogo contra a Noruega, tive a impressão de que o Brasil vivia um bom
momento, estava se encontrando e parecia que venceria novamente.
O lance
do pênalti no primeiro tempo surgiu de um aspecto positivo do jogo ofensivo
brasileiro: a movimentação constante.
Com
Rayan aberto pela direita e Vini, Cunha e Martinelli trocando de posições, o
Brasil criou uma ideia interessante e, a partir dela, conquistou o pênalti. No
entanto, é preciso dar mérito ao goleiro, que manteve o placar em 0 a 0.
A
Noruega chegou a marcar muito cedo, mas o gol foi anulado por impedimento.
Ainda assim, ficou evidente um problema: o atacante ganhou as costas de
Casemiro.
Com
todas as suas virtudes, Casemiro sofre para defender em espaço aberto. Por
isso, o Brasil passou a defender com quase todos atrás da linha da bola,
tentando proteger esse espaço, enquanto acabava assistindo ao jogo da Noruega.
Também
fez falta Lucas Paquetá. Sem ele, o Brasil perdeu capacidade de elaboração. O
jogo ficou restrito à verticalidade.
Houve
oportunidades, mas, no intervalo, o técnico da Noruega ajustou a equipe,
colocou jogadores com mais fôlego para defender esses espaços e dificultou
ainda mais o jogo brasileiro.
É
impressionante ver uma seleção brasileira trocar aproximadamente metade do
número de passes do adversário. O que aconteceu com o meio-campo do Brasil?
A
seleção pela qual me apaixonei — era jovem demais para 1970, mas especialmente
a de 1982 — tinha justamente no meio-campo o seu setor mais forte. Hoje, embora
ainda existam muito talento e grandes jogadores, predominam atletas de
características verticais, e não de elaboração.
Isso
também leva à conclusão de que talvez a convocação para o meio-campo não tenha
sido a melhor. Antes da Copa, quando Wesley, lateral-direito, se machucou,
Carlo Ancelotti convocou mais um meio-campista, numa espécie de reconhecimento
de que havia errado na composição do setor.
O
meio-campo é a alma do time, e o Brasil precisa repensar profundamente a forma
como joga nessa faixa do campo.
Há,
porém, um aspecto sobre o qual o Brasil não precisa mais pensar: Neymar. Na
minha opinião, e digo isso com todo respeito, ele não deveria ter ido para a
Copa.
Ancelotti
havia estabelecido critérios claros: seria preciso merecer a convocação. Neymar
vinha de lesão, entrou contra a Escócia e ficou evidente que estava muito fora
de forma.
Era o
mesmo jogador que vínhamos vendo ao longo do ano. Não sei se sua convocação
teve relação com questões de imagem ou relações públicas. No Brasil, é difícil
separar essas forças.
Eu
imaginava que não veríamos mais Neymar nessas circunstâncias. Quando ele
entrou, porém, o time perdeu suas características.
Neymar
já não volta para defender, não tem mais velocidade nem mobilidade. Atuando
como centroavante, acabou afastando Vini e Endrick da área, justamente onde
eles rendem mais. Com isso, a equipe ficou mais aberta.
Neymar
ainda marcou de pênalti no fim. Na minha visão, talvez até devesse ter sido
expulso por um lance de descontrole. Digo tudo isso com respeito, porque Neymar
foi um jogador de habilidade extraordinária, maravilhoso. Mas essa página está
virada. O Brasil pode pensar no futuro sem ele.
Quanto
a Ancelotti, continua sendo um técnico magnífico, e sua trajetória comprova
isso. Mas o Brasil não precisa mais de um Band-aid, precisa de uma cirurgia.
Precisa de um projeto de longo prazo. Ancelotti é o homem certo para conduzir
esse processo? Não sei.
Perder
para a Noruega, sem sequer chegar às quartas de final, será algo que levará
tempo para ser assimilado.
• Neymar anuncia aposentadoria da seleção
Neymar
anunciou sua aposentadoria da Seleção Brasileira neste domingo (5), logo após a
eliminação do Brasil para a Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo.
Emocionado, o atacante de 34 anos confirmou o encerramento de sua trajetória
com a camisa amarelinha ao fim da partida disputada no MetLife Stadium.
Apesar
de ter marcado um gol nos minutos finais do confronto, Neymar não conseguiu
evitar a derrota brasileira e aproveitou o momento para comunicar sua decisão
definitiva sobre o futuro na seleção.
