terça-feira, 7 de julho de 2026

Mil dias de fracassos de Israel na Faixa de Gaza

O 3 de julho marca mil dias do início da guerra genocida em Gaza. E impõe a constatação de que Israel acumulou uma superioridade militar avassaladora, mas não alcançou seu principal objetivo político.

A destruição foi imensa, a tragédia humanitária alcançou níveis sem precedentes e milhares de vidas foram perdidas. Ainda assim, a questão palestina permanece viva, a Resistência continua atuando e a Palestina ocupa hoje um espaço ainda maior na agenda internacional.

Desde 1948, sucessivos governos israelenses buscaram resolver o conflito pela força. Em Gaza, a estratégia voltou a apostar que a superioridade militar seria suficiente para eliminar a resistência e encerrar definitivamente a reivindicação nacional palestina. 

Mil dias depois, essa expectativa não se confirmou. 

A guerra devastou cidades inteiras, mas não destruiu a identidade de um povo nem sua aspiração à autodeterminação. Essa é a principal lição do conflito. 

Guerras podem produzir vitórias táticas, mas nem sempre alcançam seus objetivos estratégicos. A experiência histórica demonstra que nenhum poder militar consegue extinguir uma causa nacional sustentada por memória, pertencimento e vontade política.

A guerra também colocou em xeque a capacidade de dissuasão do regime sionista, um dos pilares da estratégia israelense.

Durante décadas, a superioridade tecnológica e militar foi apresentada como garantia de segurança e estabilidade regional. 

Entretanto, um conflito prolongado, a permanência da resistência e a abertura de múltiplas frentes de tensão alimentaram um debate crescente sobre os limites desse modelo.

A força continua existindo. A capacidade de Israel produzir soluções políticas, porém, tornou-se muito mais questionada.

Ao mesmo tempo, Israel enfrenta um desgaste internacional sem precedentes. 

O país mantém importantes aliados, sobretudo os Estados Unidos, mas sua imagem política e moral passou a ser submetida a um intenso escrutínio global. 

As críticas em organismos internacionais, o aumento das ações judiciais, a mobilização de universidades, sindicatos e movimentos sociais, revelam uma mudança profunda na percepção pública do conflito.

Talvez esta seja a maior derrota política produzida pela guerra.

A Palestina deixou de ser vista apenas como um conflito regional e tornou-se um símbolo global das lutas por autodeterminação, justiça e igualdade na aplicação do Direito Internacional. 

Sua bandeira passou a representar, para milhões de pessoas, a denúncia do colonialismo, da ocupação e da seletividade com que normas internacionais são aplicadas.

Os mil dias de guerra também expuseram a crise da ordem internacional construída após a Segunda Guerra Mundial.

Enquanto aumentavam as denúncias sobre violações do Direito Internacional Humanitário, crescia a percepção, especialmente entre os países do Sul Global, de que as instituições multilaterais são incapazes de responder com a mesma firmeza quando os interesses das grandes potências estão em jogo.

Essa crise de credibilidade fortaleceu o debate sobre uma ordem internacional mais multipolar e menos seletiva.

A grande ironia desses mil dias é que a estratégia destinada a marginalizar a Palestina produziu o efeito inverso.

Nunca a causa palestina mobilizou tantas manifestações, debates acadêmicos, campanhas internacionais e solidariedade popular em diferentes continentes. Gaza tornou-se um símbolo político mundial.

O legado desses mil dias vai muito além do campo de batalha. A guerra demonstrou que a superioridade militar não basta para resolver conflitos de natureza histórica e nacional.

Mais do que isso, revelou que a legitimidade política e moral se tornou um elemento tão decisivo quanto o poder das armas.

A Palestina continua sem um Estado soberano, mas sua causa jamais esteve tão presente na consciência política mundial.

Os primeiros mil dias desta guerra demonstraram que um regime de ocupação pode reduzir cidades a escombros, mas jamais conseguirá demolir a identidade, a memória e o direito de um povo originário à liberdade e à autodeterminação.

¨      Crise financeira de agência da ONU deixa milhões de palestinos em risco

O Secretário-Geral das Nações Unidas , António Guterres, informou a Assembleia Geral que a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Próximo ( UNRWA ) necessita urgentemente de US$ 100 milhões (cerca de R$ 520 milhões) para resolver uma grave crise de liquidez que atingiu um ponto crítico, pondo em risco o atendimento a milhões de palestinos.

Durante a reunião extraordinária sobre contribuições voluntárias realizada na última terça-feira , Guterres alertou que a situação da agência está se tornando cada vez mais precária devido a uma significativa falta de recursos e às severas restrições no território palestino ocupado. A crise põe em risco a capacidade da UNRWA de cumprir seu mandato.

O Secretário-Geral enfatizou que a agência não pode continuar a operar sem o apoio urgente e o suporte financeiro dos Estados-Membros.

O porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric, confirmou que os resultados desta sessão extraordinária determinarão se a agência sobreviverá à sua atual crise existencial. Para gerir o défice orçamental, a UNRWA reduziu o seu horário de trabalho em 20%, cortou os salários locais e deixou 15% dos seus cargos internacionais por preencher.

<><> Campanha israelense busca desmantelar ajuda da ONU

A situação financeira ocorre num cenário em que as autoridades israelenses estão conduzindo uma campanha sistemática com o objetivo de desmantelar a presença da ONU nos territórios palestinos ocupados.

Por meio da aprovação de leis e proibições, Israel busca eliminar as agências responsáveis ​​por fornecer assistência médica, educação e serviços sociais a mais de 2,6 milhões de palestinos na Faixa de Gaza, na Cisjordânia ocupada, na Jordânia, no Líbano e na Síria.

Em janeiro de 2024, um grupo de nações ocidentais suspendeu seu apoio financeiro à UNRWA após acusações israelenses que apontavam uma dúzia dos 13.000 funcionários regionais como supostamente envolvidos na operação do Hamas em 7 de outubro de 2023.

Mais de 15 países ocidentais, incluindo os Estados Unidos, a Alemanha, o Reino Unido, o Canadá, a Austrália, a Itália e a França, congelaram o financiamento . Israel não apresentou provas das ligações da UNRWA com grupos armados. Várias nações retomaram gradualmente as contribuições, mas os Estados Unidos mantêm a proibição.

As ações contra organizações internacionais se intensificaram em janeiro de 2026 , quando Israel rompeu relações com sete agências da ONU e organizações internacionais , alegando suposto viés anti-Israel. Durante o mesmo período, as forças israelenses invadiram e demoliram a sede da UNRWA em Jerusalém Oriental ocupada.

O Comissário-Geral da UNRWA, Philippe Lazzarini, denunciou em comunicado que permitir essa destruição sem precedentes constitui o mais recente ataque à ONU, inserido na tentativa contínua de desmantelar o estatuto dos refugiados palestinos no território palestino ocupado e apagar a sua história.

<><> Ataques mortais contra trabalhadores e redes de ajuda humanitária

A ofensiva contra as instituições da ONU intensificou-se depois de uma Comissão Independente de Inquérito da ONU ter anunciado oficialmente, em setembro de 2025, que Israel cometeu genocídio em Gaza.

Em maio de 2025, a rede tradicional de distribuição de ajuda alimentar da ONU, que operava em cerca de 400 pontos na Faixa de Gaza, foi desmantelada e substituída pela Fundação Humanitária de Gaza (GHF), uma entidade apoiada pelos EUA e por Israel que estabeleceu apenas quatro locais em áreas remotas.

Durante o período operacional de seis meses do Fundo Global para a Paz (GHF), de maio a outubro de 2025, mais de 2.000 civis palestinos foram mortos por disparos militares israelenses, grupos armados e contratados privados dentro e ao redor das zonas de distribuição. No decorrer do genocídio israelense em Gaza, as forças militares israelenses mataram pelo menos 382 funcionários das Nações Unidas.

¨      Milhões de iranianos pedem ‘vingança’ contra EUA e Israel na cerimônia fúnebre de Ali Khamenei

O Irã deu oficialmente início neste sábado (04/07) à cerimônia fúnebre do ex-líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, assassinado em um ataque conjunto envolvendo Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro. As celebrações, que devem durar seis dias, começam na capital Teerã, e posteriormente são continuadas em Qom. O sepultamento, por fim, será realizado na próxima quarta-feira (09/07), no santuário do Imã Reza, na cidade sagrada de Mashhad.

A expectativa, conforme a emissora catari Al Jazeera, é de que o evento reúna entre dez milhões e vinte milhões de pessoas. Imagens veiculadas pela mídia internacional mostram, logo nas primeiras horas do dia, uma concentração de pessoas enlutadas segurando retratos do líder mártir e faixas vermelhas que simbolizam pedidos de vingança, no pátio da Grande Mesquita de Teerã, antes da chegada do caixão de Khamenei.

De acordo com a agência Tasnim, multidões entoavam apelos de vingança contra os Estados Unidos e Israel enquanto declaravam seu juramento de lealdade ao sucessor Motjaba Khamenei.

Mais cedo, o comandante da Marinha do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, na sigla em inglês), Alireza Azmaei, declarou que a “vingança divina” contra os Estados Unidos e Israel não está distante.

“Estamos confiantes de que a vingança divina contra a América terrorista e o regime sionista ilegítimo não está longe”, disse o comandante, em um comunicado publicado pela agência iraniana Mehr, descrevendo os norte-americanos e israelenses, responsáveis pela morte de Khamenei, como “seres humanos mais perversos e miseráveis da terra”.

“Esses agentes cegos de arrogância devem saber que, com esse ato desesperado, não apenas falharam em criar um obstáculo no caminho da verdade, mas também se expuseram e condenaram ainda mais diante da justiça divina e diante da ira e da dura vingança desta nação”, declarou.

