terça-feira, 7 de julho de 2026

Chamada de "fenômeno" por Valdemar, Michelle segue firme e não recua

No programa do Noblat, a análise se volta para os bastidores do PL. O ponto de partida é uma fala de Valdemar Costa Neto, que veio a público elogiar enfaticamente Michelle Bolsonaro, classificando-a como um verdadeiro “fenômeno” de carisma e liderança – após toda a crise no Clã Bolsonaro.

No entanto, para além das aparências, a leitura fina do cenário sugere que esse movimento público do cacique partidário é uma tentativa velada de apaziguar os ânimos e administrar uma crise familiar que ameaça a estabilidade eleitoral do partido.

A análise indica que, por trás dos elogios, há um forte movimento de bastidores para tentar salvar a campanha de Flávio Bolsonaro do isolamento. Noblat sugere que a estratégia idealizada por Valdemar passaria por convencer Michelle a, por exemplo, assinar uma carta de recuo – um gesto planejado em que ela justificaria suas duras críticas recentes ao enteado como um reflexo do abalo emocional e do estresse causados pela prisão de Jair Bolsonaro. Seria a saída política perfeita para simular uma paz institucional e trazer a principal força de votos do PL de volta ao palanque de Flávio.

Contudo, o que se projeta é a total inviabilidade desse recuo por parte de Michelle. A ex-primeira-dama não parece disposta a encenar um arrependimento público ou a sacrificar o próprio capital político para blindar uma ala da família que, historicamente, a isola e a desrespeita por não considerá-la “puro sangue”.

Ao reter sua força e não ceder a um plano que a apague, Michelle implode qualquer tentativa de Valdemar de costurar uma unidade artificial, deixando evidente que o pragmatismo e as feridas internas do clã falam muito mais alto do que os discursos oficiais.

•        Presidente do PL diz que Michelle ‘precisa colocar a cabeça no lugar’

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que pretende manter Michelle Bolsonaro como líder do PL Mulher e descartou a possibilidade de substituí-la no comando da ala feminina do partido. Segundo ele, a ex-primeira-dama possui um carisma único e é considerada um “fenômeno” dentro da legenda.

Em vídeo, Valdemar declarou que ninguém teria condições de ocupar o espaço deixado por Michelle à frente do PL Mulher. Enquanto ela permanece afastada da função, as seções estaduais do movimento continuarão sendo conduzidas por suas respectivas lideranças locais, até que, segundo o dirigente, Michelle “repense” a decisão e retorne ao cargo.

O presidente do PL também pediu paciência neste momento político. De acordo com Valdemar, o partido não pode correr o risco de perder a próxima eleição, pois, em sua avaliação, uma derrota significaria que o ex-presidente Jair Bolsonaro permaneceria preso por mais dez anos.

<><> Michelle e o PL Mulher

Na terça-feira (30), a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro deixou a presidência do PL Mulher. O acordo foi fechado em reunião com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, em Brasília.

A decisão de Michelle se desencadeou em meio à crise pública com seu enteado e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro. Em vídeos nas redes sociais, ela disse que foi desrespeitada e humilhada pelo senador em uma ligação no fim de 2025.

Em nota, Michelle informou que pretende dedicar “integralmente” ao marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e à filha. Segundo ela, uma conversa com Jair sobre o momento da família levou a essa escolha. Após a publicação, Flávio pediu desculpas e afirmou não querer ofender Michelle.

Na ocasião, Valdemar Costa Neto chegou a declarar que a presidência do PL Mulher seria extinta em homenagem a Michelle. “Michelle fez um excelente trabalho à frente do PL mulher mas, nesse momento, decidiu deixar a presidência nacional do PL Mulher porque fez a opção de concentrar suas atividades em cuidar do nosso presidente. Temos que respeitar essa decisão”, disse.

•        Destino incerto: aliados tentam convencer Michelle a manter candidatura ao Senado

Em meio à crise em curso entre Michelle Bolsonaro (PL) e o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o futuro da ex-primeira-dama na corrida eleitoral e no partido ficou incerto. Segundo aliados, ela ainda não decidiu se manterá a candidatura ao Senado Federal pelo Distrito Federal. E, com essa decisão, outras portas podem se abrir.

O Correio Braziliense conversou com pessoas próximas de Michelle, que contaram que a decisão final sobre o Senado Federal deve ocorrer próximo das convenções partidárias, que podem ocorrer até 5 de agosto. No entanto, no momento, permeia uma sensação de que Michelle não estaria disposta a manter a candidatura. Ainda assim, aliadas pretendem tentar convencer a ex-primeira-dama do contrário até o último momento.