Em
declaração após a partida, o camisa 10 resumiu o sentimento de quem perseguiu
durante anos o sonho do título mundial com o Brasil.
“Eu
tentei, eu tentei. Agora acabou. Comecei aqui e termino aqui”, afirmou o
jogador.
A frase
faz referência ao MetLife Stadium, palco de sua estreia pela Seleção Brasileira
em 2010, em um amistoso contra os Estados Unidos. Dezesseis anos depois, o
mesmo estádio se tornou o cenário de sua despedida da equipe nacional.
Neymar
encerra sua passagem pela Seleção Brasileira com números expressivos. Ao longo
da carreira internacional, disputou 130 partidas, marcou 80 gols e distribuiu
58 assistências, consolidando-se como um dos principais nomes do futebol
brasileiro no século XXI.
Sua
trajetória pela equipe principal teve como principal conquista a Copa das
Confederações de 2013, torneio em que foi protagonista da campanha vitoriosa do
Brasil. Além disso, o atacante conquistou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos
de 2016, no Rio de Janeiro, um dos momentos mais marcantes de sua carreira com
a camisa nacional.
Desde
sua estreia em 2010, Neymar participou de diferentes ciclos da Seleção
Brasileira e carregou a responsabilidade de liderar a equipe em competições
internacionais. Ao longo dos anos, tornou-se referência técnica da equipe e uma
das figuras mais populares do futebol mundial.
No
entanto, o sonho de conquistar uma Copa do Mundo com o Brasil não se
concretizou. A derrota para a Noruega nas oitavas de final marcou o
encerramento de uma trajetória que atravessou gerações e que ficará registrada
como uma das mais relevantes da história recente da Seleção Brasileira.
Com a
aposentadoria anunciada neste domingo, Neymar se despede da equipe nacional
deixando um legado construído ao longo de mais de uma década de protagonismo,
recordes e momentos marcantes com a camisa verde e amarela.
• 'Seleção brasileira virou uma marca em
vez de um time?', questiona jornal britânico
A
derrota do Brasil para a Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo 2026
levantou questionamentos sobre o futebol brasileiro em artigos publicados por
jornais e sites no exterior. A seleção foi eliminada no domingo (05/07) ao ser
derrotada por 2 a 1 pelos noruegueses em Nova Jersey (EUA).
O
jornal britânico The Guardian publicou um artigo intitulado: "A eliminação
do Brasil na Copa do Mundo levanta uma questão: será que eles são mais uma
marca do que um time?"
No
texto, o jornalista Leander Schaerlaeckens diz que a Noruega fez por merecer a
vaga conquistada nas quartas de final, e que a vitória sobre o Brasil não foi
uma zebra.
"Isso
deixa sem uma resposta clara — e de forma frustrante — a questão de saber se o
Brasil é mais uma marca do que um time", escreve.
"A
seleção continua sendo a referência máxima no futebol internacional em termos
de alto astral, simpatia global e, claro, história. No entanto, já faz bastante
tempo que a equipe não faz jus aos seus próprios padrões elevados."
"O
título da Copa América de 2019 — o primeiro em doze anos — foi precedido e
sucedido por três fracassos consecutivos em sequer chegar às semifinais da Copa
do Mundo. E a última semifinal que disputaram também não foi lá muito
brilhante", escreve, em referência ao 7 a 1 sofrido para a Alemanha na
Copa de 2014.
O
jornalista escreve no Guardian que o conjunto brasileiro era
"decididamente mediano" e que teve postura "indecisa" e
"reativa" na Copa.
"O
Brasil levou uma equipe incompleta para a América do Norte. Endrick, aos 19
anos, não estava pronto para esse palco e, por isso, o Brasil careceu de um
centroavante que desse conta do recado. O meio-campo dependia de pernas
cansadas e de uma criatividade apenas mediana", escreve o jornal.
Outros
veículos de imprensa também repercutiram a derrota brasileira.
O
jornal espanhol El País publicou um artigo intitulado: "O martelo viking
de Haaland destrói o Brasil de Ancelotti".
"Primeiro
vieram as defesas de Nyland, incluindo uma defesa de pênalti contra Bruno
Guimarães, e depois o ataque implacável de Haaland liquidou o Brasil de Carlo
Ancelotti. Dois chutes, dois gols", escreve o jornal espanhol.