<><> Esquema de segurança

As medidas necessárias de segurança, incluindo o reforço na vigilância do espaço aéreo e controle de tráfego aéreo, já foram acionadas no país persa antes do início oficial da cerimônia pública. Helicópteros também participam para eventuais evacuações médicas em coordenação com entidades como a Organização de Socorro e Resgate e o Crescente Vermelho iraniano. Além disso, o tráfego na capital está controlado. De acordo com o governador de Teerã, Mohammad Sadegh Motamediyan, toda a província estará fechada de sábado a terça-feira (07/07).

Antes do sepultamento em Mashhad, cidade natal de Ali Khamenei, o funeral se estenderá por diversas cidades iranianas e iraquianas. Outros familiares do ex-líder supremo também foram assassinados no mesmo bombardeio norte-americano e israelense, e seus corpos foram preservados em condições de congelamento juntamente com o dele.

Na sexta-feira (03/07), delegações estrangeiras prestaram homenagem ao líder mártir em uma cerimônia em Teerã, reunindo representantes de países da Ásia, África, Europa, Américas e organizações internacionais. As delegações incluíram presidentes, primeiros-ministros, presidentes de Parlamento, chanceleres, altos funcionários, lideranças políticas e representantes de órgãos religiosos e movimentos de resistência.

¨      Trump se diz 'chocado' com multidões no funeral de Khamenei; Irã reitera busca por justiça

No marco das celebrações fúnebres do ex-líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, o Ministério das Relações Exteriores do Irã definiu neste sábado (04/07) a busca pela justiça contra os Estados Unidos e Israel “uma causa duradoura”. O comunicado foi emitido enquanto uma multidão massiva de milhões de civis se concentrava na Grande Mesquita de Teerã entoando apelos de vingança contra as nações agressoras.

Também em meio às procissões fúnebres, o ministro interino da Defesa iraniano, Majid Ibn al-Reza, advertiu Washington que Teerã daria uma resposta “necessária e decisiva” caso os compromissos sob o acordo de cessar-fogo – que destacou ter sido firmado unicamente para preservar a estabilidade regional – fossem violados, conforme noticiou a agência de notícias ISNA. Neste sábado, a Casa Branca informou que as negociações devem ser retomadas somente depois das celebrações, que terminam em 9 de julho. 

Referente à agressão militar dos Estados Unidos e do regime sionista de 28 de fevereiro, o ministro al-Reza reforçou as denúncias de que os bombardeios visaram intencionalmente centros civis, hospitais, universidades, escolas, infraestrutura industrial e locais históricos, provocando o martírio do líder supremo e dos principais comandantes militares do país.

O funeral público prevê uma duração de seis dias e deve percorrer as cidades de Qom e Mashhad, onde ocorrerá o sepultamento de Ali Khamenei. Neste primeiro dia de celebrações, o presidente do país persa Masoud Pezeshkian destacou que o luto manifestado pelo povo foi “a melhor prova da grandeza, dignidade e força do líder mártir da revolução”, em uma demonstração de “raiva pelos Estados Unidos e por Israel”.

Em entrevista ao portal norte-americano Axios, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tem comemorado os 250 anos da independência do país neste mesmo sábado, afirmou ter ficado “chocado” com a comoção dos iranianos em Teerã. “Eu pensei que as pessoas o odiassem”, disse o republicano.

Ainda ao veículo, o mandatário norte-americano afirmou que poderia “eliminar todos” os presentes no funeral de Khamenei, mas que “não restaria ninguém para negociar” caso decidisse por isso. Na última quinta-feira (02/07), ao longo dos preparativos para as procissões, o comandante militar da Sede Central de Khatam al-Anbiya, Ali Abdollahi, alertou contra qualquer ataque inimigo.

“Alertamos os inimigos do Irã, especialmente os Estados Unidos e o regime sionista, para evitarem qualquer erro de cálculo e pensarem na dura retaliação que nossas forças armadas fariam a qualquer ameaça e agressão contra nosso país”, disse.

Orações fúnebres

A expectativa é de que comece no domingo (05/07), às 6h pelo horário local, na Grande Mesquita de Teerã, a cerimônia de orações fúnebres para o ex-líder supremo Ali Khamenei, assim como também para os quatro membros de sua família que foram juntamente martirizados em 28 de fevereiro. Em paralelo, as cerimônias de despedida devem seguir em todo o território nacional.

Os quatro membros da família Khamenei assassinados nos ataques norte-americanos e israelenses são Mesbah al-Hoda Baqeri Kani, genro de Khamenei; Seyedeh Boshra Hosseini Khamenei, sua filha; Zahra Haddad Adel, sua nora; e Zahra Mohammadi Golpayegani, sua neta. Quem sobreviveu ao bombardeio inimigo é Motjaba Khamenei, filho de Ali e atual líder supremo iraniano, que não tem confirmação de aparição pública no enterro de seu pai.

 

Fonte: Opera Mundi

 

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