Nesse cenário, também surgiram especulações sobre Michelle deixar o partido e se filiar ao Republicanos, tendo em vista a insatisfação dela com o PL. No entanto, a avaliação é que a prioridade número um no momento é eleger a ex-primeira-dama como senadora. Portanto, não faz sentido uma troca de partido.

Isso porque, para concorrer como senadora, a ex-primeira-dama teria que ter se filiado em outra sigla até 3 de abril. Segundo a legislação eleitoral, é exigida a filiação partidária de, no mínimo, seis meses antes da eleição, para que um candidato possa concorrer. Portanto, se Michelle fosse para o Republicanos agora, ela não poderia se candidatar para este pleito.

Membros do Republicanos admitiram que houve conversas e tentativas de trazer Michelle durante a janela partidária — período de 30 dias que permitiu a troca de legenda sem perda de mandato — , mas não obtiveram êxito. Ainda assim, a sinalização é que o partido está aberto a receber a ex-primeira-dama, caso ela deseje se filiar após se eleger como senadora ou caso desista de concorrer. Porém, há quem acredite que, se eleita, Michelle seria fiel ao partido que a lançou como candidata.

Nesta semana, o próprio presidente do Republicanos, deputado Marcos Pereira (SP), declarou que Michelle seria "muito bem-vinda" ao partido. Também houve sinalizações da senadora aliada Damares Alves (Republicanos-DF). "Vocês não têm ideia do que fizeram com a Michelle Bolsonaro nos últimos dias", disse em discurso na Comissão de Direitos Humanos.

<><> Sem apego

Na ocasião, a senadora também afirmou que as mulheres da direita estavam sendo atacadas, com o principal alvo sendo Michelle. "Tem sido muito difícil para nós, mulheres na política. Eles atacam a nossa honra, machucam as nossas famílias e usam as mentiras mais sujas para tentar nos calar e nos destruir", disse Damares.

Questionada sobre se a ex-primeira-dama deixaria o partido do marido Jair Bolsonaro (PL), uma fonte muito próxima de Michelle afirmou acreditar que ela tem mais compromisso com a causa conservadora, sem tanto apego à sigla partidária. No Republicanos, ela atrairia o voto feminino, evangélico e até mesmo de bolsonaristas. Seria um alinhamento de afinidades, tendo em vista que o partido mantém historicamente uma forte aliança com os evangélicos e abriga figuras de destaque da igreja em seus quadros. A atuação é fortemente fundamentada na defesa de pautas e valores cristãos.

Além disso, o cenário aponta que as insatisfações de Michelle com o PL vão além da crise com Flávio, que teria sido a gota d'água para a ex-primeira-dama desejar se afastar da política. Aliadas apontam, por exemplo, que a desorganização do partido em relação às eleições do DF também interferiram nesse cenário.

•        Petistas e bolsonaristas investem em memes contra Michelle Bolsonaro

Os memes envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) passaram a unir, por motivos distintos, integrantes do PT e aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. Após a divulgação de um vídeo em que Michelle faz duras críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), os dois campos políticos começaram a compartilhar peças que associam a ex-primeira-dama ao Partido dos Trabalhadores.

Entre petistas, circulam memes que retratam Michelle como “funcionária do mês” da sigla. As publicações fazem referência ao conteúdo do vídeo em que ela critica o enteado e presidenciável.

Ao mesmo tempo, parlamentares bolsonaristas passaram a compartilhar, em grupos de WhatsApp, montagens que mostram Michelle vestida como militante petista. As imagens fazem alusão a uma declaração da ex-primeira-dama sobre o lançamento da Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos, iniciativa apresentada pelo Ministério da Educação do governo Lula.

Na ocasião, Michelle afirmou que a política pública representa um “sonho realizado”. A declaração passou a ser utilizada por parlamentares alinhados ao ex-presidente para produzir e disseminar memes que associam a ex-primeira-dama ao PT, movimento que ocorre paralelamente às publicações feitas por integrantes da legenda de Lula.

•        Proteja-se dos que juram amá-lo, Bolsonaro! E a domiciliar sem arsenal. Por Reinaldo Azevedo

Impecável a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que manteve Jair Bolsonaro em prisão domiciliar, cassando o seu porte de arma e apreendendo a pistola Glock, calibre 9mm, encontrada com um sargento. A própria defesa havia informado ao ministro que o ex-presidente não a queria de volta. Também está revogado seu registro como CAC (Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC), com a consequente entrega de um verdadeiro arsenal em seu nome. Além dos detalhes da decisão, este texto também tratará de fábulas para crianças e adultos.

Escreve o ministro:

“No presente momento, a manutenção de prisão domiciliar humanitária mostrase razoável, adequada e proporcional, sobretudo porque, afastados os fatores impeditivos anteriores e presentes as excepcionalidades humanitárias, é possível sua concessão mesmo para os condenados em regime fechado, desde que isso não represente a impossibilidade ou dificuldades na integral execução da pena privativa de liberdade transitada em julgado.