"O
norueguês foi um monstro na área, com a cabeça e com os pés. Dois chutes e dois
gols históricos."
"O
plano do italiano de construir um time competitivo no contra-ataque terminou
nas oitavas de final. A eficiência e o pragmatismo que ele buscava foram
personificados por Haaland em vez de Vinicius."
O
jornal diz que o pênalti de Neymar no último minuto do jogo foi o ato final de
"uma seleção brasileira com o menor número de estrelas em sua
história".
O
jornal francês Le Monde destacou que "um Brasil em declínio" foi
eliminado "por uma Noruega pragmática".
"O
Brasil foi eliminado da Copa do Mundo no domingo, em Nova Jersey, e não foi uma
façanha da Noruega, que se mostrou mais pragmática do que brilhante, mas
simplesmente o resultado lógico do declínio da seleção mais vitoriosa da
história, que não chegará às quartas de final pela primeira vez desde
1990", escreveu o jornal.
Segundo
o Le Monde, o gol de consolação de Neymar "pareceu quase um detalhe",
já que "este Brasil não demonstrou condições de ir mais longe".
A
revista alemã Der Spiegel escreveu um artigo intitulado: "Uma era está
chegando ao fim no Brasil. E isso é algo bom".
"O
Brasil foi eliminado da Copa do Mundo mais cedo do que em qualquer outro
momento nos últimos 36 anos. Neymar chorou amargamente e deixou a seleção. Essa
é uma boa notícia para a Seleção", escreveu a revista, em um artigo que
analisa a renovação que o Brasil terá de fazer após a Copa.
O
tabloide britânico The Sun destacou um gesto de Vini Jr, que interrompeu uma
entrevista do atacante norueguês Haaland para parabenizá-lo.
"Foi
um gesto de muita classe, vindo de alguém que certamente estava sofrendo após a
eliminação de seu país da Copa do Mundo", escreveu o jornal.
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'Vocês se lembram do Brasil que gostava de ter a bola?'
Logo
após a partida, diversos sites pelo mundo noticiaram a eliminação da seleção
brasileira lamentando o desaparecimento da magia que o Brasil proporcionava em
outras épocas.
O
jornal argentino Olé, conhecido pelas provocações ao Brasil, destacou uma
análise em que aponta o fim de um estilo tipicamente brasileiro de jogar
futebol.
"Vocês
se lembram do Brasil que gostava de ter a bola? Daquele time que cultuava a boa
técnica? Das associações criativas e cheias de fantasia? Do futebol total como
religião? A modernidade levou tudo isso embora, e esta Seleção joga, vence e
perde com uma outra fórmula", diz texto de Diego Macias.
"A
recompensa da Noruega foi continuar tentando, sem se prender na defesa, trocar
passes e trocar passes. Exatamente como manda a tradição do... Brasil."
A
Gazzetta dello Sport, da Itália, disse que nem mesmo Carlo Ancelotti
"conseguiu fazer o milagre — o que já diz muito, tratando-se do técnico
mais vencedor que existe".
"A
era de Ronaldo e Ronaldinho acabou: existe apenas Vinicius."
O
jornal disse que "as três maiores seleções históricas são também as
grandes decadentes do momento: Brasil, Alemanha e Itália".
Os
alemães caíram nas fase 16 Avos para o Paraguai e também foram eliminados nas
primeiras fases nas duas Copas anteriores.
O caso
da Itália é mais dramático: a tetracampeã não consegue se classificar nas
eliminatórias por três Copas consecutivas.
O
português A Bola destacou "Schjelderup e Haaland deixam o Brasil lavado em
lágrimas", em referência ao reserva que ajudou na classificação norueguesa
ao lado do atacante famoso.
O
jornal lembra que a seleção estabeleceu um recorde negativo: pela primeira vez
na história, Brasil fica seis edições de Copa sem ganhar um título (2006, 2010,
2014, 2018, 2022 e 2026).
O
Athletic, o site de esportes do New York Times, perguntou no título da
reportagem: "O que deu errado para o Brasil?".
O site
esportivo lembra que essa é a pior campanha do Brasil desde a Copa de 1990 na
Itália, quando a seleção caiu nas oitavas de final.
O
espanhol Marca disse que foi um "triste adeus dos brasileiros à Copa do
Mundo. Glória aos surpreendentes vikings de Erling "o Brutal"
Haaland. Um atacante destinado a dominar o mundo".
Fonte:
BBC News Brasil

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