Moraes observa ainda que não se verificou “a prática de qualquer falta grave durante o período em que o custodiado encontra-se em prisão domiciliar humanitária”. Acrescenta que a saúde de Bolsonaro melhorou:

“(…) não há dúvidas de que, durante o cumprimento da prisão domiciliar humanitária, houve a melhora clínica do custodiado JAIR MESSIAS BOLSONARO, não somente em relação à ‘broncopneumonia aspirativa’, mas também no quadro geral de suas comorbidades, conforme demonstram os relatórios médicos semanais juntados aos autos pela Defesa (…)”.

FAZIA SENTIDO? NÃO!

O ministro considera, assim, que o episódio da arma levada para revisão não teve a intenção de confrontar o Juízo ou de afrontar as determinações legais. Mas é evidente que uma pessoa condenada, em regime fechado, não pode dispor de armas, ainda que a pena seja executada na modalidade “domiciliar humanitária”.

No programa “Reinaldo Azevedo” desta quinta, neste “Metrópoles”, observei que é inaceitável, além de obviamente perigoso, que Bolsonaro tenha acesso a armas de fogo. Num episódio, por exemplo, em que foi acometido por algo semelhante a um delírio, segundo seus próprios defensores, danificou a tornozeleira eletrônica.

Como é sabido que ele toma medicação que pode lhe alterar o ânimo, a manipulação de armas constitui risco óbvio a terceiros e a si mesmo. Pergunta óbvia de resposta tão desconhecida como, vejam que coisa!, igualmente óbvia: e se, num lapso qualquer, ele atentasse contra a própria vida?

MEDIDA PRUDENCIAL

Assim, Moraes mantém a domiciliar, reconhecendo que esta contribui para sua maior sanidade física, mas toma as medidas que estão a seu alcance para afastá-lo das armas, sendo, pois, correta a revogação de seu porte de arma e de seu registro como CAC. Talvez fosse prudente determinar uma rigorosa varredura na casa do ex-presidente para assegurar que não há por lá, escondida, nenhuma arma sem registro. As registradas serão todas apreendidas.

Além da pistola Glock 9 mm, terão de ser entregues à Justiça:

– Pistola Forjas Taurus, número de série KVJ78119, calibre .380 Automatic (permitido), registro SIGMA nº 77886;

– Pistola Forjas Taurus, número de série SGW80868, calibre .40 Smith & Wesson (restrito), registro SIGMA nº754078;

– Carabina/Fuzil Caracal, número de série 16C167687, calibre 5,56×45 mm (restrito), registro SIGMA nº 1097009;

– Pistola Caracal, número de série 11C150018, calibre 9×19 mm Parabellum (restrito), registro SIGMA nº 1097029;

– Carabina/Fuzil Springfield Armory, número de série 1198953, calibre 7,62×51 mm (restrito), registro SIGMA nº 1070836;

– Espingarda Typhoon, número de série JMB0001, calibre 12 GA (restrito), registro SIGMA nº 1386851;

– Pistola Arex, número de série 0038, calibre 9×19 mm;

– Parabellum (restrito), registro SIGMA nº 1632503;

– Pistola SIG-Sauer, número de série M17091397,calibre 9×19 mm Parabellum (restrito), registro  SIGMA nº 1784434;

– Espingarda Maestro Arms Company, número de série 481-H21YD-1017, calibre 12 GA (permitido), registro SIGMA nº 1816471.

Trata-se de um verdadeiro arsenal, não? Em se tratando de Bolsonaro, é certo que não teria em casa a coleção dos Sermões de Padre Vieira…

MORAES FRUSTRA OS EXTREMISTAS

Moraes, assim, com a concordância da PGR, frustra os extremistas. Num momento em que Flávio vive uma sinuca de bico, estavam ávidos por uma causa que pudesse reunir a tropa, inclusive dando um motivo para um alinhamento retórico ao menos entre Michelle e Flávio. Não será com a revogação da domiciliar que se vai conseguir isso.

Como resta evidente e como Michelle sabe à farta, o mais difícil não tem sido enfrentar os que odeiam Bolsonaro e suas escolhas políticas. Estes não podem lhe fazer mal nenhum.

O ex-presidente precisa se proteger de alguns que dizem amá-lo e que, vejam só! resolveram destruir a sua mulher, que tem cuidado de sua recuperação. Amor assim nunca se viu! As histórias infantis se esmeraram em perfis de madrastas más. A obra “Os Irmãos Karamazov” — ainda mais os criados nos hábitos da Zona Oeste do Rio — já é uma história sombria para adultos…

 

Fonte: Metrópoles/ICL Notícias/Correio Braziliense

 

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